REVISTA "A GRUTA DA POESIA"
 
Ano VII - Setembro de 2011
 
Participantes: Autores e Amigos do

Portal CEN

 
 

 
 
Edição e Arte Final:
 

 

 

 

 
 
A SOLIDÃO !
 
 ADRIANO AUGUSTO DA COSTA FILHO

 
A Solidão é um mal da humanidade,
Que para o coração é uma maldade.
O peito é invadido pela saudade
Como quando o Sol envia a claridade !
 
A lembrança eterna dos olhos tentadores,
De uma época da juventude e seus amores.
Trazendo a ilusão da ingrata bela
Pensando sempre estar nos braços dela !
 
É como olhar um animal feio,
E ficar o coração de angustia cheio.
Como pensar do tempo que nada resta
Mas, em lágrimas pensar na paixão funesta!
 
Na réstia de esperança o coração consente,
Só na lembrança desse amor ausente.
Só resta a solidão estar presente
E a morte eterna ficar eminente !
 
São ânsias terríveis e enormes lamentos,
A imagem saudosa, de lindas lembranças
No momento amargas das boas andanças
Mas de enlevos nesses lindos momentos !
 
Nesses instantes da enorme solidão,
Que revive o nosso pobre coração.
Por ela marcado com bens sagrados
A Solidão invade os sonhos gerados !
 
Mas, o frágil coração que esse tempo adora,
Rememorar também em qualquer hora.
E essas lembranças na Solidão moram
E nossos olhos de lágrimas choram !!!
 
 


 

 
 
 
Poesia?
 
Adriano Portela

 
Um palavra, duas palavras, coloca mais uma e...
pronto, feita a poesia.
Não. Nada disso.
Onde estão os ingredientes? Uma poesia não é feita
somente por palavras; e se não tiver a ação?
nem oração será!
Responde o velho poeta:
junta tudo isso que falamos, esquece a forma,
escreve e pronto. Virou poesia, aliás a nossa poesia.
Ou vai me dizer que faltou ação? 

Adriano Portela
Jornalista DRT 4121
www.redetv.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
PORQUÊ AS LÁGRIMAS
 
Alfredo Santos Mendes

         
Duas lágrimas teimosas,
deslizam cruelmente no meu rosto.
Sulcam-me a face,
como o bico agudo de um arado
que rasga a terra..
Sinto a sua penetração.
Sinto-as quentes.
Ardentes como lava de um vulcão!
Como caudal,
outras vão surgindo.
Outras...outras ainda.
Cada vez mais!
Sabem a sal!
Sabor amargo e doce.
Doce das recordações,
amargo das saudades.
Teimosas...loucas...
Porque insistem
os meus sacos lacrimais esvaziar?
Saudade?
Deixem-me rir....
Parem por favor!
Parem!
Vós não vedes, olhos meus:
Um dia... eu posso sentir
necessidade de chorar!
Sim, chorar, porque não?
E depois?
Vós, secos, sem lágrimas...
Por favor...
Eu quero voltar a sentir
o amargo doce do vosso sal!
Porque, tenho fé...
Sim, tenho fé.
Que elas serão de alegria!
                     
 

 

 

 
 
LOUCURA
 
Antonio Sanches


Parei no inicio do jardim
sob a sombra frondosa
daquela arvore antiga
e fiquei a pensar em mim
com a vontade desejosa
de me tornar numa espiga.

Depois quase gargalhei
com ideia tão esquisita
que mais parecia loucura
mas não me importei
seria até coisa bendita
ficar espiga e não criatura.

Afinal o homem vai destruindo
quase tudo à sua volta
de forma bem violenta
já na espiga as sementes caindo
envolvem-se na terra solta
germinando o valor que alimenta.

Ser espiga, que loucura...
mas será que é melhor ficar criatura?

 

 

 

 

 

VIAJANTE

Aparecido Donizetti Hernandez


Casa de Praia de Ipanema - "Torre de Babel" de jovens viajantes,
Encontro dos encontros de múltiplas culturas
À procura de nossa cultura
Que nem sempre soam nas estações das Rádios
- Músicas que não são nossas -
Levam-lhes a conhecer não as belezas do Rio,
Mas as mazelas do nosso povo.

Casa de Praia de Ipanema - ponto de encontros dos desencontros...
Desencontros da nossa cultura, que não valorizamos.
Bucólico abrigo dos viajantes do mundo,
Onde me encontro na solidão de seus beijos,
De seus toques, de seu sorriso...

Só em meus pensamentos na viagem de saudades,
Fito o céu... vejo as orquídeas nas ruas e lembro-me de ti,
Nos versos que escrevo te descrevo.
E agora sentado à beira da praia de Ipanema,
Somente teus olhos vejo no infinito do céu estrelado.
 
Ipanema - 08/09/2011
03h00


 

 

 
LILÁS

*Aurea Abensur*
(Orinho)
 

Na cor do meu sentir
percebo o lilás no meu coração
que vela acima de tudo em consentir
pelo amor em movimento
Ele que entre tantos sinais amarelos
pela vida afora me fez parar
para aprender por ásperas pedras atravessar
Ele, este mesmo velho coração
que me deixa permanecer
envolta ainda
em sonhos e cálidas ilusões
continua vivo!
Não tem a beleza nem
mais a pureza principal
das estrelas do céu
Mas como já disse uma vez, repito;
Sou uma simples mortal
feita de areia, mar, matas e suspiros
que só quer cada vez mais
aprender a amar

Salvador, indo no tempo...
 
 
 
 
 
 
 
Após dez anos

Benedita Azevedo
 

O campanário da igreja
Faz bater meu coração,
Após dez anos de ausência
É muito grande a emoção,
Retorno à minha cidade
estou na terceira idade
querendo tudo lembrar.
Na curva daquela estrada,
De piçarra ensolarada
Com mamãe a passear.
 
Do alto do Mundico Matos,
Antes da linha do trem...
Relembro todos meus atos,
E o som do sino blem... blem...
Olhando à esquerda procuro
Destroços do velho muro
As velhas reminiscências,
A casa da tia cotinha
Aonde a mãe sempre vinha
Pra suprir suas carências.
 
Mais à frente vejo a casa,
Terras da Chiquita Matos...
As paredes sem telhado
Fazem lembrar desacatos
Sofridos pela sua dona;
Sentada em minha poltrona
Ela contou sua sina,
À visão de tal lembrança
Faz-me sentir a criança
Só que agora peregrina.
 
E fiz questão de parar
Ali bem perto dos trilhos.
Observando a estrada
E as folhas cheias de brilhos,
Andando sobre dormentes
A visitar os parentes,
Quantas saudades, meu Deus!
Olhando aquela estação,
Senti que meu coração
Permanece ali co’os meus.

Rio de Janeiro, 14/09/2011
 

 

 
 
 
 
AGRADA-ME ...
 
