ANO IV - SETEMBRO - 2011

Participação de Diversos Autores e

Amigos do Portal CEN

Edição e Arte Final: Iara Melo

 

 

 

 

 

 
A  FLORESTA DOS SONHOS !
 
ADRIANO AUGUSTO DA COSTA FILHO

 
A vida é um floresta de sonhos,
Pode ser curta ou de longos anos.
Conhecemos logo no inicio dela,
Que poderá ser ruim ou muito bela !
 
Ela é como uma imensa floresta,
Todo ser quer que seja uma festa.
Por acaso a conhecemos no inicio
E com um ardor todo muito fictício !
 
Ao adentrar nessa floresta imensa,
Iremos partilhar toda sua vivência.
Não poderemos mais nela recuar
E só para a frente poderemos andar !
 
Se nela enveredarmos muito,
Não teremos como recuar tanto.
Só iremos tentar descobrir caminhos
Como um artista compõe seus hinos !
 
Muitas vezes estamos dentro dela,
E devemos pensar como ela é bela.
Essa floresta imensa que é a vida
Só com o amor não será toda perdida !
 
Muitas vezes na nossa existência,
Que para nós é toda uma essência.
Essa vereda não conseguimos achar,
Que poderia nossa vida modificar !
 
Nada poderemos fazer nessas alturas,
Até que nossos sonhos sejam molduras.
Para podermos nossas virtudes praticar,
Com carinho, paixão e só para amar !
 
Teremos que deixar de lado a ambição,
Que só maltrata nosso pobre coração.
Deixar de lado o ódio e o desamor
E praticar o bem ao próximo com fervor !
 
Nada poderemos fazer no fim da existência,
Porque tivemos tempos com toda essência.
As veredas da floresta de sonhos são tantas,
Que só para Deus terão suas importâncias !!!
 
 
 
 
 
 
 
COPA DO MUNDO DE FUTEBOL
 
Agostinho Rodrigues
 

Não se trata de se falar diretamente de jogadores, estilos, nem tão pouco do que seja a FIFA – Federação Internacional de Futebol, mas sim da importância que ao longo de suas realizações, concebeu para o desenvolvimento social, cultural e político na globalização do Mundo.
A cada realização, no País Sede, foi se alinhando meios e procedimentos na realização do evento, trazendo evolução para-passo.
Ficando familiarizados com o que seja, vitória, derrota, alegria e decepção numa Copa do Mundo, esta modalidade de esporte flamejante entre os povos, tornou-se uma das principais alavancas propulsoras.
A supremacia da soberania de todo o País participante se fez ampliar a demonstração do sentimento patriótico, inclusive com a execução dos Hinos Nacionais, com as equipes perfiladas, antes do início da partida.
Numa visão geral, além do sentimento do querer jogar e vencer, do anseio cívico na preservação da necessidade dos protagonistas do espetáculo defenderem com decisão e pujança a Pátria, trouxe também a preocupação da ampliação de aprimoramentos ambientais com mecanismos apropriados de não só proporcionar sadia receptividade aos referidos participantes envolvidos diretamente com a Copa, como também aos turistas e ao seu povo, com o florear do incremento de uma melhor estrutura social bem como trazendo, diante do acima exposto, uma elevada e apreciável firmeza e popularidade na alusão do congraçamento entre os Países dos Cinco Continentes.
Portanto, desta feita, podemos observar e concluir resumidamente, que a Copa de Mundo de Futebol, vem de forma direta, incentivando a juventude do Mundo, não mais pensar como um mero entretenimento, mas sim, considerá-lo altamente produtivo, ajudando e tirando-os do ostracismo, enveredando-os na busca da boa qualidade de vida como de serem artistas talentosos e se tornando verdadeiros profissionais.
Por fim, é notório se afirmar diante do acima exposto,  que o Esporte, de forma geral, é hoje, salvo melhor interpretação, uma das maiores alavancas propulsoras da Globalização. Brasil!..
Copa do Mundo 2014.

    
 
 
 
 
O CARTEIRO
 
Alfredo dos Santos Mendes


Saber algo de ti é meu anseio.
Saber notícias tuas, meu desejo.
Eu quero receber aquele beijo,
que tu me mandas sempre em teu correio!

Trazem ternura tanta, tanto enleio,
as cartas que de ti eu tanto almejo.
Pedaço de papel que é benfazejo.
Mata meu sofrimento, quando as leio!

E mal rompe a manhã fico ansioso.
Desejo um dia alegre radioso,
Com notícias p'ra aquele que te ama!

As horas vão passando devagar.
Desejo ver o carteiro chegar.
Mas sofro se o carteiro não me chama!

 


 
 

 
Alice Tomé

LISBOA – Mulher Poema…
Cânticos atracam no teu cais…

" Lisboa Mulher poema"
 

Lisboa das ruelas
Lisboa das noitadas
Vivem-se amores no Tejo
Nas casas canta-se o Fado
(…)
Lavadeira que lavas no rio
Escolhe bem o teu lugar
Sempre junto da Corrente
Para tudo espelhar!
(…)
Lisboa vive-se na Canção
Na Mulher Poema que É
Seu destino é paixão
"Queimando" quem não A VÊ!
(…)
Quem a Lisboa vier
E Manjerico não comprar!
Santo António fica triste
E pode nunca o casar!
(…)
LISBOA poética e amante
Cânticos atracam no teu cais
Sereias, Mouras e Escravas
E seu destino governais
(…)

© Alice Tomé, poema dedicado aos Editores Associados do MAGAZINE «Café Literário_Andarilhos das Letras em 2001», São Paulo, Brasil...
"Poeticamente canto a vida/E relato as vivências/Sociologicamente analiso/A lógica da existência"
Alice Tomé é Professora Universitária, Doutora em Ciências da Educação,
Cientista Educóloga, Socióloga, Poeta, Ensaísta...; tem vários livros e centenas de artigos publicados;
 http://atome.no.sapo.pt/index.htm
 
 
 
 
 
 
 
Agonia exposta ao Sol
 
Ana Damasceno
 
 
Neste pranto sem lágrimas
Nesta agonia sem aparo
Resolvo, disparo a favor do vento
do alento, do Sol que me alumia

Solto um grito aflito
Num sonho estranho
Arrebato e afronto
O pesadelo que se desfaz

Não comparo, apenas equaciono
Suas metáforas, seus segredos
Por onde se espalham

Mágoas, retornos ou contradições
Emergem à flor da pele
E evaporam quando expostas ao Sol!


 

 
 
 
 
Machado de Assis e o Preconceito

Ana Maria Nascimento – Aracoiaba/CE


Entre os vultos importantes
de nossa literatura
está Machado de Assis,
o “bruxo do Cosme Velho”
como lhe denominou
Carlos Drumond de Andrade.

Esse célebre escritor,
que, em pouco tempo, tornou-se
um exímio conhecedor 
do mundo da ficção,
teve a existência voltada
para insensatas paixões.

E foi nessa trajetória
que conheceu Carolina,
uma jovem portuguesa
com quem pôde desfrutar
as benesses da vitória
de quem vive um pleno amor.

Mas, cedo, a mulher querida
foi para junto do Pai,
e a consternação tamanha
arrebatou-lhe o prazer;
assim, quatro anos mais tarde,
ele também feneceu.

A família portuguesa
de Carolina Novais
num mesquinho preconceito,
não permitiu que Machado
repousasse seu sono eterno
junto da mulher amada.

Mas esse  ato desditoso,
que separou os amantes,
chegou a ser reparado
quando foi feito o traslado
de Carolina e Machado
para a mesma sepultura.

Hoje, próximo da entrada
num espaço reservado
do mausoléu acadêmico,
Machado e sua Carolina,
eternos enamorados,
estão juntos para sempre.

