XII Antologia Virtual

Sexto Bloco

 
PARTICIPANTES - (SEXTO BLOCO):

 

  Muriel Elisa Távora Niess Pokk

  Nadilce Beatriz

  Nato Azevedo

  Nere Beladona

  Odenir Ferro

  Odyla Paiva

  Paola Vannucci

  Paulo Câncio de Souza

  Paulo Marcelo Paulek

  Penélope Lsteak

  Poetisa Menina

  Priscilla Loureiro Coelho

  Reginaldo Honório da Silva

  Renato A. Torres de M. Moul

  Rodrigo Arcadia
 
 

 
 
MURIEL ELISA TÁVORA NIESS POKK

 

A DOR DO AMOR

 

Conhecemo-nos numa sala de chat, como tantos outros casais.

Conversamos durante meses através messenger e do telefone.

Numa tarde de sol nos encontramos... Finalmente nossas mãos se encontraram.

Ao passearmos pela praça eu tropecei você me segurou com seus braços fortes, e, aproveitando a ocasião me apertou contra seu peito... Naquele momento senti-me protegida.

Fomos a um barzinho, ali trocamos sorrisos e confidências.

Dentro do carro demos nosso primeiro beijo. Daquele momento em diante, fomos durante anos, um par constante.

Houve tanto amor e tanta ternura entre nós que achei que seríamos felizes para sempre.

Sem que eu soubesse porquê, tudo entre nós acabou, sem explicação você saiu da minha vida.

Quando sopra o vento forte peço a ele que lhe pergunte, por que você se foi?

Quando a ventania volta, fico alerta, espero sua resposta, mas ela não vem.

 

Registrado em cartório
Muriel Elisa Távora Niess Pokk
NADILCE BEATRIZ

 

PEDRA

 

No mundo, meu pecado anda solto
É uma pedra desbastada pelas eras
Mas sempre pedra
Um raio de sol não basta, não brilha
Se por onde procuro toda a vida
É sempre em mar revolto
Se, de uma árvore corta-se um galho
Por certo nada irá uni-lo
Será sempre um galho
Outros lhe nascerão fortes ou fracos
Não será o mesmo
Porque lá só ficou um atalho
Então, em meu mundo há sanidade
Um piano que toca na madrugada
Somente um piano
Uma reserva de esperança do tempo
Sentada numa pedra
Onde ludibriou a castidade
As grandes árvores falam com Deus
Cresceram sem permissão dos homens
Aqui serão árvores
Punhados de audácia da natureza
Porque um pássaro necessitou defecar
Isto é o que dizem os ateus...
Ah, anda solto meu pecado no mundo
As eras desbastaram-no como pedra
Mas sempre eras
Um raio de sol que se basta até sem brilho
A vida sempre me procura
Onde permaneço só por um segundo.

 

 

"NATO" AZEVEDO

 

RAÍZES NEGRAS DO MUNDO

 

I (refrão)

 

Da África-mãe ao Brasil negro
recomeça a tua história, Negro.
Na luta de cada dia negro
Zumbi é você agora, Negro.

 

I I
O som do Brasil é negro
como o colorido de tudo;
como a dança de muitos países
e a paz que resta no Mundo.

 

I I I
No canto, na reza, na dança,
em nós revive a Mãe-África.
Onde estivermos bem
é nossa terra, é nossa pátria.

 

I V
Nós não nascemos iguais
mas somos todos irmãos
na terra que nos criou,
nas entranhas deste chão.

 

V (parte declamada)
Abre as asas sobre nós, Liberdade,
branca vela no mar azul desta vida.
Vem quebrar os grilhões da Verdade
prá renascer a alegria perdida.

