  

MAGAZINE CEN / Setembro 2012
Tema: "CINEMA"
Pág. 10 de 12 Págs.

|
José
Hilton
Rosa
Belo
Horizonte
- MG -
Brasil |
|
|
"Cinema"
Uma luz,
uma
estrela
Vozes,
forças
que
aparecem
Uma
regra,
uma
história
Caminhos,
invertidos
e
soberanos
Uma
pedra, o
mar
O homem
que
grita,
chora e
fere
O medo,
traz o
pavor
escondido
O amor,
retrata
o
romantismo
Transportando
o
passado,
o
futuro,
mostrado
o
presente
O mundo,
nos
ensina,
mas
apavora
Acontecendo
na
noite,
no claro
e no
deserto
O cinema
fazendo
e
ensinando
através
da
história,
com os
artistas.
José
Hilton
Rosa |
|

|
"NATO"
Azevedo
Ananindeua
-
Pará -
Brasil
|
|
|
Sonho
Real
Alegre e
sorridente
em carro
alucinante,
mansões,
jantares
mil...
qual
Deus, eu
me
supero.
Piscina,
céu
anil, a
taça
transbordante
e em
matar
inimigos
sempre
mais me
esmero.
Por
vezes
vil
Destino,
em fase
angustiante,
me faz
seu
prisioneiro
e,
então,
me
desespero...
e eu sem
amor,
dinheiro,
a vagar
claudicante,
revezes
tão
constantes
da sorte
supero.
Vencer
um
batalhão
e ter
reinos
almejo
matando
a fero e
fogo ou,
em
formoso
esquema,
dar pão,
casa e
saúde ao
povo em
festa
ensejo.
As cenas
vão
passando
e eu,
ali, "panema"...
viver
tudo o
que vejo
é o que
mais
desejo,
prostrado
e
impotente
em
mágico
cinema.
"NATO"
Azevedo
(OBS.:
panema
quer
dizer...
espantado,apalermado,
estático,
bestificado.) |
|

|
Cinema
de
Vanguarda
Enquanto
a
ditadura
militar
aprontava
as
primeiras
"tomadas"
do que
se
transformaria
num
longo
filme de
terror,
o tal de
cinema
nacional
tomava
de
assalto
as
bilheterias
de quase
todas as
salas de
exibição.
Perseguindo
o enorme
sucesso
que as
extintas
"chanchadas"
da
Atlântida
conquistaram,
as novas
peliculas
em cores
de
meados
dos anos
70
primavam
por
muita
correria,
a pé ou
em
carros,
alguma
sacanagem
quase
explícita
e
diálogos
quilométricos
recheados
de
palavrões
e têrmos
cabeludos.
Mas
levavam
público
às
salas,
gente
ávida
por
extravasar
seus
medos e
uma
libido
super-reprimida
fazendo
muita
algazarra,
xingando
uns aos
outros
e, vez
ou
outra,
vaiando
atores e
estrelas
que
brilhavam
na
parede
iluminada.
Florisvaldo
era um
desses
assíduos
frequentadores
das
poeirentas
poltronas
do Cine
Jóia,
descolorido
prédio
do mais
modesto
dos
bairros
da zona
sul
carioca,
jovem
complexado
com seu
próprio
nome,
insatisfeito
com o
mísero
salário
que
findava
antes do
dia 15 e
com
quase
tudo o
mais na
vida.
Sentado
na sala
escura,
a
mastigar
nervosamente
um saco
de
pipoca
da
sessão
anterior,
analisava
preocupado
seu
investimento
do
momento.
Recusara
a
diversão
garantida
dos
filmes
americanos
de
sacanagem
pura, de
sexo
profundo
e
escandaloso,
apenas
para
valorizar
a
produção
nacional.
Não
gostaria
de
passar
pelo
vexame
de um
domingo
anterior
quando,
ao
exigir
na
gerência
seu
dinheiro
de volta
em meio
à
projeção,
quase
apanha
do
"lanterninha"
e de uns
desocupados
que
usavam o
cinema
para
dormir
ou mesmo
transar.
Florisvaldo
armara
um
escarcéu
dos
diabos
na
ante-sala,
"botara
a boca
no
trombone"
protestando
em altos
brados
contra
torpe
qualidade
do
filmeco
"Asyllo
muito
loco",
um
verdadeiro
assalto
ao bolso
do
trabalhador,
achando
que o
Cine
Jóia
tinha a
obrigação
de
prevenir
a todos
sobre
isso.