E, na lápide de mármore,
onde seus corpos repousam,
estão o poema “ ÀCarolina”,
as duas mãos entrelaçadas
denotando  o exímio amor
que venceu o preconceito.
                                                           
Portanto, a literatura
do nosso fértil país,
uníssona, bate palmas
a esse vulto da cultura,
consagrado romancista,
grande Machado de Assis!
 
 

 
 
 
 
Será o nome ou a feição?
 
Antonio Sanches


Já nos cruzamos na vida
juro que não sei onde
mas essa face decidida
...nada de mim esconde

Pode ser ideia minha
ou fuga da memória
mas já passamos na linha
que define a nossa história.

Tanto o nome como a feição
estão marcados na lembrança
ou então é uma grande ilusão
por eu não ser mais criança.

Mas que te conheço tenho a certeza...

 

 
 
 

 

 

ARQUITETO

Aparecido Donizetti Hernandez


Nascestes sob a édige de Quiron,
Com seu arco e flecha às mãos.
Parte de seu corpo, esbelto equino,
De firme postura e força para a batalha;
Outra parte, humana...
Com cabeça pensante e braços firmes
Para empunhar o arco e lançar as flechas.

Nascestes dez anos antes
De profundas transformações
Que colocaram em prática
Teses e filosofias do poder operário.
As viu sucumbir...
“La pequenã isla” resiste.

Jovem, acompanhou a afirmação do nacionalismo
E a consolidação do sentido pátrio,
Conviveu com personagens mais ilustres
Da nossa pouca lembrada história.
Presenciou no nosso solo pátrio
Ditaduras emergirem e ruírem,
Manteve-se firme em vossas convicções...
Não se deixou sucumbir,
Não foi seduzido pelas volúpias.

Empunhando a caneta-nanquim,
Desenhou as curvas de nossas montanhas,
Nossas mulheres, nossos rios, como já afirmastes...
Transformando-os em monumentos com concreto armado,
- Revolucionou a arquitetura -

Que bom seria para a humanidade
Que aos que o tem como referência arquitetônica
Também o tivessem como referência filosófica
E a concreta prática de vossas convicções políticas.


A Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho, por mais de um século de vida e lucidez.
 
22 de agosto de 2011.
18h00


 

 
 
 
 
EVASÃO

Carmo Vasconcelos
 
 
No silêncio e na paz da natureza,
de toda a sensação eu me desligo,
extasiando-me apenas na beleza
deste divino mundo onde me abrigo.
 
Mergulhada no verde onde me deito,
sou pedra, folha morta abandonada, 
e d’alma em evasão eu me deleito,
por ser no todo imenso um quase nada.
 
E é neste bem-estar doce em quietude,
que, saudosa, relembro a mansuetude
do sacrossanto lar primevo e antigo…
 
Basto-me do ar que sorvo e está comigo,
e qual erva que símplice brotou,
nada mais quero ou peço…  Apenas sou!
 
Lisboa/Portugal
30/Julho/2011
 
 
 
 
 
 
BENDITO SEJA...

Carolina Ramos


As palavras o tempo apaga e arrasta
-pétalas soltas ao sabor do vento...
O livro é escrínio que resguarda e engasta
as jóias perenais do pensamento!

O livro é amigo silencioso. E basta
trazer em si o gérmen do talento,
para, banindo a dúvida nefasta,
mentes clarear e aos sonhos dar alento!

Bendito o livro que mantém o lume
do saber, a ajudar a erguer-se um povo
que na cultura o seu lugar assume!

Bendito seja quem imita os astros,
valorizado, a cada instante novo,
à luz de um livro que lhe doura os rastros!


 

 

 
 
O SABIÁ
 
Eduardo de Paula Barreto


O sabiá estava cantando na laranjeira
Num lindo dia de Sol,
Mas ouviu uma choradeira
...Que ecoava pela mata inteira
O que o fez sentir dó.

Parecia voz de criança pequena,
De alguém que estava desesperado,
Então ele arrumou as suas penas,
Esqueceu dos seus problemas
E alçou um vôo apressado.

Se deixou levar pelo vento
E ser guiado pelo choro
E no vôo num dado momento
Viu que o sofrimento
Vinha do sopé do morro.

Então deu um mergulho no ar
Em direção à uma pobre casinha
E lá encontrou a chorar,
Debruçada na cerca a soluçar,
Uma linda menininha.

Então ele pousou ao lado da menina
E perguntou por que ela não parava de gritar,
Ela disse que ao vê-lo lá em cima
Gritou por saber que o seu pai com uma carabina
Havia saído para caçar sabiás.
 


 

 
 
 
 
Alada reflexão

Eliana de Faro Valença – Li Andorinha


Delicadeza se faz necessário
No interligar de energias

Quão ainda precisamos
Entender do desprender

Para que sigamos sem aprisionar
Nossos próprios sonhos?!

Minha arte é embaralhar rotas
E na liberdade de estar perdida
Festejar encontros com alegria

Meu voo é dos desconcertos
Cada gesto é de total imprevisto
Guiada pela curiosidade primeira

Rumo a um compartilhar cósmico
Conectada a cada átomo de carinho
Nativo ainda é... meu sonho de felicidade

 

 

 

 
 
Estrelas...
 
Eliane Arruda


Estrelas são pontinhos cintilantes,
e pingam sobre nós os seus diamantes.
Abramos, um pouquinho, o coração,
...E assim partem sorrisos da emoção!

No céu, quando cintilam, ficam olhares
Sorrindo e parecendo estar molhados
co`a chuva de diamantes que respinga,
e a alma recebendo tantos pingos.

Por elas, sendo o céu mui festejado,
Parece até finíssimo bordado,
Com fios de puríssima alegria.

Da terra nós um dia partiremos
E quanto encantamento, perderemos...
Que abrigue o nosso peito a poesia!
 
 
 
 
 
 
 
 
A ingratidão dos Homens
 
Eliza Gregio e Valter Gregio Jr.
 


Pedi a Deus! Abra-me uma janela?
Ele me abriu uma porta.
...Disse-me! Vá agora! Estarei com você!
Eu pedi que me mostrasse o caminho,
ele me mostrou o horizonte...
O dia brotava e a caminhada era longa, o sol riscou o céu e deu seu lugar a lua deitei-me na beira de um rio, senti a terra fria. Fiquei a admirar um grande painel, porem sabia que era pintado por Deus

pedi a Deus... Daria-me uma estrela?
Ele me respondeu! “Eu te darei o céu minha filha.”

Descansei, e acordei aquecida pelo sol olhei em minha volta e observei a natureza a sorrindo, levantei e segui, estava segura e muito feliz nesta caminhada fui aquecida pelo o sol, ao dormir fui coberta por um céu de estrelas.

Murmurei comigo, o mundo me parecia tão perfeito! Deus me ouvindo respondeu, Pois criei um mundo perfeito!
Mais os homens não sabem disso!!! Fazem guerra e matam a sua própria espécie, ficam preocupados em criar bombas nucleares.

Senti um espinho atravancar em meu coração. Minha alma chorou de tristeza, sem entender... Pedi a Deus que me falasse da humanidade e da vida.
“Então ele me respondeu! falando de amor!”

 
 
 
 

 

 
Poema da Ingratidão
 
Erika Lopes Emrich Portilho


Noite fria de céu sem estrelas
...No mar, já não brilha a luz do luar
Na areia da praia jaz uma estrela
No jardim, flores sem perfume e cor

O silêncio piora a sensação
De tão pungente solidão
Da falta de alguém
Mesmo estando na multidão

É dilacerante essa dor, decepção
Tanto amar e ganhar ingratidão
Pois falar é muito fácil
Estando fora da situação
Mas só quem sofre sabe
Que não vem logo o perdão

Quem pode dizer que perdoou
Se não consegue esquecer
Aquilo que tanto magoou
Que ainda sangra no coração
Pois demora a cicatrizar
Essa dor da ingratidão!

