Na noite do
dia
seguinte,
ela
ligou-lhe:
- Júlio,
você morreu?
- Não Ivone,
apanhei
ontem um
resfriamento
e estou de
cama com
gripe.
Talvez fosse
por ter
pisado areia
junto ao
mar.
-
Coitadinho!
Até estou
com pena de
você kkkk.
Também pisei
areia junto
ao mar e
estou aqui
bem, sem
achaque
nenhum!
- Pois, nem
sei que lhe
diga.
- Digo-lhe
eu: se os
homens
pudessem ter
filhos,
morriam
antes de dar
à luz! Não
seja piegas
e arrebite,
tome chá de
limão com
mel e um
comprimido
para a gripe
e amanhã já
nem se
lembra que
esteve hoje
doente. Esta
semana vamos
continuar a
nossa
história,
desta vez
falando de
minha avó
Ilza Lund?
- Vamos sim!
Até podemos
ir na
quinta-feira
e passar a
noite em
qualquer
hotel.
- Como
disse?
- Passar a
noite de
quinta para
sexta num
hotel, mas
em quartos
separados.
- O Júlio
fez bem
repetir pois
eu tive
receio de
ter ouvido
mal. Mas
pensando
melhor,
talvez não
seja
conveniente
encontramo-nos
esta semana,
pois está
doentinho e
pode
contagiar-me!
- Nada
disso, na
quinta-feira
já estou
curado.
- Não me
diga que meu
telefonema
teve mais
efeito que o
chá de
limão! Não
seja piegas,
que fica mal
a um homem.
Na
quinta-feira
à hora que
tinham
combinado,
quando ela
entrou no
carro, logo
lhe
perguntou:
- Júlio,
você já está
completamente
curado? Não
quero ser
contaminada
por essa
doença de
pisar areia
molhada!
- Já estou
completamente
curado. O
melhor
remédio
ainda foi os
seus
telefonemas!
Mas
parece-me
que a Ivone
hoje não
está
bem-disposta?
- É a
disposição
habitual
quando me
levanto mais
cedo.
- Piegas!
Então onde a
dama quer ir
hoje?
- Não quero
atravessar o
Tejo.
Escolha você
o destino do
passeio.
- Vamos a
Coimbra?
- É muito
longe. Uma
localidade
mais perto.
- Então,
Peniche, São
Martinho do
Porto, Foz
do Arelho,
Nazaré, São
Pedro de
Moel?
Escolha.
- Escolho
Peniche, mas
que fique
bem claro
que você não
vai pisar
areia
molhada!
Para mais,
nesta noite
vamos ficar
no mesmo
hotel.
- Mas
separados!
No outro
dia,
escolheram a
estrada
antiga que é
mais bonita
do que a
autoestrada,
a caminho de
Peniche.
Passaram por
várias e
lindas
localidades
e admiraram
belas
panorâmicas.
Fui uma
viagem
agradável,
com
conversas
banais mas
sempre em
tom alegre.
Quando
chegaram à
bela Peniche,
dirigiram-se
a uma
esplanada na
também bela
praia do
Baleal.
- Ivone,
vais começar
a contar a
história que
sabes de tua
avó?
- Sim Júlio!
Minha avó
materna era
de origem
israelita,
nascida em
Oslo,
capital da
Noruega,
onde fez
seus
estudos.
Estávamos em
plena 2ª
Grande
Guerra, com
o domínio
quase total
do regime
nazista.
Minha avó
era contra
este
sanguinário
regime e
contra a
perseguição
cada vez
mais intensa
da
perseguição
que faziam
aos judeus.
Na altura, o
mais
conhecido
antinazismo
e
organizador
de
resistência
a estes, era
o checo,
Victor Lazlo.
Um dia,
minha avó
conheceu o
Victor que a
nomeou como
representante
da
resistência
ao nazismo,
em Oslo.
Com a
convivência
que passou a
haver entre
ambos, e
embora ele
fosse mais
velho do que
ela,
apaixonaram-se.
No seu
diário,
minha avó
descreve a
seguinte
passagem: A
paixão é o
mais intenso
dos
sentimentos
que se pode
ter por
alguém.
Significa a
entrega
total e sem
reservas,
tendo a
capacidade
de remover
montanhas
(?).
Entretanto,
foram
descobertos
pelas SS
(polícia
política
nazista) e
tiveram que
fugir para
Praga,
capital
checa, onde
secretamente
casaram.
- Ivone,
desculpa e
não a
propósito
mas está na
hora de
irmos
almoçar.