Bruno de Paula

Agrada-me
perambular na plenitude
de um vazio,
... de um nada qualquer.

Despojar pensamentos
na dissecação do vagamente.
Demolir o cepticismo,
tão somente.

Esculpir degraus em abismos,
sobreviver na escuridão.
Renascer nas primeiras horas,
de cada novo dia.
 
 
 
 

 

 

SEMÁFORO DO AMOR


Carmo Vasconcelos

 
Na rota ambígua do amor,
És pisca-pisca, vaivém,
Semáforo tricolor,
Que ora impele ora detém.
 
Foco verde iluminado,
Dás passagem, campo aberto,
És caminho autorizado
Ao rumar do sonho certo.
 
Devagar, empalideces,
Amarelado, te impões,
E marcha lenta ofereces
A iludidos corações.
 
E  breve, o vermelho hasteias,
E a fila deixas parada,
Ensimesmada nas teias
Dessa mente emaranhada.
 
Nessas sedutoras lides,
Semáforo em mutações,
Na vida não te decides,
Camaleão de emoções!
 
***
Lisboa/Portugal
Maio/20/ 2011

 

 
 

 

 
LEGADO

Carolina Ramos (Santos - SP - Brasil)
 
 
Por acaso, ou destino já traçado,
este imenso Brasil foi descoberto.
Não importa se a História tem traçado
várias versões, na busca ao rumo certo

Importa é o que nos veio por legado
nessas naus de Cabral, em mar aberto,
Importa é o sangue luso, aqui mesclado
a pulsar pelo sonho, então desperto!

Importa é que, ao dispor das ventos parcos,
nos chegou a Saudade - clandestina
a dormitar nos lusitanos barcos!

Importa, é que essa mitiga passageira
aliada às mercês da mão divina,
uniu dois povos, pela vida inteira!
 
 
 
 
 
 
 
Sinaleiro da Comunidade
 
Damáris Lopes

 
Na bondade que carrega
a turma da minha rua,
existe vermelho sangue
amarelo de amargura.

Na calçada desta rua
sob o velho pé de Ipê,
morte se esconde da lua
testemunha do porquê.

Meio fio, frio córrego,
vira brejo esquecido.
Mal sem base prolifera,
foi o tal do amor, banido.

Nesta fossa à céu aberto,
odor é dado menor.
A janela sem tramela,
licença dada ao bandido.

As portas desta rua
na verdade são cortinas,
tão fracas se vêem nuas,
overdose, adrenalina.

Na maldade que carrega
o outro lado da rua,
existe vermelho sangue,
sinal verde para tortura.
 

 

 

 

FRÁGEIS CRIATURAS DE DEUS

 
Diana Camargo

 
Nascemos de um sopro do Criador...
Somos todas frágeis criaturas de Deus.
De que vale a prepotência, o orgulho, a vaidade...
Se a cada instante essa fragilidade se revela diante de nossos olhos.
Frágeis meninos e meninas...
Que mesmo dentro de uma sala de aula,
Sucumbem diante da mão armada de uma,
Não menos frágil criatura, dominada por uma mente doentia.
Frágeis jovens, homens e mulheres...
Consumidos por garrafas, cigarros, seringas ou pedras...
Drogas do nosso cotidiano.
Frágeis vidas interrompidas por balas perdidas...
Que não sabemos, nem ao menos, de onde as vem.
Ah, frágeis poderosos...
Vítimas da ânsia do poder e por ela dominados.
Frágeis adolescentes da Candelária... Das favelas... Das nossas ruas...
Encontrados sem vida em valas e sarjetas...
Sem que ao menos saibamos quem os abateu.
Vidas tão frágeis e tenras que se perdem pelas estradas...
Vítimas da pressa ou da autoconfiança de quem se diz dominar a máquina.
Seremos assim, tão frágeis... Até quando?
Resta-nos apenas uma grande certeza...
Quando estivermos protegidos pelo escudo da FÉ, da HUMILDADE
e da SOLIDARIEDADE.
Aí sim, certamente, não seremos mais essas frágeis criaturas do mundo...
Pois estaremos fortalecidos aos olhos do Criador.

Diana Camargo
(São Sepé-RS)
 

 

 

 
O EREMITA
 
Edir Pina de Barros


Um vulto que caminha no deserto,
Flutua sobre dunas, fina areia,
E o vento forte sua tez golpeia,
... Não há ninguém e nada há por perto...

Assim se vai ao léu, sem rumo certo,
Em nada se ancora ou se esteia,
Não sofre, nem deseja, nada anseia,
Anda sozinho e com destino incerto...

E nada é além de um nobre vulto,
Etéreo vulto que sozinho andeja
Buscando dentro em si a luz, a paz...

Longe se vai, fugindo do tumulto,
Nada mais quer e nada mais almeja,
Flutua no silêncio que o apraz!

 

 

 

 

 

 
 

GUERREIRO DE PEDRA


(Edolesia Andreazza)
 

Lutava tanto...
E por saber-se guerreiro
... Se achava invencível

Venceu o medo
Venceu a dor
Venceu os vícios

Só não venceu a si mesmo.
Sucumbiu ao egoísmo
E a intransigência o venceu.

- Os ventos só quebram
Os galhos e as árvores
Que não conseguem inclinar-se -
 

 

 

 

 
DOM-JUAN INIBIDO
 
Eduardo De Paula Barreto


É mais fácil lhe contemplar
Quando você está distante,
Assim não corro o risco de corar
... E nem de ver se transformar
A aparência do meu semblante.

De longe fito os seus olhos
E aguço os meus ouvidos,
Mas de perto os ombros encolho
E num esconderijo me recolho,
Como é terrível ser inibido!

Em meu pensamento decoro mil frases lindas
Para uma possível aproximação,
Mas quando estou perto minha memória míngua,
Ao tentar falar mordo a língua
E fico com tremores nas mãos.

Já que para mim é muito difícil
Portar-me como um Dom-Juan,
Farei uso de outro artifício
E para acabar com o meu suplício
Tratarei as mulheres como se fossem minhas irmãs.

Fingindo estar desinteressado
Querendo apenas ser um amigo,
Passarei o tempo todo abraçado
Até que uma delas me considere o par mais adequado
E queira namorar comigo.
 
 

 

 

 

Certas incertezas (a Juda)
 
Elcyr Carreira da Costa
 

nunca soube falar
das certezas do meu coração
nunca soube falar de certezas
...
minha certeza é..
que nada é certo
e nada é justo

nobreza, inocência, caráter
não cabem neste mundo
a luz esta no ar
mas o ódio insiste
nos olhos das pessoas

a luz esta no céu
mas aqui embaixo queima,
arde e faz lembrar
que estou vivo
esses seres que me circundam,
nem sei quem são
e não sei em qual posso confiar

 

 

 

 
EU ME QUERO

(Eloah Borda)


Eu me quero nos teus dias,
nos teus planos, nos teus sonhos.
Eu me quero nas tuas noites,
toda tua, toda nua,
envolvida nos teus braços;
eu me quero nos teus beijos,
me quero no teu desejo,
e na tua saciedade;
me quero na tua alegria
na tua felicidade
no teu riso, no teu siso,
na tua falta de juízo
ou tua circunspeção.
Eu me quero na tua vida
para o que der e vier
- tua amada, tua namorada,
tua amante, tua mulher.
E me quero aconchegada
para sempre bem guardada
dentro do teu coração!
 

