ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL -

 

BRASIL

 

Trabalho de Carlos Leite Ribeiro

 

 

Bloco Número 03

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Após a Proclamação de República no Brasil, ocorreu no Rio Grande do Sul a Revolução Federalista em 1893, liderada por Gaspar Silveira Martins e combatida pelo presidente da província, Júlio de Castilhos. A paz foi restabelecida em 1895, mas a luta recomeçou em 1923, chefiada por Assis Brasil, encerrando-se, porém, em Novembro do mesmo ano. O Movimento Paulista de 1924 recebeu o apoio de unidades sublevadas do exército gaúcho, lideradas pelo capitão Luís Carlos Prestes. O movimento não teve êxito e os revoltosos abandonaram as cidades conquistadas, iniciando a marcha da Coluna Prestes. As profundas divergências políticas do Rio Grande do Sul foram contornadas por Getúlio Vargas, eleito presidente do Estado em 1928. Após a Revolução de 1930, cessaram as lutas armadas no Estado, que se uniu em torno de Getúlio Vargas, apoiando a sua ascensão ao poder supremo do Brasil. A importância política do Estado manifestou-se em várias ocasiões. Em 1961, quando da renuncia do presidente Jânio Quadros, a posse do vice-presidente, o gaúcho João Goulart, foi garantida graças ao apoio do governador do Estado, Leonal Brizola e do general Machado Lopes, comandante do 3º Exército, sediado em Porto Alegre.

 