Afinal,
êle era
"crienti"
daquela
espelunca...
Sob
vaias e
assobios
do
público
impaciente
alguém
ligou o
projetor,
com
atraso
como
sempre e
as
imagens
de uma
típica
família
classe-média
carioca
encheram
a
telona,
com a
filha
boazuda
só de
calcinha
e a
quarentona
mãe com
"rolinhos
de bobs"
nos
fartos
cabelos.
A
discussão
matinal
girava
em torno
da
elegante
"lulu"
de
ancestrais
franceses,
uma
"poodle"
branquinha
que era
o xodó
de dona
Amélia e
filha.
Contudo
Apolinário
Neto,
seu
burocrático
pai e o
aposentado
avô não
morriam
de
amores
pela
esnobe e
afrescalhada
cadelinha,
chata
para
comer e
inútil
como
vigia,
deitada
eternamente
em berço
esplêndido
(a cama
da jovem
Lúcia)
ou no
tapete
da sala.
"Liloca"
ignorava
olimpicamente
todos
êles!
Enfim a
família
estava
toda
reunida...
polemizando
na mesa
repleta
de
alimentos
e
líquidos
sobre a
última
moda do
mal-sucedido
projeto
da "socyalite",
a madame
"Nenê",
matrona
dos
Apolinários
e que
decidira
"degolar"
o rabo
de "Liloca",
pois
essa era
a
derradeira
palavra
("le
dernier
cri") em
moda
internacional.
Calças
versus
saias,
os
homens
contra
as
mulheres
da casa,
batendo
pé a
favor da
silenciosa
(nem
sempre
!)
cadela,
que a
tudo
assistia
sem
entender
patavina.
Venceu o
sexo
frágil;
afinal,
dona
Anésia
era dona
e
senhora
do
inocente
quadrúpede,
que teve
seu rabo
decepado
por
outro
animal
de
gestos
delicados,
voz
melíflua
e,
dizem,
alguns
galhos
na
testa...
num
canil
vizinho.
Tristeza
quase
geral,
principalmente
da
bichinha,
qua
passava
os dias
a olhar
para
trás à
procura
do
apêndice
perdido.
Foram-se
os anos
(no
filme) e
vovô
Apolinário,
cavando
entre as
raízes
de seu
roseiral
favorito,
no belo
jardim
que
cultivava,
descobre
estupefato
que o
rabinho
ali
enterrado
transformara-se
em
peludas
minhocas
falantes,
que
latiam
em
francês.
A
imprensa
brasileira,
ávida
por
bobagens
desse
tipo,
elege a
família
Apolinário
manchete
da
semana,
com as
Rádios,
as
revistas
e
programas
de TV de
"gagás",
"Gigis"
e "Gugus"
fazendo
extensas
entrevistas
com os
tres
heróis e
até com
a
cadelinha.
O filme
se
encerra
com o
vovô da
confusa
família
num
caixão,
desencarnado
por
estafa
("stress",
hoje!)
das
viagens
com as
extraordinárias
minhocas
por toda
a
Europa,
o Japão
e os
EUA.
***
- "Puta
que
pariu,
que
merda! É
mais uma
daquelas
bostas
do tal
cinema
novo!
Essa
não...
quero
meu
dinheiro
de
volta!",
protesta
exasperado
Florisvaldo,
espremendo
os
braços
da
poltrona,
enquanto
forçava
com os
pés a
cadeira
da
frente.
Amassou
com
raiva o
saco com
restos
de
pipoca
velha,
lançando-o
à
distância.
Mas não
teve
tempo
para
mais
nada;
começara
a
segunda
parte do
suplício,
que
desgraça
pouca é
bobagem.
Raciocinou
que a
"grana"
do
ingresso
já
estava
perdida
mesmo,
iria
suportar
o
purgante
até o
final.
Vovô
Apolinário
chega
aos
céus,
paraíso
de filme
tupiniquim
com
portão
de
papelão
pintado
e
enfeites
de
cartolina
dourada.
Dá de
cara com
São
Pedro e
lhe
apresenta
seu
currículo
de belas
obras,
de
caridades
mil, de
jejum,
penitência
e óbulos,
de
frequência
de
missas,
de
novenas
e de
todo
aquele "mise
en scene"
que faz
a festa
da Santa
Madre
Igreja.
