Portal CEN - "Cá Estamos Nós"

Revista Novos Tempos

Fevereiro de 2013

Sexto Bloco

 

  Odenir Ferro

  Paulo Marcelo Paulek

  Paulo Roberto de Oliveira Caruso

  Rozelene Furtado de Lima

  Ruy Silva Santos

  Sonia Nogueiro

  Sueli Rodrigues Bittencourt

  Tristão Alencar P. Oleiro

  Varenka de Fátima Araújo

  Wilson de Jesus Costa

  Zenir Izaguirre Carvalho

 

 

 

Odenir Ferro
Rio Claro - SP - Brasil

 


A VIDA NÃO É PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA

 


Já faz um bom tempo que estamos vivendo dentro da cultura da prontidão e do imediatismo. E nesses fatores, dentre eles, quase não atua ou não há nem sequer a evidência da importância, se os bons costumes, a boa índole, a nobreza de caráter, enfim, se os bons conceitos de virtudes estão se perdendo ou se estão se sobressaindo. O importante é a cultura do poder, através do qual, cada um procura vender o seu peixe. Mas, uma grande maioria das pessoas, senão quase a totalidade da população ainda preserva dentro da própria índole, a cultura do bem, do belo e do útil, felizmente.


Mas, infelizmente, estamos diuturnamente sendo obrigados a conviver com várias culturas de choque e que se chocam entre si. E devido ao fácil acesso as informações que temos, estamos ficando cada vez mais desinformados praticamente de tudo. Atualmente há uma enorme facilidade virtual em que os meios tecnológicos estão se predispondo para nos invadir: - A alma, o corpo e a mente! Com todos os dispositivos e mecanismos tecnológicos referente a tudo o que há de mais ultramoderno em termos apelativos consumistas; e somos obrigados a processar rapidamente, informações de vários acontecimentos. E tudo ao mesmo tempo.


Homens-bombas explodem-se no Oriente Médio... Enquanto em outros territórios, um avião cai. Ou a NASA lança ou resgata foguetes espaciais, da órbita terrestre. Furacões, tsunami, tragédias aqui, uma, várias; acolá, outras, muitas...


Vamos caminhando, refletindo sobre os poemas com as mensagens e apelos para a Paz, vindo de todos os cantos do mundo todo.
Em tudo vai se estabelecendo o choque, o contrachoque cultural, e a contracultura, tudo se misturando, gerando informações e desinformações. Vivemos com muitas propagandas com subtexto, inclusive com informações subliminares. Tudo, ou quase tudo, ora vão se agredindo, horas outras parecendo estabelecerem-se dentro de um clima verdadeiro, inteligente e harmonioso. Na atualidade em que vivemos, temos acesso a um pouco de tudo o que acontece no mundo; muito embora seja a grande maioria de forma muito virtual, vamos nos entupindo de pedaços de cultura arremessadas de qualquer forma até nós, vindas do mundo todo.


Diante de tudo, muitas vezes ficamos estagnados. Outras vezes acabamos agindo de forma impulsiva. E no meio a isto tudo, geram-se também, muitas notícias de Arte, Literatura, o cultivo da beleza estética e do glamour, através dos muitos Eventos. Principalmente os Eventos de Moda.


Sem contar que a televisão comercial ainda continua um veículo de (des) informações cada vez mais distorcidas, não focando o verdadeiro acontecimento da realidade. E as programações estão ficando cada vez mais banalizadas e apelativas.


As produções cinematográficas abordam temas chocantes, ou com excessos dramáticos, ou muito violentos. Isto tudo vai se refletindo negativamente, e muito, dentro do contexto da nossa qualidade de vida. Fica difícil de filtrarmos estas informações e assimilarmos um conceito do que é certo ou do que é útil e vantajoso para agregarmos como um novo caminho, um novo costume, dentro do nosso estilo de vida.


As palavras articuladas, são como as pétalas
Replenas de letras; exalando os nossos aromas
Através das Obras inacabáveis compondo Vidas:
- Nós somos as Obras vivas e replenas de Vida...!
As palavras transcendem-se, inumeráveis,
Atravessando os meios que utilizamos ao
Fazermos delas - a ferramenta ideológica
- para nos comunicarmos. Demonstrando
Os nossos sentimentos. Enquanto buscamos
Nas articulações, nos gestos, ou nos modos
De nos expressarmos, exprimindo tudo o que
Sentimos: - Imortalizando-nos pelas fluências
Verbais, através dos sinais! Dos movimentos
Dos fonemas, criando as Artes, os costumes,
As culturas, as crendices, no Verbo e no Canto:
- Cremos nas Obras das Vidas, dentro do Canto!
O canto é, do nosso expressivo intento, o mais sublime.

