Carlos Leite Ribeiro

 

Ordem de Cristo e Descobertas Portuguesas
(por mares onde antes nunca navegados)
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro


Ordem de Cristo

Ordem que herdou, em Portugal, os bens e muitos membros da Ordem dos Templários, extinta pelo papa Clemente V e instâncias do rei de França, Filipe – o Belo, que cobiçava as suas riquezas.
Fundada pelo rei de Portugal, D. Dinis – o Trovador, foi aprovada pelo papa João XXll, que lhe atribuiu a regra de São Bento. A sua sede transferiu-se em 1357 de Castro Marim para a cidade de Tomar.
Teve um papel notável no empreendimento dos Descobrimentos (descoberta, conquista e evangelização de novas terras), sendo seu administrador o Infante D. Henrique (filho de D. João l e de d. Filipa de Lencastre). Com D. Manuel l (que a chefiou desde 1484), a ordem ficou dependente da Coroa. A Ordem de Cristo foi secularizada em 1789 e, extinta em 1910 e restabelecida em 1918 para premiar serviços militares ou civis. 
A cruz da Ordem de Cristo, símbolo que adornou, entre outras coisas, as naus portuguesas durante os Descobrimentos.
Nos séculos XII e XIII, a Ordem dos Cavaleiros Templários ajudou os portugueses nas batalhas contra os Mouros "infiéis". Em troca recebeu extensas terras e poder político. Os castelos, igrejas e povoados prosperam sob a sua protecção. Em 1314, o Papa Clemente V foi forçado a suprimir esta rica e poderosa ordem, mas D. Dinis transformou-a na Ordem de Cristo, que herdou as propriedades e privilégios dos Templários.
Os ideais da expansão cristã reacenderam-se no século XV quando o seu Grão-Mestre, Infante D. Henrique, investiu os rendimentos da Ordem na exploração marítima. O emblema da ordem, a Cruz da Ordem de Cristo, adornava as velas dos navios que exploravam os mares desconhecidos.
Sua origem data do século XVI, como continuidade da Ordem dos Cavaleiros Templários. No entanto, somente a partir do século XV é que o seu grão-mestrado passou ao poder dos reis de Portugal.
Foi a organização da Ordem de Cristo que incentivou a navegação e a expansão do Império Português, e os seus vastos recursos custearam as fabulosas despesas desses empreendimentos. Assim, as terras conquistadas tiveram assegurado o domínio espiritual cristão, enquanto seu domínio temporal pertencia ao Rei. O símbolo da Ordem aparecia gravado nas caravelas e nos marcos de posse da nova terra.
Essa organização era sustentada, inclusive, pelo privilégio, dado aos cavaleiros da Ordem (administradores das terras conquistadas), de receber o dízimo – imposto correspondente à décima parte dos produtos da terra – não só para atender às despesas da Ordem, como também, propagação da fé e do culto cristão.

D. Dinis e a Ordem de Cristo
D. Dinis,  rei de Portugal, filho de D. Afonso III e da infanta Beatriz de Castela, neto de Afonso X de Castela. Foi aclamado em Lisboa em 1279. Cognominado O Lavrador ou O Rei-Agricultor (pelo impulso que deu no reino àquela actividade) e ainda, O Rei-Poeta ou O Rei-Trovador (pelas Cantigas de Amigo que compôs e pelo desenvolvimento da poesia trovadoresca a que se assistiu no seu reinado), foi o sexto Rei de Portugal. Foi o primeiro rei português a assinar os seus documentos com o nome completo. Presume-se que tenha sido o primeiro rei português não analfabeto.
Como herdeiro da coroa, D. Dinis desde cedo foi envolvido nos aspectos de governação pelo seu pai. À data da sua subida ao trono, Portugal encontrava-se em conflito com a Igreja Católica. D. Dinis procurou normalizar a situação assinando um tratado com o Papa Nicolau III, onde jurava proteger os interesses de Roma em Portugal. Salvou a Ordem dos Templários em Portugal através da criação da Ordem de Cristo, que lhe herdou os bens em Portugal depois da sua extinção e apoiou os cavaleiros da Ordem de Santiago ao separarem-se do seu mestre castelhano.
D. Dinis foi essencialmente um rei administrador e não guerreiro: envolvendo-se em guerra com Castela em 1295, desistiu dela em troca das vilas de Serpa e Moura. Pelo Tratado de Alcanises (Espanha em 1297) firmou a Paz com Castela, definindo-se nesse tratado as fronteiras actuais entre os dois países ibéricos. Por este tratado previa-se também uma paz de 40 anos, amizade e defesa mútuas.
A sua prioridade governativa foi essencialmente a organização do reino: continuando a vertente legisladora de seu pai D. Afonso III, a profusa acção legislativa está contida, hoje, no Livro da Leis e Posturas e nas Ordenações Afonsinas. Não são "códigos" legislativos tal como os entendemos hoje, mas sim compilações de leis e do direito consuetudinário municipal, alteradas e reformuladas pela Coroa. Com efeito, a incidência de questões de carácter processual com igual peso ao carácter de direito positivo das suas leis, denuncia a crescente preocupação do rei em enquadrar o direito consuetudinário (ou costumeiro) no âmbito da Coroa, e em efectivar o seu poder no terreno. As determinações sobre a actuação de alvazis (oficiais concelhios), juízes, procuratores e advocati demonstram isto, já que um poder meramente nominal sobre todos os habitantes do Reino, como era típico na Idade Média, não se compatibiliza com este esforço em esmiuçar os trâmites jurídicos, ou em moralizar o exercício da justiça. A criação de corregedores denuncia claramente o início do processo territorial da jurisdição da Coroa, extravasando os domínio régios, a par da crescente importância da capitalidade de Lisboa.
O reinado de D. Dinis acentuou a predilecção por Lisboa como local de permanência da corte régia. Não existe uma capital, mas a localização de Lisboa, o seu desenvolvimento urbano, económico e mercantil vão fazendo da cidade o local mais viável para se afirmar como centro administrativo por excelência. A articulação entre o Norte e o Sul do país - este Sul que se torna alvo da maior atenção e permanência dos reis - fazem de Lisboa centro giratório para tornar Portugal viável. Entre o Norte, onde a malha senhorial é mais densa e apertada, e o sul, onde o espaço vasto conquistado aos mouros implanta sobretudo os domínios régios e as ordens militares, assim como vastos espaços de "res nullius", torna Portugal um reino onde duas realidades diferentes se complementam.
Preocupado com as infra-estruturas do País, D. Dinis ordenou a exploração de minas de cobre, prata, estanho e ferro e fomentou as trocas com outros reinos, assinou o primeiro tratado comercial com o rei de Inglaterra em 1308 e criou o almirantado, atribuído como privilégio ao genovês Manuel Pessagno, e fundando as bases para uma verdadeira marinha portuguesa ao serviço da Coroa.
D. Dinis redistribuiu terras, promoveu a agricultura e fundou várias comunidades rurais, assim como mercados e feiras criando as chamadas feiras francas ao conceder a várias povoações diversos privilégios e isenções. Um dos seus maiores legados foi a ordem de plantar o Pinhal de Leiria, que ainda se mantém, de forma a proteger as terras agrícolas do avanço das areias costeiras.
A cultura foi um dos seus interesses pessoais. D. Dinis apreciava literatura e escreveu vários livros pelo seu próprio punho, com temas como administração ou caça, e vários volumes de poesia. Durante o seu reinado, Lisboa foi um dos centros Europeus de cultura. A Universidade de Coimbra foi fundada pelo seu decreto Magna Charta Priveligiorum no qual foram desde logo ensinadas as Artes, o Direito Civil, o Direito Canónico e a Medicina. Mandou traduzir importantes obras, tendo sido a sua Corte um dos maiores centros literários da Península Ibérica.
Os últimos anos do seu reinado foram, marcados por conflitos internos. O herdeiro, futuro D. Afonso IV, receoso que o favorecimento de D. Dinis ao seu filho bastardo, D. Afonso Sanches o espoliasse do trono, exigiu o Poder e combateu o pai. Nesta luta teve intervenção apaziguadora a Rainha Santa Isabel que, em Alvalade se interpôs entre as hostes inimigas já postas em ordem de batalha. Tem como Descendente também o Papa Bento XIII, que foi Papa de 1724 a 1730.
D. Dinis está sepultado no Convento de São Dinis, em Odivelas.