Tens algum
restaurante
de
preferência?
- Nunca
almocei aqui
em Peniche.
Escolhe tu o
restaurante
de acordo?
- Se me dás
licença,
vamos
almoçar no
restaurante
Nau dos
Corvos que
fazem lá uma
caldeirada
de peixe
fresco,
sensacional.
Mas a bebida
escolhes tu.
- Pode ser
um Bucelas
branco que
há muito que
não provo,
melhor,
bebo.
O
restaurante
é à
beira-mar
onde se
avista o
Atlântico
que parece
não ter fim.
Júlio estava
pensativo a
admirar o
mar.
- Em que
pensas
Menino?
Estás tão
calado que
nem parece o
Júlio que eu
conheço?
- Estou a
pensar que
para além
deste oceano
está o
Brasil?.
- E também
as
brasileiras?
rssss
- E também
ainda não
escolhemos o
hotel nem
fizemos o
check-in?.
- Não
acredito que
já tenhas
sono. Hotel
com toda a
certeza que
vamos
arranjar.
Deves estar
a pensar em
outra coisa.
Depois do
almoço,
foram
procurar um
hotel para
passarem a
noite.
Depois de
procurarem
em vários
hotéis que
estavam
lotados,
conseguiram
um quarto no
hotel Soleil,
com
maravilhosa
vista não só
para o mar
como também
para praias
em redor.
Depois de
fazerem o
check-in
(para quarto
com duas
camas),
sentaram-se
na esplanada
desse hotel
onde a Ivone
recomeçou
sua
narrativa.
- Três dias
depois do
casamento,
Victor Lazlo
foi detido
numa das
ruas de
Praga e
preso num
campo de
concentração,
onde foi
várias vezes
torturado.
Minha avó
teve sorte
de uns
amigos terem
visto Victor
ser preso e
ajudaram-na
a fugir para
Paris, que
ainda não
tinha sido
ocupada. Seu
marido
conseguiu
fugir com a
ajuda das
Resistências
de quatro
campos de
concentração.
- Ivone, e a
tua avó em
Paris?
- Ainda
jovem e
bonita,
sentiu-se
muito só
numa grande
cidade, onde
não conhecia
ninguém. A
nostalgia
levou-a um
dia a um
bar, onde
conheceu um
aventureiro
americano,
de nome Rick
Blaine?.
- É onde
entra meu
avô?.
- Sim, e
também um
pianista de
nome Sam
Wilson, que
tocava
maravilhosamente
As Time Goes
By. Conheces
esta bela
canção de
amor?
- O nome não
me é
estranho,
mas não me
lembro da
canção e
muito menos
da letra.
- Vou tentar
cantar, só
para ti. Se
prometeres
não te rires
da minha
voz.
- Prometo.
Canta só ao
meu ouvido.
- No ouvido,
não, só em
voz baixa:
Com o passar
do tempo
Você deve
lembrar-se
disso
Um beijo é
sempre um
beijo
Um suspiro é
exatamente
um suspiro
As coisas
fundamentais
se aplicam
Com o passar
do tempo
E quando
dois amantes
namoram
Eles ainda
dizem "eu te
amo"
Nisso pode
confiar
Não importa
o que o
futuro traga
Com o passar
do tempo
Luar e
canções de
amor
Nunca caem
de moda
corações
cheios de
paixão
ciúme e ódio
Mulher
precisa de
homem
E homem deve
ter sua
companheira
Ninguém pode
negar
É a mesma
velha
história
A luta por
amor e
glória
Um caso de
fazer ou
morrer
O mundo
sempre
acolherá os
amantes
Com o passar
do tempo.
- Ivone, que
maravilhosa
voz tens.
Até podias
ter sido
cantora
profissional!
- Se o
elogio é
verdadeiro,
os meus
agradecimentos
a tão gentil
cavalheiro!
Rss
Como ia a
contar,
depois de
ter
encontrado
teu avô num
bar
parisiense,
ambos se
apaixonaram
e começaram
um romance
que podia
ter
terminado
maravilhosamente.
Paris ainda
não tinha
sido ocupada
pelos
exércitos
nazis, e
ambos
passaram
momentos
maravilhosos
e
inesquecíveis,
muitas vezes
em companhia
do pianista
Sam. Mas um
dia, a
cidade a
quem chamam
de Luz foi
ocupada. Os
três amigos
pensaram
logo em
fugirem de
lá, pois
todos
estavam na
lista negra
das SS e se
fossem
apanhados
seriam
internados
em campos de
concentração.
