ANO IV - JUNHO DE 2011

Participação de Diversos Autores

do Portal CEN

Edição e Arte Final: Iara Melo

 

 

 

 

 

ACALMA-TE

Tristão Alencar Pereira Oleiro

(para Lígia Antunes Leivas)


Acalma-te,
A alma com os reflexos do corpo,
O corpo com as prospecções da alma.
A vida é una e deve ser tratada com paciência,
Gostar-se é eleger a vida como instrumento do amor,
Ser assim é dom de poucos, mas dever de todos.
Penso vida como instrumento para alavancar idéias,
Massagear corações... Elevar pensamentos... Fortalecer desejos,
Penso vida como cultivar de virtudes e depois
Semear pelos caminhos...

Acalma-te,
Paciência terá com o amor que dedicas a ti mesmo,
Alavancarás pensamentos, idéias e desejos,
Cultivarás virtudes por terdes semeado-as pelos caminhos...

Acalma-te,

Alcançarás o equilíbrio entre  corpo e alma
E chagarás a Paz.
 

Pelotas/RS - Brasil

 
 
 

 

 

Alice Tomé

Diz a Lenda/Reza a História
Mourinho: Special one, para sempre

1.
Este feito de homenagem
Que aqui vou contar
É facto verdadeiro
Em poema o quero cantar

2.
A escrita sempre fica
Na memória gravada
Assim reza a História
Desde que é contada

3.
Bendita terra Lusa
Muitos génios viste nascer
Diz o povo, conta a lenda:
Alguns migraram p’ra (re)nascer

4.
Terra Lusa abençoada
Com talentos sem igual
Colheste na tua "safra"
Mourinho "el especial"

5.
Jovem destemido
Sonhador e realista
Parte cedo p’ra conquista.
Com a bola sempre a girar
A vitória está na mira:
Há que labutar

6.
De ambição em ambição
Com o poder em mente
Faz do relvado seu reino
desafiando muita gente

7.
Em terras de "Avalon"
A Inglaterra conquistaria
Mourinho - Special One
Assim se chamaria

8.
E nesse vaivém
Do futebol a fervilhar
A Itália é que convém
P’ra tudo conquistar.
Encontrando assim a arte
De seu nome sacramentar:
Gravando na Amizade
A arte de ganhar

9.
Mas..., vem Castela de mansinho
Com seu reino e realeza
Não desiste, contrata Mourinho
O mais famoso, com certeza

10.
Lá vai mais um mito
P’ra relvado castelhano
Ancorando no Real Madrid
"El especial" one

11.
A Espanha sempre espreita
Querendo (re)conquistar
O que um dia deixa
Pelos dedos se fisgar.
E...,
Esta terra e seus talentos
Com dinheiro quer comprar
Concretizando o velho sonho
De Portugal anexar

12.
Somos terra, quase de ninguém
Com destino estrelado
Nesta terra de desdém
Florescem génios abençoados:
À conquista de outro "além"
Que sempre tarda, mas vem
Doutras terras, doutros lados

13.
E...,
Lá vêm os bons ventos
Gente lusa proteger
Mourinho é agraciado
Com Prémio p’ra receber:
O Melhor Treinador do Mundo
Muita tinta faz correr

14.
Sobe ao pódio com seu jeito
Quebra regras e preconceito
A nível Mundial
Exaltando suas raízes
E, terras de Portugal

15.
Surge este "Adamastor"
Gigante do futebol:
É filho de gente Lusa
Que trabalha de sol a sol

16.
É arrojado, merece glória
Carregando suor e vitória:
Passando pela tormenta
Do vencedor herói
Que p’ra além da terra "benta"
Só o Amor constrói!

17.
Nos Anais da memória
A História assim escreverá:
O Melhor treinador do Mundo
É de Portugal ...e sempre será:
Que queiram ou não queiram
Assim é, e assim será....
E...,
Por ser filho do vento
Não conhece o amanhã
E não pára no tempo
(...)

Diz a Lenda/Reza a História
Mourinho - Special one, para sempre

© Alice Tomé, (10jan2011 - poema inédito), Professora Universitária,
 Socióloga e Educóloga, ensaísta, poeta, e... Lisboa, Portugal.
"Poeticamente canto a vida/E relato as vivências/
Sociologicamente analiso/A lógica da existência"
José Mourinho foi o primeiro a receber da FIFA
o Troféu de Melhor Treinador do Mundo, referente ao ano de 2010; (10.01.2011). Parabéns.
Poema para José Mourinho - Clube: Real Madrid
alice.maria.tome@gmail.com
; http://atome.no.sapo.pt/index.htm
 
 
 
 
 
 
 
Respeito à Velhice
 
Ana Maria Nascimento
 

Velhice é experiência
no patamar cotidiano
carecendo com urgência
o brio do respeito humano.
 
