Sebo - Semira Adler Vainsencher-MAMONA

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SEBO LITERÁRIO

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A mamoneira (Ricinus Communis Lineu) é uma oleaginosa tropical, pertencente à família Euphorbiaceae, que, pela importância do fruto - a baga - na produção de óleo, e devido ao seu valoroso resíduo - a torta - é considerada uma planta estratégica para o desenvolvimento do Brasil. A mamona é conhecida desde os tempos mais remotos.
Na Antiguidade, ela era valorizada pelas propriedades medicinais, e por seu azeite, utilizado para iluminação.
Os egípcios, há 4.000 anos, já costumavam depositar, nos sarcófagos, as sementes dessa planta.
Não se sabe, ao certo, qual foi o seu país de origem. Uns afirmam que a mamoneira originou-se da África e, outros, ressaltam que ela veio da Ásia. No que se refere à presença no Brasil, os pesquisadores acreditam que os portugueses a trouxeram para cá, no primeiro século do Descobrimento. Seu óleo era empregado como lubrificante, nos mancais dos engenhos de cana-de-açúcar, sendo conhecido como o mais eficaz dos óleos destinados a reduzir, ou anular os atritos.
A mamoneira tolera as secas e se adapta muito bem nas regiões semi-áridas, contudo, não é exclusiva destas regiões. Trata-se de uma planta exigente, de hábito arbustivo, não sendo verdade que se desenvolva bem, até mesmo, em terrenos pobres. Nestes espaços, os produtores necessitam aumentar o nível de fertilidade, através da aplicação de adubos, uma vez que sua cultura não é econômica. Além disso, ela não deve ser plantada, no mesmo lugar, por mais de dois anos seguidos. Aconselha-se a rotação de culturas com leguminosas.
O caule da mamoneira apresenta várias colorações, podendo possuir cera, ou não. Os frutos, quase sempre, possuem espinhos e, em alguns casos, são inermes. Suas sementes evidenciam formatos e tamanhos variados, bem como algumas colorações.
Existem dois tipos de mamoneira:

1. o deiscente, cuja cápsula libera as sementes a uma temperatura superior a 25 graus centígrados, conhecido por estaladeira; e,
2. o indeiscente, cuja cápsula não se abre sob a ação do calor do sol. Cabe informar que o teor de óleo das sementes varia, proporcionalmente, à soma do calor recebido pela planta, no ciclo vegetativo.
No final do ciclo, os cachos da mamoneira, já secos, são colhidos mediante uma única operação, e o descasque mecânico é obrigatório. As máquinas promovem a fricção dos frutos, para liberar as sementes. A seguir, elas são separadas da casca do fruto e prensadas. Nesse processo, o óleo extraído é uma fonte, quase pura, de ácido graxo ricinoléico (conhecido também como óleo de rícino), cuja cadeia carbônica lhe confere propriedades singulares.
O óleo empregado na indústria química possui mais de seiscentas utilidades, entre outras, na produção de vernizes, corantes, tintas, anilinas, nylon, desinfetantes, germicidas, fungicidas, inseticidas, lubrificantes de alta viscosidade, colas e aderentes, tintas, biodiesel, e próteses para transplantes em órgãos humanos. É matéria prima, inclusive, para a fabricação de produtos biodegradáveis.
Embora apresente toxidez, a torta da mamona vem sendo utilizada, há muito tempo, como adubo orgânico restaurador do solo. No entanto, atua, mais lentamente, que os usuais adubos químicos. Aquela torta possui, ainda, certo efeito nematicida. A sua composição, se comparada à da semente do algodão, apresenta vantagens em relação aos percentuais de nitrogênio (N) e fósforo (P), ficando atrás, somente, em quantidade de potássio (K). No presente, foram desenvolvidas algumas técnicas que eliminam a toxidez, melhorando os seus efeitos. E, hoje, o óleo já é usado como matéria prima para a produção de biodiesel.
Não são, apenas, o óleo e a torta que possuem aplicações relevantes: da mamona, tudo se aproveita.
As folhas servem de alimento para uma espécie de bicho-da-seda e, as hastes, além de celulose apropriada para a fabricação de papel, fornecem matéria prima para a produção de tecidos. Na década de 1930, os estudiosos descobriram que o óleo da mamona era um ótimo lubrificante, quando puro. Adicionado ao álcool, já era utilizado como sucedâneo da gasolina, em motores de explosão. Em países de língua inglesa, como a Inglaterra e os Estados Unidos, a mamona recebe as denominações castor beans e castor seed.
Desde a Segunda Guerra Mundial, o Brasil tem se destacado como o maior produtor e exportador de sementes e óleo de rícino (castor oil). Antes disso, tal posição pertencia à Índia. Por ordem de importância, os países que mais produzem mamona são os seguintes: Brasil, Índia, China, Tailândia e Paraguai.
Com o advento do Protocolo de Kyoto, em 14 de dezembro de 1997, onde os países desenvolvidos se comprometeram a reduzir a emissão de gás carbônico (CO2), passou-se a exigir uma só tendência para o setor de energia: o crescimento mundial dos biocombustíveis. Esta exigência é fruto da poluição do meio ambiente, do esgotamento das reservas de combustíveis fósseis, e de legislações ambientais cada vez mais rigorosas.
Por apresentar extensas áreas agricultáveis, o Brasil despontou como um grande promotor de mudanças. E o Nordeste do país, uma das regiões mais carentes em desenvolvimento, possui extensas áreas para o plantio de oleaginosas, já que a mamoneira convive com seus índices pluviométricos, e se adapta bem às condições das áreas de sequeiro.
Neste sentido, desde 2005, o Piauí vem desenvolvendo um programa energético, mediante a produção de biodiesel, tendo a mamona, como fonte. Naquele Estado, o cultivo envolve o trabalho de, aproximadamente, 5.000 famílias, em 15.000 hectares de terra, e fazendo parte do modelo nordestino de agricultura familiar. Na cidade de Canto do Buriti, por exemplo, a empresa Brasil EcoDiesel executa um projeto de plantio que, no início, incluía cerca de 560 famílias, em uma área de 10.000 hectares. O Governo do Piauí disponibilizou a área para ser explorada, durante dez anos, com tal finalidade. Decorrido esse tempo, as terras passarão a pertencer, em definitivo, às famílias que as cultivam com mamoneiras.
Existe outro projeto de cooperação entre o Governo Federal, o Governo Estadual, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), o Meio Norte Piauí, e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) Piauí, cujo objetivo é o desenvolvimento sustentável e integrado da região semi-árida do Estado. O projeto é financiado pelo
Banco do Brasil, pelo SEBRAE e pela Fundação Banco do Brasil, envolvendo 1.800 famílias de agricultores, de 14 municípios da região de São Raimundo Nonato, que receberão capacitação tecnológica para o cultivo da mamona. A previsão para a execução do projeto é de três anos, e a safra deverá ser comercializada com a empresa Brasil EcoDiesel.
Nas regiões semiáridas piauienses, o cultivo da mamoneira engloba outras vertentes da cadeia produtiva de biocombustíveis. É o caso da Usina Escola de Produção de Biodiesel que, desde outubro de 2004, está em operação na Universidade Federal do Piauí (UFPI). A Usina Escola tem como objetivos a produção de biodiesel, o treinamento de alunos de Graduação e Pós-Graduação, além do desenvolvimento de pesquisas e tecnologias para a produção de biocombustíveis.

 

 

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