 

"Nato" Azevedo

 

 

NERE BELADONA

 

DIÁLOGO DAS MÃOS

 

Saudei com palmas!
A luz que brilhou no meu nascer...
Abençoei com meus dedinhos
Meus genitores, pela dádiva do existir.
Comi com talheres de pau
Para não me ferir.
Escrevi com todas letras meu nome.
Folhei livros e livros,
Li tudo de bom que a Literatura me deu,
Pintei o sete e também lindas margaridas.
Lavei toda sujeira...
Inveja, ódio e todo o mal do mundo,
Passei ferro quente por cima de todo passado.
Curei, por imposição delas,
Apontei para estrela guia,
Bordei teu nome no infinito.
Cruzei-as em sinal de Fé
Agradeci ao Senhor do Universo
Por todo trabalho que faço,
Com um aperto de mãos
Na afinidade de perdão ao próximo.

 

 

ODENIR FERRO

 

O SONHO DE VOAR EM LIBERDADE

 

O homem, deste os primórdios da pré história, sempre olhou para o céu! Quis, dentro do seu íntimo interior aprofundar-se no além de si mesmo. Desejando inter relacionar-se com o mundo a sua volta e também com o universo constelado das estrelas! E o sonho de liberdade foi crescendo dentro do íntimo de cada qual de nós; até formarmos, em pensamento, um imenso desejo impresso dentro do inconsciente coletivo de todos os povos, em todas as eras. Somente nestes séculos atuais, foi então que pudemos ir gradativamente, realizando este desejo de voar, de conhecer os mistérios dos planetas, de sondar tudo o que até hoje ainda está muito insondável, ou seja: - Deus e seus mistérios envoltos dentro da criação do Universo, da nossa Via Láctea, da nossa lua, do nosso querido planeta Terra e seus ainda indesvendáveis mistérios. E por que não dizer, de nós, quanto seres humanos que somos, ainda temos muito o que descobrir sobre nós mesmos.

Mas, voltando ao assunto em questão, dentro do nosso onirismo interior, sempre fomos intimamente sequiosos por querermos desvendarmos os mistérios que nos envolvem em forma de algo conhecido, compreensível, mas que está impalpável, inacessível a todos nós, como por exemplo: - A lua e seus fascínios! Nós a vemos quase todos os dias enfeitando o nosso céu noturno; podemos vê-la, apreciá-la, mas não podemos tocá-la! E nem mesmo ir visitá-la quando desejamos (a não ser na imaginação), pois os nossos envolvimentos com ela são visuais, apenas; assim como as estrelas, os planetas, cometas, e muitas e muitas outras realidades que existem, mas que estão muito além do nosso alcance. Enfim, em relação à lua, sabemos que ela existe desde milhões de anos atrás, assim como o nosso planeta, e sempre estivera ela ali, por todas as eras. Acompanhando-o e acompanhando-nos através das nossas origens humanas ancestrais históricas, até os nossos dias de hoje. E continuará os seus ciclos pelo futuro vindouro; portanto, ainda inexistente para nós. Dentre nós, felizmente, tivemos grandes homens gênios! Aqueles que ousaram ir um pouco, ou muito mais além! Assim como o nosso imortal Santos Dumont, que pode realizar os nossos primeiros desejos inconscientes: - O de ganharmos as asas da liberdade para Voar!

Pressinto, intimamente, que não estamos muito longe, mediante a nossa capacidade criativa e com o desempenho da alta tecnologia, de que num futuro muito bem próximo, poderemos observar nos céus do planeta, não somente aviões, mas sim homens-voadores! Homens-pássaros! Creio que daqui a alguns próximos anos futuros, poderemos viajar para onde quisermos, através de nós mesmos; acoplados confortavelmente a uma possante nova "engenhoca" máquina voadora de última tecnologia! E que poderá gerar-nos as possibilidades de irmos e virmos de onde estivermos e indo e voltando para onde quisermos. Mediante um planeta cada vez mais globalizado, e sempre se inovando dentro de tecnologias de ponta, a nossa criatividade, também, espero, é que se volte para prestarmos mais atenção ao nosso solo. Aonde pisamos, vivemos, sobrevivemos, enfim, existimos. Pois estamos todos conscientes de que retiramos tudo da Natureza, e não estamos sabendo como devolver a ela, o nosso agradecimento. Pelo contrário, estamos entupindo-a com toneladas e mais toneladas de lixo!

 

Rio Claro, (SP), 11 de Março de 2012
Odenir Ferro
ODYLA PAIVA

 

TEUS OLHOS

 

Entristecidos.
Magoados.
Aprisionados pela tua razão.
Me dizem tudo que já sei.
E eu?
A esperar uma solução.
Descobri que me visitas
somente durante meu sono.
É quando estás livre
das amarras de teu dono.
Eu então posso aceitar
tudo que já sei.
E te recebo...
Vem!

 

Odyla Paiva
PAOLA VANNUCCI

 

CÉLULAS QUEIMADAS

 

Um dia o vento levou meu amor
Não sabia:...
Um incêndio chegando.
Não sentia mais meus instintos.
Seu perfume exalara no ar.
Minhas células queimaram sem socorro algum.
Tive a intenção de pedir ajuda,
O fogo me sucumbira.
Minhas células secaram diante do incêndio,
Que o tirou dos meus braços.
Querendo ser, eu a morte,
Confiei na rosa que antes parecia triste, e
Rija em meio às labaredas,
Como resposta;
Nada acabara,
Apenas uma etapa se concluíra
Esse incêndio explica tudo,
Sem sua presença, ascende uma chama,
Que nutre, queima,
Enraíza nosso amor.
Desse incêndio, aprendi que ao,
Nascer uma rosa, jamais esta morrerá.
Nem com a bomba de Hiroshima.

 

Paola Vannucci

 

01/09/2012

 

 

PAULO CÂNCIO DE SOUZA

 

Às 9 h e 30 min., hora do recreio, Jorge aproveita o tempo para copiar lições e exercícios dos livros dos colegas. Um dia, matemática; outro, história; outro, biologia...quando eventualmente é possível, ele tira xérox de partes mais importantes. Alguns emprestam o material de boa vontade; outros o fazem com deboche (“o pobre da sala”, “compra um livro” e frases afins); Jorge não se ofende tampouco se envergonha; simplesmente não entende por que perderia seu escasso tempo com isso; para aqueles que se recusam a ceder o livro, com ironia ou irritação, ele simplesmente se limita a não repetir o pedido no futuro (“o livro é dele e ele tem todo direito de não querer emprestar”). Alguns colegas mais generosos lhe emprestam o livro por um dia ou dois em que se ocupam com outra disciplina.

De volta à sala de aula, sem merendar, ainda suprindo a falta de livros, Jorge toma nota do o máximo que pode da informação passada pelos professores; parte do que não é incorporado ao caderno é armazenado nos neurônios. Ele é muito inteligente e as dificuldades da vida, bem aceitas, o levam a explorar, ao máximo, seu potencial. Quase sempre, Tira boas notas; a “bondade” de muitos colegas é cobrada verbalmente (com sutileza, por alguns; diretamente, por outros; de modo arrogante e, ás vezes autoritário, por outros) em épocas de provas, na forma de explicações e de resoluções de exercícios. E Jorge veste a camisa de plebeu que sabe conviver com a própria sorte para viver melhor sem almejar os artificialismos da realeza; além disso, a gratidão e o desejo de ajudar o acompanham nessas horas.

Hora da saída. Os alunos vão para casa almoçar, já com o estômago preparado; alguns até salivam antecipadamente, quando já sabem ou imaginam o que encontrarão na mesa. Com Jorge é diferente - é preciso economizar o dinheiro do transporte e a sola de sapato também (calçados custam caro). Vai direto para a sapataria onde trabalha, fazendo um lanche no caminho, dentro de suas possibilidades. No trabalho, de nada se queixa e procura não dar motivo para se queixarem dele, precisa do emprego, sua mãe e seus irmãos contam com seu salário. Na convivência diária com clientes nem sempre educados, colegas descontentes e chefe nem sempre de bom humor, Jorge não se deixa contaminar por atitudes negativas; a compaixão lhe permitir coexistir em paz, por fora e por dentro, com reflexos alheios de insatisfações com a vida. Vida, quase sempre, bem menos dura do que a sua que envolve muitos sacrifícios, mas pouco sofrimento; sua índole, a forma que foi educado, seu temperamento, tudo lhe foi útil para aprender a viver; por isso, dor, amargura e consternação não encontram espaço em sua agenda.