Grande impulsão dos Descobrimentos Portugueses

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Infante D. Henrique "O Navegador". Grande impulsionador dos Descobrimentos
Infante de Portugal, 5.º filho d'el-rei D. João I, e da rainha sua mulher, D. Filipa de Lencastre; grão-mestre da ordem de Cristo, duque de Viseu, fronteiro-mor de Leiria, cavaleiro da ordem da Jarreteira, de Inglaterra, senhor da Covilhã, de Lagos e de Sagres, do Algarve, de cujo reino foi governador perpetuo. nasceu no Porto a 4 de Março de 1394, e faleceu em Sagres a 13 de Novembro de 1460.
Em 1415, D. Henrique viajou até à cidade do  Porto com a incumbência de preparar a armada destinada à conquista de Ceuta. Nos estaleiros de Miragaia, então considerados por Fernão Lopes como os mais importantes do pais, foi aparelhada uma grande parte desta frota. Aqui trabalhou-se dia e noite. Da cidade e arredores, as populações ofereceram toda a carne dos animais abatidos para abastecimento das embarcações, ficando para si apenas com as tripas. Daí a designação de "tripeiros", dada aos naturais do Porto.
Aos rendimentos da sua casa senhorial junto os da Ordem de Cristo, da qual foi nomeado administrador em 1420. Esta ordem religiosa e militar estava sedeada em  Tomar,  onde o Infante mandou também construir os seus paços. Os respectivos proventos foram utilizados por D. Henrique, na organização de expedições de reconhecimento do espaço Atlântico.
Pouco depois da conquista de Ceuta, o Infante enviou expedições às ilhas Canárias. Os arquipélagos da Madeira e dos Açores, possivelmente já conhecidos dos navegadores portugueses, foram redescobertos em 1419 e 1427, e povoados por ordem do Infante. As ilhas da Madeira, Porto Santo e Desertas foram-lhe depois doadas pelo rei D. Duarte, seu irmão, tendo o Infante promovido a sua exploração económica.
O reconhecimento da costa ocidental africana, que os europeus conheciam só até ao Cabo Bojador, foi outro dos objectivos que o Infante perseguiu. Estabelecendo-se estrategicamente no Algarve, enviou sucessivas expedições a partir da ponta de Sagres. A passagem do Bojador por Gil Eanes, em 1434, marcou o primeiro grande êxito naquela direcção. O avanço das explorações foi acompanhado pelo estabelecimento de feitorias comerciais, a partir das quais se trocavam produtos europeus por ouro, escravos, malagueta, algodão e marfim. Até 1460, ano da morte do Infante, estava reconhecida a costa até à Serra Leoa.
Dedicou-se muito ao estudo das Matemáticas, e em especial ao da Cosmografia, quando estas ciências apenas começavam a ser conhecidas na Europa, e que ele fez cultivar em Portugal. Foi devido a esses estudos, ás meditadas informações que alcançou de seu irmão D. Pedro, que viajara na Europa e na Ásia, e à leitura dos escritores antigos, que no seu espírito se formou a certeza de que ao norte do Senegal, então considerado braço do Nilo, existiam povos hereges, que comerciavam entre si. Levar a luz cristã ao espírito desses povos e colher fruto do seu comércio, foi o grandioso plano do infante.
Contava apenas 21 anos de idade quando D. João I determinou armá-lo cavaleiro e aos seus dois irmãos D. Duarte e D. Pedro, com as festas publicas de grande solenidade, segundo o costume daqueles tempos. Mas o infante D. Henrique desejava antes receber as armas em verdadeira guerra, para onde o arrastava a sua inclinação e valor. O monarca louvou-o muito, e quando se pensou na tomada de Ceuta, a maior e a mais fortalecida praça de toda a Mauritânia, os três infantes tomaram parte, distinguindo-se na renhida batalha realizada em 21 de Agosto de 1415, sendo e infante D. Henrique quem ainda mais se distinguiu. Foi o comandante da frota do Porto, e o primeiro que saltou em terra. No dia 25 do referido mes de Agosto seu pai o armou cavaleiro da ordem de Cristo. D. João I saiu de Ceuta com a armada em 2 de Setembro seguinte, e pouco dias depois ancorou em Tavira, no meio das jubilosas aclamações do povo.  Reunindo ali os seus filhos, declarou querer remunerar-lhes o grande serviço que tinham prestado. Ao príncipe D. Duarte, como herdeiro da Coroa, nada podia oferecer que fosse de maior valor; mas a D. Pedro conferiu-lhe o título de duque de Coimbra, e o senhorio de Montemor-o-Velho, Aveiro e outras terras que daí em diante, por constituírem o apanágio da sua categoria, passaram a denominar-se do Infantado; o infante D. Henrique foi feito duque de Viseu e senhor da Covilhã. O título de duque era então desconhecido em Portugal. Foi a conquista de Ceuta que vem ainda mais fixar os vagos desejos do infante D. Henrique de desvendar os mistérios do oceano. Portugal, efectivamente, formava nessa época, para o ocidente o extremo do mundo conhecido. O mar para o ocidente e para o sul era a região dos profundos misteriosos, povoado de terrores e de visões fantásticas. Foi na expedição de Ceuta, em que ele apenas viu primeiro como seus irmãos o ensejo de praticar brilhantes feitos de armas, e de conquistar dignamente as suas esporas de cavaleiro, que não tardou a achar também estímulo para empresa de maior alcance. Ceuta era um empório do comércio entre a Ásia, a Africa e a Europa. Além de todas as razões que já tinha para tentar estas novas aventuras, não deixou também de actuar no seu espírito a razão comercial. Como de costume foi o Infante D. Pedro o confidente das intenções de seu irmão, e não se esqueceu de auxiliá-las. Em 1416 saiu do reino para viajar, e quando regressou em 1428, trouxe-lhe um tesouro precioso, o livro manuscrito das viagens de Marco Pólo com que o presenteara a senhoria de Veneza. O infante D. Henrique, em 1416 ou 1419, fundou uma vila no promontório de Sagres, para onde foi viver; começou a encarar as ondas do Oceano Atlântico, e a pensar na forma de intentar por elas as suas expedições descobridoras. Chamou do estrangeiro um cosmógrafo celebre, Jaime de Maiorga, e auxiliado por ele, entregou-se com fervor ao estudo. A vila ficou conhecida por Vila do Infante, e actualmente tem o nome de Sagres. D. Henrique estabeleceu ali uma escola de cosmografia e de navegação que foi frequentada pelos cavaleiros da sua casa, e por outros homens que se entusiasmavam pelas suas empresas. Ainda que não tivessem a forma regular dum curso aqueles estudos, contudo a conversação do infante, de Jaime de Maiorga, e de outros homens célebres que se agrupavam em redor do filho de D. João I, seria altamente instrutiva para os cavaleiros que os escutavam, e foram os mesmos que depois guiaram as caravelas de D. Henrique nos seus empreendimentos. Na vila, também o infante estabeleceu estaleiros e oficinas de construção naval, e erigiu o primeiro observatório astronómico que existiu em Portugal. Dentro da povoação havia uma capela dedicada a N. Sr.ª da Conceição, e fora a igreja de Santa Catarina, acima do porto onde desembarcavam os que vinham nos navios, e para que os mareantes que ali morressem, fossem enterrados no cemitério dela.
Estavam pois reunidos todos os, elementos precisos para se levar a efeito a empresa intentada pelo infante. Recursos não lhe faltavam; como grão-mestre da ordem de Cristo, podia aplicar os imensos rendimentos dessa cavalaria religiosa a expedições em que tanto lucrava a propagação da fé cristã. Armado com as informações que obtivera em Ceuta, decidiu-se a mandar todos os anos alguns navios tentar explorações para o sul. Começou então a série de descobrimentos, que deviam levar o pendão das quinas aos confins da terra, e imortalizar a memória do infante D. Henrique. Em 1418 Bartolomeu Perestrelo descobriu a ilha do Porto Santo, cuja capitania lhe foi confiada com permissão de el-rei; e João Gonçalves Zarco acompanhado de Tristão Vaz Teixeira encontrou a Madeira; estas ilhas, contudo, e a dos Açores, está provada já serem conhecidas, tendo sido descobertas no tempo de D. Afonso IV. Quando os navegadores voltaram ao reino trazendo notícias maravilhosas do que tinham visto. D: João I e o infante rejubilaram; este por ter conseguido o fim a que aspirava, aquele pela glória e proveito que destes descobrimentos provinham para o país, ilustrando o seu reinado. D. Henrique, porém, não se limitou a dirigir as navegações, procurou colonizar as ilhas que se iam descobrindo. A Madeira, principalmente, mereceu‑Ihe os maiores desvelos. Anos depois, em 1432, Gonçalo Velho Cabral, comendador de Almourol, encontrou as ilhas dos Açores. No entretanto, não eram as ilhas do Atlântico que cativavam os cuidados do infante; o que mais o preocupava era esse mar tenebroso, que os mareantes da Idade Média julgavam impossível de transpor. Passar além do cabo Bojador, julgava-se impossível. Vinte tentativas se haviam feito para dobrar o cabo, mas os navegantes sempre recuavam por terror supersticioso. Finalmente, D. Henrique armou uma barca, cuja capitania confiou a Gil Eanes, seu escudeiro, que partiu cm 1433 cheio de terror, e voltou sem nada ter adiantado. Aportando às Canárias, retrocedeu com uns cativos, convencido de que ir além, era empresa que Deus puniria com severidade. Instado pelo infante, tornou a embarcar em 1434, e vencendo o terror, teve a fortuna de dobrar o cabo fatídico. (V. Eanes, Gil). Este facto ficou registado como a data mais memorável da história das nossas descobertas. As navegações continuaram, recomendando sempre o infante aos navegantes nas suas instruções, que estudassem minuciosamente as costas que percorriam, colhessem o maior número possível de informações, e sobretudo não deixassem de procurar saber onde vivia o famoso Prestes João das Índias. Em 1436 Afonso Gonçalves Baldaia, copeiro de D. Henrique, percorrendo a costa ao sul do Bojador, descobriu o Rio do Ouro, e desembocando na Angra dos Cavalos, continuou navegando para o sul, e chegou à Pedra da Galé. Distraiu-o desta ocupação, que foi a sua glória, a infeliz empresa de Tânger, em que ele foi com seu irmão, o infante D. Fernando, que por ser ainda muito criança não pudera acompanhar el-rei seu pai e seus irmãos na tomada de Ceuta. Obtida a licença de el-rei D. Duarte, partiram ambos os irmãos a 22 de Agosto de 1437 para Tânger, com uma esquadra e um exército bem pouco proporcionado à grandeza da empresa que iam tentar. Foi uma fatalidade, de que resultou o cativeiro e morte do infante D. Fernando, que ficou conhecido pelo cognome de infante santo (V. Fernando, D.) Regressando a Portugal, por ordem do monarca seu irmão, D. Henrique continuou com os descobrimentos. Em 1441 Nuno Tristão descobriu o Cabo Branco, em 1443 a ilha de Arguim, onde se estabeleceu uma feitoria, e em 1445 visitou a costa da Senegalesa, chegando até Palmar. A seguir, Diniz Dias dobra o Cabo Verde; João Fernandes, em 1445, que sendo cativo em Mauritânia, aprendera o árabe, penetra no interior do Sudão e chega ao país dos Tuaregues, sendo o primeiro europeu que explorou o interior do continente negro até Taguor; no ano seguinte, 1446, Álvaro Fernandes descobre a Serra Leoa, e reconhece a ilha de Gorea; em 1457 o veneziano Luís de Cadamosto e o genovês António Nola, ambos ao serviço do infante, descobriram a Gambia; em 1460 Diogo Gomes descobriu o arquipélago de Cabo Verde, que Cadamosto pretendia ter descoberto, e que mais tarde se provou não ser verdade, pela relação do próprio Diogo Gomes publicada em 1847 pelo Dr. Schmelles, de Munique.
A fama de D. Henrique chegara às nações estrangeiras e muitos homens ávidos de aventuras, vinham pedir-lhe emprego nas suas caravelas. Devotado apaixonadamente às ciências cosmográficas, D. Henrique foi o maior matemático do seu tempo; aplicou utilmente o astrolábio à navegação, e inventou as cartas planas. Quando se reformou a Universidade, em 1431, estando em Lisboa, fez-lhe doação por escritura da 12 de Outubro, dumas casas que comprara na freguesia de S. Tomé, para nelas se lerem as ciências que eram então aprovadas, e teve o cuidado de distribuir ordenadamente as diversas salas para os diversos exercícios escolares. Em 25 de Março de 1448 fez mercê à mesma Universidade de 12 marcos de prata, anuais, e consignados nos dízimos da ilha da Madeira, para salário da cadeira de prima de teologia. Esta mercê foi confirmada por carta de 12 de Setembro de 1460, pelo que se lhe deu o título de Protector dos Estudos em Portugal. 0 Infante D. Henrique deixou um nome glorioso, e à, sua pátria uma herança sublime. Foi o vulto mais brilhante da história da Idade Média, o homem que deve simbolizar para a história a glória dos descobrimentos.
Apesar de não ter nunca sulcado as ondas do Oceano; senão para as suas expedições de conquista africana, teve o cognome de Navegador, e na verdade bem merecido, porque a ele se deve o primeiro impulso e o grande incitamento das grandes navegações, que tanto contribuíram para o progresso da civilização, que ampliaram tanto o conhecimento do mundo. Faleceu em Sagres, conforme dissemos, no estado de solteiro. Seu corpo foi primeiramente depositado na igreja de Lagos, sendo dali trasladado para o convento da Batalha em 1461, pelo infante D. Fernando, seu sobrinho, filho de el-rei Duarte, a quem pouco tempo antes havia constituído herdeiro e adoptara como filho. D. Fernando veio a casar com sua prima D. Beatriz, filha do infante D. João, e foi o pai de D. Diogo, duque de Viseu, e de D. Manuel, duque de Beja, e rei de Portugal (V. Beja, duques de). Sobre o túmulo vê-se a sua estátua de pedra, que em relevo o representa ao natural, vestido de armas brancas. e coroado de coroa real entretecida de folhas de carvalho, e uma rosa no meio; tem nela três escudos: o primeiro com as armas do reino de Portugal e as suas, e nos outros dois as insígnias das duas ordens que professara, de Cristo e da Jarreteira. Foram sua divisa uns ramos pequenos, e curtos como de carrasco com seus frutos pendentes, e por mote em língua francesa as palavras: Talent de bien faire. Esta divisa também se vê no túmulo, tendo por baixo numa só linha, em todo o comprimento do túmulo, um epitáfio em letra alemã. El-rei D. Manuel lhe mandou colocar também seu retrato na estátua de mármore sobre a coluna, que divide a porta travessa da igreja de Belém, como fundador da antiga ermida de Nossa Senhora do Restelo, que existiu primeiro naquele local.
Para perpetuar a memória do infante D. Henrique, erigiu-se em Sagres um monumento modesto. A portaria tem a data de 8 de Abril de 1836, reinando D. Maria II, e é referendada pelo então ministro do reino, marquês de Sá da Bandeira. 0 escultor do monumento foi Manuel Simões. Consta duma lápide de mármore com 10 palmos e meio de altura e 5 e meio de largura, embutida na parede sobre a porta interior da entrada principal da fortaleza de Sagres. Este corpo é dividido em dois planos, tendo o superior. em meio relevo, o escudo das armas do infante com a legenda Talent de bien faire e uma esfera armilar à direita e um navio à vela, à esquerda. 0 plano inferior compreende duas almofadas, na do lado esquerdo com uma inscrição latina e na do direito com a versão em português. Esta lápide foi lavrada no arsenal da marinha, levando o fabrico mais de três anos. 0 encarregado de a levar a Sagres, foi o capitão-de-mar-e-guerra Lourenço Germach Possolo. A colocação do monumento realizou-se solenemente a 21 de Julho de 1840, assistindo a câmara municipal, o capelão e a oficialidade de guarnição, o governador da praça, e outras pessoas. Em 1844, o abade titular de Santa Eulália de Rio de Moinhos, António Dâmaso de Castro e Sousa, mais conhecido pelo abade de Castro, requereu ao governo para ser colocada uma estátua do infante D. Henrique na sala do risco do arsenal de marinha, e sendo nomeada uma comissão para estudar o assunto, decidiu ela que a estátua devia ser levantada de Belém. Afinal nada se fez, até que, na sessão da Sociedade de Instrução no Porto, realizada em 4 de Março de 1882, houve uma proposta para que se erigisse uma estátua ao grande navegador. Depois de muitos trabalhos e contrariedades, constituiu-se em 1892 uma grande comissão que dedicadamente trabalhou, celebrando-se no Porto, sua terra natal, o centenário do infante D. Henrique com toda a solenidade e brilhantismo. Efectuaram-se as festas nos dias 1, 2, 3 e 4 de Março de 1894, sendo os dias 3 e 4 considerados de grande gala, por decreto de 28 de Fevereiro de 1894. No dia 4 foi solenemente assente a primeira pedra no momento, na praça do Infante D. Henrique, assistindo a esta cerimónia suas majestades el-rei senhor D. Carlos e a rainha senhora D. Amélia, representantes do governo, autoridades, etc. 0 monumento é obra do escultor Tomás Costa, e inaugurou-se, também com a assistência da família real, em31 de Outubro de 1900.
Publicou-se no Porto em 1894 um livro, 0 centenário do infante D. Henrique, comemorativo do centenário henriquino, profusamente ilustrado, com muitos artigos e notícias curiosas. Em Londres, no ano de 1868, publicou-se uma grandiosa obra intitulada: The life of Prince Henry of Portugal, surnamed the navigator, de que é autor Richard Henry Major. No Archivo Pittoresco, vol. IX vem a biografia do infante D. Henrique, escrita por Luís Augusto Rebelo da Silva. Também se encontram artigos no Summario de varia historia, do Dr. José Ribeiro Guimarães, vol. IV, pág. 50; nos Varões e Donas; Occidente de 1894, número dedicado ao centenário henriquino, etc.
(Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático)