Fonte: Almanaque Abril/ 97 : "Partido Federalista contra Partido Republicano Rio-grandense"
"As desavenças iniciaram-se com a concentração de tropas sob o comando do maragato João Nunes da Silva Tavares, o Joca Tavares, barão de Itaqui em campos da Carpintaria, no Uruguai, localidade próxima a Bagé. Logo após o potreiro de Ana Correia, vindo do Uruguai em direção ao Rio Grande do Sul, encontrava-se o coronel caudilho federalista Gumercindo Saraiva.
Eficientemente, os maragatos dominaram a fronteira, exigindo a deposição de Júlio de Castilhos, que havia sido eleito presidente do estado pelo voto direto. Havia também o desejo de um plebiscito onde o povo deveria escolher a forma de governo.
Devido à gravidade do movimento, a rebelião adquiriu âmbito nacional rapidamente, ameaçando a estabilidade do governo rio-grandense e o regime republicano em todo o país. Floriano Peixoto, então na presidência da República, enviou tropas federais sob o comando do general Hipólito Ribeiro para socorrer Júlio de Castilhos. Foram estrategicamente organizadas três divisões, chamadas de legalistas: a do norte, a da capital e a do centro. Além destas, foi convocada a polícia estadual e todo o seu contingente para enfrentar o inimigo.
A primeira vitória dos maragatos foi em maio de 1893, junto ao arroio Inhanduí, em Alegrete, município sul-rio-grandense. Neste combate ao lado dos Pica-paus legalistas participou o senador Pinheiro Machado, que tinha deixado a sua cadeira no Senado Federal para organizar a Divisão do Norte, a qual liderou durante todo o conflito.Gumercindo Saraiva e sua tropa dirigiram-se para Dom Pedrito. De lá iniciaram uma série de ataques relâmpagos contra vários pontos do estado, desestabilizando as posições conquistadas pelos legalistas. Em seguida rumaram ao norte, avançando em novembro sobre Santa Catarina e chegando ao Paraná, sendo detidos na cidade da Lapa, a sessenta quilômetros a sudoeste de Curitiba. Nesta ocasião, o Coronel Carneiro morreu em fevereiro de 1894 sem entregar suas posições ao inimigo, no episódio que ficou conhecido como o Cerco da Lapa. A obstinada resistência oposta às tropas federalistas na cidade de Lapa (Paraná), pelo Coronel Coronel Carneiro, frustrou as pretensões rebeldes de chegarem à capital da República.
O almirante Custódio de Melo, que chefiara a revolta da Armada contra Floriano Peixoto, uniu-se aos federalistas e ocupou Desterro, atual Florianópolis. De lá chegou a Curitiba, ao encontro do caudilho-maragato Gumercindo Saraiva. A resistência da Lapa impediu o avanço da revolução. Gumercindo, então impedido de avançar, bateu em retirada para o Rio Grande do Sul. Morreu em 10 de agosto de 1894 ,após ser atingido por um tiro desferido a traição enquanto reconhecia o terreno na véspera da Batalha do Carovi. A revolução federalista foi vencida em junho de 1895 no combate de Campo Osório. Saldanha da Gama, possuidor de um contingente de 400 homens, lutou até a morte contra os Pica-paus comandados pelo general Hipólito Ribeiro.
A paz finalmente foi assinada em Pelotas no dia 23 de agosto de 1895. O presidente da República era então Prudente de Morais, e o emissário do governo federal era o general Galvão de Queirós.
Eram chamados de Pica-paus durante a Revolução Federalista de 1893 no Rio Grande do Sul - os opositores dos maragatos.
Os pica-paus estavam no poder com Júlio de Castilhos e tinham forte vínculo com o Governo Federal. Por razões políticas eclodiu a Revolução Federalista em 1893, em que a reação veio dos chamados Maragatos ou Federalistas, com visão descentralizadora. O motivo da alcunha veio pelo chapéu usado pelos militares que apoiavam essa facção. Eles usavam listras brancas que, segundo os revolucionários, seriam semelhantes a um tipo de pica-pau do Sul do Brasil. Esta denominação se estendeu a toda facção.
O termo maragato no Brasil foi usado pela primeira vez para se referir uma das duas grandes correntes políticas gaúchas, formadas no final do século XIX e identificada, respectivamente, com o uso do lenço vermelho. Surgiu no Rio Grande do Sul em 1891, no esteio da Revolução Federalista. Os maragatos foram os que iniciaram a revolução, que tinha como justificativa a resistência ao excessivo controle exercido pelo governo central sobre os estados. O objetivo da revolução seria, portanto, garantir um sistema federativo, e a adoção da forma parlamentarista de governo. Defendiam o credo político pregado por Gaspar da Silveira Martins, adversário de Júlio de Castilhos, do Partido Republicano Riograndense - PRR.
A origem do termo tem uma explicação complexa. No Uruguai eram chamados de maragatos os habitantes da cidade de San José de Mayo, Departamento de San José, talvez porque os seus primeiros habitantes fossem descendentes de maragatos espanhóis. "Na província de León, Espanha, existe uma comarca denominada Maragateria, cujos habitantes têm o nome de maragatos, e que, segundo alguns, é um povo de costumes condenáveis; pois, vivendo a vagabundear de um ponto a outro, com cargueiros, vendendo e comprando roubos e por sua vez roubando principalmente animais; são uma espécie de ciganos. " (Romaguera). Os maragatos espanhóis eram eminentemente nômades, e adotavam profissões que lhes permitissem estar em constante deslocamento. Na época da revolução, os republicanos legalistas usavam esta apelação como pejorativa, atribuindo-lhes propósitos mercenários. A realidade oferecia alguma base para essa assertiva — o caudilho estrategista brasileiro Gumercindo Saraiva, um dos líderes da revolução, havia entrado no Rio Grande do Sul vindo do Uruguai pela fronteira de Aceguá (Uruguai), no Departamento de Cerro Largo, comandando uma tropa de 400 homens entre os quais estavam uruguaios. A família de Gumercindo, embora de origem portuguesa, possuía campos em Cerro Largo. No entanto, dar esse apelido aos revolucionários foi um tiro que saiu pela culatra. A denominação granjeou simpatia. Os próprios rebeldes passaram a se denominar "maragatos", e chegaram a criar um jornal que levava esse nome, em 1896".