Velhice é experiência
e pode ser transmitida
a quem valoriza a essência
deste período da vida.
 
Muitos dos nossos idosos
no patamar cotidiano
vivem tristes e ociosos
entregues ao desengano.
 
Infiltrada à negligência
nota-se a melhor idade
carecendo com urgência
de um pouco mais de igualdade.
 
Aracoiaba - CE/Brasil
 
 
 
 
 
 
 
O Sonho
 
Cyroba Cecy Braga Oliveira Ritzmann

 
Ai! Como quero!
pedir ao tempo:
Pára – marca essa hora sem fim,
que este momento de felicidade
fosse permanente em mim;
que o vento não levasse meu pensamento,
que nada se perdesse de mim;
quero a vida em plena primavera
embriagar-me com o perfume das flores
e sentir a sensação de ser um imenso jardim;
quero ver a noite da janela
e que até a lua olhasse para mim;
banhar-me com o luar dela,
sentindo a eternidade em mim;
quero fazer da vida uma quimera;
que raios de sol me aquecessem a alma;
que a água pura e cristalina
corressem dentro de mim;
quero abraçar sonhos de alegria,
continuar a sonhar...
o sonho que um dia sonhei!
Ai, como quero!
 
 
 
 
 
Minha procura...

(Diana Camargo)

 
Quero caminhar por ruas de outono,
Sobre as folhas secas que cobrem o chão,
Sentindo no rosto a brisa suave
De um tempo que marca o final do verão.
Nessas alamedas, quero te encontrar
Correndo ao encontro, quero te abraçar
Para acalmar o meu coração.
Este coração que às vezes tão inquieto
Parece querer fazer do caminho
A grande certeza, neste procurar.
E como uma ave de vôo solitário
Que busca a vida em outra estação
Vai meu coração, neste caminhar
Não desiste nunca de te encontrar.

 

 

 

O SOL LUZ QUE AQUECE ALMA
 
(Flor de Esperança)


Assim como o sol nasce a cada amanhecer
Brilha uma nova oportunidade para crer
Que tudo de bom vai acontecer
Só depende do nosso querer
Deixar o sol nossa alma aquecer

Que Deus seja o nosso universo
E que façamos do ontem, hoje o inverso
Com confiança vencendo obstáculos
Caminhando pelos campos verdejantes da vida
Com capacidade de perdoar e de amar sem medida

No coração a paz infinita
Fazendo a vida mais bonita
Num caminhar de risos e alegrias
Que de tanta felicidade a todos contagia

Amo o sol
Penso que ele é nossa luz interior
Mesmo que lá fora esteja nublado
Deus faz o sol penetrar nossa alma
Aquecendo-nos e enchendo-nos
De energia e vitalidade
Fazendo-nos “ver com os olhos de ver.”

Laje do Muriaé - RJ

 

 
 
 
 
 
DANÇA SECRETA
 
Glória Marreiros (Portimão)  

 

Na dança secreta do corpo que tenho
há esp'ranças que bailam, carentes de amor...
e nelas me vejo na dor de ser lenho
do tempo que passa e não ouve o clamor.

Na dança secreta a razão só castiga
o corpo que tenho, contrito, sem paz,
sem leme na barca a que o vida o obriga,
mas, ele é criança, não sabe o que faz...

Na dança secreta, arraiais de justiça
esbatem no tempo, mais novo, que vem
dizer que minha alma é lonjura insubmissa
à fome dos corpos, daqui e de além!...

Na dança secreta o meu corpo se evade
Rumando à nova era de crentes, de ateus...
e grita em silêncio  p'la paz, liberdade
da vida dos corpos, que são dom de Deus!. 

 

 
 
Gaivota
 
Heralda Víctor


Ouve o barulho do mar
Sou eu a chorar...
Em cada onda que vem e vai
Misteriosa e solitária
Sou eu a te esperar...

Nas dunas que mudam de lugar
Movidas pelo vento,
Mas ficam sempre à beira da praia,
Esperando o beijo do mar,
Sou eu a sonhar...
 
Numa gaivota que ronda, voa, busca,
Sem saber onde pousar
Sou eu a vagar...

Ouve no segredo do teu coração
O barulho do mar
Sou eu a te chamar
Na chuva, no vento, no ar,
Grito teu nome na voz do silêncio
Calo este amor lembrando uma gaivota.
Era tão bom...
Ouve, te chamo...
Ainda.   Muito. Sempre...



 

 
QUEM FOI CAMÕES?

Humberto Rodrigues Neto


Não haverá em todo o mundo um português
que não sentiu ferver o peito em emoções
ao se inteirar da carismática altivez
do vulto pátrio que um dia foi Luiz de Camões!

