Sebo - Semira Adler Vainsencher-ax

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SEBO LITERÁRIO

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Dentre as aves mais populares do Brasil está  o sabiá-laranjeira. Oriundo da Mata Atlântica, seu nome científico é Turdos Rufiventris e, em inglês, ele é chamado Rufous-bellied Thrush. É denominado, ainda, sabiá-peito-roxo, sabiá-gongá, sabiá-vermelho e sabiá-amarelo.
Segundo os ornitólogos, existem cerca de catorze espécies de sabiás, no país. Porém, dentre as mais populares, encontram-se o sabiá-da-mata, o sabiá- ferreiro, o sabiá-branco e o sabiá-coleira. Na natureza, a ave vive em torno de trinta anos, preferindo
habitar em florestas ralas, beiradas de matas e serras, pomares, árvores esparsas, praças e quintais, sempre em locais onde existem frutas e água em abundância.
O sabiá-laranjeira, em particular, a mais popular de todas aquelas aves, mede cerca de vinte e cinco centímetros, sua plumagem é parda, excetuando-se a região do ventre, onde se destaca a cor vermelho ferrugem, levemente alaranjada, e seu bico é amarelo escuro.
O pássaro come quase todas as frutas. Aprecia bastante o mamão, o melão, a manga, a banana, o caju, o abacate, a amora, a pitanga, dentre outras, alguns legumes, insetos, minhocas e pimenta. Em decorrência de sua avidez extraordinária, cai facilmente em arapucas.
Com gravetos e fibras entremeadas de barro, constrói seu ninho em árvores frondosas e na bifurcação dos galhos, moldando o formato de um pequeno prato de barro. Ali, sempre no início do inverno (de fevereiro a março) ele põe de três a quatro ovos esverdeados, com manchas irregulares ferruginosas.
O sabiá-laranjeira destaca-se, também, pela qualidade do trinado: seu canto é lindo, longo, melodioso e agradável, assemelhando-se à sinfonia saída de uma flauta. Alguns pássaros chegam a ficar cerca de dois minutos, ininterruptamente, emitindo o cantar. Por outro lado, não existem duas aves que entoem a mesma música. Na primavera, é o primeiro canto que se ouve, antes mesmo de clarear os dias.
Para ouvi-lo, entre no site: http://www.picarelli.com.br/novopc/sabia1.wav
A ave ficou eternizada no folclore, na literatura, na poesia, na música e, na cultura brasileira, de um modo geral. Era o ano 1843, e o poeta Antônio Gonçalves Dias (1823-1864) estudava em Coimbra. Com vinte anos de idade, apenas, o romântico maranhense escreveu Canção do Exílio, imortalizando o sabiá-laranjeira, que era visualizado, pelo autor, como uma referência mítica fundamental. Aquele canto de louvor, à Pátria amada, tornou-se a poesia mais citada na literatura e na música popular brasileira. Além de representar a saudade (e a idealização) da terra natal, um sentimento universal e sem idade, tornou-se a própria expressão do nacionalismo, em um Brasil que acabara de conquistar sua independência política. Abaixo, eis o poema escrito por Gonçalves Dias.


Canção do Exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores,
Que, tais, não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá.


Uma música brasileira divulgou, ainda, o sabiálaranjeira. Seus autores são Mario Vieira e Hervé Cordovil, e a letra da poesia encontra-se a seguir.


Sabiá lá na gaiola,
Fez um buraquinho,
Voou, voou, voou, voou,
E a menina que gostava,
Tanto, tanto do bichinho,
Chorou, chorou, chorou, chorou.
Sabiá fugiu do terreiro,
Foi cantar no abacateiro,
E a menina pôs-se a chamar:
Vem cá, sabiá, vem cá.
A menina diz soluçando:
Sabiá, eu estou te esperando,
Sabiá responde de lá:
Não chores que eu vou voltar.


Também os compositores Luiz Gonzaga e José Dantas, inspirados naquele pássaro, elaboraram uma música e poesia que veio enriquecer o folclore nordestino. Sua letra é a seguinte:
 


A todo o mundo eu dou psiu (psiu, psiu, psiu),
Perguntando por meu bem (psiu, psiu, psiu),
Tendo um coração vazio,
Vivo assim a dar psiu,
Sabiá vem cá também.
Tu que anda pelo mundo, sabiá,
Tu que tanto já voou, sabiá,
Tu que fala aos passarinhos, sabiá,
Alivia a minha dor, sabiá.
Tem pena d’eu, sabiá,
Diz por favor, sabiá,
Tu que tanto anda no mundo, sabiá,
Onde anda o meu amor, sabiá...


Quando se considerou importante selecionar uma ave representativa do Brasil, dentre quase duas mil espécies distintas, alguns ornitólogos acharam que, devido à coloração verde e amarela, a ararajuba deveria ser a escolhida. Outros votaram no tucano,
por sua associação com os Trópicos. A maioria, contudo, elegeu o sabiá-laranjeira. Os critérios para a escolha não foram, apenas, a beleza, ou o trinado mais harmonioso, do sabiá-laranjeira: foi levada em consideração a sua proximidade com as pessoas. Seus ninhos têm o formato de uma tigela profunda de argila e fibras vegetais, sendo encontrados em quintais, beirais
de telhados, e granjas.
A partir do dia 3 de outubro de 2002, através de um decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o sabiá-laranjeira juntou-se, oficialmente, aos quatro símbolos nacionais (a bandeira, o hino, o brasão de armas e o selo), passando a ser a Ave Símbolo do Brasil.


 

 

 

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