Edição de Carlos Leite Ribeiro
 

Apolo

 
 

MAGAZINE CEN

 

 AGOSTO 2012

  

 

 
 
 

Edna Liany Carreon
São José dos Campos - SP - Brasil


RITUAL INESQUECÍVEL


Sem que eu quisesse,
entrastes em minha vida...
Sem que eu permitisse,
invadistes os meus sonhos...

E mesmo sem querer, deixei
que fizesse parte da minha vida.
E nos meus sonhos já invadidos,
permiti que ficasse e passamos
a viver juntos, nosso sonho de amor.

E esse grande sentimento,
que entrou em nossos corações,
sem consentimento...
Fez com que nossas vidas,
vivessem somente em um elo, unidas
por um amor puro e verdadeiro,
como se no mundo, existisse apenas
o nosso sentimento maior...

E juntos, caminhamos felizes
fazendo desses momentos inesquecíveis...
Um maravilhoso ritual do amor.

Edna Liany Carreon

 

 
 
 
 

Ervin Rijo de Figueiredo
Americana/ São Paulo - Brasil


ALMAS UNIDAS


Almas que se amam, se doam
Que se entrelaçam parecendo só uma
Que possuem afinidades tantas
Capazes de despertar o mais sublime
Dos sentimentos, das emoções
Das sensações, até onde o ser é capaz
De amar antes que se torne outro
Almas que nem separadas se separam
E por mais distantes estão sempre juntas
Almas que não percebem mais o tempo
E se completam no espaço de si mesma
Almas completas, repletas e secretas
Capazes de dizer tudo em silêncio
Almas feitas para amar: um ao outro
Alma minha e alma tua, alma nossa
Alma vossa, alma que ama a alma...

Ervin Rijo de Figueiredo

 

MUDANDO O FOCO
Ervin Rijo de Figueiredo



Eu me lembro com detalhes de quando eu era criança, que quando pessoas se conheciam, costumavam perguntar seus sobrenomes. Na intenção de conhecer a história de suas famílias. Costume vindo dos portugueses e sua fidalguia no império brasileiro. Mudando o foco, depois de tantas incursões de estrangeiros no Brasil, este costume até ainda existe, em pequenas cidades do interior do país. Como em empresas familiares, de regime totalitário. Cada vez menos existem empresas assim. Não deram certo. Cometiam-se erros grosseiros de administração e muitas injustiças e perseguições. Mudando o foco, hoje as empresas quando discutem seu currículo, elas gostam de saber à quais redes sociais o candidato participa, para levantar seu perfil social e quem sabe, ver suas fotos e costumes. Afinal, não adianta você ser detentor de conhecimento, o que funciona como uma luz, e colocar esta luz embaixo da mesa. Não haverá grande proveito nesta ação. Quem hoje tem muito conhecimento, vive da prática da multiplicação, fazendo despertar nas pessoas também o interesse em adquirir mais conhecimento. É assim que temos os países emergentes. Regimes totalitários estão se desfazendo. Senão, vejamos a chamada “Primavera Árabe” que já não aceita mais o totalitarismo. Mudando o foco, não há como bater no peito e dizer eu faço, decido e aconteço. O mundo mudou o foco e isso é ótimo, afinal, estamos aprendendo a ser mais tolerante, ou ficaremos só e isolados. Jamais haverá no mundo a predisposição às comunicações se não nos tornarmos condescendentes uns com os outros, na forma como escolhemos para nos apresentar na sociedade. Não entendeu ? Mude o foco.

Ervin Rijo de Figueiredo

 

 
 
 
 

Fátima Mota
Natal- RN


AROMAS


Meu amor tem cheiros
Guardados a sete chaves.
Surgem como desabafo
E esparramam-se
Inundações de verão.
Sem previsões
Sem demoras
Alagam-se
Alargam-se
E passam.
Os meus velhos amores
São de menina
Tem cheiro
De alecrim com saudade
Amores calados.
Espalham lembranças
Manjericão nos alvos lençóis
De algodão.

Fatima Mota
Domingo 22/04/2012

 

 

 

 

 

