XII Antologia Virtual

Quinto Bloco

 
PARTICIPANTES - (QUINTO BLOCO):

 

  Maia de Melo Lopo

  Magali Oliveira

  Malude Maciel

  Mardilê Friedrich Fabre

  Margareth das Dores Rafael Moreira Costa

  Maria de Lourdes Scottini Heiden

  Maria João Brito de Souza

  Maria José Zovico

  Maria Luiza Bonini

  Maria Mendes Corrêa

  Maria Tomasia

  Mario Rezende

  Mercília Rodrigues

  Mírian Warttusch

  Mora Alves
 
 

 
 
MAIA DE MELO LOPO

 

NOITES

 

Noites longas, noites tristes, noites frias,
noites longas, noites longas,
no tempo onde tudo estilhaçou, no tempo onde tudo se entrega,
no tempo que o amor passou e o vento recorta o coração e me leva,
e vou em lábios se me apetece e nas sombras fujo por onde anoitece.
Noites longas, noites mortas, noites esguias,
noites longas, noites longas,
asas em sobressalto e focinhos de cão, noites fúnebres como neves infinitas,
e no andaime azul do céu falto ao ensaio, cadáveres em lápides de espelhos,
ai tantos mortos que choram no rio vestidos de verde, mortos amarelos e vermelhos.
Noites longas, noites em chama, noites de agonias,
noites longas, noites longas,
calmas ou em dores vivem almas abandonadas, agitadas em telhados de solidão,
bosques de nuvens enegrecidas, incendiadas em mil sonhos amadurecidos,
mãos sedentas de pão, frutos perfumados, fomes macilentas pobres esquecidos.
Noites longas, noites longas, carregadas de espinhos e pólen de flores,
turvam olhares ensanguentados, punhais cósmicos cegam amores,
e luzes seguem ratos, saltam pulgas no luto mais negro da grande podridão.
Noites longas, noites longas, povo triste olha na janela o plim, plim, plim da vida,
cai chuva esfarrapada dentro da panela, fome canta nas vielas plim, plim, plim,
tudo morre no fim, plim, plim, são lágrimas de criança esquecida nas tripas da escuridão.

 

Maia de Melo Lopo

 

Lisboa/Portugal

 

MAGALI OLIVEIRA

 

AS ESTRELAS FALAM

 

Noite escura...
Onde as estrelas foram adormecer
Para dar descanso aos olhos
Dos poetas, apaixonados e românticos
Hoje o céu está reluzindo
Estrelas dançando ao redor da Lua...
Trazendo o fogo da paixão
Dos casais eternamente enamorados.
Quando elas se calam
Percebem-se as lágrimas caindo em forma de chuva
Os trovões jangados pela amada triste
Faz um barulho ensurdecedor.
Raios rasgam o céu
Iluminando na marra
Tentando copiar as estrelas
Mas nunca pode se comparar a sua beleza!
Assim minhas noites estreladas
Me salva das tempestades
Que insiste em me atingir
Levando minha paz e alegria.
Minhas estrelas falam na alma
Trazendo inspiração ao poeta
Ajudando-me a cada dia
A ser mais feliz!

 

Magali Oliveira

 

10-04-2012

 

MALUDE MACIEL

 

MAIS UM NATAL

 

Outro natal vem
E a gente vai,
Passando, passando,
Pensando no passado
Nos outros natais que já passamos
Época linda e bem-vinda
E o Natal se ufana
Jesus vem como qualquer criança indefesa
Mas, pode ter certeza
Com poder e um amor bem grande
Pra iluminar a consciência humana
Cada homem pára para olhar
Para dentro de si mesmo
Encontrando um coração
Sujeito à reformas
Algo a fazer, a modificar
A melhorar
Uma luz a acender
Para brilhar
Porque outro natal virá
E será sempre assim
Mas, não é certo
Que estaremos vivos por aqui
Aproveitar bem esse momento
Presentear algo sobrenatural
Força eterna, além do pensamento
Fazendo desse o melhor Natal

 

Malude Maciel

 

Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras.

