SEBO LITERÁRIO

autor

 

 

ODENIR FERRO

 

 

ARAPONGA DE ALVAS PENAS


Ao iluminar-me, move-se quente o sol,
Em pétalas de claridades levantando-se
Defronte ao caminho pelo qual me levo
Rumo à antiga ponte do meu ribeirão...
E este claro dia é como o meu viver ligeiro.
Comigo andando nos meus preciosos sonhos
Somando inúmeros silenciosos pensamentos!
Enquanto vou, ouvindo os belos sons diurnos...
Extraídos esvoaçantes da densa magia das matas!
Ouvindo, amando um distinto sonoro cantar,
Enquanto piso com os pés firmes a areia fria
Sonhando eu vibro no melódico, o metálico
Encanto da paixão do sublimado puro som!
Sertanejo cantar das Arapongas alvas em penas
Aprumando-se, sonorizando faiscantes brilhos,
Nos serpenteados cintilantes, das caudalosas
Borbulhantes águas deste iluminado ribeirão
De sinas rolando abaixo por este meu Sertão!

 

 

 

BEIJA FLOR DE UM DIA!


Tum-tum, Tum-tum, vibrando vidas. Um dia...
Na minha ausência, eu quis falar mais alto em:
Quase tudo o que dentro de mim, eu ressenti
Sempre dentro do que tanto em mim pressinto
Muito avante, no que de mim já é prescrito!
Nestas razões que eu busco ter e não tenho!
Destas emoções, que sem querer, ainda sinto
Lindas ilusões que não vivendo vim fingindo
Só pra mim mesmo dizendo que um dia as tive
Fincadas no meu peito, entoadas nas vozes!
Fazendo os barulhos dentro dos meus ouvidos
Que se recusaram de ouvirem, cães ladrando.
Até os meus sonhos olvidarem-me. Eu, duvidoso
Destas dádivas que sendo um imenso, um intenso
Vim carregando-as nuns dardos dentro de mim.
Lançando explosivas flechadas, destas emoções
De tantos imensos dias, meus dias de um dia,
Que chorei e sorri de tanto ser por existir!
Tum-tum, Tum-tum, Tum-tum, lírica viva num
Tum-tum, Tum-tum, da vida vinda de um dia.
Até um Beija-Flor enriqueceu os meus dias!
Em minhas mãos o Beija-Flor abençoou-me,
Um dia!... Um Dia!... Um dia... Tum-tum!...
Tum-tum... Tum-tum... Tum-tum... Tum-tum...

 

 

 

ÀS NOSSAS ALMAS


Até quisera eu, dar-te um beijo de despedida...
Se quiséssemos finalizar sentimentos inacabados!
Até pensara que faríamos uns nus romanescos...
Mas concluirá que seria uma farsa, uma ironia!
Até pudera sim, amargar-nos nuns nus desejos!
Daqueles que fariam perderem-se as cabeças
Rompendo as barreiras do nosso amor próprio
Ao sem nenhum orgulho e com nenhuns pudores
Descarregaríamos as frases desconexas e vãs!
Fazendo os egocentrismos irem perdendo-se
N’alguns labirintos das emotivas memórias
Que sendo os nus rebentos tão convulsivos
Descartariam um condoído rio de lágrimas.
Onde prantos rolassem dos nossos olhares!
E arremessariam as fúrias destes desamores
Desfariam despudores dos ódios e intrigas!
Refar-nos-íamos num ressentido parto de nós
Repartindo novamente amor às Nossas Almas!
Com belos e antigos anseios, onde outrora,
Foram todos os nossos amorosos desejos...

 

 

 

 

NOSSOS LÍRICOS RITMOS


Quero reverenciar todos os teus sentimentos
Com alguma clareada tepidez que vejo caindo
Do lindo romanesco aveludado brilho do luar
Que vai se decompondo lentamente ao incidir-se
Nesta tão entristecida luz, vinda do teu olhar
Querendo ir mirar no espaço algum quê do vazio
Pensando reencontrar na linguagem, algum anseio
Benquisto nestas espontâneas emoções de aninhar
Nos traços da fluidez, os nossos líricos ritmos!
N’alguma consistência do noturno do nosso tempo
Que perdido, nos rompera das românticas esferas
Das semânticas quimeras desejadas neste sonhar!
Plenilúnio das ardentes ilusões, nas pulsantes
Vibrações nos nossos corações, tão frenéticos
Dentro dos mesmos compassos que nos explodira
Naquelas imensuráveis forças daquela paixão!