As Descobertas

As concepções do mar como fronteira entre o mundo pacífico e ordenado da Cristandade e o mundo inóspito dos monstros e dos excessos da Natureza nem sempre excluem a preservação de antigas tradições vindas da antiguidade pagã, segundo as quais haveria para além do mar desconhecido, ilhas de uma fecundidade maravilhosa e com clima paradisíaco. É verdade que elas se colocavam, preferencialmente, nos mapas universais anteriores ao século XlV, para os lados do Oriente, isto é, na região que se identificava com a das origens da Humanidade, onde se situava também o Paraíso terreal.

 A caravela foi uma embarcação usada pelos portugueses e espanhóis durante a Era dos Descobrimentos. Segundo alguns historiadores o vocábulo é de origem árabe carib (embarcação de porte médio e de velas triangulares — velame latino). De acordo com outros, no entanto, a palavra seria derivada de carvalho, a madeira usada para construir as embarcações.
A caravela era um navio rápido, de fácil manobra, apto para a bolina, de proporções modestas e que, em caso de necessidade, podia ser movido a remos. Eram navios de pequeno porte, de dois mastros, um único convés e ponte sobrelevada na popa; deslocavam 50 toneladas. As velas «latinas» (triangulares) eram duas vezes maiores que as das naus, o que lhes permitia ziguezaguear contra o vento e, consequentemente, explorar zonas cujo regime dos ventos era desconhecido. Apetrechada com artilharia, a caravela transformou-se mais tarde em navio mercante para o transporte de homens e mercadorias.
Gil Eanes utilizou um barco de vela redonda, mas seria numa caravela que Bartolomeu Dias dobraria o Cabo da Boa Esperança, em 1488. É de salientar que a caravela é uma invenção portuguesa, em conjunto com os conhecimentos que haviam adquirido dos árabes.