À noite, ao chegar em casa, o suor pinga de seu rosto, as pernas dão sinal de fadiga, a boca é aberta, revelando um bocejo e um largo sorriso. Depois de um modesto jantar, ele toma conta dos irmãos menores, enquanto sua mãe, viúva há 3 anos, desempenha suas últimas tarefas na cozinha. O pequeno Pedro, de quatro anos de idade, adora o irmão mais velho e o obedece como a um pai; Alice de oito anos, mesmo nome da mãe, é muito inquieta; uma boa cabeça para historias é uma maneira eficiente de deixá-la acomodada.

Finalmente, Jorge tem um tempo para estudar. Não pensa tanto nas notas dos exames anteriores, mas na base em formação para o ano seguinte quando fará vestibular. Ele vê as dificuldades do presente como alicerces de um futuro melhor. Jorge vai dormir mais tarde do que o corpo gostaria e acorda na hora em que precisa. Não se lamenta por isso, pois lamentos não fazem parte da rotina dos vencedores e quem, apesar de todas as adversidades, consegue ser feliz e manter ativo um espírito de luta pela vida traz a vitória no sangue. A verdadeira vitória da “felicidade garantida” independente de resultado aliada a disposição de fazer o melhor em prol dos objetivos.

Um novo dia, uma nova jornada. Os mais velhos se levantam quase que simultaneamente; Jorge agradece a Deus por ter uma bolsa de estudos e, principalmente, por sua índole, bem precioso que tanto facilita a sua vida, bem que, de longa data, ele continuamente se esforça para merecer; Alice, pelo filho que tem e pela missão de educá-lo.

Paulo Câncio de Souza

 

 

 

PAULO MARCELO PAULEK

 

SEM VOLTA

 

O inesperado o incalculável
Balanço das ondas
Que me leva a infinitos mares sem fim
E nesta solidão que me abraça
E rasga-me por dentro
Não deixando espaços para fugir
E aos poucos distanciando da minha terra querida
Não há volta como voltar
Não tem como escapar
Viver solitário é um mártir (sofrimento)
Foi-se aquele guerreiro
Não há mais ilha
Nem família
Apenas o horizonte
E as ondas

 

 

 
PENÉLOPE LSTEAK

 

CARTAS DE AMOR

 

Cartas são DNA da alma ditadas pela emoção
Escrevo aos montes umas mando
Outras não, pois quem sabe direito
Se é certo ou não é esse ingrato
Coração, então o lixo fica cheio
De lindas declarações de amor
Que não tive coragem de mandar.
Sou assim feito vulcão, dias que amo
Outros tantos não.
[Coração atrapalhado e muito magoado.]

 

Penélope Lsteak

 

POETISA MENINA

 

OLHAR D’ALMA

 

Era uma tarde do mês de outubro.
Ela esperava pacientemente,
malas prontas, sem orgulho.
No coração a saudade...
Ao embarcar, sentou-se a janela,
ficou com o olhar perdido...
Viu despedidas, acenos, lágrimas,
abraços, beijos, cheiros...
O trem seguiu, passou montanhas,
pontes, pastos, riachos...
Dos olhos duas lágrimas...
Debruçou na janela a sorver a primavera...
Tirou de dentro da bolsa sementes,
E com as mãos em palmas jogava no ar sonhos.
As sementes de sonhos caiam nos abismos,
nos campos e perto dos ribeirões...
Ela seguiu triste seu destino.
Esqueceu do que semeou...
Tempos depois, alguém sentou na mesma janela
Viu despedidas, acenos, lágrimas e beijos...
Debruçado o olhar dele foi além... Olhar d’alma
Viu nos campos, montanhas e riachos,
tapetes de saudades e flores...
Viu pés de beijos, sonhos de um amor sem fim.