Não foi apenas nos Lusíadas que ele fez
brilhar o nome da sua pátria entre as nações,
pois foi guerreiro cuja férrea intrepidez
menor não foi que a das romanas legiões!

Por Ceuta, por Macau, por Moçambique e Goa,
seu nome ilustre é uma legenda que ainda soa
como um fanal das lusitanas tradições!

Mas... a sua pátria hoje não tem no parlamento
ninguém que ostente pelo menos dez por cento
daquele amor com que a serviu Luiz de Camões!


 

 

 

 
SINGELOS SONHOS !
 
 Iára Pacini

 

Reserve um instante...
Fazes-me sorrir,
Renasce  lembranças,
Teu sorriso reflete aqui.

Hoje sei, te perdi,
com clareza ferida,
Agora a minguar,
Caminhos solitários,
Outrora floridas pétalas,
Paisagem desgastada.

Quando teu vulto,
o vento ressoa em mim,
Preterida fui..
Horizonte perdido,
emoções gurgitam, agitam,
gritam, sufocam esse amor,
maquiado,esculpido,pela dor
Nesse  estraçalhado coração
Hoje orvalho congelado,
tento refletir a luz.

Diz-me que sou o amor,
converge a razão,
Tornando a ação,
Em meus olhos, reflexo,
da distante lua,
Aqui no meu Sul,
A dizere-me Te Amo,
Nem que seja,
Em singelos sonhos ...



 

 
DETALHES LÍRICOS E POÉTICOS

Ilda Maria Costa Brasil
 
 
Onde os encontrar?
Sem dúvida, na poesia,
já que o texto poético agrega lirismo,
magia e fantasia.
As palavras, ao recriar a linguagem,
tornam-se instrumentos singulares,
que despertam emoções
e estimulam sensações.
São detalhes líricos e poéticos:
imaginação, sonhos e criatividade
num contexto repleto de recursos linguísticos.
Poesia... a mais bela das artes!


 
 
Embriaguez
 
Isabel Pakes


Tão instigante é o vinho
que sirvo-me do cálice com avidez
e fico assim, desarmada de mim:
o coração exposto - de amor incandescido,
a mente escancarada - o inconsciente abrindo a guarda,
a alma em catarse - entregue à alquimia do seu gosto.
E vou assim, sem sustos nem receios,
sem pressa, com gestos lassos.
Um pé na sorte outro no sonho,
e no trançar dos passos entrelaço a dualidade do caminho
indo ao encalço das meninas visionárias dos meus olhos
que se adiantam além do horizonte,
à luz nascente, refletindo-a em minha fronte.

E se as palavras que borbulham em minha boca
são delírios, se extrapolam a razão,
onde estão os meus censores,
onde está quem me contenha?  
Eu, por mim, quero mais vinho,
me embeber, me emprenhar de sua essência,
permanecer assim
nesta minha lúcida loucura,
viver assim
sob o esplendor da aurora!  
Que a vida é vinha verdejante
às mãos do Vinhateiro num eterno frutear!
E o vinho generoso, borbulhante,
do cálice etéreo, inesgotável a transbordar!
 
 
 
 
 
 
Prece do filho
 
Ivone Boechat
 

Senhor,
salve todas as mães
das tempestades sociais,
dê-lhes a mão
e tira do caminho delas
o grande  muro
do abandono,
torpedos da ingratidão,
buracos da omissão...
 
Console aquelas
que amarguram a tristeza
de partir sozinhas,
no escuro,
sem ter quem lhes acenda
a luz de uma vela,
elas nunca reclamaram
do peso da sua cruz,
deixaram apenas
no caminho duro
um rastro de  luz. 
 
 

 
 