 

 

 

 

MEU SILENCIOSO CAMINHAR


Em tudo há mistério. Perdura silêncio!
Madrugada vazia, aonde vibra o triste!
Dura amargura, tão doída dentro de mim
Que por eu ser sofrível, até me conformo:
- Neste meu envolvimento com a incerteza!
Distendem-se as minhas mãos sobre o veio
Deste meu esconjurado silêncio helênico.
Como se fossem os sulcos de um ribeirão,
Circulando águas velozes nas expressivas
Impressões rubras no meu místico sonhar:
- Versando os meus desencantos com a tristeza!
Onde vogam os meus olhos voando íngremes
Neste melódico reverso. Tocante ao Sagrado!
Quietos no Tudo dos equivalentes perpétuos!
Nas minhas extensões. Flutuantes, nas Liras,
Das lindas inusitadas emoções da vida na via
Percorrendo todo o teor dos tomos históricos:
- Deste meu eu enfeitiçado pelas Belezas!
Discorrendo sobre o meu intuir. Vivendo
Impulsos, no meu caminhar silencioso.
Lívido avante ao encontro do incógnito
Perpétuo e misterioso rezando à Sorte!
Sentindo os acolhimentos dons do Eterno
Crivando meu envolvimento com a Poesia
Vindo ditar no meu destino com a Aliança,
Credenciando-me nos aveludados insignes!

 

 

 

 

NOSSO ETERNO AMOR (Entre Vinhos&beijos!)


Se no nosso eterno amor jurássemos por nós,
Então romperíamos barreiras deste silêncio.
Quebraríamos a monotonia das nossas horas,
Nas quais nos desgastáramos no inútil tempo!
Por vivê-lo ausentes do elo que nos compusera
Nas eternas amorosas belezas vibrantes em nós!
Nossas almas, separadas pelas distâncias,
Tornar-se-iam afins, enfim, unidas numa só...
Fortalecer-se-iam nos nossos laços, na ternura,
Sacramentando-se nas juras deste Eterno Amor!
Se jurássemos nesse Eterno Amor, em nós,
Entrelaçaríamos nossos corpos num desejo.
Saciado de amor vivido entre Vinhos&beijos!
Se o nosso amor eterno, jurássemos a sós...
Mil noites intermináveis em sonhos sedutores
Abrigados pelas insaciáveis carícias do Amor
Escoltando reais belezas extraídas nos ardores
Feitos na ternura desse momento ímpar e único!
Se jurássemos nosso Eterno Amor, tão profundo!
Num momento único, que então desejaríamos
Transformá-lo e reprisá-lo aos milhões!...
Mesmo que nunca pudéssemos saciar emoções,
Nessa explosiva ardente chama nos corações
Turbilhonados nos nossos fogos das paixões!
Se jurássemos nosso Eterno Amor, em tudo...

Este poema eu escrevi em Dezembro de 2007, a pedido do meu amigo Luiz, pois ele queria uma interpretação de agradecimento pela amizade e consideração que ele tem pela Fernanda, que também é minha amiga.
Então eu me inspirei e escrevi o poema Luz Tonificante!

 

 

 

LUZ TONIFICANTE


Homenagem do Amigo Luiz, à Amiga Fernanda
Numa interpretação de Odenir Ferro
A poesia é o tônico purificante,
Tal como sua amizade por mim, é!
Que suaviza as dores do coração,
Que se refaz no perfume em pétalas
Das flores que atuam como bálsamo,
Adocicando o mel que é olor d’alma!
Sua amizade é um tônico purificante
Retirando as chagas, e cicatrizando
As feridas. Curando as minhas dores,
Trazendo alívio imediato ao espírito!
A poesia é a viva luz mensageira,
Tal como minha amizade por ti, é!
Luzes vindas do Éter da Divindade
Abençoadas pelas mãos do Criador!
Sons, tocando nas nossas emoções,
Suavizando as dores dos corações.
Trazendo imediato alívio aos corpos,
Pois que a poesia é luz gratificante!
Pois que sua amizade é luz tonificante
Curando as doridas chagas do espírito!
Pois que é o suave bálsamo revigorante
Cicatrizando as dores dos nossos corpos
Ao habilitá-los a Amar, sonhar e viver!