Cronologia dos Descobrimentos:

- 1418 – João Gonçalves Zarco
e Tristão Vaz Teixeira – descobrem a Ilha de Porto Santo.
João Gonçalves Zarco  
Fidalgo cavaleiro da casa do infante D. Henrique, pertencente a uma família distinta.
Seguiu desde muito novo a carreira marítima, e por mais de uma vez exerceu o comando das caravelas, que guardavam as costas do Algarve. Quando o infante D. Henrique se lançou no caminho das explorações marítimas, João Gonçalves Zarco foi o primeiro que se lhe ofereceu para o coadjuvar nesses empreendimentos. Aproveitando o oferecimento, o infante D. Henrique, em 1418, mandou preparar um barco, e entregando-o a João Gonçalves Zarco e a Tristão Vaz Teixeira, mandou-os ou demandar terras desconhecidas, ou procurar umas ilhas que já apareciam nos mapas, e a que teriam aportado 50 ou 60 anos antes outros navegadores portugueses. João Gonçalves Zarco chegou depois dalguns dias de viagem, à ilha que chamou de Porto Santo, voltando logo a Portugal a dar conta do resultado da sua expedição. O infante ficou satisfeitíssimo, e tratou logo de colonizar a ilha. Ordenou pois a João Gonçalves Zarco e a Trintão Vaz Teixeira que voltassem a Porto Santo, dando-lhes por companheiro outro criado da sua casa, chamado Bartolomeu Perestrelo. Foi nessa segunda viagem que descobriram ou demandaram a ilha da Madeira, saindo Tristão Vaz e Gonçalves Zarco do Porto Santo no dia 1 de Julho de 1419, e indo aportar à Madeira no ponto a que chamaram de S. Lourenço, por ser de S. Lourenço, também o nome do navio que os conduzia. Fizeram depois em torno da ilha uma viagem de circum-navegação, e foram pondo nomes aos diferentes acidentes da costa. Nessa viagem recebeu a principal baía da ilha o nome de Baía do Funchal, e uma grande lapa onde se escondiam muitos lobos que os viajantes caçaram, o nome de Câmara de Lobos, tomando desse sitio o próprio João Gonçalves Zarco e os seus descendentes o apelido de Câmara.
Voltando a Portugal, receberam os dois navegadores do Infante o devido premio. Confirmou a João Gonçalves Zarco o apelido de Câmara, e deu-lhe por armas escudo em campo verde, e nele uma torre de menagem com cruz de ouro, e dois lobos-marinhos encostados à torre com paquife e folhagens vermelhas e verdes. e por timbre outro lobo-marinho sentado em cima do paquife. Além disso, dividindo a ilha em duas capitanias, fez mercê duma delas, a do Funchal, a João Gonçalves Zarco. Partiu este para a sua ilha, depois de ter casado com uma senhora por nome Constança Rodrigues de Almeida, e todo se entregou à colonização da sua maravilhosa propriedade. Não se esqueceu contudo dos seus deveres de cavaleiro, nem sobretudo da multa gratidão que devia ao infante D. Henrique, e, quando este quis tentar a expedição de Tanger, veio pôr-se à sua disposição. No cerco de Tanger foi armado cavaleiro pelo infante, e tendo escapado com vida a essa desastrosa expedição, tornou para a Madeira, onde, aproveitando as ricas maltas que existiam ali, fez construir alguns navios com que de vez em quando auxiliou o infante nas suas expedições de descobrimento para além do cabo Bojador. Diz-se que foi ele, mas não se sabe com que fundamento, o primeiro que pôs a artilharia a bordo. Esses instrumentos guerreiros eram então bem imperfeitos e de bem pouco serviam, mas, assim como eram, se alguém se lembrou de a pôr a bordo, foram de certo portugueses que precisavam bem de todos os meios de defesa que o génio humano lhes pudesse sugerir para se defenderem nas aventurosas expedições que tentavam contra desconhecidos perigos. Os navios de Gonçalo Zarco figuraram, como se disse, nos descobrimentos para além do cabo Bojador, e um sobrinho de Gonçalves Zarco, Álvaro Fernandes, foi um dos nossos descobridores mais felizes e audaciosos. João Gonçalves Zarco morreu na segunda metade do século XV, cheio de anos e de felicidades, deixando filhos que foram tronco de algumas das mais nobres famílias portuguesas. O ramo principal da sua casa é hoje representado pelos descendentes dos condes e marqueses da Ribeira Grande.
Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume VII, pág. 722. Edição em papel em 1904-1915 João Romano Torres – Editor.

- 1419 – Os mesmos e Bartolomeu Perestrelo – descobrem a Ilha da Madeira.
- 1431 – Gonçalo Velho Cabral – descobre a Ilha de Santa Maria.
 - 1434 – Gil Eanes – dobra o Cabo Bojador.
Durante anos, o nome de Gil Eanes deixa de aparecer na Crónica dos Feitos da Guiné, embora não seja de duvidar que permaneceu ao serviço do Infante e continuou a viver em Lagos, onde o iremos encontrar alguns anos mais tarde. As viagens portugueses à África Ocidental sofreram uma pequena pausa (ou abrandamento), no último quartel dos anos trinta, mas foram retomadas no princípio da década de quarenta, com resultados que pareciam ter uma importância económica significativa (sobretudo a captura de escravos), ao ponto de motivarem a iniciativa privada para armar navios e levar a cabo algumas expedições. A primeira delas tem lugar no ano de 1444, é proposta por um tal Lançarote (“almoxarife de el-Rei naquela vila de Lagos”) e leva como segunda figura e capitão de um dos navios, Gil Eanes, “aquele que escrevemos que primeiramente passara o cabo Bojador” – como diz o cronista. São seis caravelas que se dirigem à Ilha das Garças, a sul dos Baixos de Arguim, onde Nuno Tristão já tinha estado no ano anterior. A expedição tinha objectivos essencialmente comerciais, mas isso não era incompatível com a exploração de algumas das ilhas mais a sul, sobre as quais, aliás, já havia informações concretas de que era possível fazer grande número de cativos, como viria a acontecer. Em Naar e Tider, com relativa facilidade, deram caça aos mouros que andavam desprevenidos em fainas de pesca, ou que viviam perto da costa. A zona não é fácil para a navegação com as caravelas, mas à custa dos batéis e com saídas bruscas obtiveram o maior número de escravos que alguma vez tinha sido feito por qualquer expedição portuguesa. No dia 8 de Agosto de 1444 – um dia após a sua chegada – teve lugar no terreiro, defronte da porta da vila, a macabra partilha duma mercadoria que se viria a tornar habitual.  Dois anos depois, o mesmo Lançarote volta a pedir ao Infante para organizar nova expedição, apresentando-lhe como argumento o mal que os mouros daquela ilha de Tider vinham fazendo aos portugueses, e propondo-se destruir o seu poder, com o mesmo sentido da cruzada que já estivera presente Ceuta e em todas as campanhas contra os mouros do Norte de África. O Infante aceita a proposta e a expedição forma-se com 14 navios, um dos quais comandado por Gil Eanes, que viria a ser o porta estandarte na batalha travada na Ilha, e da qual saíram vitoriosos. Embora seja claro e notório que Lançarote colocara nesta expedição os mesmos objectivos que tivera em 1444, e estava disposto a prosseguir a sua caça aos escravos, o Infante definira a batalha como a missão fundamental da esquadra, autorizando o regresso dos capitães que não quisessem continuar a aventura. Gil Eanes foi um dos regressou imediatamente, alegando a fragilidade do seu navio e a proximidade do Inverno. Não voltamos a ter notícias dele, mas é normal que tenha continuado a viver em Lagos, pois era ali que tinha os seus negócios e a sua vida, sempre ligada ao mar. Luís Jorge Semedo de Matos
- 1435 – Gil Eanes e Afonso Gonçalves Baldaia – Atingem a Angra dos Ruivos, descobrem o Rio do Ouro e chegam à Pedra da Galé.
Afonso Gonçalves Baldaia era natural do Porto e copeiro-mor do Infante D. Henrique. Acompanhou Gil Eanes, que em 1434 dobrara o cabo Bojador, na sua expedição de 1435, que atingiu a Angra dos Ruivos. Chefiou em 1436 uma expedição que chegou ao rio do Ouro, tendo aí desembarcado e explorado o sertão, com a ajuda de dois moços fidalgos, Heitor Homem e Diogo Lopes de Almeida, mas não conseguiu levar a cabo a incumbência dada pelo Infante de achar gente com fosse possível comunicar. Trouxe, porém, consigo uma série de observações que muito contribuíram para o progresso da ciência geográfica em Portugal. Em 1437, D. Duarte nomeia-o almoxarife das sisas e direitos reais do seu almoxarifado do Porto. O nome Baldaia volta a encontrar-se cerca de 1450 entre os povoadores da região das Lajes, na ilha Terceira.

- 1443 – Nuno Tristão – Dobra o Cabo Branco e chega à Ilha de Arguim.
- 1443 – Dinis Dias atinge a costa da Guiné e chega ao Cabo Verde
- 1443 – Álvaro Fernandes – Descobre o Cabo dos Mastros.

- 1460 – Diogo Gomes e António da Nola – Descobrem o arquipélago de Cabo Verde.