O
porteiro
celestial
ignorou
o
papelório
e disse
ao anjo
Hahassiah
que
puxasse
no
computador
a ficha
do
candidato
às
plagas
divinais.
O rapaz
de
asinhas
caídas
(problemas
no
elástico
da
fantasia)
apertou
botões
num
enorme
guarda-roupa
tremeluzente
de metal
que,
gemendo
e
guinchando,
cuspiu
uns
cartõezinhos
perfurados.
Noutra
máquina
semelhante,
São
Pedro
imprimiu
o
histórico
terrestre
do avô.
- "Bela
ficha,
seu
Apolinário...
jardineiro,
funcionário
público
aposentado,
músico,
escoteiro
na
juventude.
Hahaiah,
veja se
tem vaga
pro vovô
numa
dessas
categorias
aí, em
qualquer
dos
cinco
céus!"
- "Ha,
ha, ha,
mestre...
o sr.
está
sonhando?
Nem no
6º céu,
o dos
padres e
bispos
-- que
quase
sempre
não
passam
do
purgatório
-- tem
mais
vagas. O
céu está
completamente
lotado!"
- "Hahahel,
o que
você
sugere?
O
problema
também é
de
vocês,
pois são
meus
ajudantes!"
- "Nada
feito,
santo
Apóstolo!
O sétimo
céu é
dos
serafins
e
querubins,
dos
potentados
e
principados.
Esta
nobre
alma
terá que
aguardar
até que
surja
uma
vaga.
Afinal,
alguns
arcanjos
já foram
expulsos
daqui,
no
principio
de tudo.
Quem
sabe o
fato não
se
repete
?!"
Por fim
o anjo
Lehahiah
teve
brilhante
idéia.
Providenciou
uma
placa
com os
dizeres
"PORTA
DO CÉU -
entrada
-
aguarde
na fila"
e deu
para o
vovô
Apolinário
segurar,
dizendo:
- "Vai
matando
o tempo
aí,
velhinho,
até
chegar a
sua vez.
Afinal,
quem não
fazia
nada lá
embaixo
não vai
cansar
aqui...
depois,
funcionário
público
sabe
melhor
que
ninguém
armar
uma
fila!"
E o
filme
foi se
desbotando,
se
apagando,
com uns
dizeres
que
ninguém
lê sobre
as
imagens,
enquanto
o resto
da
paciência
de
Florisvaldo
desvanecia-se
junto
com a
película.
Levantou
aos
berros,
clamando
contra
aquela
"cachorrada"
e
pedindo
o
dinheiro
de
volta.
Nem
chegou à
metade
do
corredor...
um
segurança
tipo
armário
embutido,
cuja
sombra
dava
dois
dele,
botou-o
para
fora do
cinema
aos
safanões:
- "Sai
prá lá,
vira-lata
ordinário!
"Se
manda"
antes
que eu
te dê
uma
porrada.
"Tá
pensando
que
cinema é
casa de
caridade?
Some já
daqui,
seu
cachorro!"
Florisvaldo
implorou
aos céus
que o
transformassem
naquele
instante
num
mastim,
doberman
ou
pastor
alemão,
para
estraçalhar
as
canelas
daquele
brutamontes
desgraçado.
Cruzou a
rua,
noite
alta já,
a cuspir
impropérios
ao
segurança,
olhando
de
soslaio
para
trás
para
conferir
se o
"cavalo
vestido"
não o
perseguia.
Quiz o
Destino
que uma
caminhonete,
vindo em
sentido
contrário,
jogasse
violentamente
Florisvaldo
contra o
macadame
rijo e
frio,
que
asfalto
era
privilégio
só de
algumas
avenidas.
Estrebuchando
nos
estertores
da
morte,
com o
sangue
quente
tingindo
o negro
terno de
"tergal"
("não
amarrota
nem
perde o
vinco")
adquirido
no
crediário
da Maré
Mansa,
Florisvaldo
ainda
conseguiu
ler no
"baú" do
veículo:
"CARROCINHA
DA
PREFEITURA
--
mantenha
seu cão
na
corrente
e
vacine-o
todos os
anos".
