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SEBO LITERÁRIO

autor



Canção pra Vilma
Ou, ou, ou! Vilma Matos
Uma estrela brilhou
Ou, ou, ou! Vilma Matos (bis)
Um sonho realizou
Na odisséia da vida
Surgiu a Vilma, o bem
Com seu jeitinho singelo
Que outra pessoa não tem
Escreve versos bonitos
Faz poesias também
Sua presença irradia
Todo espaço que tem (repete I refrão)
Com suas mãos
E caneta
A história de
Ulissis contou
Hoje é dia de festa
De fé, amor e luz
De gratidão à vitória
Ao nosso Cristo Jesus.
Walmir Romão

Por que “Odisséia?”
Entendi a metáfora do título ao percorrer as
linhas do seu relato: o susto pelas descobertas, o choque
cultural, o atordoamento aéreo do primeiro vôo e o fuso-horário
literalmente em parafuso. Pude imaginar o que você por timidez
talvez, não falou: as cólicas provocadas pelo medo.
Emocionei-me com a história quase irreal da freira, uma espécie
de performance de anjo da guarda cruzando o caminho de quem
acredita em Poder Superior. Odisséia, no sentido que você
empregou a palavra, significou o começo e o fim de uma jornada
exterior e interior, por destino consumada naquele ponto
geográfico tão distante do seu habitat. Quando a torpeza humana
lhe atingiu, o mal venceu instantaneamente e você morreu em
Lisboa. Ao receber força para encarar com serenidade o golpe de
uma cilada, você estava do outro lado, pronta para renascer
entre estranhos, despojada de qualquer vinculo afetivo e de
interesses materiais. Voltar ao Brasil cheia de novidades, não
foi o sentimento mais predominante sobre a sensação de ser nada
retornando ao nada. As imagens de sua cidade encheram suas
retinas de encanto, por serem frutos de um primeiro olhar; o
primeiro carinho recebido na terra do sol desatou em choro
convulso, tal qual acontece com todo mundo nos braços da
parteira; a sua volta era de muito mais longe. Talvez, você até
tenha visto o Ulisses nesse lugar.
Arleni Portelada

Buscando as Raízes
Viajei nos acontecimentos espirituais que
deram um tempero ao seu livro, sobre a viagem a Portugal.
Acredito que todos nós buscamos inconscientemente as raízes,
mesmo que sejam apenas emocionais. Penso que temos quase sempre
o anseio utópico de visitar a pátria mãe. Talvez sejam
lembranças do passado que teimam em aflorar; quem sabe busquemos
fazer uma regressão sem hipnose a fim de pisar o chão que
acreditamos já ter percorrido. Sei lá!
Imagino assim porque também sinto dessa maneira.
Lisboa, Rio Tejo, Algarve, Leiria, Cascais, Alto do Pina, parecem
ecos do passado e tudo se refletindo no espelho da imaginação.
Por isso viajei como já disse, nos seus escritos e até me
emocionei com a criação das formas pensamento.
Foi muito interessante você ter conhecido antes os amigos
virtuais do CEN e depois recepcioná-los, em Fortaleza. Foi um
belo tratamento dado a todos e uma comprovação da nossa
hospitalidade.
Parece que você deveria passar por tudo que passou de apreensão
e solidão que marcaram, mas não embaçaram as alegrias e
surpresas que você teve oportunidade de saborear.
Gostei da freirinha.
Enfim, a leitura me prendeu e fiquei com vontade de ler mais
adiante para saber o restante. Quanto às explicações do Carlos
Leite, são bem oportunas, entretanto me deixaram mais ansioso
para voltar a sua narrativa de viagem. Muito bom!
Quanto ao malfadado trote, realmente me impressionou a maldade e
a irresponsabilidade de uma pessoa que se presta a tal
mesquinhez. Não sei, se não correria atrás de identificar quem
se prestou à tremenda canalhice.
Talvez você tenha razão, o que importa mesmo é que você recebeu
antecipadamente a ajuda espiritual necessária. Dizem que o
Espiritismo é “o remédio antes da dor”. O fato demonstra essa
verdade. O resto é procurar esquecer e tornar-se sempre, como
disse Jesus: “manso como as pombas e sagaz como as serpentes”.
Buscando as Raízes
William Alcântara