Num rebuscar, dentro do mais profundo das emoções,
Aquele ardoroso desejo de podermos professar nas
Belezas existenciais, O que atua nas Religiões, indo:
- Sacralizando-se na Divindade do Verbo e do Canto!

Odenir Ferro

 

 

 

 

Paulo Marcelo Paulek
União da Vitória - PR


Poesia Crime perfeito
Na quimera do meu ódio
A insensatez era meu destino
Tenebrosos devaneios apunhalavam minha alma
Matar... matar...
Trucidar
Suprimir
Sem misericórdia

Nesta hora solene
Os soluços de piedade
Um apelo não atendido
O sangue corre ao chão
A desilusão da carne chora
Emudeço suavizado
Diante da sombra do cadáver...

 

Paulo Marcelo Paulek
União da Vitória - PR

 

 

 

 

 

Paulo Roberto de Oliveira Caruso
RJ - Niterói - RJ

 

À patinadora sobre o gelo

A patinadora sobre o gelo
é na verdade bailarina!
Lembra assaz a pena minha
deslizando sobre o papel!
A pena desliza suave,
encantando este escritor.
Às vezes encanta outrem
ainda nas curvas da vida...
da pena a deslizar
e da patinadora a voejar...

 

 

 

 

 

Rozelene Furtado de Lima
Teresópolis - Rio de Janeiro


Carnaval sem você

Ao som do batuque e do pandeiro,
Do tambor e da cuíca, nesse sambeiro
Perdi meu par no carnaval da vida
Fiquei só e sem saída
Pulo miudinho, apressadinho
Durmo sem carinho
Não sei mais cantar nem tenho sotaque
Perdi minha posição de destaque
Meu carro alegórico está fora do enredo
As fantasias da vida desenhadas em segredo
De Porta-bandeira e Mestre-sala
Dançando em traje de gala
Estão dependuradas
No cabide do tempo estão congeladas
Meu carnaval é a minha verdade
Meu samba enredo é a saudade
Sambo na passarela do destino
Enquanto rufar o tamborim divino
Esse carnaval na minha história
Tão sambada, tão ilusória.
Já é cinza de quarta-feira cremada
E poeira de bateria calada
Estou vivendo fora da harmonia dual
Vem meu amor, vamos fazer nosso carnaval.

 

 

 

 

Ruy Silva Santos
Sorocaba/SP - BR


CENÁRIO DE PAZ

Fim de tarde.
Tocadas pela brisa
as folhas farfalham.

Os caraxués-da-mata
acariciados pela aragem
pipilam nos galhos das laranjeiras.

Abstraído,
deitado sobre a relva,
registro no pensamento
o incomparável cenário...

Em tudo existe o clima
para se pensar no amor
naquela tarde morna
de raríssimo esplendor...

O sol, como quem não quer partir,
escorrega preguiçoso
por detrás da montanha e
os pássaros procuram
se aninhar.

Só então me dou conta
que a noite chegou
cobrindo o meu corpo
com o estrelado manto...

Solitário nesse conjunto,
eu fico divagando,
com o pensamento
em você...
 


 

Sonia Nogueira
Fortaleza CE Brasil

 

Cansaço

 

 

Hoje amanheci cansada, não fisicamente, mas das coisas que não me agradam e não posso mudar. Uma força maior conduz os caminhos noutra direção. O remo não obedece ao meu comando.
 

Senti vontade de cancelar todos os compromissos, pegar a direção, convidar alguém com a mesma vontade e sair por aí, conhecendo cidades, novas caras, dormir hoje aqui, outro dia acolá, rir, sonhar sem utopia, andar pela areia da praia, tomar banho e deixar a água deslizar mansamente sobre o corpo, sem em nada pensar, sem hora para chegar; viver, apenas viver, sentir a beleza da natureza, respirar o ar puro, varrer a poluição, dos pensamentos negativos da maldade e da degradação humana. Como se a vida não tivesse critérios.


Critérios? Há! Quantos temos! O mundo sem critério seria um caos total, a sociedade seria uma nova Sodoma. Se já não o é. Na família sem critérios há o desmoronamento do lar. Empresa sem critérios vai à falência total. A vida sem critérios torna-se liberta demais e confunde-se com libertinagem. Os critérios nos prendem a normas incansáveis.


Tudo cansa em certos momentos: a falta do tudo nos torna impotentes e insignificantes, excesso de ocupações extrapola nosso tempo, a falta delas é tediosa.


É assim a vida. Fabricação exclusiva. Todos os critérios desde a construção: cada célula no lugar e função. Alterá-las é mudar a fórmula, ninguém teria sabedoria para novo projeto. Cada um de nós, pobres passageiros ambulantes, questionáveis e conflitantes escolhem caminhos e direção, neste horizonte interminável.


