
Baixa do Chiado
Acordei cedo. Estava mais calma com as notícias que chegavam de
Fortaleza. Além do mais, no período da tarde, receberia a visita
das irmãs de
uma colega de faculdade; Solange e Mônica Brígido, elas me
levariam para
conhecer a Serra de Sintra e depois seria servido o jantar, na
residência de
uma delas. Aguardava ansiosa. Tinha certeza de que, naquela
tarde, eu
viveria fortes emoções em companhia das conterrâneas e de seus
familiares.
Sinceramente, esse encontro foi fundamental para fechar com laço
de ouro
minha visita a Portugal. Na verdade, eu não as conhecia, mas por
serem
irmãs da Joana D'arc, dava para ter uma idéia de como seria
agradável esse
encontro.
Permaneci por algum tempo na cama e depois, mais uma vez, sai só
e
sem ter um roteiro pronto. Utilizei o elevador de serviço, pois
os fundos do
Hotel Ibis ficavam para o lado da "Praça da Espanha", essa opção
diminuía
consideravelmente à distância até lá. Tinha feito esta
descoberta, no dia
anterior, quando retornava de um passeio.
Agora, por conhecer o caminho, sai mais confiante. Na verdade,
eu
queria caminhar, porque assim, conheceria melhor essa linda
cidade.
Cheguei a Praça da Espanha, logo busquei informações acerca do
local que
vendia bilhete para o metro (metrô). Sai em busca de ver coisas
bonitas e
fazer algumas compras. Segundo a recepção do hotel, Baixa do
Chiado é um
bairro de Lisboa, onde se encontram lojas para todos os gostos e
condições
financeiras. Confesso que, quando entrei na estação senti um
pouco de
medo, principalmente quando olhei para o lado direito e vi um
sujeito
esquisito que não parava de olhar-me. Segurei firmemente a minha
bolsa e
procurei manter a calma. O metro (metrô) parou na estação e como
um
relâmpago partiu. Foi tudo muito rápido, em questões de segundos
eu
estava dentro do transporte mais veloz que já vi em minha vida.
Fiquei bem
longe do sujeito com cara de mau. Seu cheiro não me agradava ou
como
dizemos por aqui, ele não cheirava bem.
Passaram-se cinco minutos, o metro (metrô) parou e as pessoas
desciam com tanta rapidez que foi de causar-me espanto! Sem
hesitar,
acompanhei a multidão... A estação era imensa, sentia-me,
totalmente
perdida. Era esta a primeira vez que andava de "metro", ainda
não sabia bem
como proceder. Fiquei observando os mínimos detalhes, minha
curiosidade, meu espírito investigador, não me permitiram sair
dali, antes
que descobrisse o motivo, pelo qual teria subir tantas escadas
até o solo.
Dava a impressão de ter entrado alguns quilômetros no
subterrâneo.
Posteriormente percebi que o ponto de embarque era alto e o de
desembarque, no caso, a estação de Metro Rossio, era baixo. Até
fazia
sentido o bairro ser chamado de Baixa do Chiado. Em meio às
minhas
indagações, aproveitei para perguntar, onde ficava a estatua do
poeta
português, Fernando Pessoa.
Ao sair da estação, fui logo vendo o elevador de Santa Justa que
fica
localizada na Rua de Santa Justa (Baixa) e Largo do Carmo
(Bairro Alto).
Era também conhecido como elevador do Carmo que liga a Baixa ao
Bairro
Alto, alguns metros acima. Duas elegantes cabines decoradas em
madeira e
latão desembarcam os passageiros em uma passarela que conduz ao
Largo
do Carmo e às Ruínas do Carmo. Deste ponto se pode ter uma linda
vista
das emaranhadas ruas da Baixa. Este bairro cedia o Largo do
Carmo, a
Igreja dos Mártires, Teatro Nacional S. Carlos, entre outros
pontos
turísticos. Trata-se de um antigo foco intelectual, da Lisboa do
século XIX,
reduto de Fernando Pessoa.
As muitas faces de uma Lisboa ora moderna, ora antiga. Desafia
rótulos e admite
alguns aparentes paradoxos, como no famoso verso de Fernando
Pessoa, sob o heterônimo
Álvaro de Campos, que se tratava de uma cidade triste e alegre.
Falando em Fernando Pessoa, ele nasceu em 1888-1935.