Perseverança e simplicidade
Certo dia
de meados do mês de dezembro de 2003 chegou Vilma a Lisboa, só,
e com duas enormes malas de viagem. Numa cidade que ela não
conhecia, e pessoas, conhecia umas três ou quatro virtualmente;
foi uma grande aventura. Mas, sua educação, sua simpatia natural
e o seu valor literário fizeram dela a figura principal por onde
passou, encantando a todos com sua simplicidade. Essa aventura
foi habilmente transformada em substanciosa obra, na qual tenho
a honra de assinar uma parceria nas pesquisas históricas. É o
seu primeiro livro, e é um roteiro por onde Vilma passou e
registrou todas as suas sensações em terra lusa. Há um pouco de
tudo, informações culturais, fatos curiosos, misticismo e claro,
a sua poesia.
Com certeza, nossa vida se torna bem mais rica com ela. Sua
poesia não é, por vezes, tão comportada, pois, em vez de ficar
presa no papel, gosta de ganhar vida, freqüentemente nos
convidando a passeios de grandes reflexões, experiências e
sensibilidade.
No que diz respeito à forma, os versos da Vilma Matos são
curtos, todos os ritmos são empregados e o recurso à rima dá-se
de quando em quando, num processo ao qual talvez se pudesse
chamar de “som-puxandosom”, desdobramentos que surgem
naturalmente e sem malabarismos.
Parabéns, Vilma Matos. Pessoa como você sempre será bem-vinda a
este lado do Atlântico.
Colaborador
Carlos Leite Ribeiro - Natural de Portugal, jornalista, escritor,
pesquisador, radialista,
idealizador e presidente do site “Cá Estamos Nós”, que agrega
escritores de
língua portuguesa espalhados pelo mundo. Sócio Honorário da
Academia de
Letras dos Municípios do Estado do Ceará - ALMECE.

Odisséia em Ulisséia
À guisa de prefácio
Tive a
oportunidade de conhecer Vilma Matos, em meados de 2003, durante
um evento literário realizado na Casa de Juvenal Galeno.
Por aqueles dias, organizava uma programação para lançamento do
meu livro de ensaio, “O Romance Cearense”, que se daria
proximamente no Centro Cultural Oboé. Então, faltava a
declamadora que ilustraria a parte lítero-artística e isso vinha
me causando certa inquietação.
Voltemos à Casa de Juvenal Galeno. A distinta platéia que lotava
o recinto foi, em determinado momento, surpreendida pelo talento
de Vilma Matos que declamou uma peça de sua autoria. Confesso
que no decorrer da exibição, considerei superado o problema
relacionado com a esperada noitada no Oboé. O sucesso da poetisa
na noite cultural do Oboé, se repetiria durante outra exibição a
efeito recentemente na Casa do Jornalista, quando mostrou, mais
uma vez, o seu talento.
Até então, eu que conhecia apenas a poetisa, a declamadora,
agora me deparava com a autora de um livro em prosa, dosado com
subsídios em versos, com dias marcados para entrar no prelo.
Pediu-me inicialmente para dar uma revisada; depois, o convite
para fazer a apresentação. Assim, tive o privilégio de ler em
primeira mão os originais de Odisséia em Ulisséia, ou melhor, de
acompanhar Vilma na fascinante viagem que fizera a Portugal
havia alguns meses.
Surpreendeu-me, sinceramente, na autora a facilidade com que
descreve os detalhes da viagem, numa linguagem amena, concisa,
com colocações de sentenças, períodos e orações que se sucedem
naturalmente numa beleza de estilo simples, em que procura não
abusar da sintaxe. Trata-se realmente de um trabalho com grande
poder de síntese, porém, que não chega a prejudicar a
objetividade com que ela descreve os lugares – centros
históricos e turísticos incluindo mosteiros, palácios, castelos
e outras construções seculares – que prendem emocionalmente as
atenções “não só”.
Pela sua magnânima história, como também pela sua imponência e
seus mistérios”, nas palavras da autora, sem os rodeios das
metáforas. Nota-se, assim, a preocupação que teve de “retratar”
para nós brasileiros, em seus mínimos detalhes, as belezas que
viu e que desconhecemos da vida e dos costumes do povo lusitano.
Que mais poderia dizer de “Odisséia em Ulisséia e de sua autora
neste espaço que me foi reservado? Que uma seja alavancada pelo
poder de persuasão da outra, alçando as duas o mais elevado
espaço para maior enriquecimento da nossa literatura.
* Jornalista, professor, historiador, detentor do Prêmio Osmundo
Pontes de
Literatura-2002, da Academia Cearense de Letras.
Zelito Magalhães*
* Jornalista, professor, historiador, detentor do Prêmio Osmundo
Pontes de Literatura-2002, da Academia Cearense de Letras.

Entre tantas opções de temas para nominar um
livro, talvez os relatos
de uma viagem, nas páginas quase novelescas de um diário, não
seja
exatamente a forma literária mais sedutora. Porém o âmago dessa
experiência aparentemente turística cultural aconteceu um “bang”.
Os
rascunhos foram de imediato, promovidos a textos e a
conseqüência disso
está em suas mãos, intitulada pomposamente de Odisséia em
Ulisséia.
A autora