A
família
do
falecido
descobriu
tempos
depois,
através
de um
amigo
médium,
que
Florisvaldo
reencarnara
como um
robusto
e irado
"pitbull",
de
dificil
controle
até
pelos
próprios
donos.
"NATO"
Azevedo
|
|

|
Odenir
Ferro
Rio
Claro -
São
Paulo -
Brasil |
|
|
|
O
Espelho
Mágico (
A Sétima
Arte)
A
glamourosa
magia do
cinema,
assim
como
tudo o
que se
diz
respeito
ao clima
-
relacionado
às
exuberâncias
cênicas
da 7ª
Arte -
sejam os
Filmes,
as
Estrelas,
os
Astros,
os Set's
de
Filmagens,
Autores,
Roteiristas,
Fotógrafos,
Atores e
Atrizes
co-adjuvantes,
Figurantes,
- enfim,
todo o
Cast,
sempre
foram
algo que
impressonaram,
atraindo
todas as
atenções,
- no
parâmetro
das
dimensões
mundiais,
-
inclusive.
Nós, os
seres
humanos,
sempre
mantivemos
a
curiosidade
sobre a
ordem
natural
de tudo
e de
todos. É
até
possível
de se
afirmar
que a
Humanidade,
dentro
do seu
contexto
total,
sempre
necessitou
de bons
ou maus
exemplos.
Sempre
precisou
das
fantasias,
dos
brilhos,
glamour,
e: -
Principalmente
dos
Espelhos!
Ou, à
quem se
espelhar!
Com
Grandes
Espelhos
que
pudessem
nos dar
Âncoras
de
Salvação:
- Para
os
nossos
imediatismos,
as
nossas
incredulidades,
as
nossas
indecisões,
enfim,
todos os
nossos
conflitos
pessoais.
Sempre
fomos
necessitados
de
amplificarmos
os
nossos
conceitos
estéticos
artísticos
e
audio-visuais
das
belezas
ou das
feiúras;
dimensionando
os
nossos
conflitos
ou
satisfações
íntimas,
projetando-os
para uma
realidade
muito
mais
ampla! E
estes
movimentos
todos,
foram
gradativamente
acontecendo,
através
da
eternização
e
amplificação
das
nossas
imagens,
das
nossas
falas,
dos
nossos
sons, e
de tudo
e todos
que
porventura,
estivessem
ao nosso
redor.
Hoje
podemos
dizer
que
temos o
Mundo em
forma
virtual!
E
devemos
todos
estes
avanços,
ao
Cinema;
que,
dentro
da sua
eterna e
expressiva
generalidade
cultural,
têm o
codinome
de
Espelho
Mágico
(A 7ª
Arte)!
Após a
sua
criação
e
evolução,
o Cinema
passou a
fazer
parte
intrínseco
do
Histórico
da
Humanidade.
Podemos
observar
a
trajetória
da
História
Humana,
desde os
finais
do
século
retrasado,
até os
dias
atuais -
através
da
concepção
óptica
captada
pela
sensibilidade
interpretativa
dos
registros
artísticos
criados
e
recriados
através
da
realidade
de cada
determinado
momento
- e que
se
tornaram
patenteados,
imortalizados,
pelas
lentes
mágicas
das
famosas
câmeras
cinematográficas.
E que se
movimentaram,
- e
ainda se
movimentam,
-
através
de todos
os
instantâneos
mais
expressivos
dos
nossos
séculos
incrementados
por
grandiosos
avanços
culturais
e
importantes
momentos
históricos.
No seu
início
de
criação,
- muito
tímido,
- o
Cinema
originou-se
sem sons
e em
preto&branco!
Tudo
acontecia
em
exibição
nas
salas
improvisadas
- os
Cinematógrafos
- a
princípio;
e
depois,
com a
revolução
industrial
e com os
avanços
intermináveis
da
tecnologia,
o mundo
mágico -
e a cada
vez mais
virtual,
do
cinema,
- após
ter sido
estendido
lado a
lado com
o outro
mágico
mundo da
televisão,
acabou
ancorando,
na
atualidade,
no mundo
virtual
da
internet.
Acredito
que
tudo, no
mundo do
cinema,
deve ter
nascido
com a
descoberta
da
fotografia.
Através
de uma
sucessão
de
imagens
fotográficas,
originou-se
de modo
quase
casual,
as
assombrosas
e
fantásticas
descobertas
das
imagens
em
movimentos!
Imagino,
a
princípio,
o quanto
de
assombro,
de muita
sensação
de
espanto
e
incredulidade,
deve ter
criado
nas
pessoas,
ao
verem-se
impressas,
estampadas,
imortalizadas,
dentro
de um
retrato
fotográfico.
E o que
podemos
imaginar,
então,
em
relação
ao
cinema?!
Ambos, -
fotografia
e
cinema,
além de
tudo o
mais, em
termos
de
inovações
e
revoluções
das
epócas -
devem
ter
causado
muitos
"frissons"
entre as
elites,
as
classes
sociais
mais
abastadas
- o que
por
onde,
aliás,
tudo o
que
acontece
de novo,
- é
sempre
aprovado
ou
reprovado
por
estes
meios
sociais
de
níveis
mais
privilegiados.
Para
depois,
enfim,
se
estenderem
a todos
os
demais
meios e
classes
sociais.
Desde a
época da
criação
da
fotografia,
e
depois,
a quase
fabulosa
invenção
do
cinema,
isto sem
aprofundar
nos
detalhes
históricos
que
abrangem
a
Romântica
Era do
Rádio,
os
estágios
de
concepções
e
evoluções
rítmicas
das
músicas,
- além
da
expansão
quase
explosiva
da
televisão,
e tudo o
mais, -
está
muito
notável
que a
sociedade
atual,
nunca
esteve
tão
massificada
- em
termos
de
avanços
Artísticos
e de
Comunicações,
- quanto
aos
nossos
dias
atuais:
- Ou
seja,
estamos
vivendo,
revivendo
ou
vivenciando
de
formas
diferenciadas,
as
belezas
e os
glamourosos
tempos
de
outrora!
Sejam
através
das
sensações
dos
toques,
dos
objetivos,
das
direções
reais
dos
olhos
nos
olhos,
de tudo
aquilo
que for
prático
e
acessível,
enfim,
todas as
nossas
formas
de
expressões
e
manifestações
artísticas...
- Pois
que
agora,
os
nossos
momentos
e
instantâneos
emocionais,
se
tornam
cada vez
mais
virtuais,
sendo
que
estamos
vivenciando-os
através
deste
mais
novo e
fantástico
veículo
de
comunicação,
que está
sendo a
Internet!
Odenir
Ferro |
|

|
Amélia
Luz
Pirapetinga
- MG -
Brasil |
|
|
|
Crônica
Ainda é
Tempo de
Bangue-Bangue.
Uma
nuvem de
poeira,
um
cavaleiro
a
galope,
o
mocinho
chegando,
o “salloon”,
moças
sedutoras
dançando
ou
armando
conquistas
amorosas,
o jogo
de
cartas,
o uísque
para
animar a
festa,
pistoleiros
em
bando, o
fora-da-lei
violentando
os
justos,
o
xerife,
o
comando,
as
encrencas,
o
forasteiro,
o
tiroteio,
a
pontaria
certeira,
as
brigas,
as
repetidas
confusões.
Lembro-me
assim
menina,
dos
filmes
de
faroeste:
Paramount,
Fox,
Columbia
Pictures
ou a
Metro
Goldwin
Mayer
espalhando
emoções
sensacionais.
Vejo o
Cine
Santana
do Sr.
José
Jardim
exibindo
as
películas.
Bem
vestida,
a Dona
Rosa,
sempre
sorridente
recebia
as
entradas.
Herinete
no
alto-falante
anunciava
o filme
chamando
para a
próxima
sessão,
ao som
do
prefixo
“O
Guarani”.
Naquele
tempo
era
comum,
os
meninos
saírem
em
grupo,
com o
cartaz
do filme
do dia,
anunciando
em alta
voz,
também
com o
auxílio
de um
alto-falante
feito no
latoeiro
de folha
de lata,
em que
eles
repetidamente,
a cada
esquina,
levavam
à boca e
somente
com a
força
dos
pulmões
gritavam,
entre
outros
sucessos
de
bilheteria:
- Alô,
alô,
atenção!
Não
percam
hoje, às
dezenove
horas o
sensacional
filme
“Sete
Homens e
um
Destino”,
estrelando
YYYul
Briiiinner!
Assim,
de
graça,
recebiam
o
ingresso.
Acompanhava
a minha
turma,
mesmo
sob
protestos.