Erika Namastê
Rio,31/08/2011
 
 

 

 

 

 
NÓS  E  O  TEMPO
 
luizfernandocaruso


tempo é  pensamento,
despertar e sono.
espelho, reflexo, imagem,
sem dona, sem dono.
desculpa, lamento,
viagem.
início, fim, passagem

é ódio, paz, maldade
silêncio,  saudade,
tempo é perdão,  idade
sangrar de dizer amor,
lágrimas, prazer, dor

tempo é criança,
vergonha, vingança,
trégua, mágoa, desilusão.
resgates, planos, frustração
frio e calor,
culpas, imensidão,
medo de esperança.

o tempo é irreversível,
como eu e você,
espaço descuidado,
sem rastros, invisível,
existe e não se vê
vazio, machucado,
testemunho do antes, do após
o tempo é a vida
o tempo somos nós.


 

 
 
 
 
 
AMOR INCONDICIONAL
 
(Flor de Esperança)


Porque viver sempre na espera de recompensa?
Porque não tentar algo mais?
Experimente encontrar o sabor
De uma relação desinteressada!
Faça amizade verdadeira, sem interesse!

O amor é bondade é lealdade
É entrega total, é infinito
O amor incondicional é pureza, é liberdade.

Devemos amar com a candura da alma
Sem querer saber:
Quem é o meu amigo? De onde veio?
O que ganho em ajudá-lo?
Em que ele trabalha?
Será que tem boa posição social?

Porque quero saber tudo isso?
Será que os rótulos valem mais que a essência?
Será que esse amigo, sem nome sem documento...
Não precisa mais de mim, do aquele com tantos adornos?

Vamos refletir sobre nossas atitudes:

Pois o amor incondicional
Não tem prazo de validade
O ser humano não é descartável
Para ser usado só quando tem algo a oferecer.

Não devemos permitir que falte consideração,
Apreço pelo ser humano
Precisamos ter sonhos, acolhimentos
acreditando, confiando, libertando sentimentos
Levando as pessoas o amor incondicional

Sem se preocupar com a posição social
Com passado, com adereços
Sem ter expectativas de receber algo em troca

Deus nos deu amor infinito
Com igualdade, sem escolhas
Deu amor a todo gente

É preciso que espalhemos esse amor
Faz bem a alma, resgata valores
Trazendo paz, harmonia e felicidade

Que nossa vida seja trilhada na luz
Livre, restaurada, santificada
No amor infinito de Deus.
Que o amor Divino, seja constante inspiração
Para amar e espalhar amor aos nossos irmãos

Se o mundo é violento, assustador!
Não vamos permitir que a maldade vença
Vamos buscar o bem supremo, vamos ao longe!
Além do nosso olhar, além do nosso sentir
Vamos além... Até alcançar o coração

Onde encontramos sentimentos de amar sem limites,
Encontramos simplicidade e fé
É aqui no campo fértil do coração
Que mora o linguajar mais puro
O falar seguro sensato da alma

Vamos seguir a luz que nos conduz ao amor
Vamos amar e espalhar amor
Pense nisso!

Laje do Muriaé- RJ
 
 
 
 
 
 
 
LEONOR
 
Glória Marreiros


És a estrela maior, a que mais brilha
no céu do meu caminho, a percorrer.
Anuncias um novo alvorecer
que com a Primavera se partilha.

És um botão de rosa, és a filha,
a neta mais querida do meu Ser,
aquela que mais tarde há-de escrever
no livro onde o poema avança e trilha.

Farei o testamento do amor
para dar-te meus versos, Leonor,
e os plantares no centro dum jardim.

E nunca mais na vida estarei só,
ouvindo a tua voz chamar: Avó,
sinto que tenho o Mundo todo em mim!
 
 

 

 


 

Trovas
 
Hermoclydes Siqueira Franco
 

A vagar pela cidade,
desde os tempos de menino,
procuro a felicidade
que mora além do destino!

Para ser livre e ufano,
ter poder, ser sempre um bravo,
na verdade o ser humano
da lei deve ser escravo...

Tu foste, na minha vida,
tempestade que passou...
Neblina descolorida
que alguma nuvem deixou!

Versejando à luz difusa,
se o sentimento me inspira,
eu te elejo a doce musa
que há de tanger minha lira!...

Em privação de sentidos,
em teus braços perfumados,
sonhei sonhos não vividos,
vivi sonhos não sonhados!...

Abraça o tempo que corre,
na rapidez em que avança,
que um bom momento não morre
acaba sempre em lembrança...

 
 
 
 
 
 
EM TEUS OLHOS FLORESTAS

Hideraldo Montenegro


Em teus olhos florestas
acendem palavras
demarcadas pelo espanto do invasor

O riso é flor em marcha
d’alma envolvida em dor

Em tua boca o território
se recolhe à taba
e escondes tua nudez
como fosse praga

A cicatriz já foi posta
em tua alma mata
e tua garganta vomita canções
de saudades vindas
e um passado que não deságua

Vontade de ser mãe
terra saudade da ausência
de quem ficou
nos limites extremos
entre a civilização e a farsa
e a falta de pudor
do explorador

A tua tribo se levanta
e o arco alcança
a flecha que não foi
arremessada atinge
o sangue do arremessador
-a submissão do braço
não confessa a fervura
da idéia

E teu canto graúna
assume a bravura
de uma graça que não era
para a guerra

 

 

 

 
MIGALHAS

Humberto Rodrigues Neto


Que mais desejas, afinal, que eu faça
pra ter por meu o que de ti não tenho,
se já cansado estou de tanto empenho
de haurir de ti a mais suprema graça?

Há quanto tempo mendigando eu venho
um pouco mais que esta ventura escassa!
Do amor apenas pingos pões-me à taça
que eu sorvo ao jugo de pesado lenho!

Somente a um outro, nas liriais toalhas
da mesa de Eros serves tua paixão,
mesa em que, pródiga, teus bens espalhas!

E ali enjeitado, a farejar o chão,
o meu amor vive a lamber migalhas
que tu lhe atiras qual se fora a um cão!

 



 

EMOÇÕES AINDA

Iara Pacini


Restos de dramas espalham-se
Inacabados momentos de delírios
Num colar permanente de manhãs
A manhã volta-se para o universo
De lendas flores escritas
Em carmim entre desatinos
Movediços caminhos de todos
Paradigmas internos a repontar
No rumor de nova ilusão
Hoje na constelação das dores
Que reverenciam as estradas
De infinitas essências
Que pulsam emoções ainda.

 

 


 

 
FIDELIDADE!

Ilda Maria Costa Brasil


            Durante o recesso escolar, de 19 de dezembro de 2010 a 03 de janeiro de 2011, em Restinga Seca, período esse em que pude acompanhar o desenvolvimento de duas “bebezinhas”, embora a minha atenção estivesse centrada na mãezinha, uma vez que estava amamentado suas filhinhas. Dava-lhe de comer três vezes ao dia. Ela chegava cautelosamente; comia e retirava-se de mansinho. Quando eu saía, acompanhava-me, em silêncio, até o portão. 
            No dia 04 de março, regressei à minha terra natal. Tão logo desci do táxi, vi-a sentada na área a minha espera. Emocionei-me. Após cumprimentar minha mãe e minha tia, fiz-lhe um afago, o qual retribui de imediato. Por um longo tempo, ficou à minha volta; depois, correu para o fundo do pátio, parecia querer mostrar-me as suas “bebês”. Ao abrir a porta do pequeno galpão, visualizei dois vultos fugindo rapidamente.
            No dia seguinte, quando abri a janela da cozinha, a mamãe aguardava-me, sentada, no primeiro degrau da escada, onde, outrora, fazia suas refeições. Antes de tomar café, preparei-lhes um “lanche” o qual coloquei no local de sempre. Aproximou-se do pote, cheirou-o e, com carinho, olhou-me. Após, enroscar-se em minhas pernas, dirigiu-se para o local onde estavam as suas filhinhas. Peguei o pote e seguia-a. Ao abrir a porta, deparei-me com as “bebês”: uma cinza com manchas brancas; a outra, preta com manchas brancas. Pelo movimento brusco que fizeram, achei que iriam sair em disparada, mas, ao ouvirem o miado da mãe, sentaram-se.
            A cena, a seguir, foi fantástica e encantadora. A mãe sentou-se e ficou observando as suas “menininhas” comerem. Após afastarem-se, aproximou-se do pote e, com calma, alimentou-se. Tamanha foi minha emoção que senti meu coração pulsar forte.   
            No dia 08 de março, às 6h: 45min., alimentei-as. Após afagar a mãe, pela primeira vez, as “bebezinhas” permitiram-me acariciá-las; pareciam saber que eu estava retornando à encantadora Porto Alegre.
            No portão, minha mãe; nos degraus da área, a Fofinha e suas filhinhas.
 