 
O Enigma

J.R.Cônsoli

 
Dito assim, tão rapidamente, não me foi possível perceber o valor daquelas informações... só mais tarde, pensando sobre os acontecimentos do dia, pude perceber a exatidão científica daquele trabalho: um oceano de questionamentos e afirmações interessantes de que eu não tinha me dado conta.
 Mas, o que fazer agora? O navio já havia partido há pelo menos cinco horas e a noite aproximava-se de mansinho. O ano de 1834 chegava ao fim; a cidade do Rio de Janeiro experimentava uma feliz movimentação devido à véspera do Natal.
 Naquela noite as pessoas andavam apressadamente, carruagens e cavalos competiam por um lugar nas ruas, as lojas do centro estavam superlotadas.
 Caminhando pela calçada aproximava-se uma senhora elegantemente vestida dando a mão a uma menina dos seus oito anos, que mais parecia dançar no seu andar alegre e saltitante, fazendo balançar suas tranças louras, mostrando o rosto radiante enfeitado por olhos densamente azuis.
 Não, não pode ser - pensei - Adelaide já devia estar bem longe das costas do Brasil, mas... que semelhança incrível! Segui as duas, até que pararam junto a uma vitrina de uma loja de brinquedos na confluência da Ouvidor com Av. Rio Branco.
 Mantive-me a certa distância, e cada vez mais me impressionava os trejeitos da jovem senhora, que para mim não era outra senão a própria Adelaide.
 Por momentos duvidei da minha sanidade... será que estou tendo um tipo de alucinação, estarei sonhando por acaso? Resolvi aproximar-me... nesse exato momento as duas entravam pela porta principal do estabelecimento.
 A menina pulava de alegria, por certo já tinha escolhido o seu presente, provavelmente aquela boneca grande que estava bem próxima ao vidro da vitrine, na entrada da loja.
 Entrei... qual não foi minha surpresa ao ser reconhecido pela madame que imediatamente veio ao meu encontro, me chamando pelo nome:
-  Haroldo há quanto tempo! Por onde anda meu amigo?
-  Não me diga que tu és a Adelaide!... exclamei cheio de espanto!
-  Ora, será que eu mudei tanto assim, será que o tempo me maltratou tanto, a ponto de você não mais me reconhecer?
-  Não, não é isso... eu estou meio confuso, preciso conversar contigo:
O que aconteceu, porque o navio voltou?
-  O quê!... que história é essa Haroldo, que navio é esse?
-  Ora Adelaide, hoje mesmo presenciei o teu embarque para a Europa, estivemos conversando por alguns instantes na sala de espera, ouvi tuas revelações sobre a tese que defenderias numa Universidade francesa, e agora te encontro aqui - estou realmente espantado!
- Olha amigo, não estou entendendo nadica de tudo isso, não estive com você hoje, não embarquei - tanto é que estou aqui - e a tese de que fala, são águas passadas, eu a defendi no ano passado, lembra-se?
 O silêncio e uma certa desconfiança mútua tomaram conta dos momentos seguintes. Adelaide pediu licença, foi finalizar a compra do brinquedo, pois era grande a ansiedade da menina que, insistentemente, a puxava pelas mãos.
 Caminhei em direção à porta para esperá-la e respirar um pouco de ar puro.
 O que será que aconteceu? Que episódio mais estranho... é inacreditável!
 Atravessando a rua passava um menino, sobraçando jornais - olhos vivos, assobio nos lábios, pés descalços.
- Vai um aí moço? – disse-me sorridente.
- Sim, tome aqui alguns tostões e pode ficar com o troco!
- Não!?...
 
( - Jornal do Commercio, Rio de Janeiro - 24 de dezembro de 1835 -)
 
 


        
JUSSÁRA C GODINHO - JU VIRGINIANA
 
 
Saudade, palavra nossa
Carregada de emoção
Chega, machuca e destroça
Solitário coração

Saudade, tema singelo
É pura melancolia
Um sentimento tão belo
Em forma de poesia!

CAXIAS DO SUL - RS - BRASIL
 
 
 

 

São João em Caruaru
 
Malude Maciel


Minha cidade vira uma festança
Com alegria e animação
Fogos, brincadeiras de criança
Tudo encanta nessa terra do "São João"

Vemos quadrilhas, balões,
Fogueiras, bandeirolas multicores,
Na paixão se esquentam os corações
E temos em volta uma explosão de amores

Os amigos, as famílias se entrelaçam,
Em encontros, no pátio se abraçam,
Muita gente numa linda união

Bem além dos desfiles e fantasia
Preservemos a pureza e a harmonia,
Demos vivas à nossa tradição!


 


 
VERÃO NA PRAIA DO LEBLON
 
Maria Luísa Bomfim


DA JANELA DO APARTAMENTO
VEJO A PRAIA DO LEBLON.
A AREIA ESCALDANTE
QUEIMA PERNAS E PÉS.
SOMBRINHAS COLORIDAS
BRIGAM POR ESPAÇO,
NO PEDAÇO.  

MATE GELADO, ÁGUA DE COCO
COCA-COLA,GUARANÁ.
ACORDES DE "WAVE" MISTURAM-SE
ÀS MAROLAS DO MAR.
É MAIS UMA MANHÃ DE VERÃO
NA PRAIA DO LEBLON...   

Fortaleza, CE.
 
 
 

 

MINHAS MÃOS
 
Olga Maria Dias Ferreira
 
 
As minhas pobres mãos, sim, envelheceram,
ao frio do tempo que,  já,  no rigor, maltrata,
no torvelinho errante e bravo, enrijeceram,
em testemunho a meus cabelos cor de prata...
 
 Minhas cansadas mãos jamais esmoreceram
de inspiração fecunda, fluindo em cascata,
e, nem a morte, um dia,  minhas mãos temeram
que as privassem de tracejar simples cantata.
 