Teu avô por
ser
contrabandista
principalmente
de armas
para a
Resistência;
minha avó
por ter sido
casada com
Victor Lazlo;
o Sam por
ter sido o
ajudante de
teu avô. E
todos
conspiravam
contro o
nazismo.
Combinaram
apanhar um
comboio para
Marselha e
daí apanhar
outro meio
transporte
para um país
ainda livre.
Já na
estação
ferroviária,
como a Ilsa
demorava,
teu avô
mandou o Sam
a ir buscar
ao hotel
onde estava
alojada, mas
já não a
encontrou.
Tinha
escrito uma
mensagem
para ser
entre a Rick
Blaine: Amor
da minha
vida, a
ternura é um
gesto
genuíno de
carinho. É
um
sentimento
pleno que dá
vida,
tornando-a
mais repleta
de sentido.
Desejo-te as
maiores
felicidades
do mundo.
Sempre serás
o amor de
minha vida.
Adeus. Ilsa.
E assim, os
dois amigos
tiveram de
partir sem
sua
companhia.
- Amiga,
vamos
interromper
e vamos
aproveitar
para jantar?
- Não tenho
grande fome,
depois
daquela
saborosa
caldeirada
de peixe que
comemos ao
almoço. Mas
sempre
comerei
alguma
coisa. Uma
sugestão:
podíamos
comer no
restaurante
deste hotel?
- De acordo!
Não foi um
jantar à luz
de velas,
mas foi um
jantar
agradável
assim como a
conversa.
Ele, avô de
cinco netos;
ela avó de
uma neta.
Contaram
episódios de
suas vidas.
Uns bons
outros menos
bons ou
mesmo maus.
Depois da
sobremesa,
foram para o
hall do
hotel para
tomar o café
e a Ivone
continuar
sua
narração.
- Minha avó
nunca disse
a Rick que
era casada.
Ambos em
Paris tinham
combinado
não falarem
de suas
vidas
passadas. Só
mais tarde é
que teu avô
soube e com
quem.
Os anos
passaram e o
grande amor
deles em
Paris,
estava
esquecido,
mas o
destino não
quis?.
Na sua fuga
de Paris,
teu avô e o
Sam
assentaram
arrais em
Casablanca.
O Bar Rick
era o melhor
e mais bem
frequentado
dessa cidade
marroquina e
ainda não
estava (pelo
menos
oficialmente)
sobre o
domínio de
3ª Reich.
Nesse bar,
além do jogo
de casino,
com a
conivência
do chefe da
polícia
local, o
oportunista
capitão
Louis
Renault.
E foi nesse
local que,
inesperadamente,
os amantes
de Paris se
reencontraram.
Certo dia, o
casal Victor
Lazlo / Ilsa
Lund, entrou
no bar do
Rick, para
procurar um
contrabandista
que diziam
ter dois
salvo-condutos
com os quais
podiam
apanhar o
avião para
Lisboa e daí
seguiriam
para os
Estados
Unidos. Logo
de entrada,
a minha avó
reconheceu o
pianista Sam
Wilson.
Abeirou-se
dele
enquanto seu
marido
procurava o
tal
contrabandista
e pediu-lhe
para que ele
tocasse As
Time Goes By.
Em
princípio, o
pianista
recusou
tocar,
alegando não
se lembrar
mais, mas
por fim
acedeu ao
seu pedido.
Quando Rick
entrou no
bar ao ouvir
a tal
canção,
dirigiu-se
logo ao
pianista
para o
repreender.
Com os
olhos, Sam
indicou-lhe
quem estava
sentado na
mesa a seu
lado.
Atónico, teu
avô
dirigiu-se
para a mesa
na altura em
que o marido
dela
regressava
com a
notícia que
o
contrabandista
tinha sido
morto e
ninguém
sabia quem
tinha os
tais
salvo-condutos.
Depois de
vários
episódios
que não
merece a
pena aqui
contar,
minha avó
desconfiou
que os tais
salvo-condutos
estariam na
mão de Rick.
Uma noite,
em que seu
marido saiu
do hotel
onde estavam
alojados
para ir a
uma reunião
clandestina,
minha avó
sorrateiramente
entrou no
escritório
de teu avô
que estava a
beber uma
garrafa de
Whisky,
tentando
esquecer que
tinha
reencontrado
a sua amada.
Ela
suplicou-lhe
que lhe
vendesse os
dois
salvo-condutos,
pois seu
marido era
elemento
imprescindível
para a
Resistência
antinazista.