 

MARDILÊ FRIEDRICH FABRE

 

REDESENHO-ME

 

Foram muitas as vezes que me redesenhei.
Era menina tímida e sonhadora, interiorana, protegida pela família.
Interna em colégio de freiras na capital vi-me, de repente,
sozinha, conquistando meu espaço.
Depois de três anos, era outra, embora sonhadora (ainda o sou),
agora impulsiva, determinada, segura, persistente.
A perda prematura de minha mãe, amadureceu-me à força,
principalmente porque havia minha irmã menor.
No trabalho, a dedicação tornou-me profissional respeitada.
Como mãe, sempre me preocupei em legar bons exemplos.
Uma grave doença mostrou-me uma faceta diferente, passei a valorizar
as pessoas, a compreendê-las, a dar-lhes atenção, a aceitá-las como são. Entendi que até então tinha sido um rascunho de mim.
Com a maturidade, contenho o meu lado explosivo com mais facilidade,
ouço quem precisa, observo mais e opino menos, afinal somos indivíduos, portanto diferentes, com personalidades distintas. Aprendi que o erro
é característica do ser humano (quem não erra?) e que perdoar
não é esquecer, e sim ter a humildade de aceitar essa peculiaridade,
que é inerente às pessoas.

 

Mardilê Friedrich Fabre

 

MARGARETH DAS DORES RAFAEL MOREIRA COSTA

 

NAS ÁGUAS DO MAR

 

Estive a sonhar
Que comecei a caminhar
E não demorei em encontrar
O mar.
Estive a sonhar
Que cheguei no mar
Que tive medo de me arriscar
A entrar no mar.
Estive a sonhar
Que comecei a entrar
Nas águas do mar.
Continuei a sonhar
E senti os meus pés
Nas águas do mar
Molhar.
Quase a terminar
De sonhar
Me vi a banhar no mar
Senti mergulhar
Nas águas do mar.
Queria voltar
Parar de sonhar
Mas continuei
A sonhar.
Entrei no mar
Te vi correndo
Pra me encontrar.
Corri
Pra te abraçar
Nesse instante nadei
Nas águas do mar.
Levantei
Te enxerguei
Te abracei
Te beijei
Te amei.
Acordei do meu sonho
E chorei.

 

Margareth Rafael

 

MARIA DE LOURDES SCOTTTINI HEIDEN

 

PERGAMINHO

 

No pergaminho esquecido
Minha história entremeada
De casos e acasos
Subsiste...
A seiva que corre no velho tronco
Grava manifestos de liberdade
Que não subsistem.
Golpeio o chocalho da mesmice
E desperto quem dorme em mim
Antes que me sufoque.
Quebro o frasco das lembranças
E desfaço os nossos laços
Sem hesitação.

 

Blumenau - SC - Brasil

 

 

MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

 

EU, POBRE E SUBURBANA...

 

Eu, pobre e suburbana, me confesso
Nas “lides de ideais” fraca figura!
Deveras insensata, reconheço
Ser muito avessa aos “jogos de cintura”…
Diz-me, a razão, que irei pagar o preço
Desta desprotecção, desta loucura,
Mas falta-me o dinheiro, ou cheque impresso,
Que assegure, ao saldado, a cobertura…
Eu, pobre e suburbana, nunca meço
O alcance do que intuo… ou se o mereço…
Defendendo o direito a ser quem sou,
Por vezes destemida no começo,
Se abordo as mil questões que desconheço,
Fico perdida… e sem saber que o estou!

 

Maria João Brito de Sousa – 04.11.2012 -20.19h

 

MARIA JOSÉ ZOVICO

 

AS ROSAS NÃO FALAM

 

Se as rosas falassem,
Entenderíamos a dor dos cães,
O pranto de todas as mães,
De todas as fêmeas, por inteiro,
Que por não falarem ou pudor,
Não podem expressar sua dor!
Se as rosas falassem,
Saberíamos no canto do passarinho,
Compreender que perdeu seu ninho
Ou então, pode ser a dor do companheiro,
Que encontrou seu momento aterrador,
Nas mãos cruas de um malfeitor!
Se as rosas falassem,
Veríamos nos animais sem auxílio,
Seres abandonados no exílio...
Maltratados, doentes, sem direito,
Também sem entenderem, coitados,
Porque foram cruelmente abandonados!
Se as rosas falassem,
Sentiríamos na infância desvalida,
Sem teto e sem pão nesta vida,
Ver um irmão, sem preconceito...
Mas, como diz o poeta sabiamente,
“As rosas não falam”... Infelizmente!