“Considerado o poeta
de língua portuguesa mais importante do século XX.” Estudou na
África do Sul e fez
Curso Superior de Letras, em Lisboa. Deixou os estudos e
trabalhou como tradutor e
correspondente estrangeiro de casas comerciais. Em 1915,
participou da revista Orfeu,
que lançava o futurismo em Portugal. Cria várias teorias
estéticas e usou diferentes
heterônimos para assinar sua obra.Os mais conhecidos são Alberto
Caeiro, Álvaro de
Campos e Ricardo Reis, cada um com estilos e visões de mundo
diferentes. Caeiro é
considerado naturalista e cético, Reis, um classicista, enquanto
o estilo de Álvaro de
Campos é associado ao do poeta norte-americano Walt Whitman.
Entre seus poemas
destacam-se Tabacaria e Autopsicografia. É considerado
anti-romântico por opor-se à
tradição lírica e sentimental da poesia portuguesa. Publicou um
único livro em vida,
Mensagem (1934), ganhador do segundo prêmio do concurso do
Secretariado de
Propaganda Nacional. Entre seus principais textos em prosa estão
A Nova Poesia
Portuguesa, Páginas de Doutrina Estética e Textos Filosóficos,
todos publicados
postumamente." Alberto Caeiro diz no poema abaixo:
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos.
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

Largo do
Chiado
Este Largo irregular, situado entre a
Rua da Misericórdia e a Rua Garrett, é dos
largos lisboetas onde encontramos mais curiosidades. Podemos
observar a estátua de
António Ribeiro Chiado, um poeta do séc. XVI que viveu nesta
zona e lhe deu o nome.
Podemos observar o elegantíssimo café “A Brasileira”, com
restaurante no subsolo e junto
à sua esplanada encontramos a estátua de Fernando Pessoa, o
poeta português, que era
um assíduo freqüentador das tertúlias que aí se realizavam. Na
parte mais estreita do
largo, também conhecida por Rua das Duas Igrejas, vemos, frente
a frente, as Igrejas do
Loreto e da Encarnação, dois dos principais templos de Lisboa.
Existem também neste
largo alguns grandes e históricos estabelecimentos, como a ´Casa
Havaneza´, citada na
obra de Eça de Queiroz 'Vista Alegre', 'Hermes', 'Lalique' e o
'Paris em Lisboa'. Na
parte maior do largo, passa o eléctrico 28, que passa também
pela Sé, Estrela e Graça.
A Rua Augusta está situada em um dos quarteirões mais
movimentados de Lisboa. Fechada ao trânsito, esta rua conta com
todo o
tipo de lojas para todos os tipos de gostos, com vendedoras de
flores, de
cartões, vendedores de castanhas assadas, artistas de rua
independentes
como o 'homem-estátua' e etc. Podemos encontrar também
magníficas
praças, como é o caso da Praça do Rossio e a Praça do Comércio.
Perto do
arco que dá acesso à Praça do Comércio podem ser encontrados
vendedores de rua (o que chamamos no Brasil de camelô) a
oferecer dos
mais variados tipos de produtos como; bijuterias, calçados,
malas, cachecóis
ou tatuagens temporárias... Digamos que tenha quase tudo que o
turista
desejar.
Agora teve um aspecto que me chamou atenção nesta área, foi o
nome das ruas que ficavam em paralelo com a Rua Augusta. Elas
receberam nomes dos metais preciosos que tínhamos aqui no
Brasil, como:
ouro, prata...
A Rua do Ouro localiza-se também no Bairro da Baixa, como a Rua
da Prata,
coração financeiro da cidade, onde a informação tecnológica dos
milhões de Euros, e
trilhões de Escudos Portugueses, rendem-se à história de
tradição de um povo que, de antes
ouvirem o grande tráfego das carruagens e coches, na verdade
chegavam a ouvir um som
chiado, e o costume deu nome ao bairro.
Neste bairro as lojas são sofisticadas, pode-se comprar todo
tipo de
mercadoria. Foi na “Rua do Ouro” que fiz algumas compras,
lembro-me de
ter entrado na “Papelaria da Moda”. Depois passei pela “Rua da
Prata” e no
meio a tantas lojas exuberantes tinha uma lojinha pequena e bem
atrativa,
nela vendia sapatos, bolsas e até perfumes, chamava-se “Reis
Faria LTDA”.
É o mesmo que chamamos no Brasil, de boutique. A Vendedora era
gentil e
terminei comprando um nécessaire para Wanessa.
Hora de retornar ao hotel, estava quase satisfeita, com tudo que
tinha
visto e comprado. O bem estar tomava conta do meu corpo e de
minha
mente, por vezes, cheguei a imaginar-me transitando pelas ruas e
lojas de
Paris
Encontro com as Amigas Brasileiras
Às quinze horas, já no hotel, a
campainha soou. Eram as irmãs,
Mônica e Solange que tinham vindo buscar-me. Foi um agradável
encontro,
dava a impressão que nos conhecíamos. Elas traziam nos lábios
sorrisos
encantadores e irradiavam uma luminosidade que, somente as
futuras
mamães conseguem transmitir: ambas estavam grávidas de seis
meses.
Logo de inicio houve um carinho mútuo. Naquele instante, minha
alma
dançou ao ritmo do estilo brasileiro. Sentia-me sinceramente
gratificada por
aquela grande gentileza das novas amigas. Ao pensar que se não
fosse por
elas eu não teria conhecido a gloriosa Serra de Sintra!...
Passado nove dias, já não tinha mais disposição para me
aventurar
sozinha. Após as apresentações e os abraços, descemos e fomos ao
encontro dos maridos e das crianças que nos aguardavam no
automóvel.
Seguimos a mesma trajetória do primeiro dia em Portugal, sendo
que
desta vez, o nosso destino era a “sedutora Serra de Sintra”, ao
passar pela
entrada principal avistei seus imponentes e bem cuidados
castelos,
palácios... Creio que são eles testemunhas de longas batalhas e
magníficas
histórias de amor. Por certo, Sintra deve ocultar nas folhagens
de seus
jardins e na beleza de suas arquiteturas, mistérios que nem
mesmo com o
passar do tempo, o povo conseguiu desvendar. O encantamento e
romantismo estão presentes em quase tudo, até mesmo no ar que a
gente
respira, no vento que sopra baixinho, trazendo às nossas
narinas, o místico
cheiro da folha verde, da flor e da terra molhada (hálito da
natureza), dentro
deste contexto alcei vôos jamais imaginados.
Casas antigas, lojas coloridas, roupas, toalhas bordadas,
cerâmicas e
pequenos enfeites me fizerem lembrar produtos artesanais,
confeccionados
por rendeiras e artesões nordestinos. A grande diferença é que
estes
produtos são super valorizados ao passo que os nossos... O que
considero
lamentável.
Em Sintra, a magia era intensa e por alguns momentos, percebi
que
estava havendo uma espécie de comunicação entre a beleza
panorâmica do
lugar e nós, os visitantes. Meus anfitriões Mônica, Solange,
Paulo e Charles
foram verdadeiros tradutores daquele diálogo poético.
Fizemos também um passeio pelos arredores do romântico Palácio
Nacional da Pena, de onde se podia ver uma das vistas mais bela
da Serra de
Sintra. Mesmo à distância, vislumbramos detalhes do maravilhoso
Castelo
dos Mouros. Este ficava no cume da serra e por aversão à altura,
nem pensei,
em ir até lá. Tiramos algumas fotos do palácio, do castelo...
Depois fomos
ao Centro Comercial Turístico: Café/Pastelaria Piriquita, onde
saboreamos
um delicioso doce regional: “travesseiro”.
O ambiente era simples, sem muito requinte, mas tinha algo que
atraia grande número de turistas. Local bastante freqüentado
pela alta
cúpula política, empresarial e artística. Fiquei sabendo que, a
pessoa indo a
Portugal e não visitando a Serra de Sintra para comer o famoso
“travesseiro
da Piriquita” é o mesmo que “ir à Roma e não ver o papa”.
Despedimo-nos
de Sintra que apesar de fria era espetacular, não só por sua
beleza, mas por
tantas outras coisas que ao cair da tarde pude apreciar. Vale
salientar que as
emoções não pararam por aqui, pois os meus anfitriões estavam me
reservando mais uma agradável surpresa. Sem demora, retiramo-nos
de
Sintra e seguimos para a residência do casal Brígido Mendes,
localizada no
Bairro Cascais. Lá seria servido o jantar. Que jantar! Ainda
teria a
companhia de todos os novos amigos, Paulo Bicho Mendes e Mônica
Brígido Mendes e o filhinho Pedro (02 anos); Charles Gonçalves e
Solange
Brígido Gonçalves e filhinho Breno (07 anos). Na época. O clima
era de
festa, pois, onde tem poeta e apreciadores da poesia, somente
podemos
esperar muita alegria e descontração. A Mônica Brígido, por sua
vez,
levantou-se e, amavelmente anunciou que o jantar seria servido,
logo após
ouvirem uma poesia de minha lavra. Sentia-me lisonjeada por
declamar na
presença, daquela nobre família. Diante do estado interessante
das duas
futuras mamães, o poema Formas, uma maneira poética de
homenageá-las.
Comecei por agradecer a fineza com que estavam me recebendo em
suas
casas e, em seguida fiz a performance.