   

 

 

Rio Grande do Sul

 

 

 

Um dos mais importantes Estados agro-pecuários do Brasil, O Rio Grande do Sul é dos primeiros produtores brasileiros de trigo, soja, arroz, uva, tabaco, cebola, batatas, mandioca e milho. A fruticultura gaúcha é muito desenvolvida, sendo o Estado importante produtor de pêssego, marmelo, ameixa, pêra, figo, laranja, limão, banana e abacaxi. Os principais produtos do extrativismo gaúcho são a erva – mate (01) e as madeiras. Os rebanhos ovino, suíno, equino e bovino do Rio Grande do Sul estão entre os maiores do Brasil. O rebanho ovino gaúcho é o maior e o melhor do Brasil. A produção de lã neste Estado compreende mais de 90% da lã do total brasileiro. O Rio Grande do Sul é também um dos grandes produtores brasileiros de aves e ovos. Merece destaque ainda a criação de abelhas, pois o Estado é o primeiro produtor do Brasil. O principal ramo industrial do Estado é o de produtos alimentares, destacando-se o abate de animais, preparação de conservas de Carne e banha de porco, torrefacção e moagem de produtos agrícolas, como trigo, milho, mandioca, erva-mate e soja.

 

(01): Fonte: Landscapes: Erva-Mate

 


Lenda da erva-mate

 

 


 

Uma tribo indígena nômade se deteve nas ladeiras das serras onde nasce o rio Tabay. Quando retomou seu caminho, um dos membros da tribo, um índio velho e cansado pelos anos, ficou refugiado na selva, na companhia de sua filha Yaríi, que era muito bonita. Um dia, chegou ao esconderijo do velho um homem que possuía uma pele de cor estranha e se vestia com roupas esquisitas, a quem receberam com generosidade. O velho ofereceu ao visitante uma carne assada de acuti, um roedor da região, e um prato de tambu, que é preparado com uma larva de carne branca e abundante que os Guarani criam nos troncos de pindó. Conta a lenda que o visitante era um enviado do Deus do Bem, que quis recompensar tanta generosidade proporcionando-lhes algo que pudessem oferecer sempre aos seus visitantes e que poderia encurtar as horas de solidão às margens dos riachos onde descansavam. Para eles, fez brotar uma nova planta no meio da selva, que chamou de Yaríi, deusa que a protegia, e confiou seus cuidados a seu pai, Cáa Yaráa, ensinando-lhe a secar seus ramos ao fogo e a preparar uma iguaria que poderiam oferecer a todos os que os visitassem. Desde então, a nova planta cresce, oferecendo folhas e galhos para preparar o mate.
Nomes por que é conhecida a erva-mate:
Mate, erveira, congonha, erva, erva-verdadeira, erva-congonha, chá-mate, chá-do-paraguai, chá-dos-jesuítas, chá-das-missões, mate-do-paraguai, chá-argentino, chá-do-brasil, congonha-das-missões, congonheira, mate-legítimo, mate-verdadeiro, chimarrão, tereré, tererê, chá verde nacional.
Outras denominações menos comuns são: erva-de-são artolomeu, cu-de-boi, orelha-de-burro, chá-do-paraná, congonha-de-mato-grosso, congonha-genuína, congonha-mansa, congonha-verdadeira, erva-senhorita. Denominações indígenas para a erva-mate são caá, caá-caati, caá-emi, caá-ete, caá-meriduvi, caá-ti, caá-yara e caá-yarií. Em outros idiomas temos: Yerba art, “Mate Tea” ou art tea (inglês), art vert (francês), yerba mate (espanhol), arto (italiano), Matetee[1] ou Mate paraguaensis (alemão), mate-tchá (japonês), mateo (esperanto).
Estudos detectaram a presença de muitas vitaminas, como as do complexo B, a vitamina C e a vitamina D, e sais minerais, como cálcio, manganês e potássio. Combate os radicais livres.
Auxilia na digestão e produz efeitos anti-reumático, diurético, estimulante e laxante.
Não é indicado para pessoas que sofrem de insônia e nervosismo, pois é estimulante natural.
Contém saponina, que é um dos componentes da testosterona, razão pela qual melhora a libido.
Pode ser usada verde ou tostada, no preparo de chás e chimarrão.
Misturada com extrato de maracujá, pode ser usada como bebida quente ou gelada.
Misturada com suco de limão natural e bem gelado, torna-se uma bebida muito refrescante para os dias quentes e também nos dias frios.
Nos dias frios ou quentes, pode ser apreciada em um chimarrão. Existe vários nomes para a mesma erva: o nome científico da erva-mate é llex paraguariensis, mas existem nomes populares como mate, chá-mate, chá-do-paraguai, chá das missões, congonha, congonheira, erva, mate-legítimo, erva-de-são artolomeu, orelha-de-burro e erva-senhorita. Em Guarani, é chamada de caá. Tipos de ervas: Erva-mate tradicional: apropriada para tereré e chimarrão. Erva-mate criola: erva grossa com sabor suave. Erva-mate sabor menta e abacaxi: muito usadas no verão por serem refrescantes.