 

 
 
 
 
 
‎.cantata única.
 
Ingrid Caldas


Vejo e velo
canto e zelo
minhas águas
...são mágoas..

Pele fria
alma vazia..
na verdade o dia
para ti fazia..

Parte de mim
permanece
se tenho outra
fenece..

É vertigem doce
entregar na noite
o reconstruir
do corpo..

E existo ...
sendo tardes
amanheço
plenamente tua..
 
 
 
 
 
 
 
 
POESIA

HIPNOSE DOS SONS
 
Iraí Verdan


Ando.
Paro.
Penso.
Absorta em meus pensamentos...

Ouço sons
Que de mim mesma ressoam,
Em compassadas vibrações.
Que me fazem meditar
No sentido,
Na razão
Desses fortes gritos,
A despertar solidões!

Ando.
Paro.
Penso.
Embevecida na hipnose desses sons.

Quero silenciá-los, mas não posso...
Corajosamente,
Procuro palavras
Como tesouros em oceanos,
Mas estas se escondem,
Nos meus cruéis desenganos...

 
Magé,RJ.

 


 

 
Pirexia

Isabel Pakes
 
 
Ah... esse não ser doentio e consumado.
Esse pensar retrógrado, impenetrável,
essas trevas...
Essa febre permanente e corrosiva!

Camuflagem do teu superego.
Idéia fixa.
Talvez um vício!
Autocomiseração!

Por tua culpa, tua culpa...
Tua covardia.
Teus sentimentos nocivos.
Teus pecados(?).

Ah... Valores falsos, rançosos e poeirentos!
Por tua culpa, tua culpa, tua máxima culpa
ardes agora nesse fogo intenso
e para sempre,
cego aos tempos de remissão.

Como sangrar os teus demônios
se são o pão e o vinho da tua mesa?
 
 

 

 

 

A ARTE DE AMAR
 
Jair Lisboa

 

Pinte as estrelas no céu, mas faça a sua brilhar dentro de você, desenhe a lua mais iluminada do mundo, para que ela possa te iluminar, aprecie o nascer e o por do sol, mas deixe radiante o teu ser, reproduza o lindo amanhecer, e sinta todo ovário banhar-te, observe as belas cores de um arco-íris, e deixe a sua vida colorida, maquiei todo o mar, e banhe toda sua suavidade, para que p...ossa tingir os seus rios, e fazer sentir toda margem de tua áurea, expresse toda beleza da natureza, mas faça a sua natureza mais humana. Faça a melhor obra de arte, mas deixe Deus fazer uma obra em sua vida, para que possa semear o bem, e colher bons frutos no pomar de sua existência, e embelezar toda sua realidade, para que possa enxertar esse sentimento em suas veias, criando vias para suas raízes proliferar todo esse amor, no jardim dos corações de toda etnia, enraizando em suas faces o sorriso de uma flor.
Faça da sua vida uma arte para viver, a cada cena tem que aproveitar, se cair nos palcos da vida tente se erguer, para que possa fazer de seus momentos o seu altar, mostrando toda humildade, para descrever a sua suavidade de clamar, que à autenticidade da vida, é saber a arte de amar.
 
 

 

 
GAZELA  ASSUSTADA
 
Jandyra Adami
 

A viagem que fazíamos de Lambari à Santa Rita (ou vice versa), de trem, tinha uma parada enorme em Soledade de Minas.. Eu aproveitava  para visitar meu colega de Coletoria, filho do Prefeito, naquela época. Para passar o tempo, fazíamos o “footing” na estação, com duas plataformas, onde os trens iam e vinham, de todos os lados.
Naquele dia inesquecível, fizemos tudo como de costume e eu, trajando um conjunto “duas peças”, que modelava bem o corpo, um rosa diferente, muito bonito, sapato de salto, meias. Como diziam, “desfilei a minha elegância o tempo todo”.
Depois de muita espera, entramos no trem. Mãe ficou sentada e eu fui ao outro vagão, com certeza, ver os passageiros, andar simplesmente.
Assim que acabei de entrar naquele carro, ele se desprendeu do resto do trem e foi fazendo um percurso oposto ao de Lambari, em cujo último vagão estava minha mãe, as malas, a frasqueira, o dinheiro. Quando eu ouvi um apito do trem que ficara perto da estação, pressenti que estava de saída o que ia para Lambari e então perguntei a um senhor, para onde iria aquele vagão em que estávamos. Ele respondeu que era um  vagão com romeiros, que iria engatar num outro trem, assim que a linha estivesse desocupada com a partida do trem para Lambari... Apavorada, desci a escadinha com sacrifício, já que a saia era bem justa e batia na canela. Comecei a correr entre os trilhos, com imensa dificuldade, pois o salto e a saia não me davam condições. Tirei os sapatos, carregando-os com a mão esquerda e com a direita, levantava um pouco a saia. E fui, em desabalada corrida, rumo ao trem que ia para Lambari e onde minha mãe, aflita, me esperava. Ainda bem que naquela época eu não tinha problemas de coração... Corri...corri... e o trem começou a movimentar-se.
Muita gente na última porta, torcendo para que eu chegasse! Parecia um filme cômico...
A muito custo, consegui chegar e sentei no primeiro degrau da escada. Com a alma pela boca, cansada e assustada...  O trem foi aumentando o ritmo  e as pessoas me ajudando a subir, pois eu não tinha mais forças.  Quando consegui sentar no meu banco, olhei os pés que sangravam. Vim correndo em cima daquele carvão pontiagudo!. Não sabia se ria ou se chorava. A meia, que era bem grossa, (parece que se chamava Nondesfil) protegeu um pouco os pés, mas mesmo assim ficaram machucados.
Passado o susto, fiquei pensando como aquele pessoal que estava na estação deve ter rido de mim, porque momentos antes eu desfilava pela plataforma, como uma gazela, depois, corria, desvairada, entre os trilhos! O pior é que ninguém sabia o que eu queria e para onde eu ia, naquela coisa assustadora, que deve ter sido a minha tragédia pessoal.
Sem dúvida, foi muito engraçado para eles que, chegando a suas casas, devem ter contado o ocorrido aos familiares, sem contudo, saber o que estava se passando comigo.
Devem ter pensado que eu era uma doida varrida.!
Eu fiz a viagem descalça, fui para casa e, no dia seguinte, nem pude ir trabalhar, pois os pés machucados, não permitiram.
Afinal... o que é que eu tinha que largar minha mãe sentada e ir para o outro vagão fazer hora e ficar olhando para os outros??!!

Jandyra Adami - Do livro Passarela da Vida - 1.992
 
 
 
 

 

A INSPIRAÇÃO

Joaquim Moncks


Palavras, a pouco e pouco, vão dizendo a que vieram. Por serem mulheres, ora se despem, ora se vestem... Sempre há um jogo de sedução envolvido no poema... O temor ao Novo desafia e alimenta descobertas.
Nas primeiras experiências, os signos verbais beliscam feito um animal peçonhento ou um caranguejo de bom porte, fortes garras. Procriam-se à revelia do criador...

– Do livro O NOVELO DOS DIAS, 2010.

