SEBO LITERÁRIO

 

 

Ligia Scholze Borges Tomarchio

 

 
 
RETENDO IMAGENS

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SURPRESA

Ligi@Tomarchio®



Negro, macio, áspero
corações ardentes escapam
ruas claras transparecem
o insano amor sutil.

Susto estridente, enfumaçado
surpreende sensações
talvez douradas
névoa cálida reprimem.

Brancos, robotizados
lentos brincam nas ruas
amores rumando ao vento
das largas avenidas sorrindo.

Pontiagudos me espetam
escovando a maldade
sendo nas ruas embaçadas
a morada da grande incógnita.

Ligi@Tomarchio®

 

NUNCA DESISTA

Ligi@Tomarchio®


Não se torture,
não mergulhe no desespero
a vida,
precisa de um tempero.

Deixe a natureza decidir
não adianta lamentar
só a vida vai ensinar
a sabedoria dos que sofrem.

Procure relaxar
não desanime, nem desista
insista em lutar
para alcançar o que almeja.

Não mude sua vida
em função de um problema
verá que o tempo fará
do problema uma simples lembrança.

Pode ser muito desagradável
doloroso até
nunca sem solução,
haverá sempre um caminho a seguir.

Use sua energia apenas positivamente
deixe o negativismo para os tolos
retire a essência da sua alma
para curar todos que precisam de ajuda!

Ligi@Tomarchio®

 
 

LOUROS

Ligi@Tomarchio®


Nunca mais os verei louros
atentos ao tempo
brancos, perseguem os louros
da sábia fama eterna

Ardente chama
desalento, lento
desvão encoberto
por tristes vidas, idas.

Ligi@Tomarchio®

 
 

MARESIA

Ligi@Tomarchio®


Em horizonte azul permaneciam
delícias murmurantes ondulando
e olhares puros, a remar, nasciam.

Escaldantes, os grãos, amarelando
refletem o infinito transparente
de sonhos cristalinos resvalando.

Do morro, arraigado, transcendente
brancas nuvens dissipam devaneio
voam olhares pelo sol ardente.

Baila surfista no solar anseio
de ver a sagração d'um abissal
sentir terral na pele sem receio
ser ele o próprio móbile de sal.

Ligi@Tomarchio®

 
 

MARÉS

Ligi@Tomarchio®


Horizonte azul permanece
inocente, delicia as brumas
murmurantes, sem questionar
a pureza do ser que renasce.

Escaldantes grãos cristalinos
refletem o infinito transparente
desnuda sonhos e ilusões
(utopia) dos que vivem.

Frente a grandes torres de concreto
coloridas e brilhantes
o mar soberano
alí permanece, irriquieto.

Ondas deslizam perenes
vozes soam perdidas
no ar quante, solar
surfista baila.

Morro verde imponente
arraigado e firme
transcende utópico
o desejo de ser andante.

unindo-se às águas
atravessando o asfalto
cobriria toda areia
de verdes pensamentos.

O mar com certeza
romperia barreiras interiores
abriria os braços
à natureza divina.

Através da retina do Sol
olhares se perdem
aquecem corpos desnudos
queimam ilusões impertinentes.

Caminhando sôbre o mar
brancas nuvens dissipam
osfrésicos sonhadores
lângüidos olhares perdidos.

Ligi@Tomarchio®

 
 

ODE PALEOLÍTICA

Ligi@Tomarchio®


Gruta interna és vão oco
poucas carregam tal inércia
água escaldante te invade
no transmutar da essência.

Rocha bruta és imantada
cristal líquido te encobre
onde dedilham arcanjos
sonoros riscos num sabre.

Pedra rara és reluzente
vaidosa sob teu reflexo
desnudando sábias águas
a ditar falas sem nexo.

Grão, paládio tênue grão
sabes átomos sustentar
ao cosmo ergas o missal
coroando lírios no altar.

Ligi@Tomarchio®

 
 

NASCIMENTO

Ligi@Tomarchio®


Quero ser feto outra vez.
Viver envolto e protegido
em meio às vísceras e sangue
respirando a vida, a vida...!

Quero voltar a ser criança.
comer a terra sem medo
chorar por um carinho esquecido
ter medo do escuro e correr...!

Quero voltar a ser uma lembrança.
de alguém muito querido
de um ser inocente
que a tantos fez sorrir...!

Quero esquecer a outra parte.
Desfazer-me das recordações
ver-me de verdade
e não mais me sentir culpada...!

Ligi@Tomarchio®

MORTE

Ligi@Tomarchio®


É esse gosto amargo que sinto
de sangue que vomito
de prazeres que reprimo
de rumores que não minto!

É esse gosto amargo de vida
de sofrida e perdida
de maldita e traiçoeira
de ditos por não ditos!

É esse gosto de amor na boca
de tanto querer e não sentir
de tanto amar e não deglutir
de tanto roer e não conseguir!

É esse gosto de solidão
de tanto procurar o que perdi
de tanto rezar para não mentir
de tanto dormir para esquecer
de tanto morrer ao amanhecer...!

Ligi@Tomarchio®