Diogo Gomes de Sintra
Diogo Gomes, que terá nascido nos finais do primeiro quartel do século XV, pertencia à casa senhorial do infante D. Henrique [1394-1460]. Esteve envolvido nas viagens de descobrimento portuguesas, tendo nomeadamente efectuado uma expedição à Madeira. Em 1445, participou com Gil Eanes e com Lançarote de Freitas na grande frota mercantil que largou de Lagos com destino ao litoral africano. Anos mais tarde, em 1556, navegou até aos rios da Guiné ao serviço do Infante. No retorno desta expedição, teria visitado algumas das ilhas até então desconhecidas do arquipélago de Cabo Verde. Por volta de 1460 voltou à região da Guiné, em nova expedição mercantil e de descobrimento, decerto ainda ao serviço do infante D. Henrique. Aquando da morte do Navegador , ocorrida em finais de 1460, Diogo Gomes foi encarregado pela coroa portuguesa de proceder à trasladação dos restos mortais de Lagos para o Mosteiro da Batalha. A partir de então, recebeu diversas mercês de el-rei D. Afonso V [r.1438-1481], tendo desempenhado diversas funções administrativas, como as de almoxarife e de vedor dos Paços Reais em Sintra, razão pela qual é por vezes designado como Diogo Gomes de Sintra. À volta de 1485, Diogo Gomes redigiu uma circunstanciada relação das primeiras viagens portuguesas de descobrimento através do Atlântico e ao longo da costa ocidental de África, que então permaneceu manuscrita, com o título de De prima inventione Guynee . Durante muito tempo supôs-se que Diogo Gomes teria ditado a sua narrativa em português ao alemão Martim Behaim [c.1436-1507], que então residia em Portugal, e que este a teria traduzido para latim. Contudo, recentes investigações linguísticas revelam que o latim do texto original, o qual faz parte do chamado Manuscrito de Valentim Fernandes , conservado em Munique, não seria da responsabilidade de um alemão, devendo-se antes a um redactor português. Assim, poderia ter sido o próprio Diogo Gomes a redigir em latim o relato Do primeiro descobrimento da Guiné . O navegador henriquino faleceu em data incerta, por volta de 1500. A sua relação constitui uma fonte essencial para a história das primeiras viagens de descobrimento lançadas a partir do Algarve.
   Diogo Gomes de Sintra -  Edição de Aires A. Nascimento & Henrique Pinto Rema -  Lisboa: Edições Colibri, 2002

- 1460 – João de Santarém e Pedro Escobar – Descobrem as Ilhas de São Tomé e Príncipe.
João de Santarém, a quem se atribui o descobrimento das ilhas do S. Tomé e Príncipe, e duma boa parte da costa da África Ocidental.
Em cumprimento do contrato que fizera com D. Afonso V, Fernão Gomes da Mina mandou em 1740 Pedro de Escobar e João de Santarém descobrir novas terras. As que descobriram foram a costa da Mina, a de Benin, a do Calabar e a do Gabão, e além disso as ilhas de S. Tomé e Príncipe. Depois nunca mais apareceu na história o nome de João de Santarém.

- 1471 – Fernando Pó – Descobre as Ilhas de Fernando Pó e Ano Bom.
- 1481 – Diogo de Azambuja – Constrói a fortaleza de São Jorge da Mina.

- 1482 – Diogo Cão – Chega à foz do Rio Zaire ou Congo.
Sobre a vida de Diogo Cão pouco se conhece, sendo escassas e ambíguas as informações que nos restam, à semelhança do que se passa com as viagens pelas quais é recordado. Ao certo, apenas se sabe que a sua família se instala em Vila Real e que ele se torna escudeiro da Casa Real. O francês Eustache de la Fosse identifica-o como um dos capitães portugueses que patrulham o golfo da Guiné, cerca de 1480. Entre 1482 e 1486 realiza, provavelmente, duas ou três viagens de exploração da costa africana a sul do Cabo de Santa Catarina. Na primeira dessas viagens atinge a foz do rio Congo, que explora mais de uma centena de quilómetros para o interior, até á catarata de Ielala onde manda fazer uma inscrição numa rocha. A extensão e amplitude do rio leva-o a acreditar que acaba de contornar a África e de atingir o Índico. Dessa convicção informa o rei Dom João II após o seu regresso a Lisboa em Março ou Abril de 1484, que o recompensa com o título de cavaleiro.

Para sul do rio Congo
Dom João II, acreditando que o caminho para a Índia está aberto, envia novamente o navegador com a missão até mais adiante e explorar o acesso ao Índico. Ao mesmo tempo, na Oração de Obediência que envia ao papa Inocêncio VIII e que é lida em Roma por Vasco Fernandes de Lucena em 11 de Dezembro de 1485, o monarca vangloria-se do facto dos seus navios estarem à porta da Índia. Mas, na viagem (ou viagens) que então realiza, em 1485-86, Diogo Cão constata o seu erro, ao verificar que a costa africana se prolonga bastante para sul da foz do Congo. O limite meridional das suas viagens é atingido em Janeiro de 1486, em 22º 10' de latitude sul, quando chega à chamada Serra Parda. De volta a Lisboa, comunica a sua nefasta descoberta a Dom João II. Em seguida desaparecem quaisquer menções à sua pessoa na documentação. Este facto é explicado pela sua eventual morte ou pelo seu afastamento da Corte, por imposição do rei, insatisfeito com o equívoco cometido.

As dúvidas
Existe desacordo quanto ao número exacto das viagens realizadas por Diogo sobre a sua rigorosa datação. Os cronistas coevos contradizem-se: João de Barros e Rui de Pina garantem que foram duas viagens, Duarte Pacheco Pereira e António Galvão afirmam ter sido apenas uma. Outros autores arriscam a existência de uma terceira viagem. Na verdade, boa parte do que se julga conhecer sobre as viagens de Diogo Cão depende dos padrões que deixa ao longo do seu trajecto e das respectivas inscrições, assim como da toponímia incluída cartas como uma de Cristóforo Soligo, datada de cerca de 1486, da carta Martellus e do globo de Martim Behaim, de 1492. De qualquer forma, é incontroversa a importância das suas navegações na preparação da circum-navegação de África. É também com as suas viagens que se inicia a prática de assinalar com padrões em pedra as terras descobertas pelos portugueses e que se estabelecem os primeiros contactos com o rei do Congo.

Tratado de Tordesilhas

- 1487 – Bartolomeu Dias – Dobra o Cabo das Tormentas ou da Boa Esperança.
Barlolomeu Dias  
     Célebre navegador português, descendente de Dinis Dias. Ignora-se onde e quando nasceu.
     Em 1486, confiou-lhe D. João II o comando de duas caravelas, de 50 toneladas cada uma, para ir colher notícias do Prestes João.
     Descobriu primeiro a angra dos Ilhéus, hoje baía de Spencer, e o cabo das Voltas. Assaltou-o em seguida violento temporal. Treze dias andaram os navegantes à mercê do vento e das ondas. Quando o tempo serenou, procuraram costa para leste e só encontraram mar.
     Navegaram então para o norte e foram descobrindo diversos portos. Não quiseram, porém, as tripulações passar além de um rio, a que foi dado o nome de rio do Infante, e obrigaram o capitão a retroceder. Foi só então que descobriram o grande cabo, que haviam dobrado sem dar por tal (1487).
     Aí levantou Bartolomeu Dias o padrão chamado de São Filipe, e ao cabo deu o nome de Tormentoso, que D. João II substituiu pelo de Boa Esperança.
    Bartolomeu Dias acompanhou, em 1500, Pedro Álvares Cabral na famosa viagem em que este descobriu o Brasil. Quando a frota seguia para a Índia, o navio, em que ia Bartolomeu Dias, naufragou (1500) e o valente marinheiro achou a morte junto do mesmo cabo da Boa Esperança, de que fora glorioso descobridor, verificando-se assim o vaticínio do gigante Adamastor em Os Lusíadas.

 - 1498 – Vasco da Gama – Descobre o Caminho Marítimo para a Índia.
 - 1500 – Pedro Álvares Cabral – Descobre a Terra de Santa Cruz (Vera Cruz) Brasil.

- 1501 – João Fernandes Labrador – Descobre a Terra do Labrador.

