MAGAZINE CEN / Setembro 2012
Tema: "CINEMA"
 
Pág. 7 de 12 Págs.

 

Robinson Silva Alves
Coaraci-BA - Brasil

Tela Encantada


Sou príncipe encantado
Com um cavalo alado
Salvo princesas
De dragões malvados

Aprendiz de feiticeiro,
Bravo sonhador
Astronauta no espaço,
Romântico.
Sedutor.

Enfrento moinhos de vento,
Ergo castelos de areia
Um pescador de sonhos
Apaixonado pela sereia

Meu coração valente
Ama uma menina de ouro
Sou um pirata
A procura de ouro

Sou indio que viu a nau
A esquadra de Cabral
Vassalo medieval
Ou nobre senhor feudal

Cavaleiro do rei Arthur
Guiado pela espada escalibur

Viajo por mundos encantados
Descubro tesouros perdidos
Segredos esquecidos

Lutando contra o mal
Sou super-herói
Com super poderes
Sou forte e veloz

Combato a tirania
Com a força de minha voz

Sou aventureiro
Menino arredio,
Bravo brasileiro
Filho do Brasil

Sou piloto de avião
O mais bravo capitão
Soldado de guerra
Na mais dificil missão

Sou tudo isso,
E muito mais
Nas telasencantadas
Dos cinemas.

Hiatus

 

Margareth das Dores Rafael Moreira Costa
Itambacuri-MG - Brasil

Cinema


jovenzinha ainda era eu
quando um belo convite recebi
de um rapaz elegante
mas também bastante falante
que o acompanhasse naquela noite
para assistir a um filme
de amor que passaria
no cinema da cidade
em que a magia aparecia.

chegando nós dois perto do cinema
eufórica estava eu
como se estivesse numa praia
por exemplo , em ipanema
foi aí que não me arrependi
do convite ter aceito
o que fiz durante o dia?

me arrumei bem linda
com uma saia preta de bolinha
uma camiseta cavadinha
e uma trança cruzadinha
nos cabelos bem lustrados
e os sapatos de salto alto.

meu coração acelerava
a cada vibração no cinema
com o meu lindo ao meu lado
logo ficamos enamorados
foi ali mesmo sentadinhos
que ganhei aquele saudoso beijinho.

rapaz doce e educado
nunca vi outro igual
apertava a minha mão
fazia disparar o meu coração
enquanto tremia dentro da sua
a minha trêmula mão.

firme aguentei todo o filme
no cantinho do cinema
daquele dia em diante
nunca mais nos separamos
e a recordação daquele filme
foi para nós o bastante.

Margareth Rafael

 

 

Luiz Carlos Martini
Restinga Sêca - Brasil

Motorista sem limites


O pequeno vilarejo dispunha de um salão. Diga-se de passagem, para realização de bailes, mas que servia para outros fins. Apenas um. Aos domingos, velhos, os nônos, com seus palheiros e bigodes amarelados, jogavam “solo”, jovens ouviam Vanderlei Cardoso e dançavam ao som de uma vitrola. Os mais recatados se encorajavam à mesa do ping pong ou sinuca. O bar fornecia o pastel, pé de moleque, bebidas doces e alcoólicas. Além desses divertimentos havia, nas proximidades, cancha de bocha e campo de futebol. Fervilhava de gente. A rotina quebrada, algumas vezes, com o dono do salão anunciando novidades como: em determinado dia seria reproduzido um filme de Vítor Mateus Teixeira (Teixeirinha) e Mary Terezinha, sob o título de “Motorista sem limites”. Isso em 1970. Filme que teve um público de 1.808.500 pessoas, sendo o segundo mais assistido daquele ano, atrás apenas de Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa, com mais de 2,6 milhões. Nada mal para uma produção regional. Um motorista de caminhão passa a maior parte do tempo cantando, e vira herói ao salvar sua namorada e o pai dela de perigosos assaltantes de banco. As cenas são gravadas na serra do Rio Grande do Sul. A dupla Teixeirinha e Mary Terezinha era conhecida pelos ouvintes de rádio, e ninguém vendia mais discos do que eles. A possibilidade de conhecer os artistas, nem que fosse através de um filme, virou notícia e grande espectativa no pequeno povoado. O salão foi reorganizado de forma que as cadeiras de madeira e palha de milho, fossem dispostas em filas como sala de cinema. Um pano pendurado na parede funcionou como tela. Chegado o dia e horário de exibição, as cadeiras da frente foram disputadas e, antes de iniciar a exibição, notou-se que o salão estava completo, incluindo-se os que ficaram de pé. Foi o acontecimento mais comentado por aqueles dias, principalmente pelo fato de boa parte do público jogar-se ao chão, quando numa cena o caminhão dirigido pelo herói desce uma ribanceira e projeta-se como se fosse sair da tela e atingir os assistentes. Passado o susto ficou difícil, para aqueles tidos como machões, explicar o acontecido.

Luiz Carlos Martini

 

 

Lúcio Reis
Belém do Pará - Brasil

Cinema


Foi lá atrás no tempo, um pouco distante
Na década de 50 mas precisamente
Quando ainda criança e inocente
Iniciei a olhar o mundo todo contente
A cidade era interiorana no estado do Pará
Que ainda lá está e se chama Marabá
O prédio ainda existe mas, não há mais fita
E sessões da sétima arte são histórias do passado
Que em mim até resta lembrado
Noites de encanto e fantasia
Quando meu olhar podia ver novidades a cada dia
Iniciando pelo futebol de capitais distantes
Jogos havidos e jogadas filmadas
Que enchiam e atiçavam as mentes
Assim como outras materias e temas na tela contadas
Abriam nossos entendimentos para o futuro que viria
Contribuindo na formação para o amanhã
Uma incognita, uma escuridão, muitas interrogações
Que inquietavam o cérebro e corações
Pois viver e iniciar os primeiros passos
Era a experiência que trazia as emoções
Pois o presente do futuro nada se sabia
Hoje, após 54 anos retornei no tempo
Fui rever amigos de infancia
Histórias e fatos passados
Esperei reencontrar o cinema
Porém, hoje apenas há a alvenaria
Na sala de emoções não há mais luzes
A tela é apenas aquele branco na memória
Mas os filmes que o cinema mostrou
Dizem que hoje o pelicula de nossas vidas
Com a trilha sonora que escolhemos
Caminha ou roda para o "the end"
E o que nos resta é esperar
Que alguma lição do verbo amar
Tenhamos podido à alguem mostar
Que gestos e ações de fraternidade
Tenhamos conseguido dessiminar
E assim no cinema de nossas idades
Algo fique para toda a eternidade

23/09/12
Lúcio Reis

Livro de Visitas