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Motorista
sem
limites
O
pequeno
vilarejo
dispunha
de um
salão.
Diga-se
de
passagem,
para
realização
de
bailes,
mas que
servia
para
outros
fins.
Apenas
um. Aos
domingos,
velhos,
os nônos,
com seus
palheiros
e
bigodes
amarelados,
jogavam
“solo”,
jovens
ouviam
Vanderlei
Cardoso
e
dançavam
ao som
de uma
vitrola.
Os mais
recatados
se
encorajavam
à mesa
do ping
pong ou
sinuca.
O bar
fornecia
o
pastel,
pé de
moleque,
bebidas
doces e
alcoólicas.
Além
desses
divertimentos
havia,
nas
proximidades,
cancha
de bocha
e campo
de
futebol.
Fervilhava
de
gente. A
rotina
quebrada,
algumas
vezes,
com o
dono do
salão
anunciando
novidades
como: em
determinado
dia
seria
reproduzido
um filme
de Vítor
Mateus
Teixeira
(Teixeirinha)
e Mary
Terezinha,
sob o
título
de
“Motorista
sem
limites”.
Isso em
1970.
Filme
que teve
um
público
de
1.808.500
pessoas,
sendo o
segundo
mais
assistido
daquele
ano,
atrás
apenas
de
Roberto
Carlos e
o
Diamante
Cor de
Rosa,
com mais
de 2,6
milhões.
Nada mal
para uma
produção
regional.
Um
motorista
de
caminhão
passa a
maior
parte do
tempo
cantando,
e vira
herói ao
salvar
sua
namorada
e o pai
dela de
perigosos
assaltantes
de
banco.
As cenas
são
gravadas
na serra
do Rio
Grande
do Sul.
A dupla
Teixeirinha
e Mary
Terezinha
era
conhecida
pelos
ouvintes
de
rádio, e
ninguém
vendia
mais
discos
do que
eles. A
possibilidade
de
conhecer
os
artistas,
nem que
fosse
através
de um
filme,
virou
notícia
e grande
espectativa
no
pequeno
povoado.
O salão
foi
reorganizado
de forma
que as
cadeiras
de
madeira
e palha
de
milho,
fossem
dispostas
em filas
como
sala de
cinema.
Um pano
pendurado
na
parede
funcionou
como
tela.
Chegado
o dia e
horário
de
exibição,
as
cadeiras
da
frente
foram
disputadas
e, antes
de
iniciar
a
exibição,
notou-se
que o
salão
estava
completo,
incluindo-se
os que
ficaram
de pé.
Foi o
acontecimento
mais
comentado
por
aqueles
dias,
principalmente
pelo
fato de
boa
parte do
público
jogar-se
ao chão,
quando
numa
cena o
caminhão
dirigido
pelo
herói
desce
uma
ribanceira
e
projeta-se
como se
fosse
sair da
tela e
atingir
os
assistentes.
Passado
o susto
ficou
difícil,
para
aqueles
tidos
como
machões,
explicar
o
acontecido.
Luiz
Carlos
Martini |