 

Poetisa Menina

 

 

 

PRISCILA DE LOUREIRO COELHO

 

A ordem do dia é parceria!

 

Outro dia, fiquei sabendo de uma passagem muito interessante. Envolvia um conhecido meu, um homem inteligente, educado, bem preparado e portador de uma fé inabalável.

Contou-me que estava passando por uma crise existencial, portanto procurava compreender certas coisas que, a seu ver, pareciam fora de lugar, mas que não poderiam ser desta forma.

Sendo homem bem humorado e de uma espontaneidade encantadora, passou a relatar-me o ocorrido com ele, neste episódio.

Decidiu que deveria investigar para que serenasse de vez seu espírito.

Sempre foi pessoa religiosa, e nunca aceitou a fé cega, por acreditar que Deus deu a inteligência ao homem para ser usada em todos os aspectos de sua vida, inclusive na religiosidade.

Assim, meu amigo achou por bem marcar uma hora com o vigário da paróquia, para que pudesse discutir suas dúvidas, com quem poderia auxiliá-lo.

Feito isso, aguardou com ansiedade o tal encontro, e de certa forma preparou-se para ele, pois desejava ardentemente esclarecer suas cismas.

No dia de sua entrevista com o vigário, lá foi ele todo entusiasmado, certo de que haveria de esclarecer alguns pontos, que considerava importantes.

Lá chegando encontrou uma boa acolhida por parte do religioso e foram os dois sentar-se na sala, iniciando uma conversa que logo se mostrou inflamada.

Meu amigo foi discutindo o ponto principal de sua inquietação. E com o cuidado de quem já repassou incansavelmente o assunto, expôs suas conclusões e observações ao seu interlocutor.

Horas depois, o diálogo se estendia sem que ambos conseguissem chegar a um consenso, pois meu amigo quando busca entender um assunto, não se contenta até que realmente o tenha absorvido com clareza.

O vigário, já com o tempo esgotado, e exasperado com a postura obstinada de sua visita, num ato de puro desespero e impotência, levanta-se e pronuncia uma frase encerrando a conversa:

- Meu filho!... Se Deus enviasse um anjo para conversar com você, por certo retornaria ao paraíso completamente desnorteado!

Vá para casa, reze e pare de ficar querendo entender certos mistérios!

Um tanto espantado, meu amigo se retira, despedindo-se educadamente Embora acatasse o conselho de seu companheiro de conversa, saiu de certa forma frustrado. Sentindo que não havia resolvido suas pendências.

Era por natureza um homem obstinado, não se dava facilmente por achado.

Resolveu dar uma passada na Igreja, quem sabe teria alguma luz ao buscar auxílio na casa de Deus!

Entrou na Matriz, foi direto para a capela do Santíssimo, e lá se acomodou pondo-se a dar vazão aos seus sentimentos.

Com uma calma atípica ao seu temperamento, contou-me ele que expôs a Deus suas dúvidas, narrando como havia buscado esclarecimento junto ao vigário, e como foi que havia decorrido a tal conversa. Deixou claro que não estava vindo reclamar, pois havia percebido o esforço sincero por parte do religioso em ajudá-lo e reconhecia todo empenho que houve na tentativa de resolver o assunto ainda que não obtivesse sucesso. Assim, não era sua intenção reclamar, apenas contar-lhe que, por orientação do próprio padre, não deveria mais se questionar sobre esse assunto.

Via-se então numa situação penosa, em que se sentia obrigado a não mais utilizar a inteligência que Ele próprio havia lhe oferecido!

Como era de boa paz, faria o seguinte. Não mais iria mexer no assunto e passaria sua vida, acatando simplesmente a orientação dada pelo padre. No entanto, queria pedir ao senhor um favor.

Pretendia viver muito ainda, mas, um dia sabia que iria ter com Deus pessoalmente. Assim, solicitava com antecedência que lhe fosse designada uma “horinha”, nada demorado, mas era de suma importância que já agendasse esse encontro, para quando ao paraíso chegasse.