 


 

 

 

Nas fogueiras do mundo
 
Eliane Triska


Quando adentrei a tenda dos mortais
Meu gesto de obediência, a me sorrir,
... Acenava da estrada a prosseguir.
Quão grandes são os mares outonais!

Quantas rosas de fogo em mim ardiam!
Quão clemente o calor de acreditar,
Com pincéis d'água, alguém saiba pintar
Pássaro diferente dos que piam.

Ontem, ou hoje, já não sei mais quando
Eu duvidei de mim, por ser provável
Não saber, ao seguir me torturando,

Que o gesto, mesmo, nunca haja sorrido.
E o pobre corpo ao mar, tão miserável,
Seguirá como cinzas, decaído.

Canoas/RS

 

 

 

 
Se eu soubesse

Erika Namastê


Se eu soubesse cantar, eu cantaria uma canção para te ninar nos meus braços
Se eu soubesse tocar instrumentos, criaria uma melodia só para ti
Se eu soubesse mergulhar, buscaria a mais linda pérola pra te enfeitar
Se eu soubesse semear, semearia flores e te faria um lindo jardim
Se eu soubesse plantar, plantaria pra ti o mais delicioso pomar
Se eu soubesse cavalgar, cavalgaria contigo em qualquer lugar
Se eu soubesse cozinhar, cozinharia delícias pra te enfeitiçar
Se eu soubesse inventar, inventaria artefatos pra você usar
Se eu soubesse costurar, costuraria a mais linda roupa pra te agasalhar
Se eu soubesse escrever, escreveria um poema pra meu amor te declarar
Se eu soubesse faria qualquer coisa para ganhar sua atenção
Se eu soubesse, seríamos nós, um só coração!
 

 

 

 

 

 

GUILHERME
 
Glória Marreiros


Teu jeito de açucena e madrugada
reflecte nos teus olhos cor de mel.
A boca que, num beijo, forma anel,
faz-me sentir feliz, abençoada.

No lar da tua vida começada,
vejo um doce amanhã puro e fiel.
E nas voltas que dás no carrocel
encontro a minha infância à gargalhada.

A bata verde clara e a sacola
que levas, a sorrir, para a escola,
são memórias que guardo com afecto.

Teus olhos são a luz que me alumia
e dão à minha noite um novo dia:
Guilherme, meu amor, querido neto!
 

 

 

 

 
ADEUS CABOCLINHO

Hermoclydes S. Franco


Vai, querido Caboclinho,
da voz forrada de arminho,
fazer serestas, no céu...
Vai cantar nossa "Aquarela",
que lá no céu, da janela,
um anjo abrirá o véu...

As "gaivotas" e "andorinhas"
que ouviam sempre, às tardinhas,
seu canto de paz e amor,
farão voos de saudade,
nessa tristeza que invade
velhas tardes de esplendor!

"Marias" e "Florisbelas",
em homenagens singelas,
jamais irão esquecer
as noites febris de festas,
de iluminadas serestas,
com seu cantar de prazer...

Uma saudade imortal,
ficará, qual pedestal,
a sustentar seu violão.
No cantar de um seresteiro,
neste Brasil, brasileiro,
vibrará seu coração!

Do seu "palco iluminado",
agora triste, apagado,
as luzes vamos retê-las...
Nesta triste despedida,
chorando a sua partida,
cantaremos "Chão de Estrelas"!...

 

 

 
 
 

 

OBSERVE MELHOR

Gorette Cavalcanti


Observe melhor!
O que acontece ao seu redor?
Algumas vezes o que parece
sem significado pode ser
muito importante para sua vida.
Assim como algo que lhe cause
angústia e sofrimento pode ser apenas
uma questão de momento.
Não aprisione sua mente.
Procure agir com a razão,
porém não esqueça também
de enxergar com o coração.
Dê um tempo e pense melhor.
Reflita sobre o que acontece ao seu redor.
Com certeza encontrará respostas.
Jamais se desespere,
confia em Deus e segue.

(Gorettec)

 

 

 

 
Sem Palavras
 
Heralda Victor


Palavras que levam à luz!
Palavras que levam ao nada.
Palavras que dão vida à alma
Ou deixam a alma gelada.

Palavras que para nós dizem tudo.
Aos outros, nem faz sentido.
Palavras que não é preciso
Usar para ser compreendido.

Palavras que pronunciavas
Na intenção de ajudar.
Palavras tão bem escolhidas,
Entanto causaram alarme
Quando formaram a frase:
“Preciso de ti afastar-me”.

Tuas sábias e belas palavras
Para serem escritas guardei
Mas por ironia da vida
Nenhuma palavra encontrei.
Sem palavras,
Somente uma frase escrevi:
“Preciso afastar-me de ti”...

 


 

 
No Jardim
 
Iára Pacini

 
Frente a meu velho jardim
Borboletas revoam em silêncio
Em movimentos sincrônicos
Que fortalecem o despertar
Reflexos em círculos a ser
Sem deixar que as incertezas
Não permaneçam aí
Recinto de sementes semens.
 
As flores não murcham
Muito menos fenecem
Renovam-se a cada dia nosso
Na estação do território d’alma
Em que lavramos termos
Daqui para a eternidade
Na germinação completa
Com aromas e universos.
 
Sentimos a ação dos anos
Construções de histórias
Contidas mesmo nas folhas
Verdes como auroras sonhadas
Arrebóis de ouro aquecidos
Pelos sons e nuances
De nossas vidas e réstias
Reservas coloridas de quereres.


 

 

 
CELEIRO D’ALMA

Ilda Maria Costa Brasil


Tanto a memória quanto o coração nos permitem
a fantasia de voltar no tempo;
às vezes, sombreando;
noutras, colorindo lembranças
e vivências associadas
às diferentes fases da vida.
Memória e coração tratam
dos nossos pensares e de nossas imagens,
induzindo-lhes novas interpretações,
experiências e sentimentos.
Celeiro d’alma, memória e coração
levando-nos a caminhos incomuns,
inesperados e repletos de inventividade.
 
 
 
 
 
 
 
Meu canto

Ivone Boechat   
 
 
Eu faço versos
para espantar meus sustos,
dores, angústias e tristezas vãs,
vou caminhando
pra esquecer o tempo.
e, nesse alento,
vou buscando mágoas
pra apagar as chagas
e recomeçar.