Rio da Alma


Rio quando a alma se extasia
na calada o coração a velejar,
na procura dos temores fantasias,
não encontra ancoradouro nem o mar.
Rema noutro rumo sem destino,
rumo incerto que a vista não alcança,
nem o pensamento em desatino,
cobrando do destino só bonança.
O rio vai passando vem o barco
no remo, o olhar fixa a atenção
remando devagar na contramão,
o riso faz encontro com o tempo
veleja lado alado ao som do vento
dois vultos reviveram sina e marco.

 

 

 

 

Sueli Rodrigues Bittencourt
Florianópolis SC Brasil

 

VOZ DA POESIA

Poesia fala.
Fala baixinho
mas transmite...
Poesia faz sentir
faz chorar
faz sorrir
faz sonhar
faz pensar
faz refletir
Poesia fala.
Fala em silêncio.
Desperta emoções...
Fala de sentimentos,
de saudade,
de beleza,
e também de dor.
Fala de injustiças,
De violência,
de traição,
Fala de amor!

 

Sueli Rodrigues Bittencourt


 

 

 

Tristão Alencar Pereira Oleiro
Pelotas/RS - Brasil

 

 

VISÕES


Do nada
Pedras aparentes,
Revelam transparentes
Imagem indefinida,
Vento sem direção
Soprando rodamoinhos
Intercalados por girassóis.
Papéis em caracóis, desenhos...
Fantasmas em raios de luz.
Mesclas, loucos mistérios
Rebrilha receptivo o sol
Reflete o arco íris
Nas águas do mar.
Ao longe verde montanha
Encontra o céu,
Aquarelado véu em carmim.



 


Varenka de Fátima Araújo
Salvador BA Brasil


Gonçalves Dias

Sete horas da manhã
Abro janelas e portas
Um céu cinzento fere a vista
Palmeiras raquíticas sem verde
Os sábias num canto sem som
E o vento seco varre sem fronteiras

É pitoresco este cenário
Rios com manchas pretas
Corem para o mar, uma tragédia
Uns sem sustendo de uma desgraça
Águas que vestem a terra desbotadas

Que abrem fendas como cemitérios
Eu recomponho meu corpo ardente
Nas cores que aquecem vibrantes
Estou hoje convencida, nesta desdita
Gonçalves Dias se estivesse aqui
Pavoroso seria sentir, dorme poeta

 

 

NÃO ESTAMOS PREPARADOS PARA NADA

 

 

Não adianta driblar o momento, somos feitos de moléculas vulneráveis neste tempo tão louco em que tudo se perde, sem que possamos ter controle. Acoimar, não acredito, sei que nascemos para um dia morrer, mas temos que acirrar o máximo para podermos permanecer na terra. Vida longa para minha mãe, Albanisa, a mulher bonita, mulher guerreira mãe protetora, acolhedora de muitos agregados.

 

Apesar de saber que o seu estado de saúde é delicado, contando com sua idade, este AVC que tanto temia veio sorrateiramente, embora tenha sido socorrida em tempo hábil ele é traiçoeiro, pode vir a melhora e em seguida uma recidiva. Nunca estou preparada para nada, contudo, continuarei sendo a dama do xadrez em busca do alívio para minha família.

 

 

 

 

Wilson de Jesus Costa - Brasil

 

Pedestal

Coloquei-a em pedestal tamanho
E meu coração se tornou pequeno
Amar um amor tão grande é estranho
E esse amor para mim foi veneno...

Hoje choro o amor distante, sumido;
E não me destes sequer um sorriso
Estou ridículo, choroso, perdido,
No céu nem voa a ave-do-paraíso!

Vejo o passar do dia após dia...
Não conto ano. Não conto hora!
Sonho acabado. Tudo foi fora...

Em novo pedestal te colocaria
Para te ver em meus braços
Morrendo em beijos. Morrendo em abraços...



 

 

Zenir Izaguirre Carvalho
São Jeronimo/RS

 

A VIDA CUMPRE SEU PERCURSO

A vida sempre cumpre seu percurso,
posso constatar isso.
Há mais de vinte anos tu nasceste,
se parece muito comigo.
Quando dorme velo teu sono.
Na penumbra do teu quarto
relembro às noites longas e frias
que passei ao lado de seu berço.

Mais tarde ao lado de sua cama
preocupada com tua demora.
Assim como um dia chegou, partiu,
saiu para conhecer outros mundos,
não só aquele que um dia te apresentei.

Hoje busca teu lugar em outros corações.
Aqui nesse é insubstituível.
Demonstraste a plenitude da vida,
perpetuou seus genes, é pai.
Pai perfeito mas ainda tão filho.
 

 

 

 

 

 

 

 

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