Satisfeito por ter resolvido parte do problema, antes de se retirar ainda ousou mais. Disse ele a Deus:

- Pai, não desejo me intrometer em Seus assuntos, longe de mim tal pretensão! Mas já que irá marcar este encontro, nesta oportunidade certamente esclarecerá minhas duvidas, e já que estaremos mais à vontade, aproveitarei para dar-lhe umas idéias, coisas simples, mas que poderiam melhorar sua criação! Assim, capriche em nosso tempo!

Dito isso, saiu tranquilamente da Igreja, feliz por ter se entendido com Deus.

Ouvi esta história, admirada. E pensei comigo: Isso é que é espírito participativo!

Priscila de Loureiro Coelho

REGINALDO HONÓRIO DA SILVA

 

GESTAÇÃO DE UMA POESIA

 

Quando um pensamento me inspira uma poesia
É como se eu desejasse fazer amor
Com a mulher dos meus sonhos
Quando eu componho um verso
É como se eu fizesse amor com essa mulher
Quando o verso sai da composição
E desliza singular no papel virtual
É como se a mulher dos meus sonhos engravidasse
Quando o verso se transforma em poesia
É como se a gestação estivesse completada
Quando o verso é impresso em papel real
É como se a parturiente parisse
E vindo à luz a minha poesia
Eu a trato como se fosse um filho
Falo dela com orgulho
E se me derem chance ainda a declamo
Com a alma em riso eterno
E o coração em aplausos
É como se eu fosse um notável
Entre os leigos e os que se julgam intelectuais.

 

© Reginaldo Honório da Silva
O Poeta da Estrada
Rio Claro, 04 de agosto de 2009.

 

 

RENATO A. TORRES DE M. MOUL

 

VASOS PRA QUE VOS QUERO?

 

A mulher ali estava, com tristeza e solidão,
seu marido havia morrido, e agora meu irmão,
chamou ela Eliseu, que lhe veio acudir,
tenho uma palavra de DEUS, precisamos lhe ouvir.
Os credores já chegaram, murmurou a pobre mulher,
Sua situação não era fácil, quase não ficava em pé,
Mais um pouco esperasse, disse o homem de DEUS
Tudo se resolveria, era uma questão de fé.
Traga vasos para si, disse logo o profeta,
crendo nisso a mulher, anunciou sua oferta.
Enviou seus pequenos filhos, com uma ordem dada então,
Tragam recipientes pra mim, essa é a provisão.
Os meninos seus saíram, os vizinhos a chamar,
Vasos e vasos eu quero, começaram a clamar
quem estava a volta ouvia, muitos sem nada entender,
não sabiam logo estes, que um milagre ia ocorrer.
Dentro de casa a mulher, sobre a porta se fechou,
começou a entender, a ordenança do Senhor,
de um jarro com azeite, outros tantos ela enchia,
grande seria o deleite, muito mais ela teria.
As crianças logo pararam, vasilhas já não temos
Os vizinhos saturaram, e agora o que faremos?
A sala repleta estava, de vasos esborrantes
O oléo encheu a todos, foi uma cena transbordante.
Logo após mudou-se a cena, e o discurso também
Aqueles que saíam pedindo, já viviam outro bem,
A voz que suplicava, agora anunciava
Olha o óleo, olha o óleo, o milagre feito estava!

 

Renato A. Torres de M. Moul

 

 

RODRIGO ARCADIA

 

A CIDADE QUE DORME

 

Há uma cidade que dorme nos teus devaneios.
Bonita poesia nos postes iluminados de luzes machucadas
Vazia rua órfã, sem dono, sem multidão a desfilar.
Há uma cidade que dorme no brilho dos olhos.
Véu de neblina escondendo viuvez da noite
Solitária madrugada desesperada de loucura.
A cidade dorme nos olhos verdes dela.
A cidade é o fantasma abandonado
Que ronda a vigília da alma.
Há uma cidade que desperta sem sorrir...
Triste poesia contada no medo do homem sem teto.
De longe, a canção abraça os passos da gente.

 

(Rod.Arcadia)

 

 

 

 

 

 

 

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