Sou como lírios
que iluminam vales,
sou como águias
à procura do infinito,
busco no vento
a força contra os muros,
e, nesse alento,
vou buscando mágoas
pra apagar as chagas
e recomeçar.

Chuva miúda,
dor pequena,
tarde calma,
luz maior,
partir sem medo,
sem fazer segredo,
voltar, sorrindo,
se puder voltar.
E, nesse alento,
vou buscando mágoas
pra apagar as chagas
e recomeçar.

Revendo amigos,
conhecendo mundos,
atravessando abismos,
pra poder contar,
vou com as flores,
enfeitando estradas
pra poder na volta te encontrar.

E, nesse alento,
vou buscando mágoas
pra apagar as chagas
e recomeçar.
 

 

 

 
SOLIDÃO 
 
(*Jocka *)
 

Estávamos assim,
lado a lado.
Bem próximos estávamos.
 
Assim estando,
nesse estado absoluto,
contemplamos a montanha.
 
Fomos, então,
passo a passo,
rumo ao Sol.
 
Lá no alto,
no pico da montanha
o jardim silvestre
nos recepcionou.
 
Sentamos ofegantes,
estreitamos a visão e
deslumbrados sentimos
o sossego da brisa leve.
 
Soprava-nos a vida
que ao redor existia.
Recolhemos, então,
os fragmentos da lembrança :
- farrapos do passado envoltos em si mesmo.
 
Acariciamos a relva verde.
Esperamos o tempo.
Silenciamos as vontades.
Navegamos o vento.
Visitamos a estação do estar.
 
Pássaros chegaram ...
Colibris, Canários, Pardais, Sabiás
Lado meu ao meu lado
Surdo, Cego, Calado ...
 
Era hora de voltar
Era tempo de chegar...
Ecos do sorriso do Sol
Gargalhadas do Trovão.
 
Lado meu ao meu lado.
Assim estávamos,
eu e minha sombra,
em companhia da solidão.

 
 
 
 
 
 
 
Vidraça semiaberta

Jorge Du

 
Vivo por este e neste tempo
Por aqui serei sepultado
Com meus prados azuis
Minhas incertezas de lento
Homem dúbio dos sacrilégios.

Arde o incenso forte de rosas
Me arrepia e me queima - desatino
Sem cena sem aceno inúteis
Talvez o criador tenha dito
- Nada de sarça pra ti só verdade.

E ardido parto chamuscado
Por noites e varandas
Sem brilho nem velas pandas
Apenas esta cortina e sombra
De minha vidraça semiaberta.

 
 
 

 

 

 

 
BARCO PIRATA

José Brites Marques Inácio
 

Resoluto seguirei
calcorreando
... o que ainda não sei
mas que já vou sentindo.

E tu que sentes?
O mar e as estrelas
ou vida de canseiras
e vontade de não tê-las?

Ah, mas vem!
Porque se vieres
e comigo fores além
a força está em seres.

Está bem. Já és.
Ainda que no peito insuflado
turbilhem aluviões
sigo no chão a marca de teus pés.

E a alma? Aquiesce?
Reconhece o foral
que no corpo floresce?
Que Lua nos ilumina afinal?

O barco de dois remadores
tem leme ágil e convés de prata
lavra no mar dos destemores
é chão d’amores com alma de pirata.

15 de Setembro de 2011
 
 
 
 
 
 
 
PASSARINHO VOA
 
Jorge das Graças

 
Voa passarinho.
Por que saiu do seu ninho?
Aqui perigoso é de fato;
Não é um lugar pacato.
Tem gente querendo te deter;
Na gaiola te prender.
Querem te ouvir cantar;
Não nas árvores ou no ar.
 
Passarinho volte ao seu ninho.
Te digo isso com carinho.
Sai daí do muro!
Não é um lugar seguro;
Vem cantar no meu jardim!
Pode sim, confiar em mim!
Se estou falando contigo,
Já prova que sou seu amigo.
 
O Pinto sempre cantava:
“Voa passarinho voa,
Não fique por aí atoa;
Vem cantar no meu jardim.”
Eu também digo assim!
 
Presidente por um minutinho,
Ele queria de fato ser;
Só para poder prender,
Quem prendesse um passarinho.
 
Meu jardim é pequenininho.
Cuidado com o meu vizinho.
Vai embora passarinho!
Volte em paz para o seu ninho!

 

 

 

 

 

ISCO

JORGE MANUEL BRASIL MESQUITA


VENHAM ROER-ME
ESTE AMOR SOLTEIRO.
ANDA A DOER-ME
... VELHO E RONCEIRO,
MAS HIRTO E PUMA
NO LEITO DO SEU RIO,
LEVE COMO A PLUMA
QUE REFRESCA O CIO
E A CANDURA BREVE
DO ANZOL QUE , LEVE,
É ISCO DE FLOR
E PESCA DE AMOR.

13 DE SETEMBRO DE 2011
 

 

 

 

 

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO (OU CHAVÃO?)
 
Josias Alcantara

 
Educar virou chavão, sem a força do saber,
É uma triste humilhação, estudar sem aprender.
Basta visitar a escola e provar sua presença
Que já recebe de esmola, um diploma em recompensa.
 
O diploma não ensina como pensar por si só
Ele é a parte pequenina, de um efeito dominó.
Pensar requer muito mais, do que diplomar-se em nada
Pois recurso cabedais faz a mente organizada.
 
Ela processa o que lê, e inspira de confiança
Toda a razão e o porquê, do entender como se alcança.
Dessa forma o verso explica, sem resmungar as palavras...
 
Que o saber se justifica, sem corromper suas lavras,
Nesse verso é bom dizer: respeitem a educação,
Ofereça mais ao ser, que translada em construção.
 
Josias Alcantara – Poeta, trovador – Mestrando em Educação
 

 

 

 

 
Eternamente

Julio Santos


O Piano toca.
A Lareira queima.
O nosso coração bate.
... Nosso Amor se une.
As brasas queimam
Nossos corpos se incendeiam
e nos amamos por toda a madrugada
Eternamente até pararmos de respirar.



 

GUEIXA
 
Jurema Ribeiro
 

Um sussurro extático
quase imperceptível
avassala minha vital substância:
átomos, células e moléculas
contornam a ambiência germinal
dos arquivos da minha memória

Um vácuo absoluto
reflete a violência da palavra
Tua voz interna martela, martela
e exalta-se

O engraçado é que tua palavra é queixa
Sofres de uma frieza doméstica!
Não. Não daquela frieza gélida
intransponível
Digamos, simplesmente, palerma
de um matiz orbívago
sem pretensões de insinuância
mas que arrebata um insuportável fragor

Mas quando te imagino
nadando ao lado de um cisne
em tamanha, desfrutável companhia
sinto tua frieza envergonhada por não existir
Assim presencio tamanha nulidade
ferindo tua percepção

Me vens com um sorriso demolidor
em libérrimo estilo
azucrinar meus zumbidos
e tirar do esquecimento
a gueixa que engasga tua animada engrenagem
e tua inconcebível leveza.