Em
euforia
nos
sentávamos
à espera
das
grandes
emoções.
Éramos
seguidores
fiéis
dos
mocinhos
e suas
espetaculares
aventuras
nos
seriados
famosos.
Tínhamos
nossas
preferências:
Tom Mix,
Roy
Rogers e
seu
cavalo
Trigger
, eram
os meus
escolhidos,
heróis
inesquecíveis
da minha
infância.
Colecionava
todos os
seus
“gibis”.
Comecei
a
desenvolver
o gosto
e o
hábito
pela
leitura
através
das
revistinhas
de
bangue-bangue
que
prendiam
a minha
atenção.
Viajava
na
trilha
dos
mocinhos
e
bandoleiros
que
instigavam
a minha
criatividade
e
imaginação.
Celebrávamos
John
Wayne,
justiceiro
consagrado,
ao lado
de John
Ford,
Gary
Cooper,
Yul
Brinner
e tantos
outros
mestres
que
renderam
bilheterias
afortunadas
para
Hollywood.
Víamos
também
Gene
Autry,
Bufallo
Bill e
Rocky
Lane,
corajosos
caubóis
do tempo
das
grandes
platéias,
embriagadas
pela
saga do
Velho
Oeste
americano.
Sem
falar no
Zorro,
com seu
cavalo
Silver e
o aliado
companheiro
Tonto e
no Forte
Apache
da série
As
Aventuras
de Rin
Tin Tin,
um cão
ensinado
que
levava
muita
gente
grande
aos
cinemas.
Penso
ter
aprendido
bastante
Geografia
e
História
e até
literatura
pesquisando
e
localizando
nos
mapas os
estados
da
América
do Norte
e seus
territórios.
Lembro-me
dos
valores
e das
imagens
dos
pioneiros
do
oeste,
projetadas
ao mundo
com
fantasia,
movimento,
ação,
verdades
e
mentiras,
que
nasciam
umas
para as
outras.
O bem
vencia o
mal na
figura
inigualável
do
pistoleiro
bravio
que
aparecia
como
mágica
de um
momento
para o
outro e
resolvia
todas as
questões,
despertando
nossos
sentimentos
nas
conquistas
que
sempre
aconteciam
em
cenários
inesquecíveis.
As
planícies,
o “cannyon”,
as
Montanhas
Rochosas,
o
Colorado,
o Texas,
Oklahoma
e a
famosa
Califórnia,
Eldorado
dos
sonhadores.
Índios
Comanches,
Cheyennes,
Kyowas
ou os
imbatíveis
Apaches,
com suas
lutas
tribais,
guerreando
com o
homem
branco,
representado
pela
força
armada
americana,
na
disputa
pelas
terras
cobiçadas,
pertencentes
às
grandes
nações
indígenas.
O ouro
enfeitiçador
atraía
os
bandoleiros
à caça
de
riqueza
fácil.
Lembro-me
dos
tratados,
dos
acordos
entre os
chefes
das
grandes
nações,
do
mocinho
interferindo
ao lado
dos
oprimidos
até que
o
Cachimbo-da-Paz
pudesse
fumegar
e
encerrar
a
história.
Vitórias
e
derrotas,
bandidos
e
justiceiros
lutando
pelos
seus
ideais.
Trago
comigo
esse
mundo de
criança
em que a
violência
estava
bem
distante
de nós,
presa na
fantasia
das
telas do
cinema,
com seus
tiros de
festim,
numa
grande
brincadeira
encenada,
que
venceu
décadas
de
sucessos.
Então,
sem
alvos,
sem
vítimas,
sem
balas
perdidas,
sem
assaltos
ou
seqüestros
comuns
nos
dias,
nos
divertíamos
muito,
de forma
pura e
criativa.
Sem
mouse,
sem
vícios,
sem
maldade.
Hoje, os
mocinhos,
as
lutas,
as
conquistas,
o
colorido
sem
igual
dos
filmes
de
faroeste
continuam
presentes
em
nossas
vidas.
Revivemos,
cenas
dos
tempos
das
diligências
com
especial
nostalgia.
O gênero
continua
a
prender
as
atenções
dos
antigos
espectadores
relembrados
em
família
nos DVDs
que
resguardam
esse
passado
vivido,
trazido
na
poeira
de uma
época
inesquecível
que
deixou
saudades.
Amélia
Luz |
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