 

 

Rios do Estado do Rio Grande do Sul

 

 

 

 

Os rios gaúchos pertencem à bacia do rio Uruguai e ao conjunto de pequenas bacias de rios que correm para o Oceano Atlântico. Este rio nasce na Serra Geral e que forma-se pela junção dos rios Canoas e Pelotas, na divisa entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A nascente mãe do rio é o Rio Pelotas, que nasce a cerca de 65 km a oeste da costa do Atlântico. A foz do Rio Uruguai é a bacia hidrográfica do Prata e é formado pela junção dos rios Uruguai e Paraná. O rio Uruguai é um dos rios mais importantes na hidrografia do sul do Brasil e serve de fronteira entre o Brasil e a Argentina e o Uruguai, tendo Uruguaiana como principal cidade gaúcha banhada por suas águas. O rio Uruguai forma-se nas nascentes na Serra Geral em cotas aproximadas de 1800 metros de altitude com o nome de Rio Pelotas. Somente após receber as águas do Rio Canoas passa a se chamar Rio Uruguai indo na direção geral leste-oeste, até receber, pela margem direita, as águas do Rio Peperi-Guaçu, quando começa a infletir para sudoeste, servindo de fronteira inicialmente entre Brasil e Argentina, até receber o rio Quaraí, afluente da margem esquerda e que atua como fronteira entre o Brasil e o Uruguai. Depois de receber as águas do rio Quaraí, o rio Uruguai continua para o sul até a localidade de Nueva Palmira, onde deságua no rio da Prata. Sua extensão total é de 1770 km. Note que desde a junção de seus formadores até a foz do Quaraí são um total de 1262 km, ficando os restantes 508 km do rio Uruguai correndo inteiramente entre terras uruguaias e argentinas. Se for considerado a extensão do Rio Pelotas, sua extensão chega aos 2150 Km.

Seus principais afluentes:
Na margem esquerda: Rio do Peixe, Rio Chapecó, Rio Peperi-Guaçu.
Na margem direita: Rio Inhandava, Rio Apuaê, Rio Passo Fundo, Rio da Várzea, Rio Ijuí, Rio Ibicuí, Rio Quaraí, Rio Negro.

Principais Lagoas gaúchas:

À vertente atlântica pertence toda a metade Oriental do Estado, drenada por rios cujas águas, antes de atingir o Oceano Atlântico, vão ter a uma das lagoas litorâneas. Assim, a Lagoa Mirim recolhe as águas do rio Jaguarão, a Lagoa dos Patos, as dos rios Turuçu, Camaquã e Jacuí, sendo as deste último por meio do estuário denominado Guaíba. A Lagoa dos Patos comunica-se  com a Lagoa Mirim através do Canal de São Gonçalo, e com o Oceano Atlântico por meio da barra do Rio Grande. Além das duas grandes lagoas, há numerosas outras, menores, na planície litorânea, entre elas a Itapeva, dos Quadros, do Peixe e Mangueira.

 

 

Florestas gaúchas

 

 

 


As florestas cobrem 29% do território do Estado do Rio Grande do Sul. Aparecem na encosta e nas porções mais acidentadas no Planalto Basáltico, no Planalto Dissecado de Sudeste e, ainda, na forma de capões e matas ciliares, dispersas pelos campos, que recobrem o resto do Estado. Nas áreas de maior altitude, com mais de 400 metros de altitude, domina a chamada mata de pinheiros, uma floresta mista de latifoliadas e coníferas, a chamada mata de pinheiros. Nas demais áreas ocorre a floresta latifoliada. Nos dois tipos de floresta está presente a erva-mate, objeto de exploração econômica desde o início do povoamento do Estado.

 

Continua no quarto bloco...

 

 

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