Glória Marreiros

Portimão - Portugal

CARTA DE UM LIVRO


É para ti que escrevo, rapaz ou rapariga desta hora em que ser jovem não é apenas estar na flor da idade. Escrevo para ti que vives no campo, na vila, ou na grande cidade. Para ti, que te habituaste a encontrar em mim, quando me tens, um meio de compreensão para com outros jovens que, como tu, vivem os problemas, as virtudes e os anseios da juventude actual: inconformista, dinâmica, lutadora, desesperada triste e ausente, mas que deseja construir a sua própria vida e o seu futuro, que quer um mundo em progresso, com trabalho para todos, mais verdadeiro e mais humano.
Dirijo-me a ti, que te encontras ao lado de outros jovens que reclamam um papel activo no mundo, para que deixem de ser uma juventude esvaziada, materialista e a afastar-se cada vez mais dos seus ideais.
Apesar de saber que estou muito esquecido por ti, eu falo-te sem ter boca, escuto-te sem ter ouvidos, ensino-te sem ser mestre, entro no teu coração sem ser Cupido e, quantas vezes, te dou a mão quando estás prestes a cair no abismo…
O meu assunto tem de ser, essencialmente, a tua vida enquanto jovem situado no tempo actual e nas circunstâncias particulares do teu meio como cidadão. Não podemos separar as duas dimensões mas, bem pelo contrário, vê-las em relação uma com a outra. Por isso, eu sei entrar na tua vida para que ela esteja presente em mim.
Os jovens de ontem não me tinham com a facilidade com que tu me tens, no entanto disputavam-me mais. Dialogavam e questionavam, uns com os outros, sobre a minha essência…
Deixa-me ficar nas tuas mãos. Abre-me e sorve a fragrância do meu âmago que se estende à fraternidade e ao amor universal que te une aos jovens do mundo inteiro!
Um abraço do teu amigo que se chama: UM BOM LIVRO!

Glória Marreiros

 

 

Guida Linhares
Santos SP Brasil


POETA PASSARINHO


Poeta és um passarinho
entoando um canto de dor,
que mais parece um hino,
devotado ao puro amor.

Quando em êxtase versejas,
com as tuas asas de sonhos,
Em verdade tu apenas gorjeias,
teus sonhares mais tristonhos.

E as lágrimas que descem,
travestidas de ricas rimas,
são águas que desfalecem,
carregando todas as cismas.

Que de paixão teu peito arde,
nas noites de muita tristeza.
Teus pássaros vindos da tarde,
escondem de tua alma a beleza.

E vagas pelas ruas da tua cidade,
com os bolsos repletos de ilusões.
Nenhum amor tivestes de verdade,
a te aquecer do frio nas estações.

Só te resta o consolo da poesia,
essência de amor que nunca termina.
Um doce pássaro que a todos contagia.

Guida Linhares

 

VELHOS ARVOREDOS
Guida Linhares


Às vezes uma amizade vai nascendo devagarzinho, como o brotinho que surge de uma semente que contendo energia vital, abraçada pelo útero da mãe terra, rompe a casca e se projeta na direção da luz solar. No começo parece fraquinha, e está sujeita às intempéries do tempo. Se chover demais, pode se afogar e dali nem passar. Se não chover, pode morrer ressecada pelo calor demasiado, sem a água necessária para irrigar o seu interior, faltando o alimento necessário para o seu crescimento forte e sadio.
Penso nas amizades desta maneira. Quando são antigas, sendo reais ou virtuais, já se conhecem o caule, os ramos, as folhas, já se acompanhou uma florada, e os seus frutos já foram de certa forma saboreados, o que não quer dizer que uma vez ou outra, não sejam tão doces ou tão gostosos. Mas quem disse que amigos têm que concordar em tudo, em gênero, número e grau? A beleza da diversidade da vida faz a grande diferença, na transformação de cada um de nós.
Quando são novas amizades, ainda em brotinho, não se sabe qual será o seu formato, a sua constituição, o seu contexto, flores e perfumes, e quais frutos serão partilhados, como, onde e quando só o tempo vai dizer. Meu velho avô dizia sempre: - quem deixa a estrada velha pela nova, sabe o que deixa, mas não sabe o que pega. Isto é apenas uma exceção à regra eu respondia, porque amizade pode nascer todo dia, basta ter olhos de ver e coração de sentir, pois há uma estranha magia, certo acaso quando duas pessoas se encontram e a partir dali começam a se conhecer melhor e cultivar uma amizade.
Nem todos levam em conta que as estórias de vida diferentes, a educação recebida, as alegrias conhecidas e as frustrações de cada criatura são únicas e singulares, e que cada um tem a sua própria ótica, e se enxerga através dela, e mesmo que alguém queira mostrar outro lado tem gente que se recusa a ver e nem quer perceber que há pequenas coisas que podem ser mudadas para melhor.
Assim quando numa amizade, os pensamentos e sentimentos se entrechocam, e as rupturas muitas vezes se fazem, há todo um percurso dolorido e difícil. Contudo, costuma-se dizer que da discussão nasce a luz e do intercâmbio de idéias, se pode enriquecer sobremaneira o nosso instrumental para uma convivência verdadeira e harmoniosa.
Gosto de olhar os velhos arvoredos, com a sua placidez e seus troncos grossos, testemunhas de muitas estações. Sinto que a energia que eles contêm vai além, muito além, pulsando em seus ramos, cobertos de folhas verdes, que se balançam ao vento e neste momento, gostaria de ser como as folhas, que em seu silêncio, apenas dançam a melodia de existirem simplesmente para receber o abraço do sol.

Guida Linhares

Registre sua opinião no

Livro de Visitas: