"SABENDO E RECORDANDO"

de Carlos Leite Ribeiro

 

 

Terceira Parte

 

 

 

Na noite do dia seguinte, ela ligou-lhe:

 

- Júlio, você morreu?

 

- Não Ivone, apanhei ontem um resfriamento e estou de cama com gripe. Talvez fosse por ter pisado areia junto ao mar.

 

- Coitadinho! Até estou com pena de você kkkk. Também pisei areia junto ao mar e estou aqui bem, sem achaque nenhum!

 

- Pois, nem sei que lhe diga.

 

- Digo-lhe eu: se os homens pudessem ter filhos, morriam antes de dar à luz! Não seja piegas e arrebite, tome chá de limão com mel e um comprimido para a gripe e amanhã já nem se lembra que esteve hoje doente. Esta semana vamos continuar a nossa história, desta vez falando de minha avó Ilza Lund?

 

- Vamos sim! Até podemos ir na quinta-feira e passar a noite em qualquer hotel.

 

- Como disse?

 

- Passar a noite de quinta para sexta num hotel, mas em quartos separados.

 

- O Júlio fez bem repetir pois eu tive receio de ter ouvido mal. Mas pensando melhor, talvez não seja conveniente encontramo-nos esta semana, pois está doentinho e pode contagiar-me!

 

- Nada disso, na quinta-feira já estou curado.

 

- Não me diga que meu telefonema teve mais efeito que o chá de limão! Não seja piegas, que fica mal a um homem.

 

Na quinta-feira à hora que tinham combinado, quando ela entrou no carro, logo lhe perguntou:

 

- Júlio, você já está completamente curado? Não quero ser contaminada por essa doença de pisar areia molhada!

 

- Já estou completamente curado. O melhor remédio ainda foi os seus telefonemas! Mas parece-me que a Ivone hoje não está bem-disposta?

 

- É a disposição habitual quando me levanto mais cedo.

 

- Piegas! Então onde a dama quer ir hoje?

 

- Não quero atravessar o Tejo. Escolha você o destino do passeio.

 

- Vamos a Coimbra?

 

- É muito longe. Uma localidade mais perto.

- Então, Peniche, São Martinho do Porto, Foz do Arelho, Nazaré, São Pedro de Moel? Escolha.

 

- Escolho Peniche, mas que fique bem claro que você não vai pisar areia molhada! Para mais, nesta noite vamos ficar no mesmo hotel.

 

- Mas separados!

 

No outro dia, escolheram a estrada antiga que é mais bonita do que a autoestrada, a caminho de Peniche. Passaram por várias e lindas localidades e admiraram belas panorâmicas. Fui uma viagem agradável, com conversas banais mas sempre em tom alegre. Quando chegaram à bela Peniche, dirigiram-se a uma esplanada na também bela praia do Baleal.

 

- Ivone, vais começar a contar a história que sabes de tua avó?

 

- Sim Júlio! Minha avó materna era de origem israelita, nascida em Oslo, capital da Noruega, onde fez seus estudos.

Estávamos em plena 2ª Grande Guerra, com o domínio quase total do regime nazista. Minha avó era contra este sanguinário regime e contra a perseguição cada vez mais intensa da perseguição que faziam aos judeus.

Na altura, o mais conhecido antinazismo e organizador de resistência a estes, era o checo, Victor Lazlo. Um dia, minha avó conheceu o Victor que a nomeou como representante da resistência ao nazismo, em Oslo.

Com a convivência que passou a haver entre ambos, e embora ele fosse mais velho do que ela, apaixonaram-se.

No seu diário, minha avó descreve a seguinte passagem: A paixão é o mais intenso dos sentimentos que se pode ter por alguém. Significa a entrega total e sem reservas, tendo a capacidade de remover montanhas (?).

Entretanto, foram descobertos pelas SS (polícia política nazista) e tiveram que fugir para Praga, capital checa, onde secretamente casaram.