 

 

Poema em trovas
 
Lígia Antunes Leivas
 

Só uma coisa me intriga
nesta vida sem saída
é por que com tanta briga
não me atinge a recaída...
 
Então, meu amor mui querido,
pra mim diz só a verdade:
se nunca foste traído
por que agora a maldade?
 
Pois s'esse silêncio te basta,
a mim só causa desgraça;
viver assim só desgasta
e fica tudo sem graça!
 
Então, ó paixão não-vencida,
te peço com emoção,
não me deixes tão ferida:
volta pra mim, coração!

Lígia Antunes Leivas
Pelotas, RS, BR

 


 

 

 
Menina Feita de Lágrimas
 
Lúcia Polonio


Onde ficaste guardada?
Não vejo-te mais em meus sonhos
E teu sorriso... onde perdeste,
Diga-me menina?

Por onde anda tua alegria?
E teus sonhos... tantos sonhos tinhas
Teu semblante sempre tão tristonho

Diga-me, onde posso te reencontrar?
Como trazê-la de volta?
Diga-me... me dê um sinal

Volta para a vida...
A felicidade espera por ti
Venha ser feliz novamente!

Esqueça tudo... tudo o que
te fez sofrer...
Enxuga teu pranto e sorria!

Deixe a luz entrar em tua vida
Iluminar tua alma... teu coração

Então menina feita de lágrimas,
Tu me farás eternamente feliz!

 

 

 

 
Pétalas do amor

por Luciano Brasileiro Spagnol


Te desfolho nos meus desejos
“Num bem me quer mal me quer”
Na esperança de intenção e cortejos
Quando no “bem” o amor houver

No pistilo desta tão bela flor
Que és tu no meu eterno viver
Me torno o mais feliz sonhador
O mais completo amante ser

Se dúvidas rasgam a melancolia
A emoção faz-se complemento
Gotejando na alma com magia
Para desabrochar o sentimento

Ai então sim, serei tua amizade
Teu afeto, devotado compositor
Na confiança, na cumplicidade
Nestas que são as pétalas do amor
 
 

 

 

VOA MINHA ALMA...

Luiz Gonzaga Bezerra
 
 
Nuvens de esperança
Toma meu tempo
Rouba meus anos
Na força do vento...
 
Sigo pensando
Querendo voar
Amando e sonhando
Nas noites estreladas
 
Voa minha caliente
Cruza o céu azulado
Veloz se volve no tempo
Sonhando com a felicidade.
 
Pelo vento sou beijado.
Abro a mente, os braços.
Respiro vida, rápido.
Levitando calmo..
 
Flores mil flores, deitadas.
Num colorido colossal.
Lépido! Admiro me apaixono.
Pela vida em liberdade.
 
No ápice vibrante
Do amor guardado
No peito agitando
O sonho de amar.
 
Minha musa adorável
Atrás do pensamento
Existe o presente...
Jungindo-nos no tempo.
 
Na alma atrevida
O amor em fogo
Corre com a vida
No silencio da noite.

 


 

 

 

FLUTU...ÂNSIAS
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros – especialmente para a Gruta da Poesia – Portal CEN

 
Tu nunca evaporaste... tua essência
Ficou na mais sutil respiração
Que sorve, em cada dor da tua ausência,
O ar do amor que há no meu coração.
 
Volátil, o meu sonho delineia
Teu corpo quando quero te lembrar
Que importa se és mulher, flor ou sereia...
Eu quero nos teus braços me soltar.
 
E quando tu flutuas no meu peito,
Sem jeito, o meu amor, timidamente,
Procura em teu sorriso satisfeito
Um jeito de te amar... completamente.
 
Tu nunca te dissolves, tu és forma
Que habita o meu amor e se insinua
Quando meu coração não se conforma
E abraça a tua forma ardente e nua.
 
Tu valsas no meu ser, ah... como danças...
E eu sigo cada passo que tu dás;
Se perco-te de mim, tu me alcanças
E danças... no meu ser... não partes... mais.
 
 

 
 
 
 
O mandacaru
 
Marcia Tigani


Do semi-árido da seca inclemente
trago bem viva a lembrança verdejante
da alva e bela flor do mandacaru
rainha da estiagem e sobrevivente
desafiando a terra ardente

E é na calada da madrugada morna
que seus botões insistem em surgir
e despontam insolentes
por entre os espinhos intrincados
do mandacaru ainda dormente.

Dura uma noite só a branca flor
e ao alvorecer murcha deixando a certeza
da chegada da chuva benfazeja
sempre que nascem as primeiras flores brancas
do subversivo mandacaru.

É festa na aridez do sertão:
esperança renascida com o vento quente e seco
e descortinando o vale vermelho da terra trincando sob os pés,
segue a boiada na ansiosa espera da água salvadora
enquanto altaneiro, o fruto violeta da planta espinhosa
é alimento do gado e dos homens de pés no chão

E como o sertanejo, resistente aos embates e ás intempéries
o mandacaru insiste: é a vida que vai driblando a morte
que espreita por entre as sombras do deserto de meu Deus.
Vida renascida por entre espinhos, do cactus verde e arisco
na forma de flor, quase amor, prenuncio de melhor sorte.

Sonho com as águas cristalinas do Velho Chico,
sonho com a água que vertendo do céu em enxurrada,
é o aviso de que Deus ouviu as preces das mulheres da caatinga,
e na estação chuvosa há espaço para risos e bem-aventurança,
e desafiando céu e mar de areia fumegante,
que não esmoreça jamais
nossa E-S-P-E-R-A-N-ÇA!

Marcia Tigani_ novembro 2010
 
 
 
 
 
 
!EU SEI QUE VOU TE AMAR!
 
Marcos Loures


A mais bela mulher que vi na vida,
Tem mãos aveludadas e bem feitas;
Delicado perfil, curvas perfeitas,
... É alegre, reservada e decidida.

Tem ela o olhar d tímida pantera,
E tem a transparência dos cristais!
No movimento, os gestos naturais,
E no sorriso a luz da primavera.

O seu perfume exótico, no espaço
Fala de amor no coração tristonho
E traz no corpo predisposto, o sonho!

E esta mulher que, no meu sonho, abraços,
Por quem o coração tanto reclama,
Só pode ser você, Divina Dama!

 

 

 

 
DANCE

Maria Regina Ferreirinha Nery


Aos meus olhos… movimentam-se,
desnudo sentimento.
Tome-me sincronia por inteira ,
... fantasia, desejo.
Cubra-me e anestesia-me
com seu beijo.
Sou embalo de sonora harpa,
entoada por dedo.
Toque!
Enfoque!
Troque!
Sou orquestra regida por suas mãos.
Conduza-me, maestro, por braços magistrais
Ressoarei melodias igual notas musicais
enquanto cantam apaixonados corações.
Melodia invada .
Circula por via
atinja coração
forme coreografia
de suntuosa canção.
Transforme-a em magia.