- 1501 – Gaspar Corte Real – Descobre a Terra Nova.
Gaspar Corte Real
Corte-Real nome de uma família distinta de navegadores dos séculos XV e XVI com o nome ligado ao descobrimento da Terra Nova, cerca do ano de 1472, por João Vaz Corte Real, navegador português que para além desta expedição organizou ainda outras viagens que o terão levado até à costa da América do Norte, explorando desde as margens do Rio Hudson e São Lourenço até ao Canadá e Península do Labrador.
Em 1474 foi nomeado capitão-donatário de Angra e a partir de 1483, também da Ilha de S. Jorge. Os seus três filhos, todos navegadores audaciosos, Gaspar Corte-Real, Miguel Corte-Real e Vasco Anes Corte-Real, continuaram o espírito de aventura de seu pai tendo os dois primeiros desaparecido depois de expedições marítimas, em 1501 e 1502 respectivamente. Vasco Anes quis ir em busca de seus irmãos mas o Rei não lhe concedeu autorização, tendo sucedido a seu pai como Capitão-Donatário.
Quem foi o primeiro Navegador a descobrir o Canadá? E a América?
Hoje aceita-se que João Vaz Corte Real possa ser considerado como o primeiro europeu que chegou à Costa Americana, pelo menos, mais de vinte anos antes de Colombo.
filho mais novo, Gaspar, em 1500 fez a sua primeira viagem à Terra Nova (New Found Land) então chamada "Terra dos Corte-Reais". Partiu em 1501 numa segunda expedição ao Continente Americano e nunca mais voltou. O outro filho Miguel, partiu em 1502 em busca de seu irmão e também nunca mais foi visto.
Um médico Luso-Americano, o Dr. Manuel Luciano da Silva, que como Historiador e Pesquisador amador, viu e reconheceu em Fall River, Massachusetts, prova vastamente ignorada de que Miguel Corte-Real ali esteve em 1511.
Essa prova é constituída por uma grande pedra (Dighton Rock) em que se podem ver vários escudos em V com cruzes idênticas às usadas nas velas das Naus e Caravelas Portuguesas, o nome Miguel Corte Real e a data 1511.
Depois de gravada, a pedra Dighton esteve 500 anos ao "sabor dos ventos e das marés". A erosão é tremenda, estando a pedra muito maltratada. Sempre que maré subia, a tapava quase totalmente, e sempre que descia e a destapava os ventos arrastavam areias que a desgastavam. No Inverno os gelos, no Verão o Sol, sempre as ondas, e ainda, humanos, que lá escrevinharam coisas. O pior foi o vandalismo humano até 1974 quando a pedra foi colocada dentro de um pavilhão fechado.
Em 1818 O Professor Delabarre da Browns University, escreveu (Em inglês): "Eu vi clara e indubitavelmente, a data 1511. Ninguém até à data a viu, ou detectou na pedra ou em fotografia, mas uma vez vista, a sua presença genuína não pode ser negada".
O Dr. Manuel Luciano da Silva compreendeu a importância desta descoberta e tornou-se o seu Moderno Paladino.
O Doutor dedicou muitos anos da sua vida, a sua considerável influencia e muito do seu dinheiro, para que a pedra Dighton fosse reconhecida como testemunha de facto histórico significante e salva do seu ambiente destrutivo.
E, finalmente em 1973, a sua instância, um pavilhão octogonal foi construído para abrigar a pedra, e hoje existe o Museu da Pedra Dighton, no que se tornou um Parque Estatal.
O Dr. Silva escreveu dois livros e muitos artigos, e tem feito centenas de palestras para disseminar esta informação.

- 1502 – João da Nova – Descobre as Ilhas de Ascensão e Santa Helena.
Fidalgo da Galiza que veio servir para Portugal, onde el-rei D. Manuel o fez alcaide de Lisboa. 
Pouco depois do descobrimento da índia, e depois de ter partido para o Oriente a esquadra de Pedro Alvares Cabral, el-rei D. Manuel entendeu que devia contratar com alguns mercadores o armarem e carregarem também navios para a Índia, proposta que logo vários negociantes estrangeiros residentes em Lisboa aceitaram com alegria, sendo o primeiro que fez esse contrato um florentino chamado Bartolomeu Manhione. Armou ele um navio, o rei armou três, e a esquadra composta destas quatro embarcações, foi confiada ao comando de João da Nova, saindo de Lisboa a 5 de Março de 1501. Era a terceira esquadra que partia para a índia, considerando-se como primeira a da descoberta. No caminho seguiu rumo muito ao ocidente como fizera Alvares Cabral, e assim descobriu a ilha da Ascensão. João da Nova primeiro deu-lhe o nome de ilha da Conceição, e foi Afonso de Albuquerque quem depois o mudou para o de ilha da Ascensão. Chegando à Índia fundou uma nova feitoria, em Cananor, alegrou muito os portugueses que Álvares Cabral deixara na índia e que não esperavam tão cedo navios da Europa, porque não supunham que partisse de Lisboa uma nova esquadra antes do ter regressado a de Alvares Cabral, e derrotou a esquadra de Calecut que se quisera opor à sua passagem, e que João da Nova levou adiante de si varejando a com a sua artilharia, afundando-lhe um ou dois navios a cada descarga, e maravilhando e aterrando esses pobres orientais, que não supunham que uma pequena esquadra de quatro navios pudesse praticar semelhantes façanhas. Voltando a Portugal com uma boa carregação de pimenta e de outras especiarias, João da Nova descobriu um caminho nos mares da Africa Ocidental, uma nova ilha, a de Santa Helena, que depois se tornou tão afamada, por estar ali cativo o grande Napoleão. Em 1505 partiu do novo para a índia com o vice-rei D. Francisco de Almeida. Apenas chegou a Cochim, porém, teve serias desavenças com D. Francisco, porque este lhe não quis reconhecer a nomeação que levava para capitão-mor da primeira esquadra que tivesse do se fazer ao mar. Pediu então licença para voltar ao reino, e chegou a Lisboa ainda a tempo de tornar à índia como capitão de um dos navios da esquadra do Afonso de Albuquerque, esquadra que foi de conserva com a de Tristão da Cunha até Socotorá. O navio comandado por João da Nova era um dos melhores desse tempo, e chamava-se Flor de la mar. Em Socotorá separaram-se as duas esquadras, seguindo Tristão da Cunha para a índia, e Afonso de Albuquerque para o Mar Vermelho, afim de cruzar no estreito do Bal-el-Mandeb e assaltar as naus de Meca. Era essa uma nova empresa lucrativa que sorria muito aos seus capitães, mas Afonso de Albuquerque tinha outra empresa em mente, mil vezes mais gloriosa, a da conquista de Ormuz. Tristão da Cunha, ao separar-se, devia deixar-lhe mantimentos suficientes, mas não deixou, e Afonso de Albuquerque aproveitou esse facto de menos lealdade do capitão-mor, para começar a pôr em execução os seus projectos. Declarou que precisava de ir procurar mantimentos à Arábia, e, como os não podia obter senão à viva força, assaltou vitoriosamente com esse pretexto Calayate, Curiate e Mascate. Os capitães não estranharam isso muito, e acompanharam-no sem murmurar, mas quando viram que ele prosseguia nessa empresa de assaltar as cidades da Arábia (porque o seu plano era o de chegar a Ormuz precedido duma reputação terrível) começaram a recalcitrar, e João da Nova, o mais orgulhoso e o mais insubordinado de todos, pediu-lhe licença para partir para a Índia. Afonso de Albuquerque declarou-lhe que não podia prescindir do seu navio. João da Nova mostrou-se descontente, soltando palavras descomedidas, e Afonso de Albuquerque prendeu-o, dando-lhe por menagem a sua nau. Em seguida foi tomar Orcafate, e nesse ataque resgatou João da Nova com a sua bravura a sua insubordinação. Apareceu enfim diante de Ormuz, e ali estabeleceu o nosso domínio. (V. Albuquerque, Afonso de, Portugal, vol. I, pag. 130 e seguintes). Os capitães mostravam-se descontentes, e esperavam ansiosos que Afonso de Albuquerque se resolvesse a ir em busca das naus de Meca, que em tal não pensava, tratando placidamente de construir a sua fortaleza. O descontentamento foi aumentando até que se transformou quase em revolta aberta. Os capitães mostravam-se insolentes e eram os primeiros a incitar as tripulações a sublevar-se. João da Nova era um dos chefes deste movimento revolucionário. Um dia Afonso de Albuquerque ordenou-lhe que fosse a uma expedição à terra firme, e João da Nova respondeu que não ia. Intimado para dizer a razão daquela recusa, replicou que a tripulação não queria ir, e ele não havia de ir sozinho. Então Afonso de Albuquerque, num ímpeto de cólera, foi à nau de João da Nova, onde a tripulação estava efectivamente revoltada, e pegando na espada dum grumete obrigou os tripulantes a embarcarem nos escaleres, e como João da Nova hesitava, puxou-lhe pelas barbas e também o obrigou a embarcar. João da Nova chorava de raiva e de vergonha ao lembrar-se de semelhante insulto, mas naquele momento não fez senão obedecer, e corno ele obedeceram os marinheiros, tal era o prestigio da energia de Afonso de Albuquerque, tal foi a influencia quase sobre-humana que Afonso de Albuquerque soube exercer naquele momento verdadeiramente terrível, em que jogava a sua vida e a sua autoridade. Os capitães não pensaram mais em se revoltarem, mas pensaram em desertar; contudo, João da Nova ficara por tal maneira subjugado pela energia do seu comandante, que não foi o primeiro que desertou, apesar de ser o mais queixoso. Desertaram os seus três colegas mesmo de Ormuz, e ficaram sós ele e Afonso de Albuquerque. Vendo o grande capitão a impossibilidade de continuar com dois navios em Ormuz, foi então cruzar para o cabo Guardafui. Dali lhe fugiu João da Nova, que foi levar as suas queixas ao vice-rei D. Francisco de Almeida. A intriga foi formidável; conseguiu semear no espírito daqueles dois importantes vultos a discórdia e a desconfiança. D. Francisco de Almeida chegou a prender Afonso de Albuquerque, apesar dele estar nomeado governador da índia. Foi preciso que D. Fernando Coutinho, indo do reino, fizesse reconhecer a autoridade de Afonso de Albuquerque para D. Francisco de Almeida ceder. João da Nova já então não tomava parte na luta que se travara entre o vice-rei e o governador; adoecera gravemente, vindo a falecer em Cochim em 1509. Afonso de Albuquerque, apesar dos muitos agravos que dele tinha, acompanhou o seu enterro com sinais de grande sentimento.
Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume Y, págs. 130-131 . Edição em papel © 1904-1915 João Romano Torres – Editor
- 1502 – Fernando Noronha – Descobre a Ilha de Fernando Noronha.
Fernão de Noronha, também chamando Fernando de Noronha ou Fernão de Loronha (século XV - século XVI), foi um judeu português convertido ao catolicismo (cristão-novo).
Rico empreendedor, comerciante e armador. Juntamente com outros cristãos-novos, comerciantes portugueses, obteve concessão para explorar os recursos naturais do Brasil durante três anos e em 1503 obteve da Coroa o contrato para exploração do pau-brasil, a valiosa madeira de tinturaria. O consórcio financiou a expedição de Gonçalo Coelho em 1503 que em 24 de Julho descobriu a magnífica ilha que mais tarde tomaria seu nome. Em 1506, Noronha e os sócios extraíram das novas terras mais de 20 mil quintais de pau-brasil, vendidos em Lisboa com um lucro de 400% a 500%.Em 1511, associado a Bartolomeu Marchioni, Benedito Morelli e Francisco Martins, participou da armação da nau Bretoa, que a 22 de Julho retornou a Portugal com uma carga de 5 mil toras de pau-brasil, animais exóticos e 40 escravos, mulheres em sua maioria.
Como consequência do contrato e da expedição de Gonçalo Coelho, o rei D. Manuel I (1495-1521) doou, em 1504, a Fernão de Noronha, a primeira «capitania do mar» no litoral : a ilha de São João da Quaresma, actual Fernando de Noronha.
Em 1532, foi por D. João III (1521-1557) feito fidalgo de cota de armas.