 

 
 
SEDIMENTAR

(JBMI)


Horas eu já não sei
quando vieste a propósito
...como se já tivesses vindo
ou sempre aqui estivesses.
Não tive outro tempo
que sol mais lindo bebesse
da boca fúlvea que beijei.

Quisera-me
assim imóvel
esquecido
das ondas do mar
só com teus lábios
amanhecer
só em teus braços
madrugar.

31 de Agosto de 2011

José Brites Marques Inácio

 

 
 
 

 

 

PÉTALAS VERMELHAS
 
José Sepúlveda
 

As rosas, lindas rosas, meu amor
São pétalas vermelhas que espalhei
Na tua cama, em tudo ao teu redor
Co’as rosas mais formosas que encontrei

Inala pois o seu intenso olor,
Descobre nelas tudo o que eu não sei
Dizer-te por palavras, o fervor
Com que te amo e sempre te amarei

E um dia, ao recordares este dia
Envolta nessas rosas, que a alegria
Eu possa ver brilhar no teu olhar

Que eu sei que as rubras pétalas dirão
Como é feliz e grato o coração
Que envolto nessas rosas te vou dar

 
 


 

 

Jurema Ribeiro

 

Um sentimento de urgência, de súbito revelado, erguendo ofegante cortejo, aplaudia a ausência de censuras.
Sem preâmbulo, lamentava impotente o insucesso de tua aparição. Sequer escutava um pedacinho de tua voz. É tão bom percorrer o som de tua voz!
Fui incomodada pelo acaso das reflexões, e ainda mais por mergulhar num pensamento esquisito: extraordinária aparição!
Sentada à frente de... uma lareira que jamais existiu em minha casa, engolia digerindo o esplendor de bela imagem que embalsamava tua aparência – sua própria ambiência.
Absolutamente caprichei em intermediar mórbida vaidade, como o raciocínio de um bêbado.
Ora, corre-se o risco de, daqui a pouco estar ameaçado da próxima desaparição.
Tratava-se de uma evidência a mover-se um pouco melancólica, porque o sol está se deitando, atingido pelo iluminar-se da fase oculta da lua, que vestia-se lentamente, ignorando o barulho desencorajado do meu coração.
É tão misterioso e bem incômodo, tu verás, uma região habitada por suspiros de pesar que atravanca um inofensivo calor entreaberto de caminhos irreflexos.
Ainda tenho esperança de avaliar os resíduos dum desgaste.
Engano-me. O sol bocejou! Mas notou sabiamente que com ele travei esta esplendorosa fascinação. Refiz com profunda ignorância e tamanha indulgência o percurso dos riscos humanos.
 

 

 

 

 
 
SONETO: O Sonho dos Pássaros

JUSSÁRA C GODINHO - JU VIRGINIANA


Sonho dos pássaros
Mil folhas ao vento a balançar
Flores multicores a perfumar
Campos verdejantes a encantar
Borboletas coloridas a emoldurar

Ar cristalino, água pura a jorrar
das cachoeiras, cascatas, e do mar
Ondas claras e suaves, longe de marolar
Córregos, rios, lagos, as águas a embalar

Seus iguais os ninhos a afofar
No azul do céu a voar
Todos felizes a cantarolar

O homem quietinho no seu lugar
Nada mais querendo ceifar
E a natureza exuberante a triunfar

V CONCURSO POESIARTE - 2011

8º LUGAR

CAXIAS DO SUL - RS - BRASIL
 

 



 

 
 
RACIONALIDADE ANIMAL
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros – Às 12h do dia 8 de maio de 2011 do Rio de Janeiro
 
 
O sinal toca.  Os alunos saem numa natural algazarra. Vou  junto com eles.  Preciso colocar algumas cartas no correio num tempo inábil . É o último dia para a postagem.
            Quase corro. Tenho apenas meia hora para retornar  de um percurso a pé de mais ou menos novecentos metros .
Isto feito, após receber o comprovante do envio dos envelopes, saio na mesma velocidade da vinda, mas levo um susto tremendo: deparo-me com um cão preto, de porte médio, parecendo bloquear a minha passagem.
O respeitável animal perscruta-me numa atitude solene.  Não há nele, nenhum tom ameaçador. Já não tenho medo, entretanto respeito-o. Os olhos amendoados parecem humanos. Fita-me por alguns segundos eternos, a língua de fora numa espécie de riso compartilhado, misturado num aparentemente tênue cansaço. Ando devagar, temendo ameaçá-lo involuntariamente. Ele me segue.
Quando paro para um cumprimento eventual ou mesmo na intenção de observar  um calçado em uma vitrine, ele também estaca. Parece conhecer-me há muito tempo.
Apresso-me. O cão me segue sem o mínimo pudor.
Atravesso  o túnel que liga os dois extremos do meu bairro abaixo da linha férrea. Desço e subo degraus de concreto, o cão, sem hesitar,  ritma-se solidariamente a cada passada que dou. Estamos diante da avenida principal. O sinal fecha para os pedestres. Temo pelo bicho.
          Alguns carros avançam ruidosamente. O sinal parece demorar uma eternidade para esverdear-se. Continuo com pressa. Preciso chegar à escola antes do toque da sirene que anuncia o término do recreio. Os próximos veículos estão a uns cem metros de mim. Entendo que há tempo suficiente para a travessia, mas tenho que correr. Contrariando as leis de trânsito, avanço cautelosa e rapidamente sem perder os carros de vista.  Lembro-me do cão. Esqueci-me dele, todavia constato, aliviado,  que não me acompanhou, ficou do outro lado, próximo a algumas pessoas atentas ao tráfego dos veículos.
O sinal se abre para os transeuntes. A  exemplo das pessoas, o cão olha para ambos os lados, mira o semáforo, mostra-se seguro   e atravessa calmamente o espaço que separa as duas calçadas.Sinto-me envergonhado.
           O animal pára diante  de mim numa pausa que parece criticar e ao mesmo tempo compreender o meu jeito encabulado de observá-lo e finalmente se afasta num último sorriso de língua de fora, ante a perplexidade de um educador... deseducado.
          Reverencio-o taciturnamente. num silencioso pedido de desculpas expresso apenas por nossa última troca de olhares caninamente humana e humanamente animal.                 
Rio de mim para mim, questiono minha pseudo-soberania racional e constato, comovido, que  tive uma canina aula de cidadania...animal.
 
Primeiro Lugar  da União Brasileira de Escritores – Prêmio recebido  em 26 de agosto de 2011
 
 

 

 

 
SÓ O AMOR TEM VIDA
 
Luiz Gonzaga Bezerra

 
Você já acordou?
Já fez sua oração?
Pensou no amor
Nessa bela manhã.
 
A vida é um sopro
Um canto real e inovador.
A magia magnetizadora
Da alma ardente de amor.
 
Diga! Quero viver com prazer
Cantar as mais simples canções
Espalhar na terra perfeita
As sementes puras da paixão.
 
Diga! Quero amar e ser amada
Viver o dia com seu esplendor
Deixar meu nome no tempo gravado
Nas telas douradas do amor.
 
Sinta a vida pulsando
Na sublimidade do coração
Que batendo inspira o encanto
Do amor aureolado de paixão.
 
Ame! Só o amor tem vida
Guiando com leveza o espírito
Na beleza serena e infinita
Da alma que brilha feliz.
 
 
 
 
 
 
MEU VELEIRO CALMARIA.

Luiz da Silva


TEU BEIJO TEM POESIA.
Teu hálito é brisa do mar...
Deusa... Teu beijo me enlouquece, extasia...
Faz meu corpo todo tremer, marear.
Quando te beijo, te vejo por fantasia,
loucura, talvez, feitiço ou magia...
Nua no meu convés, que alegria,
sob os clarões da lua, a brilhar.

TEU BEIJO TEM POESIA.
Teu hálito é brisa do mar...