 

- Ivone, desculpa e não a propósito mas está na hora de irmos almoçar. Tens algum restaurante de preferência?

 

- Nunca almocei aqui em Peniche. Escolhe tu o restaurante de acordo?

 

- Se me dás licença, vamos almoçar no restaurante Nau dos Corvos que fazem lá uma caldeirada de peixe fresco, sensacional. Mas a bebida escolhes tu.

 

- Pode ser um Bucelas branco que há muito que não provo, melhor, bebo.

O restaurante é à beira-mar onde se avista o Atlântico que parece não ter fim. Júlio estava pensativo a admirar o mar.

 

- Em que pensas Menino? Estás tão calado que nem parece o Júlio que eu conheço?

 

- Estou a pensar que para além deste oceano está o Brasil?.

 

- E também as brasileiras? rssss

 

- E também ainda não escolhemos o hotel nem fizemos o check-in?.

 

- Não acredito que já tenhas sono. Hotel com toda a certeza que vamos arranjar. Deves estar a pensar em outra coisa.

 

Depois do almoço, foram procurar um hotel para passarem a noite. Depois de procurarem em vários hotéis que estavam lotados, conseguiram um quarto no hotel Soleil, com maravilhosa vista não só para o mar como também para praias em redor. Depois de fazerem o check-in (para quarto com duas camas), sentaram-se na esplanada desse hotel onde a Ivone recomeçou sua narrativa.

 

- Três dias depois do casamento, Victor Lazlo foi detido numa das ruas de Praga e preso num campo de concentração, onde foi várias vezes torturado. Minha avó teve sorte de uns amigos terem visto Victor ser preso e ajudaram-na a fugir para Paris, que ainda não tinha sido ocupada. Seu marido conseguiu fugir com a ajuda das Resistências de quatro campos de concentração.

 

- Ivone, e a tua avó em Paris?

 

- Ainda jovem e bonita, sentiu-se muito só numa grande cidade, onde não conhecia ninguém. A nostalgia levou-a um dia a um bar, onde conheceu um aventureiro americano, de nome Rick Blaine?.

 

- É onde entra meu avô?.

 

- Sim, e também um pianista de nome Sam Wilson, que tocava maravilhosamente As Time Goes By. Conheces esta bela canção de amor?

 

- O nome não me é estranho, mas não me lembro da canção e muito menos da letra.

 

- Vou tentar cantar, só para ti. Se prometeres não te rires da minha voz.

 

- Prometo. Canta só ao meu ouvido.

 

- No ouvido, não, só em voz baixa:

 

 

Com o passar do tempo

Você deve lembrar-se disso

Um beijo é sempre um beijo

Um suspiro é exatamente um suspiro

As coisas fundamentais se aplicam

Com o passar do tempo

E quando dois amantes namoram

Eles ainda dizem "eu te amo"

Nisso pode confiar

Não importa o que o futuro traga

Com o passar do tempo

Luar e canções de amor

Nunca caem de moda

corações cheios de paixão

ciúme e ódio

Mulher precisa de homem

E homem deve ter sua companheira

Ninguém pode negar

É a mesma velha história

A luta por amor e glória

Um caso de fazer ou morrer

O mundo sempre acolherá os amantes

Com o passar do tempo.

 

- Ivone, que maravilhosa voz tens. Até podias ter sido cantora profissional!

 

- Se o elogio é verdadeiro, os meus agradecimentos a tão gentil cavalheiro! Rss

Como ia a contar, depois de ter encontrado teu avô num bar parisiense, ambos se apaixonaram e começaram um romance que podia ter terminado maravilhosamente.

 

Paris ainda não tinha sido ocupada pelos exércitos nazis, e ambos passaram momentos maravilhosos e inesquecíveis, muitas vezes em companhia do pianista Sam. Mas um dia, a cidade a quem chamam de Luz foi ocupada. Os três amigos pensaram logo em fugirem de lá, pois todos estavam na lista negra das SS e se fossem apanhados seriam internados em campos de concentração.