 

 



 

 

Vida em Quadro.

Mauricio Savino



Uma gravura na parede
expressa toda a existência
de um marinheiro,
que entre os azuis forte do mar,
e fraco do céu,
navega em seu galeão,
de velas içadas,
e âncora recolhida,
rumando numa imensidão,
apenas guiado por estrelas,
às vezes perdido,
às vezes sem destino,
às vezes fugindo,
de um corsário,
da solidão,
ou do amor de uma mulher.
 
 

 

 


DENTRO DOS SEUS OLHOS


NALDOVELHO
 

Dentro dos seus olhos
eu percebo camuflagens,
... vestimentas, personagens
tatuados de coragem.
Um mistério, sortilégios,
entranhadas cicatrizes,
um grito mudo, tanto tédio,
muita vontade de partir.

Dentro dos seus olhos
eu percebo estranhezas,
um bom bocado de tristeza,
muitas lágrimas abortadas,
um sorriso indulgente
pela dor que agora sente,
boa dose de ternura
por quem nada fez pelo porvir.

Dentro dos seus olhos
eu percebo muitos versos,
delicados e repletos,
sentimentos tão confessos,
um enigma, muitas dúvidas
e a certeza inquebrantável,
que apesar da dor sentida
é preciso prosseguir.
 
 

 

 
PRAZER DE VIVER ASSIM

Nara Freitas


Gosto de sentir o prazer de escrever
Escrevendo...
Desorganizo-me
Organizando minhas ideias.
Palavras saltitam na mente
Fazem enredos, malabarismos,
Encenações.
Não sei como esse processo chegou
Sei que é essencial como o sol
Para aquecer os dias.
Saio fora do mundo
Entro dentro de mim
Como a marca de um beijo
Bem dado, marcante, delicado.
Felicidade? É o prazer de viver assim.
Quando vem a inspiração
Não há poeta que escape.


 

 

 
Brincar com o Vento...

Nídia Vargas Potsch


Há uma aura de mistério no ar
 Crianças a brincar com cata-ventos.
Em gostosos e lúdicos momentos,
Mescla de gargalhadas a pulsar...

Sambam cata-ventos em devaneios
 Matizes criados em contraponto.
 Incríveis e poderosos balanceios
 Cores que entram em confronto...

Segue Menino audacioso, avoado,
Nas mãos a varinha da pueril façanha
A bandeira, ergue-a  assaz excitado...

 Volitam sem parar em artimanha
 Céu todo azul matizes salpicando
O poder do vento nesta barganha...

@Mensageir@
Rio, 05/09/2011
 

 

 

 

 

Homem de Mil nomes
 
Nilton Pavin
 

Perdeste a oportunidade de falar com o homem
O homem que vive onde ninguém vive
O homem que vive onde todos querem viver
O homem vive
Onde você vai viver?
Eu quero viver com o homem que vive lá!
Todos querem ir pra lá, pois a casa do homem
Igual não existe e todos a imitam
Imitam a casa do homem que vive só,
Porém acompanhado e rodeado por vários seres
Seres que subiram infinitos degraus
Da escada da absolvição e da compreensão
Pois dizem que o homem é gentil, nobre e a todos conhece
O homem vive lá, entre nuvens e estrelas
Entre o luar e os raios solares
Todos com ele querem viver, ninguém quer mais sofrer
Todos querem no seu quintal azul brincar
Eu vou viver com ele,
Combinamos encontros
Nas noites de solidão
Nos dias em que o vento uiva
Nas manhãs frias e coloridas de cinzas
Nas tardes que o sol não brilha
Nas andanças pelas trilhas da benção
Continuar a viver quero eu
Tu queres continuar a viver?
Ou preferes deitado ficar eternamente
Eu em pé ficarei e com meus versos com ele falarei
Eu já o conheci quando nasci
A seu lado vivia, noite e dia, inverno ou verão, minguante e nova...
Quando soube que viajaria, deu-me uma lição e um perdão
Ele sempre foi assim, de singrar os mares, terras, azuis...
E a todos conquistar com seu refulgir
O meu lugar reservado está. E o seu? Reservaste?
Não vejo a hora da casa retornar
Sonho esse sonho há mais de cinqüenta anos
Sonho e sonho e vivo a sonhar...
À casa voltar
Voltarei
Ao meu lar
Voltarei
À casa
Espere por mim
Em breve acordarei do sonho
E voltarei
À casa
Do homem de mil nomes

 

 

 

 

INDIFERENÇA
 
OIARA BITTENCOURT


ESPERO, SIM, EM NUVENS DE QUIMERA,
AO SOL SE POR E NAS MANHÃS DOURADAS
COLHER A FLOR QUE, EM PLENA PRIMAVERA,
EMBALA O SONHO A CADA MADRUGADA.

MAS HOJE CHOVE, É IMENSA A ENXURRADA,
ESPARRAMANDO AS PÉTALAS NO CHÃO.
A FLOR DO MEU DESEJO CAI DESPETALADA
MURCHA DE DOR MEU POBRE CORAÇÃO.

COMO TE DAR A ROSA, SE PARTISTE,
SE FOSTE EMBORA E NEM AO MENOS VISTE
A ÂNSIA DE QUERER-TE JUNTO A MIM?!

AO RENASCER DO SOL, DEPOIS DA TEMPESTADE
VAIS DESFRUTAR DA TUA LIBERDADE
SEM NEM LEMBRARES DESTE AMOR SEM FIM!

 
 

 

 

::: mea culpa :::

 
paula quinaud


a palavra era de vidro.
e foi quebrada pelo tom.
espalhou-se em cacos, letras,
pelo chão do momento que não volta.
ecoou em fragmentos de cantos e rimas...

tentei reunir pedaços.
fingi imprimir sentido.
me cortei no fio da fala.
me calei na faca do dolo.
e sangrei verdade.

cada ser é o que pode.
alguns, menos.
 


 

 

 
DIRECÇÃO ASSISTIDA
 
Pedro Serrano


Ontem, no itálico prefácio da noite,
Quando fraquejava a luz ao mar e
De seu forro puído o azul-acinzentado,
Boiando afogueado, enfim se revelava,
Pousaste leve na minha tua mão esguia...
Ontem, no itálico prefácio da noite, dizia,
Uma coruja branca voou por sobre a estrada
Calada, macia e, talvez estremunhada
P’los laivos púrpura e ciscos de gaivota
Irradiantes num descartavelmente belo
Arranha-céus de nuvens-em-castelo.
Ontem, no itálico prefácio da noite,
Pousaste com ternura e teus dedos iam
Sobre uma de minhas mãos que conduziam.
“Por onde vamos?”,  perguntei
“Tanto me dá, não sei se sei...”
Liguei os faróis, comuniquei “ok”
E, sem decisão de por onde iria,
Fui guiando pela noite que caía.