Contigo a bordo, há que bom seria!
 Içar estas âncoras, ao mar me lançar.
Partir com meu veleiro CALMARIA.
Zarpar, sair de vez desta baía...
Vendo diminuir o mundo, na vigia
E no infinito do mar azul ,navegar...

TEU BEIJO TEM POESIA.
Teu hálito é brisa do mar...

À deriva, ao por do sol, as velas soltas.
Queira ou não queira o vento soprar...
Não importam os vagalhões, ondas revoltas!
Sem sextante nem bússola prá me guiar.
 Vão teus braços, pernas e mãos afoitas,
traçando meu rumo pelo mar.

TEU BEIJO TEM POESIA.
Teu hálito é brisa do mar...

Sem ancoras, nem amarras, poitas ou freios.
Só a quilha rasgando as ondas pelo mar a fora...
Sorvo gotas de orvalhos salgados, em teus lábios.
Colado ao teu corpo, cabestrante solto, devaneios...
Grito aos marujos: GAIVOTAS vamos embora!
Leme a bombordo meu timão cheio de seios!

Deusa...
TEU BEIJO TEM POESIA.
Teu hálito é brisa do mar.
Quando eu te beijo, eu queria...

Luiz da Silva
para o meu amor

 
 
 
 
 
 
Quando sonho contigo...
 
Manuel Sepulveda


Sonho um paraíso eterno.
Feito de desejos de um amor quase erótico,
Roubado a pensamentos de sabor exótico,
...Bem mais doces que mil beijos….

Sonho um paraíso quente...
De fogueiras que ardem num fogo igual
Àquele que acendeste no meu peito
E hoje me aquece.
Um paraíso aparente...
Mas que nem pela manhã se desvanece.

Já depois...
Quando ao acordar te vejo ausente
Do meu leito...
Esse mesmo sonho me parece
A própria imagem de um inferno.

 

 
 
 


 
CAMINHANTE
 
Marcia Tigani
 
 
No compasso do tempo há um caminho,
que num entardecer nacarado eu traço,
e uma viga mestra alinho,
desvendando na terra seca um regaço.
E meu passo, ligeiro ou hesitante
na cadência das horas eu faço e,
já sem lugar prá encostar insisto,
pois que a vida é mistura
de sangue, suor e cansaço.
E se de minhas mãos surge o esboço
em linhas que fluem de gozo e desgosto,
meus pés descalços pisam relva e pedra
seguindo pela trilha íngreme,
sempre longa e incerta.
Nem o vento que sopra ao contrário
nem a chuva orvalhando os cabelos
nem o frio das noites de junho
nem o fogo do sol dos sertões
Nem um cisco no olhar ou frio suor
escorrendo na pele salgada,
nada impede que eu prossiga
na contramão do gado, na invernada.
E se persigo outro espaço, não é por valentia
nem medo da morte ou do cangaço:
é que sou cavaleiro sem norte, retirante de dia
folha solta em vendaval
seguindo a estrada, buscando melhor sorte.
Arrasto sargaços em praias de utopias
cumprindo o destino dos viajantes
vivendo de quimeras e alegrias.
Vou no rastro da vida : sou pedra
Vou no embalo do vento: sou pó.

Marcia Tigani_ maio 2011
 

 

 

 

 
POR AMOR

Maria Luiza Bonini


Tornaste em mim, da vida, o mais doce alimento
A sustentar, sereno, os meus essenciais motivos
Pelos teus leais e amáveis gestos ternos, afetivos
Na devoção constante do mais puro  sentimento

Aqueceste minh' alma que vivia exposta ao vento
Vulnerável ao sabor d'um daninho frio, destrutivo
A me sufocar, insistente, tal demente obsessivo
Aumentando minha saudade, em triste desalento

Acalmaste meus dias, com as palavras assertivas
Que a mim disseste, quando me sentia ao relento
Atenuando minhas angústias, dores e tormentos
Ao injetar-me doses de amor, como único sedativo

 Reavivaste as cores de minhas cinzentas manhãs
 Que surgiam como a sóbria cela de um convento
 Ao trazer-me as mais lindas flores, em teu alento
 E o verdadeiro amor, com o tom rubro, das romãs

Entregaste tudo o que de mais valioso, em ti, existe
N' uma  doação que me transporta ao firmamento
Pisando em níveas nuvens e, aos céus, agradecendo
Por ser de amor e, por amor, que meu viver persiste

São Paulo, Brasil

03, Agosto, 2011
 
 
 
 
 
 
 
ANJO FERIDO

NALDOVELHO


Anjo ferido na beira do abismo,
não sabe que o colo que aquece padece,
...não sabe a criança de olhar inocente
que a mão que semeia também sabe ferir.
Não sabe da farpa, da fuga e da fúria,
não sabe da faca, do corte e do sangue,
mas sente a dor da sede e da fome,
ressecadas as lágrimas, nem sabe sorrir.

Anjo inocente na beira do abismo
não sabe seu nome, nem seu sobrenome,
olhar embaçado, desesperançado,
não sabe das águas, do trigo e dos sonhos,
teu tempo é escasso, logo-logo partir.

Armei um presépio lá em casa este ano,
o Cristo era negro e morria de fome,
na mesa tua carne, nos copos teu sangue,
nas ruas do mundo a inconsciência do homem;
transpassados os cravos, dilaceram-te as mãos.
Por mais que eu tente não consigo sorrir.

 

***

 

 CONVITE - AUTOR NALDO VELHO

 

"OFICINA EDITORES - 25 ANOS CONVIDA
XV BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO
Barra da Tijuca, Riocentro, Pavilhão Verde, Rua "P", ESTANDE 22
LANÇAMENTO NA XV BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO/2011
das 18:15 às 19:45h - NALDOVELHO com o livro A DANÇA DO TEMPO."

NESTA SEGUNDA-FEIRA, DIA 05 DE SETEMBRO,

O AUTOR ESTARÁ PRESENTE

AUTOGRAFANDO O SEU LIVRO.

NÃO PERCAM!!!

 

 

 
 

 

Espero por mim
 
Nilton Pavin

 
Espero por mim há muito tempo
Desde quando nasci no Grande ABC
A partir dessa data me procuro
Pelas escolas e universidades nuas
Nas páginas dos livros que não foram publicados
Nos calendários sem dias e meses
 
Espero por mim há muito tempo
Desde que o sol não nasceu
E a lua não se pôs atrás dos prédios
Vago pelas calçadas vazias
Percorro bares, boates, restaurantes dispersos
E nas coxias dos cinemas e teatros sem ninguém
 
Espero por mim há muito tempo
No sorriso sem graça
Na lágrima que não caiu
Na emoção que não existiu
Na paixão que morreu
Na ilusão de falar comigo
 
Espero por mim há muito tempo
Nas ondas da praia do Tombo
Nas montanhas dos Himalaias
Nas cavernas milenares de Galápagos
Nas trilhas Incas em Machu Picchu
Nas geleiras da Antártica
 
Espero por mim há muito tempo
No trânsito caótico de São Paulo
Nas esquinas envolvidas com viciados
Nos cruzamentos puídos
Nas ruas e avenidas congestionadas
Nos metrôs e ônibus lotados
 
Espero por mim há muito tempo
Nas nuvens
Nas estrelas
Nos oceanos
Nos vales
Nas flores
 
Espero por mim há muito tempo
Na caneta sem tinta
No papel sem linhas
No lápis sem grafite
No computador sem memória
No relógio sem ponteiros
 
Espero por mim há muito tempo
No filme sem roteiro
Na peça de teatro sem atores
Na novela sem capítulos
No jornal sem notícias
Na história sem personagens
 
Espero por mim há muito tempo
Na estrada da vida
No degrau da escada do amor
Na janela da compaixão
No muro soberbo da consciência
No trabalho sobernal
 
Espero por mim há muito tempo
Ontem, hoje, amanhã
Na semana, no mês, no ano
Na artimanha da manhã
No singelo entardecer
Ou até eu me esquecer

 

 

 
APOLOGIA AO HOMEM DO CAMPO
 
Priscila Coelho


Uma choupana singela
Arvoredos rodeando
Completam a cena tão bela
Crianças descalças, brincando
 
Céu azul cheio de aroma
Fumaça sobre o telhado
De longe já se assoma
o gosto de lar roçado...
 
