SEBO LITERÁRIO

 

 

Raymundo Salles Brasil

 

 
 
Poesias
DÉCIMAS

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XXVI

Eu canto porque meu canto
Alegra meu coração,
E quando choro, do pranto
Também faço uma canção.
Vivia eu à procura
De um remédio para a cura
Que erradicasse a tristeza,
Achei em Cristo a vacina
Que não tem na medicina,
Nunca vai ter, com certeza.

Raymundo Salles Brasil

 
 

XXVII

Eu gosto de fazer versos,
Eu já disse isso outras vezes,
Vivo a fazê-los – diversos –
Alegres, tristes, corteses.
Não sei fazê-los de escol,
Não me foi dado esse sol,
Apenas um vaga-lume,
Que vive predestinado,
Voando sempre ao meu lado,
E por onde quer que eu rume.

Raymundo Salles Brasil

 
 

XXVIII

Eu acho que a lua me ama,
Ela vem detrás da mata
Para trazer-me, na cama,
Sua luz da cor de prata!
Quando a vejo enchendo os vãos,
As sombras parecem mãos
Que suavemente me afagam,
Mas vão mudando de gama,
E eu vejo da minha cama
Que aos poucos elas se apagam.

Raymundo Salles Brasil

 

 

XXIX

A mim o que mais me estima,
Das coisas que me acontecem,
É quando eu acho uma rima
Pra meus versos que se tecem.
O mais é coisa banal:
O que passa no jornal...
O que acontece na esfera...
Eu quero uma rima, e ponto,
Quero ver meu verso pronto,
Qualquer coisa mais espera.

Raymundo Salles Brasil

 

XXX

Neste meu cotidiano
Muitas coisas aprendi,
Que ter mau gênio é insano,
Isto em provérbios eu li.
É bom se ter paciência,
E pedir a Deus clemência,
Aprender a perdoar.
Deus não se agrada da ira,
Qualquer palavra que fira
Nós devemos evitar.

Raymundo Salles Brasil