E, minha alma se eleva transcendental,
na  busca eterna de   graça celestial,
apiedando-se do corpo, com certeza...
 
E, em tal faina, manobra dura e fatal,
encontra  abrigo,  no plano divinal,
NA BRAVA LUTA EM CONFLITO CO´A NATUREZA.
  
CLIPE/ASBL
 
 
 

 

CENA de AEROPORTO em dia de FUMO de VULCÃO CHILENO!

Pedro José Alves
 

Não, não é que fosse convencido, nem, tampouco, prosa.
Ao contrário, seus passos eram firmes, sempre com uma valise, decidido.
Mas seus ombros quase retos, não deixavam, desde que o talhe estivesse certo, pender o paletó.
O burburinho no aeroporto era imenso.
Filas se cruzavam e uns que queriam, simplesmente, remarcar passagem - que não poderiam usar - já estavam naquela de embarque, na ponte aérea pro Rio chegar!
Outros, que estavam só olhando, buscando que fila entrar, repentinamente se viam quase chegando no balcão de uma empresa aérea que nada tinha a ver com o tíquete que portava na mão esquerda. É que na direita estava a valise, a mochila, que ficou nos registros históricos, como substituta da maleta de executivo.
E todos falavam. Não, gritavam.
Poucos sussurravam. Ah, viu dois a balbuciar. Estão agarradinhos. Ele quase a engolfava com um abraço que a fazia colar no seu ouvido, onde se via que ela sussurrava. Dizia-lhe algo prazeroso, porque eles sorriam.
Teve um arrepio só de pensar que, breve, talvez, os dois agarradinhos podiam ser – e tudo legal, legalíssimo – do mesmo sexo!
Não, não tem preconceito, mas tem uma terrível tradição estética, que lhe faz ver certas cenas como certamente um míope, sem os óculos, veria o Corcunda de Notre Dame, ou um estrábico, sem correção ocular, poderia ver, admirar, a Vênus de Milus.
Mas, atenção, não tem qualquer preconceito, creiam!
Ele, parado no meio a tudo, se esquivava de um ou de outro, levantava a perna, para que um carrinho com malas nela não se chocasse, mas ficava ali, a tudo ver, admirar, analisar.
Não que ali fosse no mesmo lugar, porque havia um natural movimento lateral, quase que um escorregão pra frente, pro lado, pra qualquer lugar onde alguém mais apressado não se desse conta de quem por ali passava ou estava!
Pros passantes, os estáticos, que flutuavam nos movimentos dos passantes, pareciam fantasmas a lhes reter o caminho!
Seus pés pareciam aquele mata borrão, do tipo que torna pra frente e imediatamente pra trás, a secar tudo que lhe tocasse a base.
Empurraram-no pra diante e viu que estava exatamente numa fila. Tropeçou pra trás, no carrinho que à frente se postava.
Não sabia pra onde ia, por isso deu um passo à direita, um outro à frente e outro mais iria dar, quando um carrinho o fez mudar o rumo e, a seguir, à esquerda se dirigiu.
Não entendia o que tudo isso era. __O que se passava?
Passou u´a moça de uniforme.
Puxa, sorriu, por que tudo isso?
Ah, Senhor, é que a ANAC, por causa da fumaça do vulcão chileno, mandou cancelar os vôos pro sul.
Ih, eu ia pro sul! __ Grato.
Continuou naquela marcha-arrasto, em que a perna do chão não saía e no mesmo lugar não ficava.
Com o ombro iam lhe conduzindo.
Ora pra direita, ora em frente e ora, ainda, à esquerda.
Quando viu, estava em frente a duas jovens, também de uniforme.
Ah, pensou, em outros tempos talvez tivesse visto as jovens antes que nelas chegasse. Agora, só as viu quando chegou muito perto! __ Oh, tenho que operar essa danada catarata! __ Está me atrapalhando a visão, novamente!
Sem nada dizer, apenas sorriu. E pensou: puxa, tanta mulher bonita e todas de uniforme!
Mas ali estavam as duas em que tinha topado.
__Por favor, conseguiu balbuciar, com voz doce e um pouco arrastada. Voz de setenta anos, obviamente. Vocês podem me ajudar? __ Estou me sentindo perdido.
__ O que o Senhor deseja? (Notaram a doçura do Senhor? __ Já ali elas identificaram um Portador de Deficiências!)
__ Por favor, como um pobre velhinho pode conseguir os tíquetes de embarque, em meio a este alvoroço, para voar pra Curitiba?
__ Puxa, não pode. Não se pode voar pr´o Sul.
__ Como (?), mas como (?), eu queria tanto ver meus netinhos, que já fazem seis meses que não os vejo! __ Puxa, o que é isso? __ Não há um jeito? __ Vocês não estão oferecendo uma opção? __ Uma opção, por favor!
__ Lamento, Senhor, mas não tem jeito. E o último apelo, pela forma, pelo “apelo” lhes fez sorrir, uma vez mais. Aquele vulcão do Chile está cuspindo fumaça demais e parece que não há visibilidade nos aeroportos do sul.
__ Ih, então vou ter que voltar pra minha casa. Ficar sozinho. Ficar sem ver os netos. Que coisa! __ Logo hoje que queria tanto ver os meus netinhos. Ficar sozinho em casa é bravo. E no fim de semana! __ Uma de vocês não quer ir comigo, pra eu não ficar sozinho?
__ Riram, mais uma vez. E uma, de uma morena sensibilidade, compassivamente disse: venha comigo. Vou ver o que posso fazer!
__ Oh, que bom, vai ficar comigo, no Rio?
__ Ela riu.
Já iam chegando próximo da fila da Ponte Aérea pro Rio de Janeiro.
__ Me dê, Senhor, por favor, esse papel – onde tinha o vôo pra Curitiba – e a identidade (que ele portava nas mãos). Vou ver o que agente pode fazer. (Ouviram a doçura da pronúncia do “Senhor”? __ Notaram como estava abalada?)
__ Ficou eufórico. Ela vai trocar o serviço com outra Colega e vai comigo pro Rio, pensou. Que bom, não vou ficar sozinho. (Sabem, ele até pensou em pensar nisso, mas se conteve. Não ia ela fazer isso, certamente. Até porque, a não ser pela carteira de identidade, quem era ele pra ela? __ Um velhinho, perdido num aeroporto!)
__ Voltou em pouco tempo! __ Tem bagagem pra embarcar, Senhor?  (Ah, como era doce aquele “Senhor”!)
__ Sim, tenho, não é grande, mas tem umas coisinhas, pros netinhos. Bom, vai ficar pr´uma próxima vez!
__ Tá bom. Mas não saia daqui. Fique me esperando!
__ Puxa, sem dúvida, vou pro Céu com você, seguro!
__ Ela sorriu!
__ (Ih, acho que já tou agradando. Riu novamente. E não se ressentiu das indiretas-diretas, já!)
__ Voltou, daí um pouco mais: tá quase tudo arranjado. Não saia daí.
__ Fique tranqüila. Se der um terremoto, me grudo aqui na pilastra, mas fico esperando seu retorno!
__ E lá foi ela, num pequeno espaço entre a parede e as esteiras, por onde seguiam, deitadas, silentes e indiferentes malas. Algumas com etiquetas, outras com fitinhas, que as distinguiam de outras mais, superiores, sem fitinhas, sem etiquetas, orgulhosas por serem novas, mas convictas de que os donos não as esqueceriam!
__ Mais um pouco e ela chega. Consegui. Aqui está o tíquete da mala. Coloca-o na mala dele, pequena, não muito pesada, com os presentinhos pros netinhos. E lhe dá o tíquete de embarque. E lhe diz, naturalmente, em seguida: Ih, não vou poder ir. O Senhor irá sozinho. Mas não se preocupe. Siga por ali e vá rápido. São 09:35 e o seu vôo parte às 10:06.
__ Agradeceu e, com passos firmes de idoso -  ainda não senil -, foi caminhando, driblando os carrinhos apressados, os jovens nas filas, angustiados, querendo viajar, querendo voltar, querendo partir pra qualquer lugar, sem, porém, ficarem ali, parados, na fila, vendo os carrinhos passarem. Ah, e por que não, as moças bonitas que lhos arruava!
Bom, ele só tinha uma dúvida, enquanto caminhava.
Afinal, ele tinha usado alguma prerrogativa, ou deveria chamar aquilo tudo de privilégio de idoso?
Afinal, o que tinham os idosos? __ Seria um privilégio ou seria uma prerrogativa de lei?
E, ainda, ia pensando, enquanto caminhava: e se ela fosse pra casa comigo, como eu tinha sugerido? Será que eu saberia, ainda, o que fazer com ela?
O avião estava no horário.
A fila pra entrar era grande. Usaria ele o seu privilégio ou era a sua prerrogativa?
Se fossem prerrogativas, ele estaria na mesma situação dos Magistrados da ativa.
Se fossem privilégios, seriam igualmente prerrogativas, mas aí seriam aquelas dos Magistrados aposentados!
Bom, em homenagem ao seu Colega de viagem, que não tinha privilégio e nem prerrogativa, sendo um pobre jovem, que muito tinha ainda que lutar, enfrentar fila, lutar por seu espaço, foi solidário. E o seguiu na fila.
Chegando no interior do avião, lá estava o seu assento. Ainda não ocupado. E ele pode colocar no porta bagagem superior a sua mala de mão, com mais de quinze quilos, onde estavam os seus equipamentos eletrônicos da geração dos jovens: o celular e o computador e alguns Códigos, que tinha usado na audiência de uma arbitragem, realizada no dia anterior!
Sim, porque com a lentidão do Judiciário, decidira só usar a arbitragem, na solução dos litígios de seus Clientes. E, assim, em cada contrato que elaborava, incluía uma cláusula compromissória.
E, com cláusula compromissória, lei é lei e o dissenso vai pra arbitragem!
A viagem foi tranquila e, dando graças a Deus, chegaram bem!
No avião, serviram até cachorro quente, para homenagear o mês das Festas Juninas, de que alguns já tinham ouvido falar.
É que, em época de preservação da natureza, não tem balão, não em fogueira, não tem estalos de madeira, não tem brasa pra se queimar.
Ficam os estalos de memória, ficam os registros sonoros, que ventos lentos, por vezes, nos trazem; que ventos sonolentos carregam, pra qu´um dia na Vida, alguém inda possa contar.
 
 

 
 
 
UM CORAÇÃO APAIXONADO

Regina Bertoccelli


Um coração apaixonado
Não bate descompassado
Vive contente e agraciado
Quando sabe que é amado

Um coração apaixonado
Irradia paz e felicidade
Por ser bem humorado
Mantém sua jovialidade

Um coração apaixonado
É cheio de sensibilidade
Ao envolver o namorado
Aflora sua sensualidade

Um coração apaixonado
Nunca fica desanimado
Abraçado com seu amado
Desperta feliz e inspirado

 

 

 

 
A missão que tiro disso...
 
rivkahcohen
 
 
Com o universo tão grande,
olho a meu redor,
logo mais adiante
e de forma dorida,
sinto-me uma ilha
em tamanho menor
e destino errante..

Se alguma ave padece,
sinto que tem a ver comigo,
em ajuda e prece me prontifico,
mas não é o que acontece
quando a dor está comigo!

Vejo-me sozinha,
nenhuma ave se avizinha,
amanhece o dia e logo anoitece
sem ajuda , sem carinho,
sem o canto de uma prece..

A lição que tiro disso
é que ao cantar preciso
entoar mais alto,
ficar mais junto,
me posicionar ao lado,
pois não me ouviram,
não me sentiram,
não fiz amigo,
estou isolado...
 
 
 

 

COM  APENAS  UM  BEIJO

Selene Antunes


Ah meu amado beija-me
E desperta  em  mim os desejos adormecidos
O  seu amor é uma delícia única
Meu amor... o cheiro de sua pele
É uma suave fragrância
Que impregnou em mim
Como se fosse derramado
O mais raro e puro perfume e
Que me faz lembrar de  ti
Em todos os momentos
Não importa
 O decorrido tempo de ausência entre nós
Sei que com um beijo apenas
Despertarei  para o amor
E tudo  farei  tenho um jeito de amar um homem
Tão especial   sou capaz de fazer um simples beijo
Se transformar no maior dos prazeres
 E tuas carícias acenderão as chamas do desejo
Sou capaz de  deixa-lo APAIXONADO DESESPERADO
E SEM PALAVRAS, e fazer com que você  jamais me esqueça
 Vou fazer você  sentir SAUDADES INTERMINÁVEIS
Neste encontro nos  perderemos no tempo
Vivendo momentos EMBRIAGADOS DE AMOR E PAIXÃO.



 

 
O Trem do Fòrrò!
 
Silvino Potêncio

Nós fomos dançar o fórrò,
No Trem de Ceara Mirim...
Na ida p’ra Festa eu fui só,
Na volta, alguém se atracou em mim!

Foi uma tal de atracação,
Que o trem parou p’ra ouvir,
As palmas do meu coração...
Nesta festa do “ir e vir”!

É um vai e vem da moléstia,
Que atrai até os olhares,
Da luz da gente, nem réstia...
E lá se formaram os pares!

São dois p’ra lá e dois p’ra cá,
Como se fosse um bolero...
Mas o ritmo é p’ra dançá,
Forró,...e se tu quer, eu quero!

O trem saiu devagar,
Porque ainda estava frio,
Mas começou a esquentar...
Logo depois de atravessar o Rio!

Pouca terra , pouca-terra!...
Cantavam as rodas da festa.
A viagem do trem foi à guerra,
E a turma terminou em seresta.

Lá chegamos em Ceara Mirim,
Já cansados mas dispostos,
A banda tocava um chinfrim,
De dar um calor nos rostos...

No ritmo do São João,
Nós saímos chacoalhados,
Eram uns c’ua mão na mão,
E outros c’us olhos trocados!...

Eita... trem bão que nem este!...
Vamos dançar todo o ano,
Um forró do “caba da peste”,
- Qui inté a dar os passu eu m’ingano!

Vamo lá intão di novo...
São dois p’ra lá dois p’ra cá!
Faça assim como todo o povo!...
Um forró vamos dançá!!!...

Autor: Silvino Potêncio – Emigrante Transmontano em Terras Potiguares
(in: Poesisas Soltas – Junho/2010)
O Trem do Fórrò
Silvino Potêncio
Email:
sspotencio@yahoo.com.br
MSN - ss_potencio@hotmail.com
http://www.caestamosnos.org/Delegados/Silvino_Potencio_RN.html
 
 
 
 

 

VAMOS ACABAR COM A VIOLÊNCIA
 
Sueli Bittencourt 
 
 
Que violência chama violência é fato bem conhecido. A exibição contínua de violência banaliza-a, fazendo-a parecer natural e levando muitos indivíduos a praticá-la normalmente. Infelizmente, por motivos comerciais, entre outros, a imprensa em geral e principalmente a TV, apresenta amplamente a violência em seus noticiários, em suas histórias, filmes, novelas e até em desenhos infantis. E ela vai se internalizando, vai se infiltrando na mente humana. A pessoa acaba adotando-a para resolver seus problemas ou por simples exibição, imitação, galhardia.
 A provocação é tanta que muitos jovens, tendentes à delinqüência, chegam a reunir-se em grupos a fim de assistirem programas na TV que lhes mostrem claramente os fatos violentos e criminosos ocorridos. Nessas reuniões eles observam, anotam discutem tudo o que assistem, e logo que oportuno saem a praticar violência e outros crimes conforme viram, ouviram, leram e aprenderam. E vão se aperfeiçoando mais e mais até morrerem ou superlotarem as cadeias. Os exemplos, sejam eles bons ou maus, têm poder extraordinário. Não podemos esquecer nunca que a educação pelo exemplo é a mais eficiente.

De tanto ver, ouvir, sentir e viver violência, muitas crianças e jovens tornam-se “naturalmente” violentos.
 
E aí estão os fatos de violência e crimes acontecendo todos os dias em ordem crescente... Nas escolas, em casa, em clubes, nas ruas, em toda parte.
Vamos acabar com a violência e outros crimes, ou minimizá-los, substituindo sua exibição, sua demonstração, por notícias positivas, por fatos exemplares, de acontecimentos louváveis que também acontecem freqüentemente. Tais fatos sim, devem ser exibidos, comentados e às vezes até premiados. Então poderíamos ter mais atitudes positivas e menos violência e crimes.
São muitos os fatos e atitudes louváveis, admiráveis, que acontecem no dia a dia. Vamos noticiá-los, exibi-los amplamente, destacá-los, aplaudi-los, e eles servirão de estímulo para que outras atitudes positivas aconteçam continuamente. Isto, sem dúvida, nos ajudará a construir um mundo bem melhor.


Sueli Bittencourt
GPL - Grupo de Poetas Livres
Florianópolis/SC - Brasil

 


 
 
Mãos Calejadas
Escrita em 27 07 1987 - Pela escritora Tereza Cristina Gonçalves Mendes Castro
Ofereço ao senhor Francisco da Silva Mendes, meu pai.
 

Raios quentes do Sol
A transmitir suor no rosto inseguro de um velho homem.
Que calejado, cansado
Está em seu canto.
E no entanto ninguém o vê.
Uma poesia da Terra
Trazendo a esta era
A ressurreição do amor paterno,
Símbolo eterno de Esperança.
Mãos calejadas
Por segurar o cabo da enxada
Por guerrear contra a vida
Para obter em resumo sua amada.
Hoje a este homem que tanto lutou
Presto nesta poesia, a minha homenagem, com o mais tenro amor.
A ele uma vitória
De reconstruir sua história em meus genes.
E me cativar durante tantos e tantos anos.
Mãos calejadas
Abençoadas por Deus
Eis aqui o regresso
De teus sonhos no homem de agora.
Na vitória do teu progresso.

 


ARREPENDIMENTO

Tito Olívio


Não sei...
Já não sei nada.
De cada vez que eu quis,
Levei pancada.
Nunca alcancei vitória
Que não fosse bem suada.
Do muito que Deus me deu
Quase nada aproveitei,
Por orgulho e por vaidade.
Oh! Quanto errei!
 
Não sei...
Já não sei nada.
Será que no meu dia
Pode haver outra alvorada,
No meu caminho, uma nova escada?
Será que, no alfobre dos segredos,
Terá cura pra os meus medos,
Pra as minhas decepções?
 
Não quero ser autor
Da morte duma estrela,
Porque a vida é bela,
Se feita só de Amor!

 
 

 

 
 

 
 
 

Arte final topo da página criada por Iara Melo

Fundo Musical: Catedral

Compositor: Tanika Tikaram

Versão: Christiaan Oyens/Zélia Duncan

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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