O riacho murmurando
Na brisa que o acalenta
Propaga o cotidiano
Em cantiga sonolenta
 
O coração do caboclo
Traz em si inspiração
Da vida, espera bem pouco
Pois a roça é seu quinhão
 
Sua cultura é arraigada
Em lendas, crenças histórias
Sua alma é fascinada
Pelas incríveis paródias
 
Teme o saci pererê
Negrinho da traição
À noite, tudo o que vê
Sugere-lhe assombração!
 
Seu linguajar de peão
Seu jeito de caminhar
Compõem a tradição
Saudosista, do lugar
 
Na modinha sertaneja
Há beleza, há verdade
Conta o que a alma deseja
Com muita simplicidade
 
O tacho, fogão a lenha
A lavoura, a mangueira
São do caboclo uma senha
Que o assegura a vida inteira
 
O arroz bem cozidinho
Feijão com paio e lingüiça
Virado brasileirinho
E depois, muita preguiça!
 
Cavalga firme o alazão
No ginete aferroado
Carrega no matolão
O que lhe for precisado
 
O verde pasto o inspira
No caminho do paiol
Tudo é festa pro caipira
Que trabalha sol a sol
 
 Boiadeiro ágil, forte
Destemido lutador
Traça coragem na sorte
Lança sem medo o amor
 
Com seu sossego latente
Vai cumprindo a obrigação
Traz o sorriso contente
E a ferramenta na mão
 
Abriga-se do sol ardente
Na sombra que o agasalha
Percorre o campo, imponente
Com o seu chapéu de palha
 
Sorri olhando a mata
Beleza de raro esplendor
Seu coração arrebata
À obra do Criador
 
Sob o céu adormecido
A moçada se esquece
De mais um dia vencido
Comprido como uma prece
 
É hora da rendição
Ao cansaço de um dia
Canta sua ilusão
No sonho da melodia
 
Enfim bate-lhe o sono
Descanso justo o seu!
Vai para casa o colono
Como bom filho de Deus...
 
Adormece sossegado
Não se preocupa em sonhar
Simplório, dorme pesado
Na segurança do lar
 
Lá no alto da porteira
Há uma placa que diz
De uma forma ligeira
Como o caboclo é feliz
 
Impresso em rude letreiro
Algo mais ou menos assim
“Esse mundo de gibreiro
é o universo pra mim”.
 


 

 

 

 
Ausência...
 
Rosa Maria


Na tua ausência meu amor...há o silêncio do meu grito
O sorriso amargo...que no meu rosto chora por mim
É no teu corpo meu amor...que a noite se faz infinito
...É no céu negro do teu olhar...que o amor me fala de ti

Foste o sonho breve do meu poema...foste o meu amor
Meu pássaro cinzento...meu céu azul...a noite e o dia
Minha orquídea selvagem...minha ilusão...minha dor
O meu sonho...desejo do meu desejo...minha fantasia

Tenho as rugas da solidão...cravadas na minha pele
No meu rosto a nostalgia...no meu corpo este desejo
Nos meus olhos a memória...do meu corpo de mulher
No sonho a madrugada...que te envolve como um beijo

Sou o amor negado...amordaçado...sou espinho e sou flor
Sou sombra e sou luz...flor sonhada...sou tudo e sou nada
No silêncio do meu corpo...um lamento um abraço de dor
No limbo do meu sonho...espero em mim a madrugada

E quando as horas forem nada...quando de mim nada restar
E quando depois do silêncio...do meu corpo por amanhecer
Meu amor...vou-me perder...na doce escuridão do teu olhar
E quando o tempo...não for mais tempo...em ti quero ser

Instantes infinitos...momentos...restos de mim...de ti
Emoções numa página branca...rasgada...amarrotada
Nas minhas mãos a ausência...o vazio...de ti...de mim
Nos meus braços...a solidão...a escuridão...o nada
 
 

 

 
 
 
SEPARAÇÃO

Regina Bertoccelli


Sem ti, minh'alma vagueia
pelos becos escuros da solidão.
É grande em meu peito a agonia,
dói demais o meu coração.

Perdi o rumo, estou sem direção,
foi embora toda a minha alegria.
Sem ti, minh'alma vagueia
pelos becos escuros da solidão.

Volta amor, dá-me a tua poesia
que cantarei pra ti uma canção.
Se o meu sorriso te contagia,
não vaciles, põe fim à separação.
Sem ti, minh'alma vagueia...
 
 
 
 

 

 
UM POUCO DE FILOSOFIA - Base - Lógica, Ética, Moral...

Ricardo De Benedictis*
 

 Apresento este artigo com a intenção de falar um pouco de Filosofia, mas confesso não estar suficientemente qualificado para grandes aprofundamentos filosóficos, do ponto de vista técnico. O que conheço de Filosofia, apreendi nos livros que tive o privilégio de ler e reler. Acho-a uma ciência muito complexa e os textos filosóficos são altamente difíceis de se entender. Daí porque resolvi escrever um pouco sobre o assunto, apenas no sentido de contribuir para uma leitura mais acessível para os nossos leitores.

ONDE NASCEU E O QUE SIGNIFICA
A Filosofia nasceu na Grécia, há mais de 2.500 anos; chega-se ao termo FILOSOFIA, na junção das palavras Philos = amigo e sophia = sabedoria. O termo FILOSOFIA, portanto, significa ‘amor à sabedoria’.
A Filosofia é uma fonte de ideias da qual se originam novas ideias. É o conhecimento crítico que difere das opiniões em voga. É o pensamento crítico formulado para pensar o próprio pensamento vigente.
Os gregos tinham a ‘admiração’, o ‘assombro’, a ‘emoção’, ‘a formulação de perguntas e a busca de respostas’, como seus princípios fundamentais.
Os primeiros filósofos gregos, na era pré-socrática foram Tales de Mileto, Parmênides, Heráclito, Anaximandro, Anaxágoras, entre outros.
Desde Sócrates, Platão, Aristóteles, até o pensamento de Shopenhower, Nietsche, Descartes, Marx, Freud, Sartre e tantos outros, o homem vem perseguindo o pensamento em todas as suas vertentes.

A LÓGICA
A Lógica é a Arte de pensar, através de argumentos válidos. Os métodos de indução e dedução são parte integrante do pensamento lógico que descartam os sofismas e as falácias. A Matemática e a Ciência devem muito à Lógica e ao pensamento lógico.

CETICISMO E DOGMATISMO
Ceticismo e dogmatismo são atitudes filosóficas contraditórias, entre si. A primeira, é a ‘dúvida’ da certeza objetiva do conhecimento, mais ou menos adotada pelos que em nada acreditam.
E a segunda, é admitir verdades certas e seguras, contidas nos dogmas religiosos, a exemplo de ‘destino’, ‘maktub’ - tudo está escrito, hora para nascer, hora para morrer, etc.
O homem, quando não tem como explicar algum fato ou fenômeno, tende ao dogmatismo, ao mistério: ‘Deus vai resolver’! E como o homem já conseguiu, de certa forma, explicar a vida, agora aprofunda-se no pensamento para tentar entender e explicar a morte e o post mortem.