 

Teu avô por ser contrabandista principalmente de armas para a Resistência; minha avó por ter sido casada com Victor Lazlo; o Sam por ter sido o ajudante de teu avô. E todos conspiravam contro o nazismo.

 

Combinaram apanhar um comboio para Marselha e daí apanhar outro meio transporte para um país ainda livre. Já na estação ferroviária, como a Ilsa demorava, teu avô mandou o Sam a ir buscar ao hotel onde estava alojada, mas já não a encontrou.

 

Tinha escrito uma mensagem para ser entre a Rick Blaine: Amor da minha vida, a ternura é um gesto genuíno de carinho. É um sentimento pleno que dá vida, tornando-a mais repleta de sentido. Desejo-te as maiores felicidades do mundo. Sempre serás o amor de minha vida. Adeus. Ilsa.

 

E assim, os dois amigos tiveram de partir sem sua companhia.

 

- Amiga, vamos interromper e vamos aproveitar para jantar?

 

- Não tenho grande fome, depois daquela saborosa caldeirada de peixe que comemos ao almoço. Mas sempre comerei alguma coisa. Uma sugestão: podíamos comer no restaurante deste hotel?

 

- De acordo!

 

Não foi um jantar à luz de velas, mas foi um jantar agradável assim como a conversa. Ele, avô de cinco netos; ela avó de uma neta. Contaram episódios de suas vidas. Uns bons outros menos bons ou mesmo maus.

Depois da sobremesa, foram para o hall do hotel para tomar o café e a Ivone continuar sua narração.

 

- Minha avó nunca disse a Rick que era casada. Ambos em Paris tinham combinado não falarem de suas vidas passadas. Só mais tarde é que teu avô soube e com quem.

Os anos passaram e o grande amor deles em Paris, estava esquecido, mas o destino não quis?.

 

Na sua fuga de Paris, teu avô e o Sam assentaram arrais em Casablanca. O Bar Rick era o melhor e mais bem frequentado dessa cidade marroquina e ainda não estava (pelo menos oficialmente) sobre o domínio de 3ª Reich.

 

Nesse bar, além do jogo de casino, com a conivência do chefe da polícia local, o oportunista capitão Louis Renault.

 

E foi nesse local que, inesperadamente, os amantes de Paris se reencontraram.

 

Certo dia, o casal Victor Lazlo / Ilsa Lund, entrou no bar do Rick, para procurar um contrabandista que diziam ter dois salvo-condutos com os quais podiam apanhar o avião para Lisboa e daí seguiriam para os Estados Unidos. Logo de entrada, a minha avó reconheceu o pianista Sam Wilson. Abeirou-se dele enquanto seu marido procurava o tal contrabandista e pediu-lhe para que ele tocasse As Time Goes By. Em princípio, o pianista recusou tocar, alegando não se lembrar mais, mas por fim acedeu ao seu pedido.

 

Quando Rick entrou no bar ao ouvir a tal canção, dirigiu-se logo ao pianista para o repreender. Com os olhos, Sam indicou-lhe quem estava sentado na mesa a seu lado. Atónico, teu avô dirigiu-se para a mesa na altura em que o marido dela regressava com a notícia que o contrabandista tinha sido morto e ninguém sabia quem tinha os tais salvo-condutos. Depois de vários episódios que não merece a pena aqui contar, minha avó desconfiou que os tais salvo-condutos estariam na mão de Rick.

 

Uma noite, em que seu marido saiu do hotel onde estavam alojados para ir a uma reunião clandestina, minha avó sorrateiramente entrou no escritório de teu avô que estava a beber uma garrafa de Whisky, tentando esquecer que tinha reencontrado a sua amada. Ela suplicou-lhe que lhe vendesse os dois salvo-condutos, pois seu marido era elemento imprescindível para a Resistência antinazista. Rick recusou e ela apontou-lhe uma pistola ao peito. Sem se desconcentrar, ele disse-lhe que tinha os salvo-condutos no bolso de seu casaco e seria um atos de misericórdia ela matá-lo naquele momento. Ela deixou cair a pistola e ambos se abraçaram com amor e recordaram seus bons momentos de Paris. Ficou combinado que ambos iriam fugir para Lisboa. E ela acreditou.

 

No outro dia, já no aeroporto, Rick teve de matar um general alemão que estava a tentar evitar que Victor Lazlo fugisse mais uma vez e novamente se juntasse aos Aliados.

Minha avó estava convencida que ia partir com o amor de sua vida, mas num golpe teatral, teu avô entregou os salvo-condutos ao casal, alegando que o marido era muito importante para acabar com o nazismo na Europa.

 

- Ivone, essa parte não sabia eu. Como o pessoal deste do bar quer fechar, podíamos continuar a narrativa no nosso quarto?

 

- Nosso quarto, mas em camas diferentes!

 

Já no quarto, deitaram-se atravessados na mesma cama, mas com as cabeças em sentido contrário. Ligaram a tv e assim assistiram à telenovela que ambos estavam a seguir. Até antes da telenovela terminar, ambos adormeceram. Na manhã seguinte, quando acordaram, ambos protestaram que o parceiro ressonava alto.

 

- Tu a ressonar pareces uma antiga máquina de comboio a vapor disse-lhe ela, o que ele logo lhe respondeu:

 

- Olha que tu também ressonas alto, que parece que tens grilos dentro da garganta!

 

- Nem te respondo. Vou tomar um duche e depois arranjar-me para irmos embora para Lisboa.

 

- E eu quando tomo banho?

 

- Só depois. Para mais, os homens despacham-se mais rápido do que as mulheres.

 

No regresso para Lisboa, combinaram encontrarem-se para continuar a narração, na seguinte sexta-feira.

 

- Ivone, escolhe a localidade. Entretanto, vamos-mos encontrar durante a semana na hora do café, como habitualmente?

 

- Na próxima semana tenho que tratar de uns assuntos particulares e urgentes.

 

Os dias foram passando e, na quarta-feira, como a Ivone já tinha resolvido seus assunto, ele alvitrou que em vez de saírem na sexta-feira, podiam antecipar um dia a sua saída. Ela em princípio recusou, depois hesitou e por fim aceitou.

 

- E qual a cidade que a Menina escolhe?

 

- A escolher? Escolho Sintra. Se o Júlio assim entender.

 

- Adoro Sintra, cidade que conheço muito bem. Vou fazer a reserva do hotel. É um quarto de duas camas, não é?

 

- Sei lá. Desta vez pode ser com uma cama só, para não passar a noite a tapar-te. E desta vez, levo uns tampões para os ouvidos, para não te ouvir ressonar!

 

Na quinta/feira seguinte, Júlio estacionou o carro há hora marcada à porta da casa da Ivone.

Esperou meia hora e como ela não aparecia, resolveu ligar-lhe pelo telemóvel:

 

- Morreste? Perguntou-lhe ele. A resposta não tardou:

 

- Estou bem vivinha só que acordei há 5 minutos, algo rabugenta?

 

- O que é normal!

 

- Nada de piadinhas. Vou tomar banho e arranjar-me. Espera um pouco.

 

- Um pouco, quer dizer 15 minutos?

 

- Não, uma hora!

 

Não teve de esperar uma hora mas quase. Ela apareceu muito bem vestida e ainda mais linda do que nos outros dias.

 

- Ena! A Miúda vem toda linda, melhor, mais linda do que nunca. Vais para alguma festa?

 

- Vou para uma festa com o meu mais querido amigo, o Júlio!

 

A viagem foi curta, pois Sintra fica a cerca de trinta quilómetros de Lisboa.

Já em Sintra e na estrada que vai para o Castelo dos Mouros e Palácio da Pena, antes de chegar ao castelo cortaram à direita e no terreiro da entrada do Convento dos Capuchinhos, num lugar idílico, sentados num banco rústico, Ivone recomeçou sua narrativa sobre o que sabia de sua avô.

 

- Minha avó e marido, de Lisboa apanharam um navio que os levou aos Estados Unidos, por intermédio da então OSS Agência de Serviços Estratégicos dos Aliados. Mais tarde, por conveniência de serviço, foram transferidos para Londres, para ficarem mais perto da Resistência contra o Nazismo. Ela ficou nos serviços administrativos e ele nas comunicações. Muitas mensagens via rádio para planificação e organização da Resistência, foram organizadas por ele.

Foi em Londres que minha avó ficou grávida de minha mãe.

 

O meu avô Victor Lazlo preparou cuidadosamente, durante muitos meses a invasão dos Aliados à Europa, dando também orientações aos vários grupos da Resistência que tinha que atuar quando fosse a invasão. Antes do dia D de 6 de Junho de 1944, meu avô partiu clandestinamente para a Normandia (França) para superintender os trabalhos de sabotagem que deviam ser realizados para atrasar a reação alemã à Grande Invasão.

Foram combates de uma ferocidade nunca vista que custou muitos milhares de vítimas de ambas as partes. No dia seguinte, ou seja no dia 7 desse mês, uma bomba alemã matou meu avô.

 

- Foi um fim triste para um herói que nunca foi conhecido do grande público, mas que teve uma utilidade extrema nessa época.

Mas vamos esquecer por ora de tua narrativa e convido-te para o almoço e depois fazer o check-in no hotel. De acordo?

 

- Já sinto fome para mais nem me convidaste para o café da manhã. Por onde vamos?

 

- Vamos regressar pela estrada que viemos até apanhar a principal que vamos descer até Sintra. Vamos almoçar ao restaurante do hotel Tivoli Sintra, que tem uma soberba vista desta belíssima serra.

 

- Olha eu hoje não me apetece comer peixe.

 

Depois de fazerem o check-in para um quarto de só uma cama. Aqui ela sorriu enigmaticamente.?

Foram conhecer o quarto com uma vista de sonho, deixar suas malas e por fim desceram até ao restaurante.

 

Escolheram Vitela assada no forno com batatas pequenas, salada e vinho, este escolhido pela Ivone. Escolheu Colares tinto.

 

Depois do repasto, foram até à Pastelaria Piriquita, onde como sobremesa comeram uns deliciosos travesseiros especialidade de doçaria daquele estabelecimento, e tomaram café.

 

Ficaram a conversar durante algum tempo e como ela se queixou que estava muito stressada, foram dar um passeio a pé pela pequena mas belíssima cidade, chegando até ás portas da Quinta da Regaleira.

 

Ela não quis entrar alegando que não estava com disposição de ver coisas velhas. Ele atirou uma enorme gargalhada. Voltaram para a cidade e, no largo Jogo da Pela, sentaram-se nos degraus do Palácio que para muitos ainda é o Palácio Real, onde nasceram vários reis e príncipes de Portugal.

 

Mas ela não estava para visitar naquele dia coisas velhas e ficaram sentados nos degraus do palácio. A certa altura, ela queixou-se que a pedra devia de ser mais quente, pois estava a sentir frio por estar ali sentada.

 

- Ivone, queres ir para o hotel descansar?

 

- Para o hotel descansar?!. Não. Se estás com alguma ideia avançada retira isso da cabeça senão nunca mais te falo.

 

- Não tenho nenhuma ideia pré-concebida. Podíamos ir para aquela esplanada ali em frente. Se quiseres, claro.

 

- Vamos. Na esplanada com certeza que não ficarei num assento tão frio como estas escadas de pedra.

 

Infelizmente para eles, naquela esplanada os lugares estavam todos ocupados, assim como na esplanada do Hotel Central. Tiveram que procurar outra, esta na curva do Duche. Ela teve de ir à casa de banho (banheiro) e quando regressou, disse-lhe:

 

- Júlio, este estabelecimento vem de Queijadas de Sintra.

 

- Aqui todas as lojas vendem queijadas. Mas quando quiseres, voltamos à Piriquita que fica aqui perto e compramos queijadas.

 

- Se voltarmos lá, podíamos comprar também daqueles deliciosos travesseiros. Tive uma ideia: Podíamos comprar essas guloseimas e uns sumos de frutos e jantar-mos no nosso quarto?

 

- Gulosa!

 

- Olha quem fala: tu és o maior guloso que conheço!

 

- Pelo caminho podemos comprar umas velas.

 

- Porquê? Vai haver algum apagão? Candeeiros elétricos é que não faltam no quarto!

 

- Seja feita a sua vontade, grande gulosa. Hoje não estou para discussões por ninharia nenhuma. Para mais, tudo o que te acontece fora dos teus planos, é cá o Júlio que tem a culpa.

 

- Com esta conversa toda, está a começar a escurecer. Sintra é perigosa à noite?

 

- Muito perigosa, cheia de fantasmas!

 

- Tu é que me pareces um bom fantasma! Então com esse cabelo tão comprido. Porque não cortaste o cabelo?

 

- Não a estou a convidar nem pressionar-te, mas quando a madame entender, vamos comprar as guloseimas e vamos para o nosso quarto no hotel.

 

- Já reparei que és muito sensível a brincadeiras de palavras. Quando o gentil cavalheiro quiser, podemos ir. Esta despesa pago eu. Na Piriquita pagas tu.

 

Fizeram as compras e depois foram para o hotel. Quando chegaram ao quarto, não tinham luz. Reclamaram na receção e como aquela hora não havia nenhum eletricista disponível, tiveram que mudar de quarto.

Estavam no 2º andar e passaram para outro no 3º, que ainda tinha uma vista mais ampla sobre Sintra.

 

- Bem te disse que devíamos de ter comprado velas. Mas tu não fazes nada que te peça.

 

- Ho Menino, eu não nasci ontem, tenho cabeça e segundo dizem, tem alguma inteligência. Tu querias era uma ceia à luz das velas!

 

- Não discuto, pois és tu que tens sempre razão.

 

A ceia à luz elétrica correu bem e ambos evitaram picardias. Viram a televisão, nomeadamente o noticiário e depois um filme que ela classificou do tempo do ronca.

 

Quando ela já estava preparada para ir para a cama, mostrou-lhe os tampões nos ouvidos para não ouvir o ressonar dele. Ele, quando já estava preparado, mostrou-lhe os pedaços de algodão que tinha colocado nos ouvidos.

 

- Com o teu cabelo branco e comprido e com esses algodões, pareces mesmo uma alma do outro mundo! rsssss

 

Estavam deitados ainda há pouco tempo, quando ela se virou para ele e arrancou-lhe um algodão que ele tinha nos ouvidos, gritando-lhe:

 

- Menino, não te encostes a mim. A cama é bastante grande, chega-te para o teu lugar.

 

- Estou aqui a morrer de frio!

 

- Levanta-te e vai ao armário buscar um cobertor para te enrolares nele.

 

- Com este frio não posso! Tenta compreender!

 

- Já compreendi tudo e muito bem! Vou eu ao armário buscar um cobertor para tu te enrolares nele.

 

- Não faças isso!

 

- Bico calado e enrola-te neste cobertor para não teres frio e não te aproveitares para te encostares a mim.

 

- Nem quero acreditar!

 

- Mas acredita e deixa-me dormir muito descansadinha. Até amanhã?.

 

 

 

 

 

QUARTA PARTE »»»

 

 

 

 

 

 

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