- 1509 – Fernão de Magalhães (ao serviço de Espanha) – Faz a 1ª viagem de circum-navegação à Terra.

- 1542 – João Rodrigues Cabrilho – (Ao serviço de Espanha) Descobre a Califórnia, na costa do Pacífico. 
João Rodrigues Cabrilho (também conhecido como Juan Rodríguez Cabrillo) foi um navegador e explorador português do século XVI.
Ao serviço da coroa espanhola efectuou importantes explorações marítimas no Oceano Pacífico (costa Oeste dos actuais U.S.A.) e terrestres na América do Norte, participando na conquista da Capital Azteca de Tenochtitlan, com o conquistador espanhol Hernán Cortés em 1521, participou também com Pedro de Alvarado e mais 300 europeus, na conquista dos territórios que compreendem hoje as Honduras, Guatemala e San Salvador, entre 1523 e 1535, ajudando a fundar Oaxaca (um dos 31 Estados do México).
Ao serviço da Espanha João Rodrigues, no mês de Junho do ano de 1542, largou amaras de Navidade na costa Oeste do México, navegando para o Norte, e três meses depois alcançou a Baia de San Diego, tornando-se o primeiro europeu a desembarcar no que é actualmente o Estado da Califórnia.
A nacionalidade portuguesa de João Rodrigues não oferece dúvidas, pois é o próprio cronista e Chefe das Índias Espanholas, D. António Herrera y Tordesillas, que na sua Historia General de los hechos de los Castellanos en lás Islas y tierra firme del Mar Oceano o confirma, ao dizer ter ; D. António de Mendonça aprestado os navios "São Salvador” e “Victoria” para prosseguirem na exploração costeira da Nova Espanha “y que nombrô por Capitan dellos a Juan Rodriguez Cabrillo Português, persona muy platica en las cosas de la mar”, embora alguns biógrafos e historiadores, em especial Harry Kelsey, afirmem que Juan Rodríguez Cabrillo tenha nascido em Sevilla (Espanha) em data incerta. Morreu em 3 de janeiro de 1543 no Sul do actual Estado americano da Califórnia, desconhecendo-se o local da sua sepultura.

Os dois maiores feitos das Descobertas, foram sem dúvida o Caminha Marítimo para a Índia e o Brasil.

 Vasco da Gama - Descoberta do caminho marítimo para a Índia

O projecto para o caminho marítimo para a Índia foi delineado por D. João II como medida de redução dos custos nas trocas comerciais com a Ásia e tentativa de monopolizar o comércio das especiarias. A juntar à cada vez mais sólida presença marítima portuguesa, D. João almejava o domínio das rotas comerciais e expansão do reino de Portugal que já se transformava em Império. Porém, o empreendimento não seria realizado durante o seu reinado. Seria o seu sucessor, D. Manuel I que iria designar Vasco da Gama para esta expedição, embora mantendo o plano original.
Porém, este empreendimento não era bem visto pelas altas classes. Nas Cortes de Montemor-o-Novo de 1495 era bem patente a opinião contrária quanto à viagem que D. João II tão esforçadamente havia preparado. Contentavam-se com o comércio da Guiné e do Norte de África e temia-se pela manutenção dos eventuais territórios além-mar, pelo custo implicado na expedição e manutenção das rotas marítimas que daí adviessem. Esta posição é personificada na personagem do Velho do Restelo que aparece, n'Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões, a opor-se ao embarque da armada.
El-Rei D. Manuel não era dessa opinião. Mantendo o plano de D. João II, mandou aparelhar as naus e escolheu Vasco da Gama, cavaleiro da sua casa, para capitão desta armada. Curiosamente, segundo o plano original, D. João II teria designado seu pai, Estêvão da Gama, para chefiar a armada; mas a esta altura tinham ambos já falecido.
A 8 de Julho de 1497 iniciava-se a expedição semi-planetária que terminaria dois anos depois com a entrada da nau Bérrio rio Tejo adentro, trazendo a boa-nova que elevaria Portugal, durante décadas, ao imortal prestígio marítimo.
Iniciava-se, assim, a expedição a 8 de Julho de 1497. A linha de navegação de Lisboa a Cabo Verde foi a habitual e no Oceano Índico é descrita por Álvaro Velho: «rota costeira até Melinde e travessia directa deste porto até Calecute». Durante esta expedição foram determinadas latitudes através da observação solar, como refere João de Barros.
Relatam os Diários de Bordo das naus muitas experiências inéditas. Encontrou esta ansiosa tripulação rica fauna e flora. Fizeram contacto perto de Santa Helena com tribos que comiam lobos-marinhos, baleias, carne de gazelas e raízes de ervas; andavam cobertos com peles e as suas armas eram simples lanças de madeira de zambujo e cornos de animais; viram tribos que tocavam flautas rústicas de forma coordenada, o que era surpreendente perante a visão dos negros pelos europeus. Ao mesmo tempo que o escorbuto se instalava na tripulação, cruzavam-se em Moçambique com palmeiras que davam cocos.
Apesar das adversidades de uma viagem desta escala, a tripulação mantinha a curiosidade e o ânimo em conseguir a proeza e conviver com os povos. Para isso reuniam forças até para assaltar navios em busca de pilotos. Com os prisioneiros, podia o capitão-mor fazer trocas, ou colocá-los a trabalhar na faina; ao rei de Mombaça pediu pilotos cristãos que ele tinha detido e assim trocou prisioneiros. Seria com a ajuda destes pilotos que chegariam a Calecute, terra tão desejada, onde o fascínio se perdia agora pela moda, costumes e riqueza dos nativos.
Sabe-se, por Damião de Góis, que durante a viagem foram colocados cinco padrões em mármore: São Rafael, no rio dos Bons Sinais; São Jorge, em Moçambique, Santo Espírito, em Melinde; Santa Maria, nos Ilhéus, e São Gabriel, em Calecute. Estes monumentos destinavam-se a afirmar a soberania portuguesa nos locais para que outros exploradores não tomassem as terras como por si descobertas.
A entrada em Calecute sofreu alguma oposição, também devido ao patrocínio dos mercadores árabes que queriam manter os Europeus afastados. A perseverança de Vasco da Gama fez com que se iniciassem, mesmo assim, as negociações entre ele e o samorim, de onde resultava uma carta comprobatória do encontro que dizia:
«Vasco da Gama, fidalgo da vossa casa, veio à minha terra, com o que eu folguei. Em minha terra, há muita canela, e muito cravo e gengibre e pimenta e muitas pedras preciosas. E o que quero da tua é ouro e prata e coral e escarlata».
A 12 de Julho de 1499, depois de mais de dois anos do início desta expedição, entra a caravela Bérrio no rio Tejo, comandada por Nicolau Coelho, com a notícia que iria emocionar Lisboa: os portugueses chegaram à Índia pelo mar. Vasco da Gama tinha ficado para trás, na ilha Terceira, preferindo acompanhar o seu irmão, gravemente doente, renunciado assim aos festejos e felicitações pela notícia.
Das naus envolvidas, apenas a São Rafael não regressou, pois teria sido queimada por incapacidade de a manobrar, consequência do reduzido número a que se via a tripulação no regresso, fruto das doenças responsáveis pela morte de cerca de metade da tripulação, como o escorbuto, que se fez sentir mais afincadamente durante a travessia do Oceano Índico.
Vasco da Gama retornava ao país em 29 de Agosto e seria recebido pelo próprio rei D. Manuel I com contentamento que lhe atribuía o título de Dom e grandes recompensas. Fez Nicolau Coelho fidalgo da sua casa, assim como a todos os outros, conforme os serviços que haviam prestado.
D. Manuel I apressa-se a dar a notícia aos reis de Espanha, numa exibição orgulhosa do feito e para avisar, simultaneamente, que as rotas seriam doravante exploradas pela Coroa Portuguesa.

A Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, despertou inimizades a Portugal: parafraseando o que diz Luís Adão da Fonseca, Vasco da Gama trazia da Índia para o reino uma excelente notícia que se consubstanciava no cumprimento da missão, mas trazia uma má notícia: o comércio de especiarias não podia ser feito de forma pacífica e sossegada, comprando, trocando e vendendo produtos. No Oriente, os árabes tinham-se apercebido do perigo que representava aquela presença portuguesa e não tardaram a instigar o Samorim de Calecut contra estes intrusos que podiam dar-lhes cabo do negócio. Outros insatisfeitos com a descoberta do caminho marítimo para a Índia eram certamente os italianos e, sobretudo, os venezianos que complementavam o comércio árabe, distribuindo a partir do Mediterrâneo os produtos orientais. 
Digamos pois que Portugal arranjara alguns inimigos com a abertura da via do Cabo da Boa Esperança e com a hipótese de colocar na Europa as especiarias e outras riquezas asiáticas, a preços muito mais baixos dos que vinham a ser praticados. A estadia de Vasco da Gama na Índia, e a animosidade que aí se levantou, mostrava isso mesmo, e os meses que se seguem a esta triunfal chegada são meses de debate intenso, para encontrar uma estratégia adequada que impusesse a presença portuguesa no Oriente.
Muita gente continua a pensar que a empresa no Oriente é uma loucura de ambição desmedida: o Norte de África, o Mediterrâneo e o Atlântico, são os espaços que interessam a Portugal, para os quais lhe escasseiam já as forças; e o Oriente é apenas um dispersar inútil de esforços. Mas o rei estava decidido a levar a cabo essa empresa, para a qual tinha poderosos aliados financeiros e ideológicos: o negócio da especiaria era tentador e a empresa tinha o mesmo cunho de cruzada que animara os cavaleiros medievais e que servira de motor na guerra em Marrocos. Para além disso, D. Manuel sentia-se um predestinado para grandes feitos, um escolhido por Deus - como já tivemos ocasião de referir. Portanto a decisão de continuar era a mais provável, mas os resultados da viagem de Vasco da Gama traziam algumas reservas quanto à forma de entrar nos negócios da Índia. Havia pois que tomar opções.
É de crer que duas posições se tenham configurado: uma de pendão mais militar, que promovia uma entrada em força, para dominar os poderes locais, obrigá-los a uma vassalagem ao rei de Portugal e controlar o comércio; e outra mais diplomática, que privilegiava a vertente negocial, continuando a acreditar que era possível ir à Índia comprar especiaria sem fazer a guerra. Nesta fase, não me parece possível que outras posições estivessem em jogo, porque as informações continuavam a ser muito escassas. Vasco da Gama saiu do Malabar sob ameaça de navios locais e tinha observado a animosidade do Samorim, por isso, é provável que se sentisse mais inclinado para a guerra; mas essa guerra apresentava-se em Lisboa com contornos difusos e incertos, parecendo um esforço desmesurado para as capacidades do país. Certamente que aqueles que apontavam a via de África usavam este argumento a seu favor e pressionavam o rei.
Como sabemos, D. Manuel enviou nova esquadra à Índia em Março de 1500, e os preparativos devem ter começado muito tempo antes. Pedro Álvares Cabral saiu com 13 navios, que não se aprontam em meia dúzia de meses. Podemos, pois, concluir que era uma intenção anterior à chegada de Vasco da Gama. Porém, a decisão de nomear Cabral para a comandar foi tomada pouco tempo antes da partida, e talvez seja esse o mais significativo sinal da hesitação do rei, quanto às características da empresa. Não seria lógico que o comando recaísse em quem tinha experiência dos tratos orientais? Treze navios representam um poder naval apreciável para a época e para as circunstâncias. O que teria feito Vasco da Gama, com essa força naval, em frente de Calecut?... Pensando nas humilhações que aí já tinha sofrido, parece-me natural que se inclinaria mais para a guerra do que para a diplomacia. Mas a opção do rei foi outra: depois de se saber que a Rota do Cabo era possível e de terem sido analisadas as notícias do que ocorrera na Índia, D. Manuel decidiu enviar uma esquadra numerosa, que, talvez, tivesse o objectivo de impressionar os poderes locais e mostrar a força do rei português, mas que ainda se destinava a negociar e comprar especiarias. Ainda não estava tomadauma decisão clara pela via da guerra no Oriente - que, seguramente, era defendida por Vasco da Gama – e o balanceamento pela nomeação de um ou outro capitão é a expressão visível das alternativas em jogo. As principais ordens militares portuguesas – sobretudo Santiago e Cristo – alinham-se neste debate estratégico, desde o primeiro momento, e, muitas vezes, a escolha de postos de comando teve a ver com a influência de uma ou outra ordem junto do poder real. Neste caso, parece ser claro que a nomeação de Cabral corresponde a uma vitória da Ordem de Santiago, contra a nomeação de Vasco da Gama que representaria a posição da Ordem de Cristo.
J. Semedo de Matos - CTEN FZ

 Pedro Álvares Cabral- a caminho da Índia, aportou terra de Vera Cruz (Brasil)
Acredita-se nascido em Belmonte, na Beira Baixa, Portugal. Foi o terceiro filho de Fernão Cabral, governador da Beira e alcaide-mor de Belmonte, e de Isabel de Gouveia de Queirós. Assim, seu nome original teria sido Pedro Álvares Gouveia, pois geralmente apenas o primogénito herdava o sobrenome paterno. Posteriormente, com a morte do irmão mais velho, teria passado a ser Pedro Álvares Cabral. A 15 de Fevereiro de 1500 - quando recebeu de D. Manuel I, a carta de nomeação para capitão-mor da armada que partiria para a Índia - já usava o sobrenome paterno.
Páginas portuguesas dizem de sua nobreza, que remontaria a um terceiro avô, Álvaro Gil Cabral, alcaide-mor do Castelo da Guarda sob os reis D. Fernando (1367-1383) e D. João I (1385-1433), da dinastia de Avis. Teria recebido por mercê as alcaidarias dos castelos da Guarda e Belmonte, com transmissão à descendência. Eram terras fronteiras da Espanha, de pastorícia, origem dos símbolos das cabras passantes do escudo de armas da família Cabral.
Aos 11 anos de idade mudou-se para o Seixal (onde ainda hoje existe a Quinta do Cabral), estudando em Lisboa: literatura, história, ciência como, por exemplo, cosmografia, aptidões marinheiras, além de artes militares. Na corte de D. João II (1481-1495), onde entrou como moço fidalgo, aperfeiçoou-se em cosmografia e marinharia.
Com a subida ao trono de D. Manuel I em 1495,  foi agraciado com o foro de fidalgo do Conselho do Rei, o hábito de cavaleiro da Ordem de Cristo e uma tença, pensão em dinheiro anual. Casou-se com D. Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque, aumentando sua fortuna - pois a de seu pai devia dividir com os dez irmãos.
Em 1499, Pedro Álvares Cabral disse ao rei D. Manuel l que estava com muita vontade de descobrir o Brasil, então ele o nomeou capitão-mor da primeira armada que se dirigiria à Índia após o retorno de Vasco da Gama. Teria então cerca de 33 anos. Foi a mais bem equipada do século XV, integrada por dez naus e três caravelas, transportando de 1.200 a 1.500 homens, entre funcionários, soldados e religiosos. Deveria desempenhar funções diplomáticas e comerciais junto ao Samorim, reerguendo a imagem de Portugal, instalando um entreposto comercial ou feitoria e retornar com grande quantidade de mercadorias.
Integrada por navegadores experientes, como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho, a armada partiu de Lisboa a 9 de Março de 1500. A 22 de Abril, após 43 dias de viagem e tendo-se afastado da costa africana, avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. Muitas pessoas ignoram esse fato, mas a primeira coisa que Cabral fez ao colocar um pé no Brasil foi pôr o outro, senão ele caía. No dia seguinte, houve o contacto inicial com os nativos. A 24 de Abril, seguiu ao longo do litoral para o norte em busca de abrigo, fundeando na actual Baía de Santa Cruz Cabrália, nos arredores de Porto Seguro, onde permaneceu até 2 de Maio.
Cabral tomou posse, em nome da Coroa portuguesa, da nova terra, a qual denominou de Terra de Vera Cruz, e enviou uma das embarcações menores com as notícias, inclusive a famosa carta de Caminha, de volta ao reino. Retomou então a rota de Vasco da Gama rumo às Índias. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, quatro de seus navios se perderam, entre os quais, ironicamente, o de Bartolomeu Dias, navegador que o descobrira em 1488.
Chegaram a Calicute a 13 de Setembro, depois de escalas no litoral africano. Cabral assinou o primeiro acordo comercial entre Portugal e um potentado na Índia. A feitoria foi instalada mas durou pouco: atacada pelos muçulmanos em 16 de Dezembro, nela pereceram cerca de 30 portugueses, entre os quais o escrivão Pêro Vaz de Caminha. Depois de bombardear Calicute e apresar barcos árabes, Cabral seguiu para Cochim e Cananor, onde carregou as naus com especiarias e produtos locais e retornou à Europa. Chegou em Lisboa a 23 de Junho de 1501. Foi aclamado como herói, não obstante o facto de, das 13 embarcações, terem regressado apenas seis.
Convidado para comandar nova expedição ao Oriente, desentendeu-se com o monarca acerca do comando da expedição e recusou a missão, vindo a ser substituído por Vasco da Gama. Não recebeu mais nenhuma outra missão oficial até ao fim da vida. Faleceu esquecido e foi sepultado na Igreja da Graça cidade de Santarém, segundo alguns em 1520, e outros, em 1526.
Casou-se em 1503 com D. Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque, deixando descendência. Em 1518, era cavaleiro do Conselho Real. Foi senhor de Belmonte e alcaide-mor de Azurara.
Cabral, lembrado pelos brasileiros como aquele que "descobriu" o Brasil, não recebeu do rei as mesmas honrarias outorgadas a Vasco da Gama. No Brasil, é o grande homenageado a cada dia 22 de Abril.
Foram-lhe erguidos um monumento na cidade do Rio de Janeiro e outro em Lisboa, na avenida que tem o seu nome; de igual modo, sua terra natal o homenageou

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal