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O Cine
Tabajara...
Éramos
tão
jovens,
nós os
dois!...
Estávamos
no final
da
década
de 1960:
eu ainda
era
quase
uma
menina
na
ingenuidade
de meus
15 anos,
nascida
e criada
em uma
pequena
cidade
do
interior,
onde as
influências
dos
fatos
modernos
que se
introduziram
no mundo
a partir
de 1960
ainda
não
haviam
chegado.
Ele,
cinco
anos
velho do
que
eu...
Eu o
conhecera
três
anos
antes,
no tempo
em que
usava
uma
longa
trança
negra...
Naquela
ocasião
eu
estava
sentada
à beira
de um
canteiro,
em um
roseiral
que
havia na
casa dos
meus
tios. Eu
tinha
vindo do
interior,
passar
com eles
as
férias
de
Verão,
que já
estavam
quase no
fim. Eu
lia um
soneto
de
Camões:
“Sete
anos de
pastor
Jacó
servia...”
Encantada,
estava
como
hipnotizada
pela
beleza
dos dois
últimos
versos
do
soneto:
“...
Mais
servira
se não
fora /
para tão
longo
Amor tão
curta a
vida...”
E
pensava:
Ah! Como
eu
queria
um Amor
assim!...
Um Amor
para
toda a
Vida!...
Um único
Amor...
Nem
percebi
que
minha
tia
havia
entrado
no
jardim e
estava
ao meu
lado.
Levei um
susto
quando
ouvi sua
voz
dizendo:
-
Menina,
“acorda”!
Quero te
apresentar
o filho
de meu
irmão, o
meu
sobrinho
Antonio!
Voltei-me
para ela
e meus
olhos
foram
atraídos
para
outros
olhos!
Junto a
ela
estava
um rapaz
alto,
magro,
com o
cabelo
da cor
dos
trigais
maduros
e os
olhos
mais
lindos
que eu
já havia
visto,
com
cílios
longos e
bem
curvados.
Um olhar
tão
doce...
E os
olhos
eram
castanhos
da cor
do mel
nos
favos
prontos...
Fiquei
extasiada,
olhando,
muda!...
- Minha
filha,
acorda!
Por onde
anda o
teu
pensamento?!
Timidamente,
estendi
a mão
para
cumprimentar,
sem
conseguir
dizer
uma só
palavra!
- Minha
filha,
pode
beijar o
Antonio!
Ele é
como se
fosse
teu
primo! –
sim,
porque
ela era
a esposa
do irmão
mais
velho de
meu pai.
Um beijo
no
rosto,
um
aperto
de
mão... E
eu
completamente
trêmula
e sem
conseguir
falar...
Após
esse
vexame,
com meu
rosto
vermelho
como as
rosas do
jardim,
continuei
quieta...
Mas tive
certeza,
naquele
instante,
que esse
seria o
homem da
minha
vida, o
meu
único
amor...
Para ele
eu
aplicaria
a frase
perfeita
de
Camões:
“para
tão
longo
amor,
tão
curta a
vida”!
Não era
por
acaso
que eu
estava
lendo um
dos mais
belos
sonetos
da
Literatura
Portuguesa
quando o
conheci...
Não o vi
mais...
Dois
anos se
passaram!
Mas eu
não
esquecia
aqueles
olhos
profundos,
intensos,
feiticeiros.
Tinha
certeza
de que o
amaria
por
todos os
dias de
minha
vida!
Agora,
dois
anos
depois,
eu havia
voltado
à casa
de meus
tios.
Ficaria
apenas
uma
semana.
Como eu
pedi a
Deus
para que
o
encontrasse
novamente!
E o
encontrei...
Minha
mãe
tinha
ido
comigo.
E minha
mãe
tinha
encantos
por ir
ao
cinema!
A mágica
sala
escura
onde, na
grande
tela, as
imagens
e as
histórias
se
desenvolviam
era uma
das
coisas
que ela
mais
gostava!
Também,
não
posso
esquecer
que seu
primeiro
contato
com o
cinema
tinha
sido no
tempo do
cinema
mudo! E
as
imagens
com som
e
música,
as
cores, a
tela
grande,
tudo a
fascinava!
Chegamos
na casa
de meu
tio na
sexta-feira
e, no
sábado,
estava
eu outra
vez no
roseiral
a ler
quando
ele
chegou,
devagarzinho...
Estava
mais
maduro...
E eu já
não era
mais uma
menininha!
- Oi! –
ele me
disse.
Fiquei
da cor
das
rosas!
- Oi...
–
respondi.
Não
houve
beijos
no rosto
nem
apertos
de mão.
Sentou à
beira do
canteiro,
do meu
lado,
mas a
uma
educada
distância.
- O que
estás
lendo?
Poesias?
–
Ele
lembrava
que,
quando
nós nos
conhecemos
eu
estava
lendo
poesias!
Então
ele
também
tinha
reparado
em mim!
- Sim.
Estou
lendo
Fernando
Pessoa!
–
- Também
gosto de
poesias...
–
E um
silêncio
enorme
se fez.
Mas
nossos
olhos se
encontraram,
luminosos,
falando
coisas
que os
lábios,
naquele
momento,
não
falariam...
Pouco
depois
minha
mãe e
tia
entram
no
roseiral
que
ficava
ao lado
da casa,
onde
havia
grandes
e altos
canteiros
bem
cuidados,
onde se
podia
sentar
tranquilamente.
- Minha
filha,
hoje à
noite,
vamos ao
cinema?
–
- Sim,
mas qual
filme
está
passando?
–
Antes
que
minha
mãe
falasse,
Antonio
me olhou
com seus
olhos
brilhantes
e disse:
- Há uma
estreia
de um
filme
italiano,
no Cine
Tabajara,
que
possui
músicas
muito
lindas!
–
Minha
mãe era
apaixonada
por
cinema e
por
músicas!
A tia
disse
então à
minha
mãe:
-
Cunhada,
deixa o
Antonio
levar
vocês!
Aqui,
andar à
noite é
um pouco
perigoso.
Nada
melhor
que ir
acompanhada
por um
rapaz.
E assim
foi.
Anoitecia
quando
saímos
de casa.
Antonio,
muito
educado,
deixou
que
minha
mãe
ficasse
no lado
de
dentro
da
calçada
e eu,
logicamente
no meio
e ele do
meu
lado!
Minha
mãe
conversava
com ele
sobre o
progresso
que
havia na
cidade.
Eu não
conseguia
falar...
Mal
respirava,
mas
minha
respiração
estava
ofegante
e meu
coração
batia
descompassadamente...
Ao
chegarmos
ao
cinema,
quando
minha
mãe
tirou o
dinheiro
para
pagar a
entrada,
ele
disse:
- Não se
preocupe!
Deixe
que eu
pago!
Minha
mãe
insistiu!
Ele,
educadamente,
disse:
- Pague
então só
a sua! A
minha e
a da
Andréa
eu pago!
Minha
mãe is
insistir
novamente,
mas ele
falou de
forma
tão
incisiva
que
minha
mãe
concordou.
Entramos.
O cinema
era
belíssimo!
Enfeitado
com
cortinas
de
veludo
vermelho,
um
tapete
também
vermelho
e as
poltronas
da mesma
cor,
acolchoadas
e
macias.
Havia
lustres
de
bronze
lindos,
que
pareciam
trabalhados
a mão. A
mãe
entrou
na fila
de
cadeiras,
depois
eu e,
naturalmente,
ele...
Minha
mãe
perguntou
por que
eu
estava
“tão
quietinha”.
Disse
apenas,
num fio
de voz:
-
Nada!...
Um som
de
carrilhão
anunciava
que o
filme
iria
começar.
Apagaram-se
as
luzes...
Eu me
virei
para ele
e
perguntei:
- Como é
mesmo o
nome do
filme?
Aqueles
olhos
lindos
brilharam
no
lusco-fusco
do
cinema e
com sua
voz, que
despertava
em mim
estranhas
sensações,
que eu
antes
nunca
havia
sentido,
disse-me
docemente,
olhando
bem
dentro
dos meus
olhos e
quase em
um
sussurro:
- “Dio,
come ti
amo”...
As cenas
do filme
sucediam-se,
mas nós
continuávamos
nos
olhando,
carinhosamente,
como se
um
magnetismo
não
deixasse
que
nossos
olhos se
afastassem
um do
outro...
Minha
mãe me
deu um
leve
puxão:
-
Andréa,
o filme
já
começou!
Envergonhada,
olhei
para
frente,
enquanto
uma mão
muito
carinhosa
procurava
a minha,
e a
segurava
docemente,
mas de
modo
firme e
decidido,
como se
dizendo:
“És
minha”...
O filme
era
romântico,
com
músicas
lindas
(tão
diferentes
das que
fazem
sucesso
hoje em
dia!) e
contava
uma bela
história
de
Amor...
Durante
o filme,
várias
vezes,
uma voz
amada,
que me
fazia
estremecer
de
felicidade,
sussurrava
ao meu
ouvido:
- Dio,
come ti
amo...
Dio,
come ti
amo...
Em
lágrimas
estávamos,
minha
mãe e eu
quando o
filme
terminou.
E ele
estava
também
com os
olhos
úmidos...
Quando
as luzes
acenderam,
quis
tirar
minha
mão da
dele,
mas ele
não
soltou a
minha
mão!
Minha
mãe me
olhou,
com um
olhar
severo,
e disse
apenas:
-
Andréa!...
Mas a
mão
continuava
aconchegando
a minha
e ele
olhou
para
minha
mãe de
um jeito
tão
terno,
que
minha
mãe
disfarçou
um
sorriso
e fingiu
não
ver...
E
durante
os dias
que se
seguiram,
ele
conversava
com
minha
mãe,
dizia a
ela o
que
pretendia
fazer
depois
de
formado,
o quanto
valorizava
a
Família,
e, que
logo que
se
formasse
pretendia
casar e
constituir
família.
Minha
mãe
ficou
encantada
com a
conversa
do
Antonio.
Achou-o
muito
maduro e
sensato
para um
jovem da
sua
idade.
Mas,
desde o
cinema,
minha
mãe não
tirava
os olhos
de mim e
sempre
que o
Antonio
chegava,
ela se
fazia
presença
constante...
(Ah!
Como
tudo era
diferente
dos
tempos
de
agora!...)
Nós dois
conversávamos
muito e
a mãe
fazia
parte da
conversa...
(Como eu
queria
ficar a
sós com
ele!)
Mas
minha
mãe,
“cuidadosa”,
“zelava
pela sua
filha”...
E sempre
estava
junto!
Em
poucos
momentos
ele pode
tomar
minhas
mãos nas
suas
dali
para a
frente...
Pouco
antes de
voltarmos
para
casa,
pedi à
minha
mãe para
irmos ao
cinema.
Estava
passando
Dr.
Jivago.
E era no
Cine
Tabajara!...
Fomos
com ele.
As cenas
na
bilheteria
se
repetiram.
Sentamos
mais ou
menos no
mesmo
lugar,
no meio
da
fileira
de
poltronas
e no
meio do
cinema.
Quando o
filme
começou,
esperava
que ele
segurasse
minha
mão, mas
o que
senti
foi um
abraço
delicado:
ele
havia
colocado
o braço
por cima
da
cadeira
e
segurava
meu
ombro,
do lado
oposto,
carinhosamente...
Minha
mãe “não
se deu
conta”!...
Ela
simpatizava
com ele,
já me
havia
dito.
Mais de
uma vez
senti
seu
rosto
sussurrando
ao meu
ouvido,
“Dio,
come ti
amo”!...
Quando
voltamos,
minha
mãe
disse a
ele:
-
Antonio
tu tens
de ir à
nossa
cidade e
falar
com meu
marido
sobre
esse
“namoro”
de vocês
e pedir
licença
a ele!
Por mim
não
tenho
nada
contra!
Mas ela
tem
pai!...
- Sim -
disse
ele –
certamente
eu irei!
E eu vou
te
escrever
logo,
logo!
- E eu
vou te
escrever
todos os
dias!...
Seis
meses se
passaram
e
nenhuma
carta eu
recebi.
Seis
anos...
O tempo
foi
passando
devagar.
Nenhuma
carta...
Nunca
mais
voltei à
casa de
meus
tios.
Quando
eles
vinham
nos
visitar
nunca se
referiram
a ele.
Nunca eu
perguntei
o que
havia
acontecido...
Ah! Essa
minha
timidez!...
E, além
de tudo,
os
tempos
eram
outros...
Quarenta
anos se
passaram.
Meus
tios e
meus
pais
haviam
falecido.
Eu
estava
aposentada
e
resolvi,
um dia,
voltar à
cidade
onde
meus
tios
haviam
morado.
Pela
internet
reservei
uma
suíte em
um
Hotel.
Ao
chegar,
vi que a
cidade
não era
mais a
mesma!
Grandes
edifícios,
muito
movimento,
o Centro
Histórico
da
cidade
preservado,
onde nem
os
carros
podiam
mais
trafegar
para não
abalar
os
vetustos
prédios.
Não era
mais o
tempo
dos
cinemas,
para
tristeza
minha e
de todos
os
amantes
da
Sétima
Arte. Os
DVDs
haviam
engolido
a magia
que só
os
cinemas
têm.
Quantas
vezes,
na minha
cidadezinha,
eu havia
ido ao
cinema e
chorado,
chorado
muito,
do
início
ao fim
dos
filmes,
mesmo
que nada
houvesse
que
racionalmente
motivasse
o
choro...
Na
cidade
dos meus
tios
agora
havia
apenas
um
cinema
no
centro
da
cidade,
com três
salas de
Projeção.
Mas eu
não quis
ir ao
cinema:
aqueles
não eram
o “meu”
cinema:
o “meu”
cinema
era o
Tabajara,
o mais
bonito,
que não
ficava
bem no
centro
da
cidade,
mas numa
bela
Avenida,
um pouco
mais
retirada
do
centro.
Uma
tarde,
no
terceiro
dia em
que ali
estava,
resolvi
ir
caminhando
até o
local
onde eu
tinha
ido há
mais de
quarenta
anos com
minha
mãe e
com
Antonio,
meu
único
Amor, o
Amor da
minha
vida e
que
jamais
esqueci.
O que
teria
hoje no
majestoso
cinema?!
Seria
uma
grande
Loja?
Seria um
edifício,
como
hoje o
que
existia
no local
da casa
onde
moravam
meus
tios?
Doeu-me
o
coração
quando
lá
passei...
E como
teriam
terminado
com o
roseiral?!
Quando
meus
tios
faleceram,
eu fui à
única da
Família
que não
fui ao
enterro.
Na
época,
eu ainda
não
tinha
estrutura
para
voltar
até
lá...
Meus
pais
foram,
mas eu
nada
perguntei.
Eles
também
nada
falaram.
Havia me
tornado
uma
mulher
triste,
quieta,
onde um
sorriso
de
Monalisa
não saia
dos meus
lábios,
mas uma
mulher
onde os
olhos
não
possuíam
brilho
algum...
Deixei
meu
carro no
estacionamento
do Hotel
e fui
caminhando
até lá.
Revivendo
cada
momento
da minha
juventude...
Lágrimas
escorriam
de meus
olhos
por trás
dos
óculos
de
sombra...
Foi um
longo
caminho...
Qual não
foi a
minha
surpresa,
quando,
em lá
chegando,
encontrei
no local
do
vetusto
cinema,
um
terreno
com
Bancas
de
Camelôs,
sem
qualquer
organização,
que
destoavam
do
restante
da
Avenida.
Estranhei.
Um
enorme
terreno,
em
Avenida
hoje
central,
sem que
sido
aproveitado
para uma
construção
maior?!
Em uma
cidade
em que,
cada
palmo,
era
disputado
pelo
Comércio
e
negociado
a peso
de
ouro?!
Estarrecida,
sentei
em um
barzinho
que
havia
por ali,
desses
frequentados
pelos
jovens
de hoje
e pedi
uma água
mineral.
Meu
pensamento
andava
longe...
Quando
fui ao
Caixa,
pagar,
perguntei
à moça
que ali
atendia
se ela
sabia o
que
havia
acontecido
no local
onde
havia
sido o
Cine
Tabajara.
Ela
respondeu
que não
sabia,
nem
sabia
que ali
havia
existido
um
cinema!
Mas, no
fim da
quadra,
existia
um
sapateiro
que já
era
idoso e
que,
segundo
lhe
parecia,
trabalhava
no local
a muitos
anos.
Agradeci.
Fui até
lá. Era
uma
enorme
sapataria,
moderna,
que
fazia e
forrava
sapatos
para
festas.
Mas vi
apenas
jovens
atendendo
e
trabalhando.
Entrei e
perguntei
se ainda
existia
um
sapateiro
idoso,
por ali.