Rick recusou
e ela
apontou-lhe
uma pistola
ao peito.
Sem se
desconcentrar,
ele
disse-lhe
que tinha os
salvo-condutos
no bolso de
seu casaco e
seria um
atos de
misericórdia
ela matá-lo
naquele
momento. Ela
deixou cair
a pistola e
ambos se
abraçaram
com amor e
recordaram
seus bons
momentos de
Paris. Ficou
combinado
que ambos
iriam fugir
para Lisboa.
E ela
acreditou.
No outro
dia, já no
aeroporto,
Rick teve de
matar um
general
alemão que
estava a
tentar
evitar que
Victor Lazlo
fugisse mais
uma vez e
novamente se
juntasse aos
Aliados.
Minha avó
estava
convencida
que ia
partir com o
amor de sua
vida, mas
num golpe
teatral, teu
avô entregou
os
salvo-condutos
ao casal,
alegando que
o marido era
muito
importante
para acabar
com o
nazismo na
Europa.
- Ivone,
essa parte
não sabia
eu. Como o
pessoal
deste do bar
quer fechar,
podíamos
continuar a
narrativa no
nosso
quarto?
- Nosso
quarto, mas
em camas
diferentes!
Já no
quarto,
deitaram-se
atravessados
na mesma
cama, mas
com as
cabeças em
sentido
contrário.
Ligaram a tv
e assim
assistiram à
telenovela
que ambos
estavam a
seguir. Até
antes da
telenovela
terminar,
ambos
adormeceram.
Na manhã
seguinte,
quando
acordaram,
ambos
protestaram
que o
parceiro
ressonava
alto.
- Tu a
ressonar
pareces uma
antiga
máquina de
comboio a
vapor
disse-lhe
ela, o que
ele logo lhe
respondeu:
- Olha que
tu também
ressonas
alto, que
parece que
tens grilos
dentro da
garganta!
- Nem te
respondo.
Vou tomar um
duche e
depois
arranjar-me
para irmos
embora para
Lisboa.
- E eu
quando tomo
banho?
- Só depois.
Para mais,
os homens
despacham-se
mais rápido
do que as
mulheres.
No regresso
para Lisboa,
combinaram
encontrarem-se
para
continuar a
narração, na
seguinte
sexta-feira.
- Ivone,
escolhe a
localidade.
Entretanto,
vamos-mos
encontrar
durante a
semana na
hora do
café, como
habitualmente?
- Na próxima
semana tenho
que tratar
de uns
assuntos
particulares
e urgentes.
Os dias
foram
passando e,
na
quarta-feira,
como a Ivone
já tinha
resolvido
seus
assunto, ele
alvitrou que
em vez de
saírem na
sexta-feira,
podiam
antecipar um
dia a sua
saída. Ela
em princípio
recusou,
depois
hesitou e
por fim
aceitou.
- E qual a
cidade que a
Menina
escolhe?
- A
escolher?
Escolho
Sintra. Se o
Júlio assim
entender.
- Adoro
Sintra,
cidade que
conheço
muito bem.
Vou fazer a
reserva do
hotel. É um
quarto de
duas camas,
não é?
- Sei lá.
Desta vez
pode ser com
uma cama só,
para não
passar a
noite a
tapar-te. E
desta vez,
levo uns
tampões para
os ouvidos,
para não te
ouvir
ressonar!
Na
quinta/feira
seguinte,
Júlio
estacionou o
carro há
hora marcada
à porta da
casa da
Ivone.
Esperou meia
hora e como
ela não
aparecia,
resolveu
ligar-lhe
pelo
telemóvel:
- Morreste?
Perguntou-lhe
ele. A
resposta não
tardou:
- Estou bem
vivinha só
que acordei
há 5
minutos,
algo
rabugenta?
- O que é
normal!
- Nada de
piadinhas.
Vou tomar
banho e
arranjar-me.
Espera um
pouco.
- Um pouco,
quer dizer
15 minutos?
- Não, uma
hora!
Não teve de
esperar uma
hora mas
quase. Ela
apareceu
muito bem
vestida e
ainda mais
linda do que
nos outros
dias.
- Ena! A
Miúda vem
toda linda,
melhor, mais
linda do que
nunca. Vais
para alguma
festa?
- Vou para
uma festa
com o meu
mais querido
amigo, o
Júlio!
A viagem foi
curta, pois
Sintra fica
a cerca de
trinta
quilómetros
de Lisboa.