ÉTICA e MORAL
Aparentemente sinônimas, tais palavras, geralmente expressam conceitos diferentes.
A Ética pode ser definida como ‘a ciência da conduta’. É aceita como filosofia moral. É a parte da Filosofia que reflete sobre conceitos e princípios morais.
Moral é um conjunto de regras sobre o Bem e o Mal, o justo e o injusto
Nos tempos presentes, estuda-se muito a contribuição de Karl Marx, para quem ‘a ideologia designa uma visão do mundo que se supõe universal, mas que pertence à classe dominante’. Freud, o pai da psicanálise, é outro pensador que passou aos anais científicos.
As correntes filosóficas de Shopenrawer, Nietzsche (alemães), Jean Jacques Rousseau (iluminista francês), Edmund Husserl (tcheco) – a Fenomenologia (fenômenos X ciência), bem como o Existencialismo (Existência X Liberdade), de Jean Paul Sartre (francês), Immanuel Kant (prussiano), aparecem como correntes de pensamento filosófico e ganham adeptos através dois tempos.

ARTE
A arte representa apenas um paliativo para o sofrimento humano. Outra possibilidade de escape é apontada através da moral.

FELICIDADE
A felicidade somente pode ser alcançada com a anulação da vontade. Tal anulação é encontrada por Schopenhawer no misticismo hindu, particularmente no Budismo; a experiência do Nirvana constitui a aniquilação desta vontade última, o desejo de viver. Segundo Schopenhawer, somente neste estado, o homem alcança a única felicidade real e estável.
Platão, Schopenhawer , Nietzsche, Hartmann, Simmel, Thomas Mann, Bergson, Nicoló Maquiavelli (Maquiavel – renascentista italiano), Freud (alemão) e Augusto dos Anjos (poeta e filósofo brasileiro), estão entre os muitos filósofos que nos deixaram conceitos e explicações sobre a ciência filosófica..

Obras consultadas:
A República – Platão
Além do Bem e do Mal – Friedrich Nietzsche
Assim Falou Zaratustra, um livro para Todos e para Ninguém - Nietzsche
Wikipedia – Enciclopédia Livre
Dez Lições de Filosofia para um Brasil cidadão - Gilberto Dimenstein – Heidi Strecker – Alvaro Cesar Giansanti

*Ricardo De Benedictis é jornalista, escritor, presidente da Apolo - Academia Poçoense de Letras e Artes, (wwwapoloacademiadeletras.com.br), além de diretor do blog:
www.blogcidadeemfoco.com

 

 
 

 

 
ENCONTRO VALIOSO

Sá de Freitas
 
 
Vi a chaminé a fumegar distante,
Por cima do sapê do rancho antigo,
Parei meu carro lá, buscando abrigo,
Antes que sol sumisse no horizonte.
 
Atendeu-me um velhinho tão prestante,
Que me sorriu feliz qual grande amigo,
E do que tinha repartiu comigo,
Sem reclamar da vida um só instante.
 
Passava o tempo e no seu rosto eu via,
Tanta paz, tanto amor, tanta alegria,
Que de suas faces fiz, de um anjo, o esboço.
 
Porque mais jovem e vendo-lhe a energia,
Quanto mais o escutava, eu me sentia,
Um moço velho... Em frente a um velho moço.
 
Samuel Freitas de Oliveira
Avaré-SP-Brasil
 

 

 

 

Silvino Potencio
 
“Talvez... uma idéia devassa...” (17)


Eu não compreendo o que aqui se passa,
Está muito além desta nova realidade;
Será que eu tenho alguma idéia devassa!?
- Ou será que apenas é, uma mera saudade!?...

Talvez que no meu eu já inconsciente,
Se acendeu nova chama com outra luz;
Se assim foi,... fiquei bem, me sinto contente,
Ainda que o coração não fez “truz-truz”!!!...

O Amor que em mim nasce é algo assim,
Quando vai e vem, nunca bate à porta...
Ele vai embora e deixa a flor quase morta,

Entra e sai, em silêncio, por entre o jardim!
Essa flor que desabrocha cá dentro de mim,
De quem nada sei, nada resta... que importa!

(in: Eu, O Pensamento, a Rima!... Luanda 1970)

Silvino Potencio
DELEGADO CEN em NATAL/BRASIL
http://www.caestamosnos.org/Delegados/Silvino_Potencio_RN.html
 
 
 

 
 
 
 
AMOR TAMBÉM MORRE
 
Sueli Bittencourt

 
O amor é como uma plantinha, uma flor.
Precisa de cuidados, de carinho,
de trato delicado, sem ofensas, sem espinhos.
Amor precisa ser alimentado com amor!
 
Ofensas, mentiras, traição,
indiferença, descaso ou agressão,
ferem, agridem o amor.
E ele adoece, cheio de dor...
 
Machucado pela frieza ou por qualquer descuido,
o amor vai definhando. Desfaz-se, escorre...
Sem cuidado, sem carinho, ele adoece.
Sem bom trato o amor também morre...
 
 
 
 
 
 
FLOR DE LUZ

Tito Olívio


Na flor de luz, colhida no meu peito,
Pousei sôfregos lábios com ternura.
Na vibração da sombra do meu jeito
Molhei gotas de orvalho na frescura.
 
Em cada madrugada tenho feito
Promessas que não cumpro e a noite escura
Ri de mim nas estrelas, sem respeito
Pla vontade que quer e não procura.
 
Talvez seja só flor o que prometo...
Talvez a longa espera seja em vão...
Talvez misture o sonho na verdade...
 
Mas, se o sonho se esgota num soneto,
Pode o poeta viver sua ilusão
E pôr então na flor a realidade.

 

 

 
 
 
 
 
SENTIMENTO
 
Tristão Alencar Pereira Oleiro
 

... que fica gravado pra sempre

Nas sombras dos desejos,
Pingos respingam pensamentos,
Sons da rua a vida embala
Na doce cascata de teus beijos.

Finitos amores, desaparecidos,
Dias cruéis em turbilhão que afoga
Arrastam dúvidas, dissabores
Guardados na gaveta dos esquecidos.

Fiel retrato do descontentamento
Mirando o espelho d’alma,
Enfrentando rumores e desamores...

Nas sombras dos desejos,
Dias cruéis em turbilhão que afoga.

 
 

 

 

chuva chuvinha
 
Uky Marques


que cais
de mansinho
...
no meu rosto
gosto do cheiro
da terra que lavas-te
com as tuas gotas
miudinhas
saudades minhas
que me ficaram
quando era pequenina
terra molhada
cara lavada agúa doce
da ribeira água pura
cristalina
como és doce chuva
miudinha
corres de mansinho
pro leito do rio
percorres montes e vales
ao ribeiro te vais juntar
os brancos seixos
vais beijar
chuva chuvinha
que beijas
minha cara
de menina
cais de mansinho
nas memórias
do tempo
chuva miudinha
agua doce cristalina
deixa-me ser menina
chuva miudinha
gota a gota cais
na minha boca

 

 
 
 
 

Zar par
 
* virgínia fulber * além mar poetinha 
 

Zarpei, antes liberei porões
deixando à deriva container
contendo densas emoções
causadoras de naufrágios...
 
Minha nave agora é leve
seguimos unificadas
indiferentes aos desafetos
e às indiferenças
 
Velas e bússola devidamente alinhadas
prosseguimos desafiando tempestades
mirando o imutável horizonte
 
Alimenta-nos energia luminosa
flutuascendente
 
Na linha azul fix´olhar
Mente corpo nau, um solar !   
 

 
 
 
 
 
DEIXAREI DE TE AMAR

Walter Augusto de Andrade


Quando a lua no céu já não brilhar
E quando a luz do sol não der calor
Quando uma prece feita com fervor
Não mais vier a nos acalentar

Quando o poder de Deus não mais vogar
E a natureza perder sua cor
Eu deixarei então de te amar
Pois na existência não haverá amor.

Existiria somente a maldade
A desventura e a solidão
Os desenganos a frivolidade

A amargura, a escuridão
Não haverá lugar para a saudade
Teremos pedra em vez de coração.

 

 

 
 

 
 
 

Arte final topo da página criada por Iara Melo

Fundo Musical: Catedral

Compositor: Tanika Tikaram

Versão: Christiaan Oyens/Zélia Duncan

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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