Um dos
rapazes,
muito
atencioso,
disse:
-
Senhora,
boa
tarde! O
proprietário
é o meu
avô.
Será que
é ele
que a
senhora
procura?
Respondi
que sim.
O rapaz
disse
que iria
chamá-lo,
pois
residiam
no fundo
da Loja,
ele,
seus
pais,
sua irmã
e seu
avô.
Esperei
um pouco
e logo
veio um
velho
senhor,
com
belos
olhos
azuis,
ainda
forte e
bem
disposto.
- A
senhora
queria
falar
comigo?
Mas eu
não a
conheço,
senhora.
Identifiquei-me
e disse
que há
muito
não
vinha
até
aquela
cidade,
mas que
lembrava
que,
onde
estavam
as
Bancas
dos
Camelôs
havia,
no
passado,
um belo
cinema,
o mais
bonito
da
cidade,
o
Tabajara.
E se ele
sabia o
que
havia
acontecido
com o
cinema.
- A
senhora
não
soube?!
Pois foi
uma das
maiores
tragédias
desta
cidade!
Faz
cerca de
quarenta
anos!
Empalideci.
Senti
que o
sangue
me
faltava
no
cérebro.
O velho
senhor
me
trouxe
um copo
d’água,
me fez
entrar
até sua
bela
residência
que
ficava
nos
fundos
da
Sapataria,
separada
desta,
por
coincidência
por uma
belo
roseiral.
- Está
melhor?
–
- Sim –
respondi.
- Pois,
como eu
estava
falando,
no dia
1º de
março de
1970,
logo
após
passarem
o filme
do Dr.
Jivago,
voltaram
a passar
um filme
italiano,
muito
bonito
para a
época e
que
havia
feito no
Tabajara
sua
estreia.
Era o
filme
“Dio,
come ti
amo” com
a
Gigliola
Cinguetti.
O
público
jovem da
época,
que não
havia
assistido
ao filme
na
estreia,
na
semana
anterior,
lotou o
cinema!
Pois não
é que,
na
metade
do
filme,
não se
sabe bem
como,
começou
um
incêndio
rápido e
de
grande
monta! O
cinema
era
muito
lindo,
mas não
tinha
sido
aparelhado
para uma
saída de
emergência
para
tanta
gente!!
E foi um
horror!
De
repente,
com o
povo
querendo
sair aos
empurrões,
o teto
desabou
e matou
quase
todas as
pessoas
que lá
estavam!
Tinha
até um
jovem
que eu
conhecia
e que
morava
aqui
perto;
ele era
estudante
de
Medicina,
o
Antonio
de
Santiago
de
Compostella!
Ele era
um ótimo
rapaz,
vinha
seguido
trazer
serviço
para mim
e ficava
horas
conversando
comigo,
quando
não
estava
estudando!
Seus
pais
moravam
no
interior
e ele
morava
numa
Pensão
aqui
perto!
Tinha
tios e
tudo
aqui na
cidade!
Nas
horas de
folga,
quando
não
estava
aqui
conversando
comigo,
estava
na casa
dos
tios!
Pois não
é que o
rapaz
faleceu!!
Tudo
ficou
escuro.
Quando
abri os
olhos
estava
no sofá
da casa
do velho
senhor e
uma moça
esfregava
álcool
nos meus
pulsos,
enquanto
outra
passava
um pano
úmido em
minha
testa e
o senhor
dizia
nervoso:
-
Senhora!
Senhora!
Acorde!
Vou
mandar
chamar o
SAMU!
Chamem!
Rápido!
- Não!
Não
precisa.
Foi o
calor.
Eu vim a
pé do
centro e
foi o
calor...
–
Agradeci
e saí,
como um
autômato!
Quando
cheguei
à porta
da
Sapataria
vi o meu
belo e
amado
Cine
Tabajara,
belo,
luminoso
como na
primeira
noite em
que fui
lá, com
um
enorme
cartaz
do filme
“Dio,
come ti
amo”!...
E vinha
em
direção
a mim o
meu
Antonio
amado,
jovem,
belo e
sorridente!
Chegando
perto de
mim, me
abraçou
e disse:
- Minha
Flor!
Por que
demoraste?!
Eu
estava
te
esperando...
E,
abraçados,
entramos
no
cinema...
Berenice
Guedes |