© Pedro Serrano
 
 

 

 

PONTOS VITAIS

Raymundo de Salles Brasil



Já sinto alguns sinais, são evidentes,
De que a vida de mim vai se afastando,
São meus pontos vitais, que, descontentes,
Em solenes acenos vão rumando.

Não estou doente, estou perdendo a vida,
Sinto-me como um rio que vai secando,
Como uma folha murcha, ressequida,
Um galho seco que se vai quebrando.

Vai me faltando a força, a juventude,
O dom da vida vai ficando fraco,
Quando me lembro do que fiz e pude,
Chego a sentir-me um verdadeiro caco.

Contudo, porque sei que é natural,
Procuro ser feliz no que me resta,
Buscando achar a paz, de forma tal,
Que comemoro, e brindo, e faço festa.

A fé de ser feliz eternamente
Não se apagou em mim, e brilha, e luz,
Porque confio de corpo, alma e mente
Nas promessas divinas de Jesus.

Salvador, 13/07/2011

 

 
 

 

PARA CONQUISTAR UMA MULHER
 
Reinaldo Ribeiro


Por óbvia razão, não posso descrever aqui tudo que a vida me ensinou
Mas indicar eu vou alguns indícios que esclarecerão de uma só vez
Que o feminino coração é tabuleiro de xadrez, o qual só conquistou quem bem jogou
... E a estratégia do amor, nessa questão, requer insana sensatez!

A lógica da alma feminina conclui os seus parágrafos com vírgulas
Elas são dúvidas convictas, sua leitura exigirá mais que dois olhos
Sofisticados homens simplórios são caça quando elas são vítimas
E nada de críticas, pois isso faz parte de seus enigmáticos repertórios!

Abordagens extremas jamais são bem vindas - garanto
Nem sempre o seu canto traduz sua própria canção
O corpo escravo do coração, não remove gratuitamente seu manto
O ideal é o discurso santo, seguido de ousada transgressão!

Nem sempre profere o que prefere - asseguro
E o terreno inseguro não causa temor aos seus surtos intensos
Somente os fortes e densos conseguem pular os seus muros
Provar seus pomares maduros, só após discernir seus contrários consensos!

Mulheres não são uma fórmula descrita por tese científica
Sua força contrita reage com ataques de forjada passividade
São habitantes da surrealidade, uma incógnita magnífica
E isso por fim significa que sonham encontrar um amor de verdade!

"Não é descrição, é só divagação...pois não me atreveria a tanto"
 
 

 

 

 

SEPARAÇÃO

Regina Bertoccelli


Sem ti, minh'alma vagueia
pelos becos escuros da solidão.
É grande em meu peito a agonia,
dói demais o meu coração.

Perdi o rumo, estou sem direção,
foi embora toda a minha alegria.
Sem ti, minh'alma vagueia
pelos becos escuros da solidão.

Volta amor, dá-me a tua poesia
que cantarei pra ti uma canção.
Se o meu sorriso te contagia,
não vaciles, põe fim à separação.
Sem ti, minh'alma vagueia...
 

 

 

 

Ao meu corpo te chamo...

 
Rosa Maria
 

Fecho os olhos...em sonhos te chamo ao meu corpo de água
À minha cama de espinhos...aos meus lençóis de amargura
Ao meu sono inquieto...às minhas madrugadas de mágoa
... Chamo-te à minha noite vazia...ao meu olhar de ternura

Sou uma pétala a entardecer...uma folha seca de Outono
Nua de mim...despida de ti...sou o que sobrou da ilusão
Uma pálida boca...um triste sorriso...despido de sonho
Silencioso grito...num corpo de mulher vestido de solidão

Comigo dorme a noite...a noite negra...o vazio dos braços
E o silêncio sufocado...e as mãos sem nada e eu sem mim
E o corpo adormecido...e a dor que me prende...os laços
E o tempo que se esvai...e este labirinto onde me perdi

Tenho as asas cansadas...o coração ferido...a boca despida
Os sonhos rasgados...os passos perdidos... o olhar vazio
O azul enegrecido...o céu tão longe...e eu de mim esquecida
E os lençóis gelados...e a pele sem ti...e a mulher com frio

Entardeci e envelheci...perdida de mim e esquecida de ser
Esperei-te...era rosa...fiz-me espinho...mastiguei os cardos
Caminhei pelas pedras...chorei invernos...deixei de querer
Cantei a dor da ternura...soletrei poemas...escrevi dardos

Já abracei tantos sonhos...já escrevi tanta mágoa...já chorei
Despedi-me do amor...amordacei o desejo...parei no tempo
Afundei-me no abismo...voei no infinito...ao céu não cheguei
Voei no limbo...abracei as trevas...dancei nua na voz do vento
 

 

 

 

 

De saudade em barco de papel
 
Sílvia Mello
 

Abandonei
saudade
em barco de papel
... qual pequeno Davi

Esperei
que a saudade fosse salva
correntezas de dor
em braços de mãe d’água

Enganei-me...
que distância
a saudade não apaga
só cativa a lembrança

Tentei
tocar com pés
o frio riso da distração
olhos se abriram na memória

Procurei
fuga em abismo
(acaso saudade à morte resiste?!)
mas onde quebra a onda, canta a sereia

Encantei
saudade em palavras ocas
de versos na fuga da emoção
nasceram poemas sem alma

Entreguei
saudade adormecida
na melodia do tempo
e ouvi a cantiga do amor.
 
 

 

 

 

Alegorias Repentistas aos 13 de Maio... (II)

 
Silvino Potêncio


Indo eu, indo eu... a caminho de Zumbi
Eu levei uma gaiola p'ra criar um Ben-Te-Vi...
E depois que lá cheguei, eu vesti uma bermuda!...
Fiquei descalço n'areia a olhar toda a rabuda.

Tod'aquela que passava,
- ali por perto de mim,
Eu dizia,... eu pensava!!!...
Nossa Senhora Aparecida, traz uma destas p'ra mim!?...

Oh minha Nossa Santa Mãe,
Neste teu dia de Maio...
Me acorda deste desmaio
E traz-me uma pinga também...

- que isto de ter que escrever,
sem ter um pouco de combustível...
Não tem graça, não tem bem-querer
E... a vida sem amor,... simplesmente fic'óoooooorrrível!!!...