Já em Sintra
e na estrada
que vai para
o Castelo
dos Mouros e
Palácio da
Pena, antes
de chegar ao
castelo
cortaram à
direita e no
terreiro da
entrada do
Convento dos
Capuchinhos,
num lugar
idílico,
sentados num
banco
rústico,
Ivone
recomeçou
sua
narrativa
sobre o que
sabia de sua
avô.
- Minha avó
e marido, de
Lisboa
apanharam um
navio que os
levou aos
Estados
Unidos, por
intermédio
da então OSS
Agência de
Serviços
Estratégicos
dos Aliados.
Mais tarde,
por
conveniência
de serviço,
foram
transferidos
para
Londres,
para ficarem
mais perto
da
Resistência
contra o
Nazismo. Ela
ficou nos
serviços
administrativos
e ele nas
comunicações.
Muitas
mensagens
via rádio
para
planificação
e
organização
da
Resistência,
foram
organizadas
por ele.
Foi em
Londres que
minha avó
ficou
grávida de
minha mãe.
O meu avô
Victor Lazlo
preparou
cuidadosamente,
durante
muitos meses
a invasão
dos Aliados
à Europa,
dando também
orientações
aos vários
grupos da
Resistência
que tinha
que atuar
quando fosse
a invasão.
Antes do dia
D de 6 de
Junho de
1944, meu
avô partiu
clandestinamente
para a
Normandia
(França)
para
superintender
os trabalhos
de sabotagem
que deviam
ser
realizados
para atrasar
a reação
alemã à
Grande
Invasão.
Foram
combates de
uma
ferocidade
nunca vista
que custou
muitos
milhares de
vítimas de
ambas as
partes. No
dia
seguinte, ou
seja no dia
7 desse mês,
uma bomba
alemã matou
meu avô.
- Foi um fim
triste para
um herói que
nunca foi
conhecido do
grande
público, mas
que teve uma
utilidade
extrema
nessa época.
Mas vamos
esquecer por
ora de tua
narrativa e
convido-te
para o
almoço e
depois fazer
o check-in
no hotel. De
acordo?
- Já sinto
fome para
mais nem me
convidaste
para o café
da manhã.
Por onde
vamos?
- Vamos
regressar
pela estrada
que viemos
até apanhar
a principal
que vamos
descer até
Sintra.
Vamos
almoçar ao
restaurante
do hotel
Tivoli
Sintra, que
tem uma
soberba
vista desta
belíssima
serra.
- Olha eu
hoje não me
apetece
comer peixe.
Depois de
fazerem o
check-in
para um
quarto de só
uma cama.
Aqui ela
sorriu
enigmaticamente.?
Foram
conhecer o
quarto com
uma vista de
sonho,
deixar suas
malas e por
fim desceram
até ao
restaurante.
Escolheram
Vitela
assada no
forno com
batatas
pequenas,
salada e
vinho, este
escolhido
pela Ivone.
Escolheu
Colares
tinto.
Depois do
repasto,
foram até à
Pastelaria
Piriquita,
onde como
sobremesa
comeram uns
deliciosos
travesseiros
especialidade
de doçaria
daquele
estabelecimento,
e tomaram
café.
Ficaram a
conversar
durante
algum tempo
e como ela
se queixou
que estava
muito
stressada,
foram dar um
passeio a pé
pela pequena
mas
belíssima
cidade,
chegando até
ás portas da
Quinta da
Regaleira.
Ela não quis
entrar
alegando que
não estava
com
disposição
de ver
coisas
velhas. Ele
atirou uma
enorme
gargalhada.
Voltaram
para a
cidade e, no
largo Jogo
da Pela,
sentaram-se
nos degraus
do Palácio
que para
muitos ainda
é o Palácio
Real, onde
nasceram
vários reis
e príncipes
de Portugal.
Mas ela não
estava para
visitar
naquele dia
coisas
velhas e
ficaram
sentados nos
degraus do
palácio. A
certa
altura, ela
queixou-se
que a pedra
devia de ser
mais quente,
pois estava
a sentir
frio por
estar ali
sentada.
- Ivone,
queres ir
para o hotel
descansar?
- Para o
hotel
descansar?!.
Não. Se
estás com
alguma ideia
avançada
retira isso
da cabeça
senão nunca
mais te
falo.
- Não tenho
nenhuma
ideia
pré-concebida.
Podíamos ir
para aquela
esplanada
ali em
frente. Se
quiseres,
claro.