 

 

 

ENREDOS


Quantas inumeráveis vezes me calam
Surpreendendo-me, em como pensar
Compondo. Ou, revivendo memórias
Ou abstraindo-me na generalidade
Destas minhas avultas afinidades
Que são tão, ou não, condizentes
Com a expressividade do Universo:
- Que ora expansivo, se abrindo...
Ruma indo, seguindo infindo lindo!
Enquanto também se vai, retraindo
No vigoroso e intensivo atemporal
Mistério suspenso, e tão profundo,
Até mesmo no meu mundo interior!
Tudo acontecendo, fluindo, evoluindo
Simultâneo entre meu eu e este Tudo!
Portanto, vou me concentrando atento,
Nos espontâneos expressionismos lidos
Por inúmeras vezes, em que sentenciei
Com dramatúrgicos apelos ao meu âmago.
Vivo dentro de mim, Regências do Amor
Que guardo como sendo tesouro vívido!
Alusivo, às platônicas forças do sem fim,
Afinando-me a este Céu romanceando-se
Compreensivas dores sensíveis em mim!
Crendo, nos mais recônditos abstrativos
Elos, acariciando pensamentos plurais!
Extremados, envolvidos, extemporâneos,
Embora figurativos abstrativos alheios
Ao conjunto de todas as sensíveis nuas
Nuanças encantadoramente tão profundas
Do meu mais avesso e diverso e secreto
E muito pluralizado sonhador pensar...
Nesta plasticidade sobrevoando amores,
Enquanto vou sobrepondo-me sobre todas
As dimensões das profundas realidades,
Explodindo-se como fogos de artifícios
Tradutoras do intraduzível nos enredos
Enquanto pacientemente, eu as exploro,
Compondo belas líricas músicas, saídas
De dentro da emotiva força deste ativo
Sonhador querendo acariciar sensações!
Globalizando as Comunicações do Planeta
Enquanto eu as grito com todas as forças,
Para que se dizimem todas as nossas dores
Através do agito das fontes espirituais
Sentidas na serenidade doçura dos afetos
Perfazendo-se em encantos, nos soberanos
Acordes musicais que saem, se esvaem, vão...
Buscando emoções outras que vivem por aí,
Resguardadas, ou avultas querendo compor,
Os prelúdios e as premissas existenciais...
Muito parecidas, com todas as minhas fortes
Reminiscências escritas, por vívidas ações!

 

 

 

CAMUFLAGEM


Aqui vai a noite alta, esgueirando-se
Em si mesma nas badaladas do meio-fio
Zerado da sua altiva existência dista
No alto auge de se estar à meia noite!
Esta noite, estando no meio de si mesma,
É um pacífico ponto de que todos sabem
Inerente ser aos estágios dela; enquanto
Quão diferente seria, se até eu, tentasse
Ir esquecendo-me aos poucos deste amor
Abrasivo tal qual ou muito mais que este
Calor, que a tudo envolve e vai deixando
Até, os pequeninos insetos intranqüilos!
Casualmente então, pensando assim, deito-me
Numa velha e já apodrecida taboa de madeira
Desapercebidamente olhando o Céu distraído,
De atentar-se para um atentado que ocorrerá
No alto do poste de madeira e se iluminando
Também, igual a tudo, pela sua nebulosa luz.
Sendo alvo na sua madeira podre e envelhecida
- Noto alheio, – pousando ali, um louva-a-deus!
Me peco admirando seus desenhos esverdeados
Mal tendo tempo para crer, na sua viva beleza,
Somente pensando na sua doce inocência, sem
Usar de algum tipo de camuflagem e,... Nhac!
Zás! Adeus! Foi-se embora numa triste cena,
O tão belo e verde louva-a-deus! Sem adeus
Preso morrera, no bico de uma sovina coruja,
Que sorrateira, chegara de mansinho batendo
Suas notáveis e ágeis asas, e enfim, fazendo
Dele, a sua tão nutritiva e farta refeição!

 

 

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