Autor: Silvino Potêncio - 09/Maio/2008
Emigrante Transmontano - O Home de Caravelas - Mirandela
http://zebico.blog.com
http://www.caestamosnos.org/Delegados/Silvino_Potencio_RN.html
 
 

 

 
 
 
 
Tarso Firace

 

Saio pela cidade
Me deparo com a antiga casa
Onde bastava atravessava a rua
E estava na praça
O ar gelado intensifica o colorido da manhã
... A estátua do soldado exposto
Expunha a cidade em guerra
Expunha seus adultos crianças
Prontos para jogarem fora suas vidas
No cheiro do ar
Ainda está o meu jeito de me sentir quem sou
Nos bancos sentam-se outros velhos
Mais parecidos comigo
Descubro o quanto deles sempre me desviei
Achando inutilmente que nunca seria como eles
Driblei igualmente os pequenos sofrimentos
Não sabia que assim
Irremediavelmente cairia nos grandes.

 

 

 
 
 
 
SENTIMENTO
 
Tristão Alencar
 

... que fica gravado pra sempre

Nas sombras dos desejos,
Pingos respingam pensamentos,
Sons da rua a vida embala
Na doce cascata de teus beijos.

Finitos amores, desaparecidos,
Dias cruéis em turbilhão que afoga
Arrastam dúvidas, dissabores
Guardados na gaveta dos esquecidos.

Fiel retrato do descontentamento
Mirando o espelho d’alma,
Enfrentando rumores e desamores...

Nas sombras dos desejos,
Dias cruéis em turbilhão que afoga.

Tristão Alencar Pereira Oleiro
Pelotas/RS - Brasil
 
 
 
 
 
 

Uky Marques
 
Borboleta de asas bordadas:
 

borboleta de assas bordadas
que voltejas  sem parar
vais e vens no silencio da noite
à volta da chama que se extingue
d"um amor feito juras
 no calor da noite ainda menina
noite que vinha de mansinho
vestida de estrelas no sonho
de menina
que o vento dispersou na bruma
d`aquela primavera inocência
de risos em flor,
em cambraias de suspiros
desencantos de menina
num grito de raiva afogou
sonhos de menina
que no peito guardou
flor da inocência que murchou:

 
 
 
 
 
O Poeta e a Poesia
 
Valter Montani


O poeta de maneira discreta
capta as emoções da vida
e com palavras as interpreta
seus versos são como bálsamo
para as feridas.

A poesia não tem fronteiras
nem de tempo nem de espaço
colhe os louros da vitória
e as agruras do fracasso.

O poeta e a poesia se unem
e sem limite de tempo e espaço
caminham pelo universo das almas
abrandando dores e cultivando amores.

Juntos e poderosos, viajam pelo tempo
endeusam amores eternizam momentos
navegam pelos mares dos sonhos
naufragam em meio a tormentos.

Mas emergem das profundezas
e retornam com nobreza sua jornada
pois para o poeta e a poesia
não há tempo de parada.

Quando desprezados são
tudo fica mais cinzento
as palavras ficam tristes
recheadas de lamentos....

Porém se recompensados
pelo amor e pelo carinho
flutuam no azul do firmamento
feito dois passarinhos.

© VALTER MONTANI
 
 

 

 

 

Trovas de Vânia Maria Souza Ennes
 
 
Reconheço que a razão
exerce extremo fascínio,
mas, se acerta o coração...
vai-se o rumo e o raciocínio!
 
Nas horas de desatino
com você vou sorrir mais,
sob a força do destino,
faça chuva ou temporais.
 
Um, dois, três... cinco ou vinte anos,
de pura cumplicidade,
sem cobrança ou desenganos,
é ser feliz de verdade...!
 
Nas memórias do passado
não vejo mais sua imagem,
resta um vulto esfumaçado:
- Mais parece uma miragem...!
 
Saudade vive e contesta,
acorda de madrugada,
faz lembrar o fim da festa...
o beijo... e a noite estrelada!

Curitiba – Paraná - Brasil


 

 

 

Perdoa

Vany Campos

 
Perdoa esta loucura minha
Que te fez rainha
De meu amanhecer.
 
Não te quero ao anoitecer
Se o outono me vencer
Serei aurora vencida
Dentro da própria vida.
 
Se o tempo houver ainda
De amar a própria vida
Serás uma paixão
Dentro do meu coração.

 

 
 
 

 

Saudade?
 
Vera Aguiar


Na saudade sem você?
Sufocada entre dramas,
de uma amante sem quem ama,
... jogo versos ao luar.
Se mais vidas eu tivesse,
mais poemas eu faria,
a este amor em tons de preces.

Na saudade sem você?
O amor em mim faz mal.
Esvaída por anseios,
poetizo por mil vidas,
erguendo taças de bebidas,
o veneno protetor,
de quem foge do real.


 

 

 
Boticário

Violetta
 
 
Botica para a urbanidade
Andar de bicicleta
pelo menos  uma vez a semana
em deliciosas bicicletadas
Regadas pelas ruas de Porto Alegre
Mesmo com os ônibus
E motos a perambular
Outro medicamento
Dançar.....nem que seja
Ao som do demoníaco rádio
Este que a gente leva de um lado ao outro
Com o locutor a mentir o tempo todo
Também deve-se tomar pílulas de felicidade
Nadar....mesmo que seja numa piscina
Pequena, cheia, cujos olhos
Ardam de tanto cloro
Nade muito
Respire, solte bolhinhas
Flutue
Na vida aquática
Seja feliz
E por último ......
Acarinhe uma flor, animalzinho, criança
Algo puro,inocente
Nem que seja o teu vizinho do time errado...
Cure-se da urbanidade...
 
 

 

 


 AFAGO 

virgínia fulber * além mar poetinha
 

afagados por marítima brisa
o tempo esvaziou-se
das saudades
 
a chispa ardente
do desejo esculpiu
nas rochas um destino
 
no romper de aurora...
fomos
alaranjado laço no horizonte...

* set.08*



 


Tchello d'Barros

cuidar da natureza
e gritar bem alto até que a voz fique rouca

cuidar da amazônia
antes que a floresta se torne pouca

cuidar da samaúma
antes que suma uma atrás da outra


Tchello d'Barros
Belém - Pará - Brasil

 

 

 

 
NÃO SEI EXPLICAR
 
Washington Arraes


Brisa leve de tormentos...
A alegria só quer ser dividida,
ilha de paixão solta em um oceano de guerra
... dançou pra mim e me despiu de minhas vergonhas
e a timidez de menino, me fez homem,
grande foi esse momento.
Não amava, mas me grudou na alma pela eternidade,
me deu paz, meus olhos sorriam e fez festa.
Homem por inteiro, poesia completa.
Amar-te é arte, é arte, é arte...
é pintura, canto que invade, invade
desenho no céu ou em qualquer parte.
 


 

 

 

 

Foto topo da página:

Grutas de Mira de Aire - Portugal

(Restaurante montado no interior das Grutas)

Fundo Musical: Canteiros
Composição: Cecília Meirelles e Raimundo Fagner
(Baseado no Poema "Marcha" de Cecília Meirelles)

Formatação e Arte Final: Iara Melo

 

 

 

 

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