 

Maria José Zovico

 

MARIA LUIZA BONINI

 

MEU SER AMADO

 

É deste terno amor que temos nos alimentado
Vivificando com doce sabor, os nossos dias
Transformando, o que nos cerca, em poesia
Renovando a vida, enterrando o que é passado
É por este terno amor que estamos unidos
Numa doce entrega, em perfeita harmonia
Como os compassos de uma bela sinfonia
A acariciar, com suavidade, nossos ouvidos
É com este terno amor e teus carinhos
Que junto aos meus, ao infinito nos elevam
Ao lugar onde só os nossos sonhos habitam
É nestes versos que te digo, de mansinho
Que é pouco dizer-te que és meu namorado
Diante de sentir-te em mim_ meu ser amado

 

Maria Luiza Bonini

 

São Paulo/Brasil

 

MARIA MENDES CORRÊA

 

VIVER EM HARMONIA

 

O amor é como um elo
Que une dois corações
Devemos amar o belo
E o feio como um irmão
È difícil de ser esquecido
Quem um dia nos feriu
Depois de aberta a ferida
Só quem a teve sentiu.
O mundo é encantador
Foi feito para ser vivido
Para que então ter rancor
Se podemos ser queridos.
A vida passa e a gente
È como uma flor amarela
Murcha, seca e perde a vida
Mesmo se um dia foi bela.
A rosa tem seus espinhos
Que a ajuda a adornar
Os sofrimentos da vida
Devemos aprender a aceitar.
Se vivermos em harmonia
Tentando a todos conquistar
Este mundo será de alegria
Amigos não vão nos faltar.

 

Maria Mendes Corrêa

 

MARIA TOMASIA

 

NEM ERA NOITE DE NATAL

As três crianças, duas meninas e um menino, pediram um presente de Natal quando nem era Natal. O garoto pediu um carrinho de madeira; uma das meninas, a mais nova, pediu uma fita cor de rosa para enfeitar o seu cabelo louro com um laço de cada lado e a outra, um vidro de esmalte cor de rosa - existente até hoje, o natural da Colorama.

Com o passar dos dias, mais ansiosos ficavam.

A mãe daquelas três crianças já iniciara os preparativos para a comemoração, curtindo doces dos mais variados: de figo, de laranja, de cidra, de mamão maduro, a muraba apreciada pelos libaneses e outros tantos. Os amargos eram diariamente fervidos para que o amargor saísse e os demais eram curtidos ao sol, envolvidos com açúcar cristalizado, em tabuleiros enormes, até sua secagem.

O forno do fogão a lenha era constantemente abastecido com achas de lenha, para que se mantivesse sempre quente.

Os suspiros eram assados e, nas compoteiras, colocados os doces em calda - côco com gema, leite, baba de moça, ambrosia, etc.

Matava-se o porco caturra que vinha sendo engordado há alguns meses e sua carne era parte assada e armazenada em latões com torresmo e banha e parte moída para a famosa linguiça pura de porco, temperada com as especiarias apreciadas pelo povo daquela região, não faltando a salsinha, cebolinha e um toque de pimenta malagueta, curtida na fumaça que saía do fogão a lenha.

Era grande a movimentação durante todo o mês de dezembro e aquelas crianças não pensavam em outra coisa que não fosse os presentes que haviam pedido e que eram do conhecimento dos pais e dos amiguinhos.

Finalmente chegara o dia 24. Até o apetite, sempre voraz, desaparecia, tal a ansiedade delas.

Naquela localidade não havia ceia na véspera, mas, no dia 25, o almoço tinha tudo o que havia do bom e do melhor, nada faltando.