- Vamos. Na
esplanada
com certeza
que não
ficarei num
assento tão
frio como
estas
escadas de
pedra.
Infelizmente
para eles,
naquela
esplanada os
lugares
estavam
todos
ocupados,
assim como
na esplanada
do Hotel
Central.
Tiveram que
procurar
outra, esta
na curva do
Duche. Ela
teve de ir à
casa de
banho
(banheiro) e
quando
regressou,
disse-lhe:
- Júlio,
este
estabelecimento
vem de
Queijadas de
Sintra.
- Aqui todas
as lojas
vendem
queijadas.
Mas quando
quiseres,
voltamos à
Piriquita
que fica
aqui perto e
compramos
queijadas.
- Se
voltarmos
lá, podíamos
comprar
também
daqueles
deliciosos
travesseiros.
Tive uma
ideia:
Podíamos
comprar
essas
guloseimas e
uns sumos de
frutos e
jantar-mos
no nosso
quarto?
- Gulosa!
- Olha quem
fala: tu és
o maior
guloso que
conheço!
- Pelo
caminho
podemos
comprar umas
velas.
- Porquê?
Vai haver
algum
apagão?
Candeeiros
elétricos é
que não
faltam no
quarto!
- Seja feita
a sua
vontade,
grande
gulosa. Hoje
não estou
para
discussões
por ninharia
nenhuma.
Para mais,
tudo o que
te acontece
fora dos
teus planos,
é cá o Júlio
que tem a
culpa.
- Com esta
conversa
toda, está a
começar a
escurecer.
Sintra é
perigosa à
noite?
- Muito
perigosa,
cheia de
fantasmas!
- Tu é que
me pareces
um bom
fantasma!
Então com
esse cabelo
tão
comprido.
Porque não
cortaste o
cabelo?
- Não a
estou a
convidar nem
pressionar-te,
mas quando a
madame
entender,
vamos
comprar as
guloseimas e
vamos para o
nosso quarto
no hotel.
- Já reparei
que és muito
sensível a
brincadeiras
de palavras.
Quando o
gentil
cavalheiro
quiser,
podemos ir.
Esta despesa
pago eu. Na
Piriquita
pagas tu.
Fizeram as
compras e
depois foram
para o
hotel.
Quando
chegaram ao
quarto, não
tinham luz.
Reclamaram
na receção e
como aquela
hora não
havia nenhum
eletricista
disponível,
tiveram que
mudar de
quarto.
Estavam no
2º andar e
passaram
para outro
no 3º, que
ainda tinha
uma vista
mais ampla
sobre Sintra.
- Bem te
disse que
devíamos de
ter comprado
velas. Mas
tu não fazes
nada que te
peça.
- Ho Menino,
eu não nasci
ontem, tenho
cabeça e
segundo
dizem, tem
alguma
inteligência.
Tu querias
era uma ceia
à luz das
velas!
- Não
discuto,
pois és tu
que tens
sempre
razão.
A ceia à luz
elétrica
correu bem e
ambos
evitaram
picardias.
Viram a
televisão,
nomeadamente
o noticiário
e depois um
filme que
ela
classificou
do tempo do
ronca.
Quando ela
já estava
preparada
para ir para
a cama,
mostrou-lhe
os tampões
nos ouvidos
para não
ouvir o
ressonar
dele. Ele,
quando já
estava
preparado,
mostrou-lhe
os pedaços
de algodão
que tinha
colocado nos
ouvidos.
- Com o teu
cabelo
branco e
comprido e
com esses
algodões,
pareces
mesmo uma
alma do
outro mundo!
rsssss
Estavam
deitados
ainda há
pouco tempo,
quando ela
se virou
para ele e
arrancou-lhe
um algodão
que ele
tinha nos
ouvidos,
gritando-lhe:
- Menino,
não te
encostes a
mim. A cama
é bastante
grande,
chega-te
para o teu
lugar.
- Estou aqui
a morrer de
frio!
- Levanta-te
e vai ao
armário
buscar um
cobertor
para te
enrolares
nele.
- Com este
frio não
posso! Tenta
compreender!
- Já
compreendi
tudo e muito
bem! Vou eu
ao armário
buscar um
cobertor
para tu te
enrolares
nele.
- Não faças
isso!
- Bico
calado e
enrola-te
neste
cobertor
para não
teres frio e
não te
aproveitares
para te
encostares a
mim.
- Nem quero
acreditar!
- Mas
acredita e
deixa-me
dormir muito
descansadinha.
Até amanhã?.