Na véspera do Natal, as três crianças eufóricas, assim que anoitecia, colocavam os seus velhos e surrados chinelos atrás da porta, porque não tinham sapatos.

Iam dormir, mas, cadê o sono? Não vinha, porque a euforia não permitia.

Assim que amanhecia o dia 25, todas as crianças saíam à rua para brincar e o barulho dos carrinhos chamava a atenção.

Aquelas três crianças acordavam da noite mal dormida e corriam até a porta para procurar os presentes sobre os seus chinelos, para que pudessem exibi-los para os amiguinhos. Mas os chinelos estavam vazios, no mesmo lugar, sem coisa alguma sobre eles.

Tristes, sentavam-se à soleira da porta da sala e ficavam olhando os seus amiguinhos brincarem.

Nunca houve presentes de Natal para aquelas três crianças: o menino fabricava os seus carrinhos com caixas de sapatos ou madeira que ganhava; a menina mais velha, jamais conseguiu o seu vidro de esmalte cor de rosa e a outra menina morreu. Para ser sepultada, finalmente, teve enfeitados os seus cabelos louros com os dois laçarotes de fita cor de rosa, um de cada lado.

Como essas crianças, ainda existem muitas outras... Mas quem se importa?

Ninguém!

Maria Tomasia

MARIO REZENDE

 

BEM QUE A LUA ME FALOU

 

Bem que a lua me falou,
quando a gente estava lá de trela,
no silêncio da noite estrelada,
ao acalanto balançante das marolas
e eu contei o segredo para ela:
“Sabe, lua, estou apaixonado por ela,
a flor morena que eu namoro lá no cais”.
“Veja lá meu rapaz, ela me disse,
se não vai se machucar...
Se sua amada não é como uma sereia
que atrai com o seu canto
ou como uma linda flor com seu perfume,
beleza e irresistível encanto
e depois lhe deixa afetado,
com o coração despedaçado”.
A lua é sábia. Conhece essas coisas de amor.
Não imaginei que acabasse em desencanto...
Fiquei como um pássaro solitário e triste
emudecido pela falta do prazer
que lhe estimulava o canto.

 

Mario Rezende

 

MERCÍLIA RODRIGUES

 

ABREM-SE AS CORTINAS

 

Cores, luzes e som! Abrem-se as cortinas
de meus debruns expostos e abertos!
No palco da vida, às vezes, felinas
as paixões e atos descobertos!
As luzes reluzem, na passarela escolhida.
Púrpuras flores, num misto de efusão,
inebriantes, itinerantes, de emoção tolhida!
Sedas e rendas, parte de um todo em profusão,
nas cortinas que abertas me expõem,
transmutada repressão em atos avessos.
Platéia? Minhas imagens divididas me põem
frente a frente comigo, sem endereços!
Fecham-se as cortinas, num último ato de amor,
em meio aos infinitos debruns em flor!

 

Mercília Rodrigues

 

MÍRIAN WARTTUSCH

 

TÃO TRANSPARENTE

 

Dizem alguns que sou tão transparente,
Como a água que nasce dentre as pedras.
Uma gota de minhas lágrimas, somente,
É sim capaz de derrubar todas as regras.
Uso e abuso assim, dessa artimanha,
Eu e a nascente, com algo em comum,
Parindo a água, o rio ela acompanha,
E o choro me nasce sem motivo algum.
Choro para enternecer – mesmo fingindo,
Consigo coisas que fogem à razão.
Enquanto a água, no rio vai seguindo,
Inundam as lágrimas meu coração.
No leito do rio, o seu feitiço a praticar...
Descendo a cachoeira, ó água soberana,
Ao encontro das pedras, vai se rebentar,
Feliz quanto eu, com meu amor na cama.

 

Mírian Warttusch

 

MORA ALVES

 

SORRISO DE CRIANÇA

 

Sorriso de criança
A vida segue seu curso
Assim como o rio segue de
Encontro ao mar
Não deixe que o tempo desfaça
Tua alegria
Pois a vida é feita de momentos
Cada segundo é uma página do
Tempo que já se foi e do que ainda
Está por vir.

 

Mora Alves

 

 

 

 

 

 

 

 

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